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domingo, 12 de outubro de 2014

Veio-me isto à lembrança...


A ampulheta do tempo deixou cair esta memória!


A Câmara de Lisboa aprovou hoje (16/07/2008) em reunião do executivo municipal a cedência da Casa dos Bicos para a instalação da Fundação José Saramago, que acolherá a biblioteca do autor Prémio Nobel da Literatura. A cedência foi aprovada com os votos favoráveis do PS, Cidadãos por Lisboa, PCP e BE e com os do contra do movimento Lisboa com Carmona e do PSD.
in, Agência Lusa 

Era, então Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, que se prepara para vir a ser Primeiro Ministro de Portugal e que, com aquele acto sancionou a outorga de um edifício histórico do séc. XVI, sem cuidar que José Saramago - um Prémio Nobel de uma certa Literatura que não respeita os sentimentos da maioria do povo português -  foi uma personagem, que em Portugal, no ano de 1975, em pleno Processo Revolucionário em Curso (PREC)  no exercício de Director adjunto do "Diário de Notícias"  - de onde saiu na sequência do 25 de Novembro -  disse quando entrou: “Quem não está com a Revolução, é melhor não estar no Diário de Notícias”, resultando isto pelo facto de Saramago estar ao serviço da facção do então Primeiro-Ministro, Vasco Gonçalves, adoçada ao Movimento das Forças Armadas MFA.

Esta tomada de posição extremista originou o  saneamento de cerca de três dezenas de jornalistas, deixando ali o seu trato de censor e castrador da liberdade de informação, do pluralismo, arvorando-se em saneador de jornalistas, tendo imposto no DN uma informação de sentido único, colocando o jornal ao serviço da revolução, expressão entendida como ao serviço exclusivo do pensamento do Partido Comunista Português, tendo utilizado as armas do radicalismo, do medo.

Ontem como hoje, não aprovo  este projecto da Câmara Municipal de Lisboa que a pena de António Costa aprovou.
Tenho esse direito como cidadão de Lisboa.
E reprovo, porque o laureado o não mereceu. 
José Saramago não é uma figura consensual, em Portugal, mesmo no campo das Letras e, porque a sua falta de escrúpulos foi sentida no Diário de Notícias, onde saneou, a seu belo prazer, muitos colaboradores desse jornal a mando do seu Partido, tendo sido o executante de saneamento de jornalistas que se opunham ao seu cariz totalitário, levando à prática o que condenavam no antigo regime, ou seja, os saneamentos políticos.
Por isso, esta mancha está no passado recente de António Costa.
Fica aqui, como memória do tempo.


Caminho do homem novo



  
 CAMINHO
DO HOMEM NOVO  (1)


Hoje,
Vejo doutra sorte o mundo...
Cansado dos dias vãos
Alinhei os meus problemas
E parti as duras algemas
Que me tolhiam as mãos
E as mergulhavam no fundo!

Hoje,
Recuso ser  aquela peça
Que foi parte da engrenagem
Mas que nada diz agora!
Já não estou... fui-me embora.
Rumei para outra viagem
Confiante no que aconteça!

Hoje,
Sou muito mais profundo...
Porque me sinto. Sou eu
Neste dia - jamáis visto -
Em que vi sinais de Cristo
Escritos no alto do Céu
E em cada irmão no mundo!


(1) De um livro a publicar



Deus, presente!




 DEUS, PRESENTE (1)


Hoje, ao fim da tarde,
Quando o Sol se escondeu, cansado,
Por entre a névoa ígnea do Poente
Senti um místico alarde...
E ao olhar o tom difuso e encantado,
Senti naquele breve instante
Deus, eternamente presente!

Foi, quando, lenta a luz morria
Nas últimas casas, lá ao fundo...
Quando, rendido, esse gigante
Que alumiara todo o dia
Adormeceu sereno e profundo!

Senti, então,
Um impulso de Deus, uma certeza
No Seu poder enternecido.
E assim, numa oração
Agradeci-lhe a mágica grandeza
Que houve naquele Poente ignescido...
E, aos poucos, lenta,
Veio a noite a imprecisar as coisas
Numa sombra que se tornou negrume.
Muito atenta, então,
A minha alma agradecida
Ardeu em chamas
Como se fosse um lume!



(1) - De um livro a publicar



Meditação




MEDITAÇÃO (1)


Quem depois de deitar a mão ao arado
olha para trás,
não é apto para o Reino de Deus.
(Lc. 9,62)


Senhor,
Naquele dia
Tu ias para Jerusalém...
Era mais um dia de entrega total
Por nosso amor.
Foi, então, que ouviste vozes
Que diziam coisas assim:
-Vamos contigo para onde fores...
E Tu, a caminhar sempre
Sorrindo brandamente...
Pronto a todas as dores!
Ias cheio de piedade
Dos que diziam: - Vamos contigo
Mas primeiro... deixa que faça isto
E mais aquilo.

