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domingo, 24 de fevereiro de 2019

7º Domingo do Tempo Comum - Ano C - 24 de Fevereiro de 2019



Evangelho de S. Lucas 6, 27-38
«Digo-vos, porém, a vós que me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam. A quem te bater numa das faces, oferece-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, não impeças de levar também a túnica. Dá a todo aquele que te pede e, a quem se apoderar do que é teu, não lho reclames. O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lho vós também. Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis? Os pecadores também amam aqueles que os amam. Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto.Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Então, a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até para os ingratos e os maus. Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.» Não julgar os outros. «Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco.»


Eis, plasmado, um texto cheio de humanidade - dos mais belos entre tantos outros que faz da Bíblia o Livro Fundamental da religião pregada por Jesus -  e onde a sua Igreja se fosse seguida no respeito pela Letra que Ele deixou e de que os seus Apóstolos foram os primeiros ouvintes e assentadores da Palavra, decerto a lei "do olho por olho, dente por dente", há muito tempo era letra morta.

Infelizmente, não é, porque este texto ainda não entrou na sua plenitude na vivência humana, que continua a usar a violência contra a violência, quando havia de se resistir a essa tentação e passar a linha da fronteira - ténue, tantas vezes - que separa o homem do outro que o molestou, seja por actos ou por palavras.

domingo, 6 de janeiro de 2019

"Epifania do Senhor" - Ano C - Domingo, dia 6 de Janeiro de 2019


Evangelho de S. Mateus 2, 1-12

Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do Oriente a Jerusalém.* Perguntaram eles: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”..A essa notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo. Disseram-lhe: “Em Belém, na Judeia, porque assim foi escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo” (Mq 5,1). Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido. E, enviando-os a Belém, disse: “Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo”. Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria. Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho."


Tenho um amigo que a propósito deste trecho que o Apóstolo S. Mateus nos relata, hoje, me disse esta coisa singular:

- O que mais me encanta são as derradeiras palavras deste belo texto. 

E  concluiu, deste  modo:

- Os Magos, que eram gentios viram Deus e não satisfizeram o pedido de Herodes por uma razão simples: é que todo aquele que anda longe do caminho de Deus, se tem a graça de O encontrar, volta para a vida por outro caminho. É a grande lição que os Reis Magos nos dão.

Confesso que nunca tinha pensado nisto.
E agradeci a lição que aquele amigo me deu, deixando-me a pensar que ele, como eu, leigos que somos, neste Dia de Reis, pertenceu-lhe a ele iluminar um pouco mais o meu caminho que há muitas décadas segue pelo caminho de Deus, ao fazer dele um teólogo improvisado das coisas sagradas, até porque, depois disto, ele ainda acrescentou:

- E queres saber mais? - Penso que S. Mateus ao dizer que quem encontra Deus deixa o caminho por onde andava e vai com Ele, esse foi o fito, ao fazer que os Magos não voltassem pelo mesmo caminho até ao pagão do rei Herodes, e fossem para as suas terras pelos caminhos de Deus.

Obrigado, amigo, pelo ensinamento que me deste.

domingo, 16 de dezembro de 2018

III Doningo do Advento - ano C - 16 de Dezembro de 2018



Evangelho de S. Lucas 3, 10-18

Perguntava-lhe a multidão: “Que devemos fazer?”. Ele res­pondia: “Quem tem duas túnicas dê uma ao que não tem; e quem tem o que comer, faça o mesmo”. Também publicanos vie­ram para ser baptizados, e perguntaram-lhe: “Mestre, que devemos fazer?”.* Ele lhes respondeu: “Não exijais mais do que vos foi ordenado”. Do mesmo modo, os soldados lhe perguntavam: “E nós, que devemos fazer?”.Respondeu-lhes: “Não pratiqueis violência nem defraudeis a ninguém, e contentai-vos com o vosso soldo”. Ora, como o povo estivesse na expectativa, e como todos perguntassem em seus corações se talvez João fosse o Cristo, ele tomou a palavra, dizendo a todos: Eu vos baptizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos baptizará no Espírito Santo e no fogo. Ele tem a pá na mão e limpará a sua eira, e recolherá o trigo ao seu celeiro, mas queimará as palhas num fogo inextinguível. É assim que ele anunciava ao povo a Boa-Nova, e dirigia-lhe ainda muitas outras exortações."


