sábado, 8 de outubro de 2016

Vamos falar de alegria...


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Sou dos que reconhecem que a alegria não é fácil, não tanto porque a sua forma inédita não esteja ao nosso alcance, mas por saber  que a verdadeira alegria tem raízes profundas.
(Vergílio Ferreira)



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Vamos falar de alegria.

Em Bernanos encontramos que ela é algo que se pode buscar na alegria dos outros, que é, possivelmente, o melhor caminho para a encontrar se tivermos um coração disponível que nos ensine a sentir que é na alegria do outro que nos completamos sempre que a sentimos estampada no nosso companheiro de jornada, e fizermos dela o meio mais eficaz de sermos alegres, sabendo que isso nos obriga à troca de igual testemunho, para que ele redobre a alegria que sente e, em paga, a nossa alegria seja aviventada com a que ele vive.

Vamos falar de alegria.

Em Vergílio Ferreira, encontramos no começo do seu pensamento uma afirmação concludente: a alegria não é fácil, e não é, não porque não esteja ao nosso alcance, mas porque ter a verdadeira alegria de que ele nos fala, esta tem de nascer do mais fundo de nós mesmos, ou seja, ela só é possível se a soubermos encontrar no outro - como diz Bernanos - porque a verdadeira alegria é essa, a que, no fundo de si mesmo cada um encontra a possibilidade de a encontrar no outro.

Vamos falar de alegria.

E eu direi, depois de ter reflectido em Bernanos que a alegria nasce sempre da palavra amiga que ajuda a vencer o caminho da vida quando encontramos na caminhada do outro o passo alegre que lhe faltava, ou como diz Vergílio Ferreira, a alegria existe quando que ela tem a raiz bem fundada e não nas superficialidades da vida, mas na interiorização dela ser um sentimento que faz a sua morada no coração de cada homem onde nasce a canção alegre que este tem de dar à vida.

Vamos falar de alegria.

E vamos falar da canção da alegria que temos o dever de dar para que os outros a possam ouvir.  É uma canção que nasce dentro a gargalhar como um rio que torce e retorce a água nos acidentes do leito, deixando em cada um deles o som que desperta a curiosidade dos caminhantes das margens, pois é para eles que o som da nossa canção se deve destinar, no intuito deles a aprenderem, porque é dando-a que os outros se podem alegrar - e estamos centrados com o pensamento de Bernanos - e de, como é só na raiz funda da alegria que essa canção se pode encontrar, podemos concluir, que é nela que vive a verdadeira alegria...

É aí que se centra o pensamento de Vergílo Ferreira.

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