Senhor,
Esses, de verdade,
Não viram a seara
Aonde o trigo alourava...
Oh! Senhor!
Que sofreste tantas ambiguidades
E mesmo assim
Te deixaste morrer...
Dai-me, peço-te,
A força capaz
De não Te dizer:
- Só vou se...
Que eu não faça isto,
Tendo como  tenho
O teu carinho
E o arado que me deste
Para lavrar o caminho!


(1) - De um livro a publicar



sábado, 11 de outubro de 2014

A cura existe pela paz do espírito!


A alma do homem é o tronco que não pode ser abatido


A cura do homem de todos os tempos - e, especialmente, os homens do nosso tempo, tão acossados como estão por uma sociedade, em tantos casos, anti-natural - só existirá, verdadeiramente, quando este encontrar o caminho que lhe é apontado pela bússola da paz do espírito e nem sempre, como este faz, quando sente crises de depressão ou de angústia, indo a correr ao psicólogo.

Será que isto funciona?
Pode acontecer se o clínico for uma pessoa sensata, não vivendo ele mesmo com as suas próprias crises, mas partindo do princípio que ele é sensato e bom, pode aliviar o mal, mas como pode curar espiritualmente o homem, se nele mesmo não existir o sentido espiritual que o forma?

Como pode ser fonte de cura uma psicologia académica se nesta não estão implantadas as funções sensíveis e elevadas da alma do homem?

Como pode esta ser curada, se a cura médica se restringe aos seus aspectos exteriores e não a vai procurar no que nela existe de mais profundo: o seu lado espiritual que vive escondido?

Verdadeiramente, a cura do homem só pode haver pela paz do espírito e, esta, que é possível alcançar só existe quando ele se convencer que o seu corpo não é uma imagem de Deus - que é puro Espírito - mas que ela existe e é transportada com ele, na sua alma, razão, porque, é a alma que tem de ser curada para poder dar saúde ao corpo, para que ele, sendo um instrumento da alma a não leve por caminhos ínvios.

Efectivamente, só haverá a cura verdadeira do homem em si mesmo e da sociedade, quando for encontrada a pacificação pelo restabelecimento das coordenadas da verdade do homem enquanto semelhança de Deus e, logo, a certeza do amor espiritual que ele deve a si mesmo, deixando cair no monturo a enxurrada de opiniões, muitas delas psicanalíticas, que o levam, em vez de o ajudar, a viver em cima do vagalhão do seu mar revolto.

E, assim, convém que o homem perceba que não pode entregar-se a actividades manipuladoras da sua consciência, tomando ele mesmo consciência da sua força espiritual que o torna uma imagem de Deus, que caminha com ele entre os seus iguais.



Quando será que construímos as pontes que faltam?




Não importa que a ponte seja velha se for útil



Já se sabia.
Com o poder à vista baixaram os decibéis do discurso, mas a necessidade de fazer pontes de diálogo, ainda está muito longe.

Numa entrevista recentíssima (TSF e DN) o novo líder parlamentar do Partido Socialista, Ferro Rodrigues, jogou à defesa, antevendo o que se espera. 
No poder, o PS, vindo-o a conquistar em 2015 - nesta conjuntura difícil - não vai ter dinheiro para distribuir generosamente, ao arrepio da sua postura em governações anteriores, onde "sem rei nem roque" a utilizou num País que desde o 25 de Abril o que tem feito é endividar-se.

Diz, agora Ferro Rodrigues, tendo em mira a defesa do Estado Social e a baixa de impostos.

“Tudo isto deve ser feito numa base de custos-benefícios para a população em geral e para a igualdade de oportunidades e para a capacidade de os portugueses terem o Estado que querem”, explicou, num excerto da entrevista que será divulgada este domingo.

“Não se pode, evidentemente, ao mesmo tempo, defender o progresso do Serviço Nacional de Saúde, defender o progresso da escola pública, defender o progresso na capacidade da proteção social e depois ter promessas desbragadas em matéria de diminuição dos impostos”.

Diz o povo - que é sábio - que "cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém" o que prova que com o poder actual PSD/CDS ou, eventualmente, com um novo poder do PS, a receita tem de continuar a ser a que se infere do adágio popular, porque se acabaram os tempos que nunca foram áureos, mas que assim foram tidos por uma classe política que andou a jogar "fora dos eixos"  e com o bom povo português a assistir ao "forrobodó" em que ele mesmo se deixou enrolar.

