sábado, 8 de outubro de 2016

Quadro



QUADRO


Cai a tarde serena no seu manto.
Fumosas espirais sobem, abrindo...
Há um trinar saudoso cheio d’encanto
Nas pernadas verdes... e, entretanto,
Descuidadas crianças folgam, rindo!

Beijam o ar perfumes cativantes
Emanados das flores olorosas;
E vagos, compassados e distantes
Erguem-se com graça os descantes
Que chegam em notas caprichosas...

Voga rio acima, docemente
Um barco leve... vai a todo o pano,
E o Sol, bola de fogo, cai no Poente
Num beijo doce ao monte quente
Que agradece e se fecha todo ufano!

E nessa hora de mágicas venturas
Passam brandas, serenas amizades...
E que contentes vão as criaturas!
Aqui perto soam brandas e seguras
As notas suaves e santas das Trindades!


Miradouro da Senhora do Monte 
(Monte de S. Gens)

Graça – Lisboa (1955)

(De um livro a publicar sob o título VELA AO VENTO)

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