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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

"Se te vejo a sede passa"...




Acidentalmente dei com esta quadra de raiz popular e num ímpeto dei graças a Deus por este Poeta que não deixou nome e de quem apenas sei que foi um homem do povo português, deste povo genuíno das Festas e Romarias populares - mais acentuadamente do Norte de Portugal - berço carinhoso que produziu tantas trovas populares que lhe perdemos o conto.

Mas é desse berço encantado donde provém esta quadra singela, plena de um amor sadio e tão perfeita na forma e no conteúdo que bem merece que a guardemos com o amor que dela dimana e com o amor que devemos ter pela alma popular que nos tem dado joias destas em que o pensamento corrido se espraia, cantante e límpido em quatro versos, como corrido deve ter sido o fado em que ela apareceu numa qualquer vila ou aldeia de Portugal de que lamentamos nada saber, assim como do inspirado Poeta e, possivelmente, o Cantador de uma qualquer dança de roda, ou até, duma qualquer desgarrada, um género musical que a alma de Portugal inventou para a dar ao Mundo.

Somos um grade Povo!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

"Para o passado não olhes"...



Neste rolar do tempo iincessante, num ritmo que acompanha a "par e passo" as ondas do mar, e como ele, calmo e tumultuoso, tantas vezes, neste quase fim do ano de 2018 fui ao baú das minhas lembranças buscar esta velha quadra popular com o pensamento em mim mesmo, e depois, para com todos aqueles meus companheiros desta aventura da vida que me acompanham a caminhar para o seu ocaso - e que, se porventura me lerem neste blogue - que pensem, como eu, que a vida, como alguém disse, "faz-se caminhando" e, por isso, resta-nos, agora que se fecha mais um ano, seguir à risca o que disse o poeta popular: "Para o passado não olhes" ... e, como eu, segui em frente.

É que de nada nos adianta olhar para trás, ainda que fosse para lembrar todos os momentos passados - os bons, os maus, os menos bons e os outros - porque a vida que nos resta exige de nós a inteligência de a continuar a viver de "olhos nos olhos", agradecendo a Deus tudo o que passou, ou seja, as ondas do mar da vida que têm na idade avançada, como a minha que já dobrou o "Cabo" dos oitenta, o sabor de desejar que mesmo as ondas mais altas se venham desfazer no areal das nossas praias, morrendo aos nossos pés.

E nós a ver!...

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

"Acipreste verde e triste"...



António Bersane Leite nasceu em  Lisboa em 1770 e faleceu no Rio de Janeiro alguns anos após a promulgação da Constituição brasileira, tendo-se sido no Reino de Portugal escrivão das décimas n a freguesia de Bucelas e como poeta teve alguma aura a sua colaboração n o "Almanaque das Musas" e mais, acentuadamente com a publicação em 1804 do livro "Quadras Glosadas" que é hoje uma raridade bibliófila e ele dedicou à Condessa de Oyenhauser. D. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, mais conhecida pela Marquesa de Alorna.

Segundo se pensa - mas sem grande segurança histórica - teria embarcado na comitiva do rei D. João VI na sua fuga para o Brasil em 1807, levando por companhia a sua filha Maria Vicência que havia sido noiva do poeta Manuel Maria de Barbosa du Bocage, mas segundo outra fonte, a sua ida foi posterior, num tempo em  que embarcaram para o Brasil 15 a 20 mil pessoas, porquanto, na comitiva régia teriam seguido, apenas, 500 pessoas.

António Bersane Leite é hoje, um poeta completamente esquecido, mas não deixa de continuar a ser um prazer a leitura das "Quadras Glosadas", um género poétiico que naquele tempo tinha fama e cuja aparição literária em  Portugal remonta ao "Cancioneiro Geral" de Garcia de Resende (1516), em que os chamados poetas palacianos deram uma aura muito significativa àquele género literário.

Não foi o caso, no aspecto fidalgo, de António Bersane Leite que teve, apenas, como fonte inspiradora esta escola literária do século XVI.