Eu não posso deixar de aplaudir as palavras de Ferro Rodrigues, mas não posso deixar de criticar o modo como o PS tem levado a política nacional, sobretudo desde o consulado de António Guterres, que foi sublimado por José Sócrates, nos aspectos mais gastadores de um erário que só existia nas suas cabeças, porque viam riquezas onde abundavam, apenas, as misérias das águas caudalosas de um rio sem norte, mas sobre as quais - ao invés do que sugere a gravura que ilustra este texto - nunca fomos capazes de construir pontes com os materiais que tínhamos e continuamos a ter ao nosso dispor.

Quando é que se entende esta necessidade para o bem nacional?
Quando acabamos com governos minoritários ou de coligação arquitectada à última hora, em vez de unir vontades para o bem nacional, levando o povo a votar em processos políticos credíveis e, como tal, referendados?
Quando é que temos juízo?


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A dança dos montes!






Na aurora da Criação
logo a seguir, ao Céu,
Deus ordenou que todas as águas que havia sob ele,
se reunissem num só lugar e criou o "seco",
conforme lemos na Escritura!

Era o terceiro dia.

O "seco" tomou o nome de "Terra" e, na convulsão tamanha
da Obra da Criação, a Terra, por desígnios que jamais saberemos,
mas, possivelmente agradecida ao Criador por se ver tão linda
nos verdes de vários cambiantes, deu consigo a dançar.

E, foi, naquela dança que se criaram os montes,
cabendo aos melhores dançarinos os montes mais altos,
enquanto os mais pequenos foram destinados aos menos hábeis
e todas as planuras àqueles que não quiseram entrar na dança
e, olhando toda a beleza que havia na dança dos montes,
preferiram cair de joelhos, maravilhados, 
porque havia de ser nelas, que Deus estenderia os campos dos trigais, 
onde havia de crescer o pão necessário 
para a multiplicação da vida entre aqueles que Deus encheu de amor
no sexto dia!


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Olavo Bilac e as duas Primaveras!





              Primavera


Ah! quem nos dera que isto, como outrora,
Inda nos comovesse! Ah! quem nos dera
Que inda juntos pudéssemos agora
Ver o desabrochar da primavera!

Saíamos com os pássaros e a aurora.
E, no chão, sobre os troncos cheios de hera,
Sentavas-te sorrindo, de hora em hora:
"Beijemo-nos! amemo-nos! espera!"

E esse corpo de rosa recendia,
E aos meus beijos de fogo palpitava,
Alquebrado de amor e de cansaço.

A alma da terra gorjeava e ria...
Nascia a primavera... E eu te levava,
Primavera de carne, pelo braço!

Olavo Bilac, in "Poesias"




Só aos poetas - àqueles que verdadeiramente o são, como Olavo Bilac - é que é dado o dom de poderem "pintar" no mesmo quadro literário duas Primaveras: a da estação do ano, propriamente dita e da estação da idade, em que a Primavera de carne, até parece, que se iguala - senão supera - na alma do Poeta a outra  que fazia a terra gorgear nas muitas flores em que se abria, mas sem deixar que elas ensombrassem a beleza da que ele levava pelo braço...

A poesia tem destas coisas e é, por isso, que há Poetas que o são e outros que o julgam ser, não o sendo!


As "Mãos em Oração"



Mãos em Oração de Albrecht Durer


Estas mãos têm uma história.
Assim ma contaram e assim a vou contar, possivelmente sem a arte do amigo que teve a gentileza da ma dizer.

Conta-se que em Nuremberga, em meados do século XV num dos muitos lares da cidade vivia uma família de parcos recursos que obrigava o chefe da família,  pai de vários filhos a trabalhar duramente nas minas para o sustento do lar.

Num certo dia, dois dos filhos manifestaram o desejo de frequentar a Academia de Belas Artes, pois ambos desejavam ter aulas de Pintura dada a veia artística de que haviam sido prendados. Reconhecido isto, mas sabendo ambos das dificuldade económicas dos pais, entre os dois irmãos foi feito o seguinte acordo: deitavam sortes e o que ganhasse ia para a Academia, enquanto o outro, com o seu trabalho ajudaria a pagar os seus estudos, com a promessa de logo que estes fossem cumpridos, seriam invertidos os papéis.
E assim aconteceu.
Deitaram sortes e o ganhador foi Albrecht Durer.

