quarta-feira, 9 de maio de 2018

O "Determinismo" não pode deixar de informar o homem!


‘Estamos condenados à liberdade!"
Jean-Paul Sartre
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De todas as vezes que medito nestas palavras do filósofo francês que advogava como causa de mérito pertencer aos intelectuais um papel "activo na sociedade" dou comigo a pensar no entendimento que ele tinha por liberdade, defendendo como fez num dado momento da sua vida o "Estalinismo" que oprimia o povo russo e do qual se fez militante.

"Estamos condenados à liberdade" - disse Sartre, como quem diz, por palavras minhas que o homem está condenado a ser livre - conceito que eu defendo e aprovo - mas com os engulhos de saber que quem assim falou, no momento em que prosseguiu um ideário comunista, ignorou que naquela cartilha política o povo russo era escravo de um poder despótico.

É verdade que Sartre defendia o homem livre e responsável por tudo quanto estava à volta dele "Somos inteiramente responsáveis por nosso passado, nosso presente e nosso futuro", mas sempre tive em mente - e tenho - que Sartre foi beber parte da sua filosofia em Nietzsche que dizia que o homem era alguém que projectava "tornar-se deus", pelo que sujeitar-se o homem a recorrer a uma suposta ordem divina da sua existência representava a sua incapacidade de arcar com as responsabilidades que lhe cabiam na condução da sua vida.

Bem sei aquilo que me separa, de Sartre - sobretudo, na intelectualidade, onde não existe qualquer comparação - como nos aspectos de defesa do comunismo, mas do pouco que sei deste brilhante filósofo, sustento a ideia de informações que adquiri que ele nunca negou por completo - a filosofia do "Determinismo" - que tendo por base o conceito de todos os acontecimentos serem regidos por causas de carácter, quer naturais, quer sobrenaturais, este facto, segundo o meu entendimento deveria ter bastado para evitar o conceito do homem se comportar com um "deus", ou seja "dono e senhor" do seu destino.

"Estamos condenados à liberdade" e eu, que compreendendo esta frase de Sartre sinto que ela é verdadeira - porque eu mesmo assim me sinto condenado - mas com a diferença da minha liberdade se pautar pela determinação sobrenatural de ser quem sou, e é pela obediência a essa causa que me escapa como a areia fina de entre os dedos, que eu, "condenado à liberdade" entender a liberdade mas sem a coação de regimes totalitários que negam ao homem o usufruto da sua liberdade responsável.

Advogo, por isso o "Determinismo" como um garante sobrenatural da minha conduta social, graças a Deus liberto de ideários que que ainda num tempo bem próximo de nós, defendiam a liberdade para a elite que chegava ao poder e a negava ao comum dos cidadãos, como aconteceu na Rússia, com mais acinte, na era Estalinista.

Quanto a mim esse foi o erro de Sartre ao aderir na idade madura ao comunismo - tinha então 45 anos - e os contactos com Henri Bergson há muito tempo haviam ficado para trás, pelo que, admirador que sou da sua imensa obra literária, se penso como ele: "estamos condenados a liberdade", sinto, porém, que a minha "condenação" sendo, embora, livre, me sujeita à responsabilidade de o ser nos aspectos sociais, mas também nos divinos em que ajo sujeito à determinação superior de um Deus que sem coartar a minha liberdade actua quotidianamente na minha consciência, por forma a que não me sinta um "deus" como agente condutor da minha própria vida.

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