A grande personagem da leitura que a Igreja oferece aos homens - crentes ou não é a figura de S. João Baptista.
Diz a Bíblia que no ano décimo quinto do império de Tibério César. quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, a Palavra de Deus entrou certeira e profunda em S. João Baptista, cuja missão que lhe competia era a de anunciar aos homens Jesus Cristo, Alguém que segundo os desígnios de Deus provreria que, 

Todo vale será aterrado,
e todo monte e outeiro serão arrasados; se tornará direito
o que estiver torto, e os caminhos escabrosos serão aplainados.
Todo homem verá a salvação de Deus.

A sua pregação, porém, já continha a doutrina que Jesus haveria de deixar aos homens como marcos das suas atitudes humanas do comportamento social que lhes veio a ser pedido, um motivo, sabendo o povo daquele tempo que esperava pelo Messias prometido - nos seus corações começou a morar a dúvida se não seria ele - e esse alarido que se estava a espalhar levou-o a dizer: Eu vos baptizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos baptizará no Espírito Santo, e com esta atitude este pregador colocou um ponto final na dúvida instalada entre os seu ouvintes.
Razão suficiente para eleger João Baptista como a figura central deste leitura evangélica por não se ter posto em bicos de pés, chamando a si um lugar que seria aceite pelo povo, mas ele não o podia reivindicar para si, por não lhe pertencer.

É a honradez desta postura humana que devia servir de exemplo para aqueles que no tempo que passa para se guindarem a lugares mais notórios e socialmente mais visíveis não se importam de atropelar o seu semelhante.

domingo, 21 de outubro de 2018

XXIX Domingo do Tempo Comum - Ano B - 21 de Outubro de 2018


Evangelho de S. Marcos 10, 35-45

Aproximaram-se de Jesus Tiago e João, filhos de Zebedeu, e disseram-lhe: "Mestre, queremos que nos concedas tudo o que te pedirmos."Que quereis que vos faça?" "Concede-nos que nos sentemos na tua glória, um à tua direita e outro à tua esquerda." "Não sabeis o que pedis, retorquiu Jesus. Podeis vós beber o cálice que eu vou beber, ou ser batizados no batismo em que eu vou ser batizado?". "Podemos", asseguraram eles. Jesus prosseguiu: "Vós bebereis o cálice que eu devo beber e sereis batizados no batismo em que eu devo ser batizado. Mas, quanto ao assentardes à minha direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim: o lugar compete àqueles a quem está destinado." Ouvindo isto, os outros dez começaram a indignar-se contra Tiago e João. Jesus chamou-os e deu-lhes esta lição: "Sabeis que os que são considerados chefes das nações dominam sobre elas e os seus intendentes exercem poder sobre elas. Entre vós, porém, não será assim: todo o que quiser tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo; e todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja escravo de todos. Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos.


Ouvi, hoje, com o respeito que me merecem os textos sagrados este pequeno trecho captado do Evangelista S- Marcos e, fiquei a pensar que servi e serviço sendo palavras muito parecidas podem ter significações diferentes.

Se o verbo "servir" não pode ter um sentido negativo se na acção que se pratica ela acentuar a inferioridade daquele que é servido perante aquele que serve, e quanto ao "serviço",  este é um substantivo que dá para tantas coisas que se torna difícil enumerá-las, pelo que, Jesus ao dizer que "não veio para ser servido, mas para servir", para além da lição que Deus àqueles seus dois seguidores impertinentes, mostrou à saciedade que tendo feito da sua vida um serviço em nome de Deus e dos homens para que eles entendessem, um dia, que todos viemos a este mundo mais para servir do que para sermos servidos.

Ele foi o modelo e é, por isso, que sendo hoje, para a Igreja de Jesus um dia destinado à missionação - ou seja, estarmos atentos ao serviço que devemos dar uns aos outros - é de todo oportuno que tenhamos presente esta ORAÇÃO MISSIONÁRIA que me chegou através das Obras Missionárias Ponfifícias:

Senhor Jesus,
desperta em nós
um olhar missionário,
ajuda-nos a escutar
o coração do outro,
e a ver nele o Teu rosto nos irmãos.

Ajuda-nos a ser audazes
afastando-nos dos nossos medos
e preconceitos.

Queremos, como Tu,
viver a linguagem do amor
e servir mais do que ser servidos.

Só Tu és o Caminho,
dá-nos a coragem de Te seguir
e de ser Igreja missionária
aonde nos levares.

Aqui estamos Senhor,
porque acreditamos
que Ser cristão é Ser Missão!