Regressado a casa, cumpriu o prometido, dizendo ao irmão:
 - Agora, é a tua vez.
E, logo, este, candidamente, ripostou:
 - Agradeço-te, irmão, o cumprimento da promessa... mas agora é tarde. Já não poderei frequentar os estudos. Acabou-se o desejo. As minhas mãos não ajudam.
E mostrou-lhas, deformadas pelo trabalho duro e pela artrite de que sofria.


O célebre quadro que todos conhecemos "Mãos em Oração" são, assim, a pintura das mãos do irmão que Albrecht Durer imortalizou e nas quais, se as fixarmos atentamente, veremos os sinais da deformação de ele que sofria.

Por isso, quando voltarmos a vê-las, oremos por aquele irmão que sacrificou o seu desejo de ser artista, enterrando-o debaixo do solo onde numa outra "academia" - a do trabalho da mina - "pintou" no desmonte do filões os "quadros" que permitiram a Albrecht Durer fazer as pinturas que todo o Mundo admira, ainda hoje, passados que estão alguns séculos.


Onde foste?



Imagem de um diaporama recebido
Peço a benevolência do seu autor para a eventualidade de alguma ilicitude cometida

Onde foste?

Que força estranha fez que abandonasses o barco na margem do rio
- que pode assemelhar-se à tua vida - 
e andes, por aí, onde nem tu mesmo, sabes dizer, verdadeiramente,
as coordenadas do caminho?

Onde foste?

Que deixaste mansas e transparentes as águas em que navegavas
que o barco, que também se parecia contigo
nem sequer baloiçava, quando o abandonaste!
E agora?

Onde foste?

Oxalá, sejam como as antigas, as tuas novas águas!
Mas, se não forem, não hesites e volta atrás, na certeza que deves ter
que é, quantas vezes, às arrecuas que avançamos!


A força da Natureza!




É, olhando esta força, que eu acredito na Força Maior
que, ao invés dela, que vive escondida, 
e só de vez em quando é que se deixa ver
como causa e anúncio do Criador, que desde a aurora do primeiro tempo, 
vive às claras para todos os homens, 
que apesar da Sua profundeza, têm a graça de O sentir vivo,
dentro de si mesmos!

É, pois, olhando-me a mim mesmo, na minha profunda insignificância, que encontrei muito velhinho, mas limpo e nada amarrotado na "gaveta" do espírito, com uma prosa de Antero de Quental, devidamente guardada na gaveta física da minha escrivaninha, onde ele, na altura, estudante de Coimbra - logo, muito longe do tempo das "Conferências do Casino" - diz, esta coisa que merece a pena ler e meditar.


O Homem é um Deus que se Ignora Dentro do homem existe um Deus desconhecido: não sei qual, mas existe - dizia Sócrates soletrando com os olhos da razão, à luz serena do céu da Grécia, o problema do destino humano. E Cristo com os olhos da fé lia no horizonte anuveado das visões do profeta esta outra palavra de consolação - dentro do homem está o reino dos céus. Profundo, altíssimo, acordo de dois génios tão distantes pela pátria, pela raça, pela tradição, por todos os abismos que uma fatalidade misteriosa cavou entre os irmãos infelizes, violentamente separados, duma mesma família! Dos dois pólos extremos da história antiga, através dos mares insondáveis, através dos tempos tenebrosos, o génio luminoso e humano das raças índicas e o génio sombrio, mas profundo, dos povos semíticos se enviam, como primeiro mas firme penhor da futura unidade, esta saudação fraternal, palavra de vida que o mundo esperava na angústia do seu caos - o homem é um Deus que se ignora.
Antero de Quental, in 'Prosas da Época de Coimbra'


Eis, porque, ao olhar para a imagem do vulcão que deixa intacto o seu aspecto exterior como se fosse a massa de um qualquer monte, mas contendo dentro aquela fornalha, dou comigo a pensar e a agradecer a minha crença na tal Força Maior e, apesar da minha pequenez, sentir que dentro de mim - como de qualquer outro homem - vive o Deus ignorado de que falou o velho filósofo de Atenas e do qual Antero de Quental não deixou de o admitir dentro de si mesmo, mesmo quando os tempos "proudhonianos" já haviam tomado posse da sua filosofia.


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Para Stephen Hawking a ciência justifica o Universo!!!...



Stephen Hawking
in, Wikipedia


O jornal "Expresso" na sua "Revista" de 27 de Setembro de 2014, imitando o que já havia feito o seu colega da imprensa "El Mundo", publicou uma local em que o cientista astrofísico Stephen Hawking, faz a apologia do seu ateísmo.

