Pesquisar neste blogue

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Pecado, o que é?




       Diz-se, hoje – e com razão – que o homem perdeu o sentido do pecado ao consentir que se instale nele o anarquismo moral da colectividade, fazendo recair nesta a desordem do seu desalinho pessoal e arranjando, deste modo, desculpas para o seu comportamento individual.
Há, efectivamente, nas novas sociedades esta irregularidade comportamental.
O homem, enquanto sujeito, desculpabiliza-se dos seus próprios desmandos e perdeu aquilo que devia ser nele uma força capaz de não se deixar ir atrás da corrente que passa – e tudo quer subverter – mas, ter, a força moral de ficar de fora de tudo quanto é capaz de o afogar nessa corrente desenfreada de prazeres amorais que o faz perder a noção do mal e perder o sentido do pecado.
E é aqui que nos devemos interrogar: pecado o que é?
Pecado, em linguagem teológica, poder-se-á dizer de um modo sucinto, é sucumbir à tentação e abusar da  liberdade, constituindo uma recusa a Deus, sendo a sua realidade apenas esclarecida à luz da Revelação operada por Jesus.
Pecado, numa análise menos teologal é aquela realidade que deixa o homem, dividido em dois, numa luta entre o bem e o mal, onde este, perdido que está o equilíbrio moral acaba por vencer e cantar vitória, sendo noutra perspectiva, um fracasso da autonomia humana.
E é aqui que temos o dever de arrepiar caminho e ao invés de culparmos a colectividade pelo fracasso moral em que vive – e faz viver o homem singular – cada um em si mesmo, deve lutar contra a teoria racionalista que advoga a negação da existência do pecado, tendo antes a noção que o pecado – entendido como um fracasso da autonomia humana – é uma irreverência pessoal e um gesto de inimizade da pessoa contra si mesma, donde resulta um prejuízo contra a colectividade.
Culpar esta, é por isso, uma falta de inteligência do homem singular ao fazer recair no colectivo das pessoas aquilo que começa por ser em si mesmo o desarranjo pessoal dos seus próprios sentimentos.
Onde está – e esta tem de ser a pergunta que deve ser feita – a culpabilidade do homem na confusão actual?
Diremos que está na sua fraqueza moral e no cansaço de uma sociedade que já não encontra o mal, porque este se instalou como se fosse  um acto irremediável, o que não deixa de ser preocupante.
Se nos lembramos do episódio bíblico da parábola do “Filho Pródigo” – e lembra-se isto porque a Bíblia é um manancial humano de ensinamentos sadios – recorda-se que o filho esbanjador da fortuna que lhe coube da herança paterna e que ele delapidou, ao chegar ao pé do pai, não culpou a sociedade que o perverteu, mas antes, humildemente, fez recair sobre si mesmo todo o mal que fez.
Por isso, disse: “Pai, pequei.”
É este sentimento de falta de culpa que falta nos tempos que passam.

Sem comentários:

Enviar um comentário