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sábado, 16 de abril de 2016

Uma reforma que é preciso fazer e já proposta por Antero de Quental



Portugal ou se reformará politica, intelectual e moralmente, ou deixará de existir. Mas a reforma, para ser efectiva e fecunda, deve partir de dentro e do mais fundo do nosso ser colectivo; deve ser, antes de tudo, uma reforma dos sentimentos dos costumes. . . Apelar para a concórdia de todas as vontades leais, num pensamento de liberdade, de conciliação, de exame.
                                                                                                                Antero de Quental
in, Vol 1 - 1º ano da Revista "Pela Grei" de António Sérgio (1918)
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António Sérgio, Director da extinta Revista "PELA GREI", pensador da democracia e do ideal socialista que foi beber a Proudhon, ali chegado pelo ideal de Antero de Quental, Alexandre Herculano e Oliveira Martins, segundo se pensa, acima da questão entre e República e a Monarquia, viva em 1918, colocava a melhoria da condição de vida da classe trabalhadora, mais importante para ele do que a questão política.

Interessava-lhe, fundamentalmente, a reforma das mentalidades para que todos pudessem ter uma opinião crítica histórica-sociológica de Portugal e, por isso, no Intróito do nº 1 desta Revista, ao sublinhar "Do intuito e natureza desta Revista", colocou em rodapé aquele juízo de Antero de Quental, que tendo morrido em 1891, passados que eram 27 anos, pareceu a António Sérgio que ele continuava a ter toda a razão de existir.

Penso, aliás, que muito embora, no tempo que passa Portugal se reformou politicamente, falta-lhe, ainda, reformar-se intelectual e moralmente, porquanto está por fazer o mais importante:

A reforma do ser interior para que se possam reformar os sentimentos dos costumes, ou seja, a reforma que conduza à concórdia de todas as vontades leais, num pensamento de liberdade, de exame - como disse Antero de Quental - porque o sentimento que temos da liberdade alcançada é muito mais de uma libertinagem conseguida, que o respeito pelo outro no sentido da conciliação e do exame que é preciso fazer para que Portugal possa continuar na senda dos seus heróis de antanho e a merecê-los por aquilo que nos legaram.

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