Ámen.

domingo, 30 de setembro de 2018

Domingo XXVI do Tempo Comum - Ano B - 30 de Setembro de 2018 -


II Leitura do Dia - Carta de S. Tiago 5, 1-6

Vós, ricos, chorai e gemei por causa das desgraças que sobre vós virão. Vossas riquezas apodreceram e vossas roupas foram comidas pela traça. Vosso ouro e vossa prata enferrujaram-se e a sua ferrugem dará testemunho contra vós e devorará vossas carnes como fogo. Entesourastes nos últimos dias! Eis que o salário, que defraudastes aos trabalhadores que ceifavam os vossos campos, clama, e seus gritos de ceifadores chegaram aos ouvidos do Senhor dos exércitos. Tendes vivido em delícias e em dissoluções sobre a terra, e saciastes os vossos corações para o dia da matança!.Condenastes e matastes o justo, e ele não vos resistiu.

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Bem merece uma leitura meditada, palavra a palavra este pequeno passo da Carta de S. Tiago de um carácter - no dizer dos estudiosos - onde a exortação moral está presente com o seu sabor judaico, de uma viva e espontânea mensagem dirigida ao ambiente das primitivas comunidades cristãs.

Presumem os entendidos que o seu autor não é o Apóstolo do mesmo nome, mas uma personagem influente na comunidade de Jerusalém que defendia que a verdadeira religião consiste em não fazer da ambição humana da riqueza um fanal, pondo em seu lugar o uso das boas obras pela prática do bem pessoal em ordem ao colectivo, donde se pode inferir que a sua exortação no campo dos princípios continua actual e é, com crueza, uma chamada de atenção milenar à conquista desenfreada das riquezas, tantas vezes à custa dos trabalhadores, os que, como ele diz - ceifava os vossos campos - dirigindo-se aos ricos que entesouravam sem conta peso e medida.

É esta a segunda leitura deste XXVI Domingo do Tempo Comum e que a Igreja nos oferece como reflexão, não apenas para os fiéis mas para dentro de si mesma, porque o ouro e a prata dos ricos, um dia, serão ferrugem e serão testemunho contra vós, diz assim num dado ponto esta leitura cívica e moralista.

domingo, 5 de agosto de 2018

XVIII Domingo do Tempo Comum - Ano B - 5 de Agosto de 2018


Leitura da Carta de S. Paulo aos Efésios 4, 17.20-24

Portanto, eis o que digo e conjuro no Senhor: não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas idias frívolas. Vós, porém, não foi para isto que vos tornastes discípulos de Cristo, se é que o ouvistes e dele aprendestes, como convém à verdade em Jesus. Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma,e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade. 


Leigo que sou, este meu estado laical de modo algum me inibe de tecer no meu tear de amor paulino alguns fios do saber que ele nos deixou, como estes, e em  que me revejo.

São esses fios de amor que ele dirige na Carta aos habitantes de Éfeso, a 5ª maior cidade do Império Romano situada na Ásia Menor, que por volta do século I a. C., mercê de se ter tornado um berço da filosofia onde pontificou Heráclito, havia operado uma mudança fundamental relativamente ao pensamento do Ocidente, a par de se ter tornado a capital da Província romana, naquele ponto do Mundo.

Foi para esta população, mormente para a Igreja que ali havia  e viria a ser uma das sete mencionadas por S. João no Apocalipse, que S. Paulo dirigiu a sua Carta aos Efésios, na qual, de um modo franco sem "papas na língua" os convida a abandonar "o homem velho" substituindo-o pelo "homem novo", ou seja, aquele que havia sido anunciado por Jesus Cristo, fundado no AMOR que devia reinar na nova Humanidade em construção.

Como se pode sentir o anúncio de S. Paulo continua vivo e, pena é, que ao invés do que ele desejou para o povo de Éfeso não se tenha concretizado no homem actual, apegado por demais a velhos credos - ou a credo nenhum - vivendo "à vara larga" como se cada um fosse senhor e dono do seu destino e não tivesse de da contas ao Deus Eterno dos seus actos, tantos deles - senão todos - presos ao "homem velho" teimoso na sua arrogância como se a LEI NOVA que levou Jesus a ser pregado na Cruz fosse letra morta.

Eis, porque, a Carta de S. Paulo aos Efésios merece uma leitura total.

domingo, 6 de maio de 2018

VI Semana da Páscoa - Ano B - 6 de Maio de 2018


Evangelho de S. João 15, 9-17
Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos .Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. .Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros.



No Evangelho de hoje e que eu tive a graça de ouvir, o celebrante chamou a atenção para três palavras e seus respectivos verbos (Permanecer, Guardar e Amar) que fazem parte do texto de S. João:
  • Permanecei. (no meu amor).
  • Guardardes (Se guardardes os meus mandamentos...)
  • Ameis (uns aos outros.)
Não me cabe, por falta de doutrinação teológica, explanar segundo aquele contexto de ciência eclesial a beleza deste trecho de S. João, mas cabe-me na minha condição de leigo interessado no Tempo e na História de Jesus, que sem a ter escrito - não foi para isso que Ele nasceu - com a força espiritual da sua Palavra a inculcou nos seus fiéis Apóstolos para que eles dessem aos homens do seu tempo e vindouros o testemunho da sua Mensagem, toda ela um Hino de Amor pelos homens, para que nenhum se perdesse pelas alfurjas dos caminhos.

