quarta-feira, 11 de setembro de 2013

António Patricio (1878-1930)

 
in "Projecto Vercial"
 
 
António Patrício nasceu na cidade do Porto em 1878 e faleceu à chegada a Macau em 1930, quando se dirigia para Pequim, onde ia ocupar o cargo de diplomata em representação de Portugal.
Na sua cidade natal foi aluno do Liceu Rodrigues de Freitas, no fim do qual passou para a Academia Politécnica onde cursou Matemática, sem contudo, ter concluído os estudos neste estabelecimento, vindo a enveredar pelo curso de Medicina ingressando aos 23 anos de idade na Escola Médica do Porto, tendo concluído o curso em 1908, defendendo a tese "Assistência aos alienados criminosos", uma tendência demonstrativa do seu interesse pela Psiquiatria, algo que o fez um lídimo admirador do médico Júlio de Matos e o levou a exercer funções no Hospital Conde de Ferreira, no Porto.
Estimulado por amigos de onde avultou Guerra Junqueiro - que na época vivia no Porto - António Patrício foi seduzido pela carreira diplomática, para a qual veio a prestar provas no Ministério dos Negócios Estrangeiros para cônsul, em 1909, mas só entrou definitivamente para a carreira diplomática com a implantação da República, indo ocupar o consulado de Cantão, onde permaneceu entre 1911 a 1913.
Passou, depois, por Bremen em 1914 onde ficou até 1917, até que - depois de algumas atribulações, de que resultou o seu afastamento por motivos políticos - em 1919 foi nomeado para Constantinopla e Atenas, onde permaneceu três anos.
Em 1925 exerceu o cargo de Ministro Conselheiro na Embaixada de Londres e em 1927, em Caracas, até que em 1928, após ter sido chamado a Portugal para o exercício de funções na Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros aceitou a sua última nomeação, em 1930, para Pequim.
Enquanto literato deve-se-lhe uma obra importante de livros destinados à representação teatral: "O Fim" (1909); "Pedro o Crú" (1913): "O Rei de Sempre-Tragédia Nossa", livro publicado postumamente (1951), um livro de Contos "Serão Inquieto" (1910)  e de dois livros de Poesia, "Oceano" (1905) e "Poesias", publicado postumamente em 1942.
Foi um poeta em que o pessimismo encontrou morada a par de poemas que o esteta burilou com rara sensibilidade artística e de que é exemplo o formoso soneto "RELÍQUIA", prefigurado numa simples peça de agasalho feminino, mas com a particularidade de ter pertencido a sua mãe.
Olhando-o, escreve deste modo:

Era de minha mãe: é um pobre chale
Que tem p'ra mim uma carícia de asa.
Vou-lhe pedir ainda que me fale
Do que ele agasalhou em nossa casa.

Na sua trama já puída e lassa
Deixo os meus dedos p'ra senti-la ainda;
E ela vem, é ela que me abraça,
Fala de coisas que a saudade alinda.

É a minha mãe mais perto, mais pertinho,
Que eu sinto quando toco o velho chale
Que guarda um não sei quê do seu carinho.

E quando a vida mais me dói, no escuro,
Sinto ao tocá-lo como alguém que embale
E beije a minha sede de amor puro.

in, "Poesias"

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