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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Nas nossas reuniões de família todos podemos ser um Presépio!



Turbou-se de penumbra o dia cedo
Nem o sol despertou no meu beiral!
Que longas horas de Jesus! Natal…
E o cepo a arder nas cinzas do brasedo…

E o lar da casa, os corações aos dobres,
É um painel de fogo em seu costume!
Que lindos versos bíblicos, ao lume,
P’lo doce Príncipe cristão dos pobres!

Fulvas figuras p’ra esculpir em barro:
À luz da lenha, em rubro tom bizarro,
Sou em Presépio com meus pais e irmãos.

E junto às brasas, os meus olhos postos
Nesta evangélica expressão de rostos,
Ergo em graças a Deus as minhas mãos!

Afonso Duarte
in, “Sete Poemas Líricos” 
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O Poeta Afonso Duarte tem neste soneto de Natal toda a lírica do estro do artista da palavra - feita verso - que foi nele um cunho com que brindou todos os seus fiéis leitores, dando-nos - ele que foi um notável cultor da etnografia e arte popular - um quadro encantador onde deixou espelhado, o que devia acontecer em cada lar português, ou seja, uma coisa muito simples.

Que à roda do Presépio - lendo o que o Poeta descreve - percebe-se que ele está à volta da lareira onde ardia o madeiro, e com seus pais e irmãos sentiam-se envolvidos de tal maneira no Grande Mistério do Natal que se sentiam um Presépio vivo, enquanto lembravam o Menino-Deus que nascera na Judeia e para onde caminharam os Reis Magos numa certa noite muito antiga.

E é lembrado isto que a tradição fez chegar até aos nossos dias, que todos os que andam distantes e sentem que nas suas casas paternas se continua a fazer o Presépio, assemelham-se aos antigos Reis-Magos, sempre que vão à procura do calor e do Amor pelo Menino que foi um Deus que nasceu - e eles querem celebrar - e pelo calor de se encontrarem com os seus familiares, com os quais querem tornar presente as suas lembranças antigas que guardaram carinhosamente.

É, por isso, que nestas noites frias de Dezembro em que se toldam de penumbra o dia cedo - como diz Afonso Duarte - vai um correpio de gentes que caminham para os lares paternos, seja para se aquecerem à lareira, ou não, mas para aquecerem com as suas preces de Amor o Menino-Deus para lembrar o seu nascimento, desejando-se que à volta das reuniões de família todos se sintam peças humanas de Presépios, como se sentiu Afonso Duarte e ternuramente, no-lo diz: com meus pais e irmãos.

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