Atento, fixei o termo - Permanecei - e num ápice veio-me à lembrança a corrida desenfreada que todos conhecemos da sociedade frívola que temos em que o verbo "Pemanecer" perdeu alguma da sua essência virtuosa em que, vezes demais, assistimos a  fugas dos princípios éticos e morais da civilidade sadia e, por arrasto, vai atrás dessas fugas o sentido da palavra, até mesmo no religioso e o "amor" que é o fulcro deste Evangelho fica desvalido.

Guardardes - foi a palavra seguinte - e, dela, o que fica de pé , muitas vezes, é o facto anómalo de não permanecer o homem numa atitude firme, quanto ao "amor" que deve ter pelo seu próximo com o pensamento na Mensagem de Jesus, e o que acontece é que deixa de se guardar este sentimento e passa a viver, guardando anomalias sociais onde falta a espiritualidade que vem agarrada a qualquer homem pelo seu nascimento, algo que muitas vezes se esquece.

Por fim, a palavra - Ameis - e fazendo esta palavra parte integrante do grande Mandamento do Amor "Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei", Jesus, termina fazendo um convite, que é uma sugestão carinhosa: "O que vos mando é que vos ameis uns aos outros", e é aqui, neste ponto fundamental da nossa vivência terrena que temos de marcar a nossa passagem pelo Mundo, no respeito que o outro nos tem de merecer, porquanto, é nesse respeito que se funda todo o sentido do amor e da amizade, dois sentimentos que têm de pemanecer guardados por todo o tempo da vida.

domingo, 29 de abril de 2018

V Domingo da Páscoa - Ano B - 29 de Abril de 2018


Evangelho de São João 15, 1-8

Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.


Deus é tudo.
E como tudo que é, também é agricultor.

Foi isto que São João ouviu da boca de Jesus dizer  que - meu Pai é o agricultor - e como bom ouvinte e bom "repórter" que foi não deixou escapar este título dado por Jesus a Deus, naquele da em que ao fazer a alegoria da videira - que em  recuados tempos havia sido o povo escolhido e naquele tempo, era Ele mesmo - e os ramos - os seus discípulos e por acréscimo espiritual todos os homens que produzam bons frutos - esta simbologia que tinha por fim a criação duma unidade vital de comunhão de sentimentos que não podemos ignorar no tempo que passa.

Eis, porque, Deus - o agricultor - age no Mundo através desta imagem criada pelo próprio Jesus e que nos permite que O comparemos ao agricultor dos nossos campos que ao fazer a poda purifica a videira, dando-lhe nova vida com o fim de ter abundantes colheitas.

É o que Jesus pretende,

Quando será que nós, homens, por vezes distraídos, andamos a precisar de um dia e de vez meditarmos nesta simbologia que nos é dada pela videira e seus ramos, em que os infrutíferos deixam de contar porque se se ausentam da videira, ou seja, do Deus Eterno que inspirou Jesus quando disse: "Eu sou a videira; vós os ramos", uma alegoria com que Ele quis unir-se e nós e nós a Ele.

Esta é, na minha modesta opinião de leigo interessado no dom da Palavra deste Domingo, o cerne da Mensagem que vamos ouvir e devíamos viver no todo que somos, crentes ou não, porque o concerto do Mundo que temos não pode dispensar este sentido de união entre o divino e o quotidiano que se deixa prender à secularidade vazia dos conceitos que desde Jesus impregnaram de um modo mais humano a vida que passa... e que, melhor seria passasse com o influxo do AMOR que Ele espalhou, desejando que todos os homens fossem ramos da videira única que Ele representa.

domingo, 8 de abril de 2018

II Domingo da Páscoa - Ano B - 8 de Abril de 2018

Evangelho de S. João 20, 19-31

Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: A paz esteja convosco!  Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor.  Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós.  Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo.  Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos. Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.  Os outros discípulos disseram-lhe: Vimos o Senhor. Mas ele replicou-lhes: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!  Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco!  Depois disse a Tomé: Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé.  Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor e meu Deus!  Disse-lhe Jesus: Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!  Fez Jesus, na presença dos seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste livro.  Mas estes foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.


