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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

"Chocado ficou o País"


Dizem as notícias recentes provindas do Partido Socialista que este ficou chocado com as declarações do Presidente da República feitas em  Oliveira do Hospital sobre as tragédias dos incêndios florestais que ceifaram no conjunto do Verão/Outono 109 vidas humanas, deixando uma crítica de que ele teria "exorbitado claramente os seus poderes".

De visita aos Açores, o Presidente da República, afirmou:

in, Jornal "Público" de 26 de Outubro de 2017
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Marcelo Rebelo de Sousa foi claro na resposta que deu alicerçada naquilo que viu, sentiu e sofreu junto das populações enlutadas e martirizadas, tendo de pé posto calcorreado vilas e aldeias do Centro de Portugal:
Não interessa quem ficou mais chocado, diz a notícia fazendo sobressair esta frase do Presidente - "Chocado ficou o País".

Disto eu sei. Chocado estou eu que vi 15 habitações incendiadas na minha aldeia, não havendo numa mancha de muitos quilómetros quadrados nada de verde e, apenas, uma mancha cinzenta.

Mas de toda esta polémica entre poderes, cito o seguinte que se encontra plasmado em cima do texto da Constituição da República Portuguesa;

Artigo 134.º
Competência para prática de actos próprios
 Compete ao Presidente da República, na prática de actos próprios:

E cito a alínea "e" daquela artigo:

e) Pronunciar-se sobre todas as emergências graves para a vida da República;
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Mas,  então, não cabe ao Presidente da República pronunciar-se sobre uma emergência grave ocorrida nos passados dias 15 e 16 de Outubro, tendo por detrás, quatro meses antes, a tragédia de Pedrógão Grande, uma outra emergência grave?

E não digo nem pergunto mais nada porque devo a mim mesmo o dever de manter, depois de tudo o que aconteceu - e de que sou uma vítima - todo o respeito, a começar por mim, desejando que os homens públicos de Portugal que neste momento detêm o poder executivo se lembrem das vidas humanas que morreram carbonizadas e dos sobrevivos que têm de refazer do quase nada - ou do nada - as suas vidas.

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