domingo, 9 de outubro de 2016

Neblina


NEBLINA
  
Este dia
Com o Sol virado do avesso
Parece trazer no seio
A grande aventura
Da manhã do Começo!

Dia sombrio.
Com línguas magras de luz
Furando o nevoeiro frio
De vez em quando...

Dia sem horizonte
Que esconde o quadro
Daquelas crianças tristes
Que vivem ali, defronte...

Dia sem arrebol
Que parece fechar-se a noite...
E de Céu tão baixo
Que o tocamos com as mãos
Sedentas de Sol!

Abre-me a tua névoa...
Deixa-me ver às claras
O rosto dos meus irmãos!


1970

(De um livro a publicar sob o título 
VELA AO VENTO)
  

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