Na tarde daquele dia em que Jesus Ressuscitado apareceu àqueles homens - com a excepção de Tomé que estava ausente - e que O tinham acompanhado pelas terras da Judeia, disse-lhes solenemente: Recebei o Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Trindade de que Ele tinha falado na Última Ceia quando prometeu enviar ao Mundo outro Paráclito, o Espírito da Verdade - aquele que consola ou conforta, que encoraja e reanima, o que revive e o que intercede em nosso favor - e cujo influxo espiritual  vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que eu vos disse, como lemos em S. João 14, 26.

Grande, grande, em tudo isto é o Mistério em que o homem se sente mergulhado, até porque Jesus, naquela aparição, depois de falar sobre a aceitação do Espírito Santo, disse estas palavras onde a confissão das obras más - entendidas como pecados, ou seja, prevaricações contra a conduta responsável do homem perante a sociedade - está implícita: Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados àqueles a quem os retiverdes. ser-lhe-ão retidos.

Mas é com Tomé presente, oito dias depois - quando ele, incrédulo, depois de ter sido informado pelos seus companheiros que Jesus Ressuscitado estivera com eles - e ter dito o que disse, e o Evangelho relata - ao ser confrontado a colocar o dedo e as mãos no lado das feridas que Jesus sofrera na Cruz e ver o sinal dos pregos, Tomé, arrependido e só tendo dito: Meu Senhor e meus Deus, redimiu-se da sua falta de crença.

De Jesus, ouviu, então: Felizes aqueles que crêem sem ter visto!

E com estas Palavras, Jesus deixou suspenso o Grande Mistério que, certamente, vai acompanhar o homem de todos os tempos, actuais e futuros, mas sempre com uma força espiritual tão pura e tão profunda, que sem querer impor a Fé a ninguém, dá a todos os homens, no uso da sua total liberdade, de crerem ou não neste passo que, hoje, nos é relatado, por S. João, Apóstolo.

domingo, 25 de março de 2018

Domingo de Ramos - Ano B - 25 de Março de 2018

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Leitura dialogada (forma longa) do Evangelho de S- Marcos 14,1 - 15 - 47
J - Jesus ; N - Narrador ; R - Restantes personagens

 N Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

N Faltavam dois dias para a festa da Páscoa e dos Ázimos
 e os príncipes dos sacerdotes e os escribas
 procuravam maneira de se apoderarem de Jesus à traição
 para Lhe darem a morte.
 Mas diziam:
 R «Durante a festa, não,
 para que não haja algum tumulto entre o povo».
N Jesus encontrava-Se em Betânia,
 em casa de Simão o Leproso,
 e, estando à mesa,
 veio uma mulher que trazia um vaso de alabastro
 com perfume de nardo puro de alto preço.
 Partiu o vaso de alabastro
 e derramou-o sobre a cabeça de Jesus.
 Alguns indignaram-se e diziam entre si:
 R «Para que foi esse desperdício de perfume?
 Podia vender-se por mais de duzentos denários
 e dar o dinheiro aos pobres».
N E censuravam a mulher com aspereza.
 Mas Jesus disse:
 J «Deixai-a. Porque estais a importuná-la?
 Ela fez uma boa acção para comigo.
 Na verdade, sempre tereis os pobres convosco
 e, quando quiserdes, podereis fazer-lhes bem;
 Mas a Mim, nem sempre Me tereis.
 Ela fez o que estava ao seu alcance:
 ungiu de antemão o meu corpo para a sepultura.
 Em verdade vos digo:
 Onde quer que se proclamar o Evangelho, pelo mundo inteiro,
 dir-se-á também em sua memória, o que ela fez».
N Então, Judas Iscariotes, um dos Doze,
 foi ter com os príncipes dos sacerdotes
 para lhes entregar Jesus.
 Quando o ouviram, alegraram-se
 e prometeram dar-lhe dinheiro.
 E ele procurava uma oportunidade para entregar Jesus.
N No primeiro dia dos Ázimos,
 em que se imolava o cordeiro pascal,
 os discípulos perguntaram a Jesus:
 R «Onde queres que façamos os preparativos
 para comer a Páscoa?»
N Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes:
 J «Ide à cidade.
 Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água.
 Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa:
‘O Mestre pergunta: Onde está a sala,
 em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?’
Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior,
 alcatifada e pronta.
 Preparai-nos lá o que é preciso».
N Os discípulos partiram e foram à cidade.
 Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito
 e prepararam a Páscoa.
 Ao cair da tarde, chegou Jesus com os Doze.
 Enquanto estavam à mesa e comiam,
 Jesus disse:
 J «Em verdade vos digo:
 Um de vós, que está comigo à mesa, há-de entregar-Me».
N Eles começaram a entristecer-se e a dizer um após outro:
 R «Serei eu?»
N Jesus respondeu-lhes:
 J «É um dos Doze, que mete comigo a mão no prato.
 O Filho do homem vai partir,
 como está escrito a seu respeito,
 mas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser traído!
 Teria sido melhor para esse homem não ter nascido».
N Enquanto comiam, Jesus tomou o pão,
 recitou a bênção e partiu-o,
 deu-o aos discípulos e disse:
 J «Tomai: isto é o meu Corpo».
N Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho.
 E todos beberam dele.
 Disse Jesus:
 J «Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança,
 derramado pela multidão dos homens.
 Em verdade vos digo:
 Não voltarei a beber do fruto da videira,
 até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus».
N Cantaram os salmos e saíram para o Monte das Oliveiras.
N Disse-lhes Jesus:
 J «Todos vós Me abandonareis, como está escrito:
‘Ferirei o pastor e dispersar-se-ão as ovelhas’.
Mas depois de ressuscitar,
 irei à vossa frente para a Galileia».
N Disse-Lhe Pedro:
 R «Embora todos te abandonem, eu não».
N Jesus respondeu-lhe:
 J «Em verdade te digo:
 Hoje, esta mesma noite, antes do galo cantar duas vezes,
 três vezes Me negarás».
N Mas Pedro continuava a insistir:
 R «Ainda que tenha de morrer contigo, não Te negarei».
N E todos afirmaram o mesmo.
 Entretanto, chegaram a uma propriedade chamada Getsémani
 e Jesus disse aos seus discípulos:
 J «Ficai aqui, enquanto Eu vou orar».
N Tomou consigo Pedro, Tiago e João
 e começou a sentir pavor e angústia.
 Disse-lhes então:
 J «A minha alma está numa tristeza de morte.
 Ficai aqui e vigiai».
N Adiantando-Se um pouco, caiu por terra
 e orou para que, se fosse possível,
 se afastasse d’Ele aquela hora.
 Jesus dizia:
 J «Abba, Pai, tudo Te é possível:
 afasta de Mim este cálice.
 Contudo, não se faça o que Eu quero,
 mas o que Tu queres».

