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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

No tempo em que a "palavra de honra" valia por uma uma escritura!



in, http://www.rotadoromanico.com 
(imagem de Egas Moniz captada com a devida vénia)


Gravura da Revista "O Occidente" de 21 de Março de 1883



O título é enganador, porque - hoje, como no tempo de Egas Moniz há homens e mulheres de "palavra do honra" igual à do velho aio de D. Afonso Henriques - mas o que ele quer exaltar é, apenas, um momento histórico que nunca deve ser esquecido, especialmente, agora, num tempo madrastro em que a História de Portugal não é ensinada às camadas jovens neste e noutros aspectos dignos dos velhos portugueses que nos antecederam na glorificação de Portugal.

A história acontecida com Egas Moniz de Riba Douro (1080-1146), um homem que pertenceu a um dos cinco condais de Entre-Douro-e-Minho e a quem Henrique de Borgonha entregou a educação do seu filho Afonso Henriques é um exemplo de honra que não deve ser esquecido, ainda que a mesma possa - como se admite - fazer parte de uma lenda de que é fértil a História de Portugal.

A contextualização histórica resumida assenta no tempo em que a cidade e o castelo de Guimarâes se encontravam cercadas pelas tropas de Afonso VII, rei de Leão, que na época incluía todo o norte de Portugal até Coimbra, abarcando Galiza e Castela.



Pretendia o rei que sucedera a D. Afonso VI - pai de Teresa de Leão que veio a ser a mãe de Afonso Henriques - submeter pela força das armas o primo rebelde Afonso Henriques, que após a morte do pai a quem fora concedido pelo rei D. Afonso VI o governo do "Condado Portucalense" em reconhecimento pelo auxílio na Reconquista mas com a obrigação de lhe prestar vassalagem.

Estando sua mãe à frente do governo do Condado Portucalense continuou a prática da vassalagem submissa a Afonso VII, política a que se opunha Afonso Henriques, que por várias vezes entrou em confronto com o primo leonês que numa dessas ocasiões (1127) fez cerco a Guimarães.

Recusando a rendição - conta a lenda - que Afonso Henriques aceitou que Egas Moniz negociasse a paz com o primo , tendo-lhe dado a "palavra de honra" que Afonso Henriques honraria o compromisso assumido do levantamento do cerco, com a consequente continuidade da submissão e obediência ao rei de Leão, o que não veio a acontecer, porque segundo narra a História, um ano depois, Afonso Henriques quebrou a promessa dada pelo seu aio.

O que aconteceu, a seguir, é sabido.

Egas Moniz, acompanhado pela família, deslocou-se à corte do Reino sediada em Toledo, apresentando-se perante o monarca com cordas ao pescoço, oferecendo as suas vidas como preço a pagar pela mentira em que se tornara a "palavra de honra" que havia dado a Afonso VII.
Conta a História que comovido pela honradez daquele homem o mandou em paz, de volta ao Condado.

A história é esta. Muito antiga. 

Portugal ainda não existia como viria a consolidar no território continental que hoje temos, com a falta de Olivença - que é uma história triste - mas a "palavra de honra" que no acto vivido em Toledo em 1128 valeu por uma escritura é exemplar e, porque o é, devia continuar a ser respeitada no modo como foi cumprido.

O que se deseja é que os tempos libertários que vivemos não matem, jamais, o sentido que está subjacente à "palavra de honra" que damos e ela continue a valer por uma escritura legal sob todos os aspectos, sejam eles, morais ou sociais, fazendo-se dela um acto de jurisprudência humana, que é, afinal, o tribunal com menos custas e é o mais eficaz.

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