sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O meu "muito obrigado!"

 
 

Foto de um diaporama da qual desconheço o autor
e a quem agradeço a benevolência de alguma ilicitude cometida



O meu "muito obrigado" pelas coisas que usufruo de graça... e não criei!
Agradeço à Natureza - quero dizer, a Deus - a luz aberta com o seu beijo de amor ao quadro que apresenta a água espelhada da lagoa, os penedos rochosos tingidos de neve, as árvores alinhadas pela mão celeste do Grande Jardineiro, as flores e, como se pode sentir, olhando a imagem, o silêncio e a brisa que passa tão de leve que não se sente no espelho da lagoa.
E é olhando a maravilha desta Obra onde não entrou a mão do homem e acima se retrata que o meu sentir se acomoda, rendido ao Deus que não vemos, mas conhecemos pelas coisas que nos deu, motivo mais que suficiente para trazer à minha lembrança o poema de Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa:


Ninguém vê
o Deus que conhece

Ninguém, na vasta selva virgem
Do mundo inumerável, finalmente,
Vê o Deus que conhece:
Só o que a brisa traz se ouve na brisa.
O que pensamos, seja amor ou deuses
Passa, porque passamos.

in, Odes


Vê-se, distintamente, no radicalismo do verso onde o Poeta exprime a ideia de ninguém ver no espaço natural que ele descreve, o Deus que conhece, a extrema leviandade do homem, quando esta não é confundida com a sua própria arrogância de se sentir comos os deuses, de que ele se não esqueceu de mencionar, porquanto, a continuar a acontecer o que hoje é norma - neste tempo sem Deus nos homens e nas estruturas - é que, a beleza natural, por maior que seja, passa, porque passamos, infelizmente indiferentes ao que nos rodeia, porque vivemos demasiado tempo a pensar nos deuses menores - e sem valia - em que nos estamos a transformar... por não queremos ver o Deus que conhecemos.
 

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