                                    

N Depois, foi ter com os discípulos, encontrando-os dormindo
 e disse a Pedro:
 J «Simão, estás a dormir? Não pudeste vigiar uma hora?
 Vigiai e orai, para não entrardes em tentação.
 O espírito está pronto, mas a carne é fraca».
N Afastou-Se de novo e orou, dizendo as mesmas palavras.
 Voltou novamente e encontrou-os dormindo,
 porque tinham os olhos pesados
 e não sabiam que responder.
 Jesus voltou pela terceira vez e disse-lhes:
 J «Dormi agora e descansai…
Chegou a hora:
 o Filho do homem vai ser entregue às mãos dos pecadores.
 Levantai-vos. Vamos.
 Já se aproxima aquele que Me vai entregar».
N Ainda Jesus estava a falar,
 quando apareceu Judas, um dos Doze,
 e com ele uma grande multidão, com espadas e varapaus,
 enviada pelos príncipes dos sacerdotes,
 pelos escribas e os anciãos.
 O traidor tinha-lhes dado este sinal:
«Aquele que eu beijar, é esse mesmo.

                                              

 Prendei-O e levai-O bem seguro».
Logo que chegou, aproximou-se de Jesus e beijou-O, dizendo:
 R «Mestre».
N Então deitaram-Lhe as mãos e prenderam-n’O.
 Um dos presentes puxou da espada
 e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha.
 Jesus tomou a palavra e disse-lhes:
 J «Vós saístes com espadas e varapaus para Me prender,
 como se fosse um salteador.
 Todos os dias Eu estava no meio de vós,
 a ensinar no templo,
 e não Me prendestes!
 Mas é para se cumprirem as Escrituras».
N Então os discípulos deixaram-n’O e fugiram todos.
 Seguiu-O um jovem, envolto apenas num lençol.
 Agarraram-no, mas ele, largando o lençol, fugiu nu.
N Levaram então Jesus à presença do sumo sacerdote,
 onde se reuniram todos os príncipes dos sacerdotes,
 os anciãos e os escribas.
 Pedro, que O seguira de longe,
 até ao interior do palácio do sumo sacerdote,
 estava sentado com os guardas, a aquecer-se ao lume.
 Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio
 procuravam um testemunho contra Jesus
 para Lhe dar a morte,
 mas não o encontravam.
 Muitos testemunhavam falsamente contra Ele,
 mas os seus depoimentos não eram concordes.
 Levantaram-se então alguns,
 para proferir contra Ele este falso testemunho:
 R «Ouvimo-l’O dizer:
‘Destruirei este templo feito pelos homens
 e em três dias construirei outro
 que não será feito pelos homens’».
N Mas nem assim o depoimento deles era concorde.
 Então o sumo sacerdote levantou-se no meio de todos
 e perguntou a Jesus:
 R «Não respondes nada ao que eles depõem contra Ti?»
N Mas Jesus continuava calado e nada respondeu.
 O sumo sacerdote voltou a interrogá-l’O:
 R «És Tu o Messias, Filho do Deus Bendito?»
N Jesus respondeu:
 J «Eu Sou. E vós vereis o Filho do homem
 sentado à direita do Todo-poderoso
 vir sobre as nuvens do céu».
N O sumo sacerdote rasgou as vestes e disse:
 R «Que necessidade temos ainda de testemunhas?
 Ouvistes a blasfémia. Que vos parece?»
N Todos sentenciaram que Jesus era réu de morte.
 Depois, alguns começaram a cuspir-Lhe,
 a tapar-Lhe o rosto com um véu
 e a dar-Lhe punhadas, dizendo:
 R «Adivinha».
N E os guardas davam-Lhe bofetadas.
N Pedro estava em baixo, no pátio,
 quando chegou uma das criadas do sumo sacerdote.
 Ao vê-lo a aquecer-se, olhou-o de frente e disse-lhe:
 R «Tu também estavas com Jesus, o Nazareno».
N Mas ele negou:
 R «Não sei nem entendo o que dizes».
N Depois saiu para o vestíbulo e o galo cantou.
 A criada, vendo-o de novo, começou a dizer aos presentes:
 R «Este é um deles».
N Mas ele negou segunda vez.
 Pouco depois, os presentes diziam também a Pedro:
 R «Na verdade, tu és deles, pois também és galileu».
N Mas ele começou a dizer imprecações e a jurar:
 R «Não conheço esse homem de quem falais».
