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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Uma inquietação de Marcel Proust






Marcel Proust, tendo-se dado conta da frivolidade do mundo que o rodeava e da pressa de viver que se instalou como uma chaga, já no seu tempo, escreveu estas palavras:(1)

As pessoas querem aprender a nadar e ter um pé no chão ao mesmo tempo.

Palavras cheias de sabedoria, são estas.
O escritor perante a realidade do escoamento de uma vida mundana, quotidianamente estéril, sem ter o Universo espelhado pela força do espírito, quis deixar-nos a sua inquietação no início do século XX, tecendo um alerta, tão válido ontem, com hoje... ou, quem sabe, talvez mais apropriado hoje que ontem!

Pois, não será, que andamos por aí, querendo fazer de tudo e ao mesmo tempo?

Na pressa de viver e de competir a perfeição que é o resultado da sabedoria tem cedido ao atabalhoamento, à desertificação das ideias justas e assentes nas bases profícuas da sabedoria.
Diz-se no Evangelho que Jesus, em menino, crescia em sabedoria.
E foi de tal modo assim, que mais tarde haveria de ter inspirado S. Lucas, que expressa deste modo as palavras avisadas que lhe ouviu:

Eu próprio vos darei palavras de sabedoria a que não poderão resistir ou contradizer os vossos adversários (2)

Marcel Proust, quando disse que as pessoas queriam aprender a nadar e ter um dos pés assente no chão, sabia muito bem o que dizia e o que queria atingir.
Magoava-o, certamente,  o facto das pessoas não quererem a sabedoria que O Mestre nos prometeu ou aquela, que inspirando-se nela leva os homens a fazer coisas com sentido.
Ao invés, porém, com a pressa de vivermos passamos a fazer muitas coisas ao mesmo tempo.

A encher o CURRICULUM com muitas tarefas, sem que nelas tenhamos posto com afinco a nossa colaboração empenhada de esforço e de sabedoria.

Senhor, Tu que disseste que nos davas palavras de sabedoria, faz que sejamos humildes e aprendamos contigo tudo quanto tens para nos dizer, para que o dia de amanhã seja, finalmente, o do passo firme para a realização perfeita das obras que fazemos.
E, assim, se tivermos de aprender a nadar que seja batendo forte com os dois pés dentro de água para que sejamos sábios.
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(1) - in, Em Busca do Tempo Perdido
(2) - Lc. 21,15


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