quarta-feira, 21 de março de 2018

Lembrar para não esquecer!

in, capa do Jornal "i" de 21 e3 Março de 2018
in, Jornal "Público de 21 de Março de 2018 (Recorte parcial da notícia da capa)
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Lembrar para não esquecer!

Indomável, porque foi deixado sozinho a destruir matas, agriculturas e casas o fogo de 15 e 16 de Outubro de 2017 tudo destruiu na sua fúria, nas terras das Beiras, como aconteceu no meu concelho - Pampilhosa da Serra - onde o Presidente da minha Câmara Municipal pode contar, apenas, com o seu abnegado mas pequeno corpo de Bombeiros que não puderam travar os fogos que irrompiam, devastadoramente, perante o pasmo, a aflição e a dor dos meus conterrâneos que o poder central esqueceu, abandonando-os à sua sorte naqueles fatídicos dias, mormente o dia 15 de Outubro em que o fogo numa cavalgada infrene de labaredas consumiu quase uma floresta inteira do vasto território do meu sacrificado concelho.

Lembrar para não esquecer!

Hoje, a imprensa diária diz o óbvio, provindo do Relatório da Comissão Independente: "Populações viveram -"dramático abandono" - (Jornal "i") - "Protecção Civil pediu meios que o governo não autorizou" - "Técnicos criticam desmobilização de meios e desvalorização de alertas do IPMA" (Jornal Público).

Lembrar para não esquecer!

Lembrar que a Comissão Independente concluiu aquilo que na altura devida foi sentido como uma falha grave: o abandono da "fase Charlie" quando o IPMA não se cansava de alertar para as altas temperaturas que se iam fazer sentir, constituindo este caso um entre vários, como o das falhas do SIRESP, razão porque este governo - pesem embora as responsabilidades que lhe eram alheias como o abandono da floresta particular e das que lhe eram próprias, como aconteceu com o pinhal de Leiria - não mediu a tragédia que eclodiu e em que o fogo indomável pela falta de meios fez à sua vontade todos os estragos de bens e de vidas ceifadas.

Lembrar para não esquecer!

Penso que este governo devia ter sido demitido pela omissão, quando estava alertado para o que podia ter acontecido, não lhe tendo bastado a tragédia de Pedrógão Grande para ter aprendido a lição, razão suficiente para ser mandado para casa, pelo que, tenho para mim que faltou em coragem política ao Senhor Presidente da República o que lhe sobra de afectividade, embora eu reconheça a dureza do seu discurso que levou o governo a acordar e mandar embora quem, naquele momento sobraçava a pasta da Administração Interna.

Mas foi pouco.
Muito pouco, porque este governo é um dos culpados da tragédia de 15 e 16 de Outubro, pelo abandono em que deixou uma parte significativa do território nacional, precisamente o interior esquecido.

Lembrar para não esquecer!

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