N E logo o galo cantou pela segunda vez.
 Então Pedro lembrou-se do que Jesus lhe tinha dito:
«Antes do galo cantar duas vezes,
 três vezes Me negarás».
E desatou a chorar.

                                     

N Logo de manhã,
 os príncipes dos sacerdotes reuniram-se em conselho,
 com os anciãos e os escribas e todo o Sinédrio.
 Depois de terem manietado Jesus,
 foram entregá-l’O a Pilatos.
 Pilatos perguntou-Lhe:
 R «Tu és o Rei dos judeus?»
N Jesus respondeu:
 J «É como dizes».
N E os príncipes dos sacerdotes
 faziam muitas acusações contra Ele.
 Pilatos interrogou-O de novo:
 R «Não respondes nada? Vê de quantas coisas Te acusam».
N Mas Jesus nada respondeu,
 de modo que Pilatos estava admirado.
N Pela festa da Páscoa,
 Pilatos costumava soltar-lhes um preso à sua escolha.
 Havia um, chamado Barrabás, preso com os insurrectos,
 que numa revolta tinham cometido um assassínio.
 A multidão, subindo,
 começou a pedir o que era costume conceder-lhes.
 Pilatos respondeu:
 R «Quereis que vos solte o Rei dos judeus?»
N Ele sabia que os príncipes dos sacerdotes
 O tinham entregado por inveja.
 Entretanto, os príncipes dos sacerdotes incitaram a multidão
 a pedir que lhes soltasse antes Barrabás.
 Pilatos, tomando de novo a palavra, perguntou-lhes:
 R «Então, que hei-de fazer d’Aquele
 que chamais o Rei dos judeus?»
N Eles gritaram de novo:
 R «Crucifica-O!».
N Pilatos insistiu:
 R «Que mal fez Ele?»
N Mas eles gritaram ainda mais:
 R «Crucifica-O!».
N Então Pilatos, querendo contentar a multidão,
 soltou-lhes Barrabás
 e, depois de ter mandado açoitar Jesus,
 entregou-O para ser crucificado.
 Os soldados levaram-n’O para dentro do palácio,
 que era o pretório,
 e convocaram toda a coorte.
 Revestiram-n’O com um mando de púrpura
 e puseram-Lhe na cabeça uma coroa de espinhos
 que haviam tecido.
 Depois começaram a saudá-l’O:
 R «Salvé, Rei dos judeus!»
N Batiam-lhe na cabeça com uma cana, cuspiam-Lhe
 e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante d’Ele.
 Depois de O terem escarnecido,
 tiraram-Lhe o manto de púrpura
 e vestiram-Lhe as suas roupas.
 Em seguida levaram-n’O dali para O crucificarem.
N Requisitaram, para Lhe levar a cruz,
 um homem que passava, vindo do campo,
 Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo.
 E levaram Jesus ao lugar do Gólgota,
 quer dizer, lugar do Calvário.
 Queriam dar-Lhe vinho misturado com mirra,
 mas Ele não o quis beber.
 Depois crucificaram-n’O.
 E repartiram entre si as suas vestes,
 tirando-as à sorte, para verem o que levaria cada um.
 Eram nove horas da manhã quando O crucificaram.
 O letreiro que indicava a causa da condenação tinha escrito:
«Rei dos Judeus».
Crucificaram com Ele dois salteadores,
 um à direita e outro à esquerda.
 Os que passavam insultavam-n’O
 e abanavam a cabeça, dizendo:
 R «Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias,
 salva-Te a Ti mesmo e desce da cruz».
N Os príncipes dos sacerdotes e os escribas
 troçavam uns com os outros, dizendo:
 R «Salvou os outros e não pode salvar-se a Si mesmo!
 Esse Messias, o Rei de Israel, desça agora da cruz,
 para nós vermos e acreditarmos».
N Até os que estavam crucificados com ele o injuriavam.
 Quando chegou o meio-dia,
 as trevas envolveram toda a terra até às três horas da tarde.
 E às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:
 J «Eloí, Eloí, lamá sabachtháni?»
N que quer dizer:
«Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?»
N Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram:
 R «Está a chamar por Elias».
N Alguém correu a embeber uma esponja em vinagre
 e, pondo-a na ponta duma cana, deu-Lhe a beber e disse:
 R «Deixa ver se Elias vem tirá-l’O dali».
N Então Jesus, soltando um grande brado, expirou.

                                       

N O véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo.
 O centurião que estava em frente de Jesus,
 ao vê-l’O expirar daquela maneira, exclamou:
 R «Na verdade, este homem era Filho de Deus».
N Estavam também ali umas mulheres a observar de longe,
 entre elas Maria Madalena,
 Maria, mãe de Tiago e de José, e Salomé,
 que acompanhavam e serviam Jesus,
 quando estava na Galileia,
 e muitas outras que tinham subido com ele a Jerusalém.
 Ao cair da tarde
– visto ser a Preparação, isto é, a véspera do sábado –
José de Arimateia, ilustre membro do Sinédrio,
 que também esperava o reino de Deus,
 foi corajosamente à presença de Pilatos
 e pediu-lhe o corpo de Jesus.
 Pilatos ficou admirado de Ele já estar morto
 e, mandando chamar o centurião,
 ordenou que o corpo fosse entregue e José.
 José comprou um lençol,
 desceu o corpo de Jesus e envolveu-O no lençol;
 depois depositou-O num sepulcro escavado na rocha
 e rolou uma pedra para a entrada do sepulcro.
 Entretanto, Maria Madalena e Maria, mãe de José,
observavam  onde Jesus tinha sido depositado.

                                                        

Há quem veja nesta descrição da prisão, condenação e execução de Jesus, tal como o  Apóstolo S. Marcos no-la apresenta dividida em duas partes distintas: na primeira retracta Jesus como o enviado de Deus aos homens para lhes anunciar o Reino de que ele era o Rei - e como tal mereceu a pergunta de Pilatos - e na segunda parte para o apresentar como Filho de Deus.

O relato, bem longe de ser uma peça jornalística, é na sua frieza factual o desenvolvimento de cenas vividas no concreto de um drama que desenvolve a catequese de quem aceita cumprir até às últimas consequências físicas que levou Jesus a ser condenado pelos homens e a glorificar-se na Cruz, podendo concluir-se que S. Marcos tinha como meta do seu relato, destiná-lo a todos os homens para que estes concluam como o centurião romano que testemunhou a paixão e morte de Jesus: "na verdade, este homem era Filho de Deus".

É, verdadeiramente, um relato impressionante da Paixão de Jesus que estando bem perto de Jerusalém - em Betânia - naquele Domingo que hoje chamamos - de Ramos - pela festa jubilosa que recebeu do povo com a sua entrada na Cidade, sem hesitar, subiu a ladeira do Monte das Oliveiras para se apresentar e ser  traído por Judas, um amigo do peito que lhe fizera companhia nos três anos da sua pregação, e a ver-se sujeito ao ódio de um povo vendido aos esbirros de Roma - que sem o saber - cumpriam com a sua sanha assassina uma velha profecia de alguns séculos - para que ela se cumprisse no madeiro da Cruz.