É bem conhecida a sua tese de que o Universo é governado pelas leis da ciência e de que existe uma diferença fundamental entre religião que se baseia na autoridade e a ciência que se baseia na observação e na razão, concluindo por dizer que a ciência vai ganhar porque ela funciona.

Vejamos.
A religião baseia-se na autoridade e o que faz a ciência de Stephen Hawking?
Será que não se baseia na autoridade que quer impor, ou seja impondo o ateu contra o crente?
E com este dislate:
A ciência vai ganhar porque ela funciona, como se tudo o resto que vive fora da esfera do cientismo fosse algo imóvel, fora do funcionamento harmónico de um Mundo que foi fundado sem cientistas encartados nas Escolas do saber humano.

No seu livro mais recente "O Grande Desígnio" Hawking, reafirma o seu ateísmo, algo que merece o respeito que deve merecer qualquer criatura, mesmo quando afirme, como ele o fez em livro anterior "Uma breve história do tempo", de que não há nenhum Deus. Sou ateu. A religião acredita em milagres, mas estes não são compatíveis com a ciência, para noutro passo dizer: no entanto, se nós descobrirmos uma teoria completa... então nós conheceríamos a mente de Deus.

Porém, no livro mais recente "O Grande Desígnio" o cientista muda o contexto destas declarações e, onde deixava aberta uma porta, fecha-a rotundamente ao afirmar, agora, que Deus não tem mais lugar nas teorias sobre a Criação do Universo, devido a uma série de avanços no campo da física, acrescentando esta asserção, como uma certeza: A criação espontânea é a razão pela qual algo existe ao invés de não existir nada, é a razão pela qual o universo existe, pela qual nós existimos", dizendo que o Big Bang foi simplesmente uma consequência da lei da gravidade. Hawking também cita a descoberta, feita em 1992, de um planeta que orbita uma estrela fora do Sistema Solar, como um marco contra a crença de Isaac Newton de que o universo não poderia ter surgido do caos.



Um dos pontos que devemos reter em Hawking é que ele em lado nenhum ataca a religião, provando assim a sua inteligência, bem ao contrários de outros ateus militantes que desancam com azedume o seu ódio perverso contra qualquer religião, que não seja a da oposição à crença em qualquer divindade.

Outro ponto a reter foi a pressa como o jornal "Expresso" publicou algo sobre este conceituado cientista, que apesar da sua proclamada sabedoria naquele campo do saber humano, disse esta coisa espantosa já acima referida: (...) se nós descobrirmos uma teoria completa... então nós conheceríamos a mente de Deus, o que prova, que naquele tempo o cientista tinha dúvidas das suas certezas, que deixou de ter, agora, quando retira Deus de ter lugar na criação do Universo.

O cientista evoluiu ou, ao invés, o que evoluiu foi o seu arreigado ateísmo?

Outro ponto a reter é que, o nosso tempo que tudo quer explicar cientificamente, pode querer impor esta teoria contra o Génesis - que não é um Livro científico - mas há-de esbarrar sempre com esta realidade: do nada só algo podia ter sido criado se nesse estádio do Mundo, algo que não fosse apenas matéria, já existisse numa força criadora que só as mentes absolutistas negam, chamando à colação a ciência, que para os ateus tudo explica, enquanto para outros, ela mesmo é uma emanação da vontade de Deus sobre a inteligência que lhes é dada.

Outro ponto a reter é o facto de Nathan Aviezer, um outro cientista que dedica o seu pensamento ao criacionismo, evolução e cosmologia, ter afirmado:  Sem abordar quem ou o que causou isso, a mecânica do processo de criação do Big Bang coincide com a história do Gênesis perfeitamente. Se eu tivesse que inventar uma teoria para coincidir com as primeiras passagens de Gênesis, seria a teoria do Big Bang”, comentou o professor Aviezer, explicando que a seqüência da criação na narrativa do Gênesis começa com o nada, evolui para uma bola de energia e luz, e, em seguida, para o universo.
in, Internet

E, agora, em que ficamos?
Metidos no Mistério, eis como ficamos, como já ficaram os nossos avós mais velhos e como hão-de ficar todos os homens que nos vierem a suceder, porquanto, melhor será para a felicidade do homem a crença da criação do Mundo como a refere Aviezer e deixar que os ateus se vão comprazendo nas suas "descobertas" à procura de teorias completas, como se, com elas, fosse possível penetrar na mente de Deus!


domingo, 5 de outubro de 2014

S,Paulo "O Apóstolo" (2)



Da Primeira Carta de S. Paulo aos Coríntios  (5, 7-11)

(...) De facto, Cristo, nossa páscoa, foi imolado.
Portanto, celebremos a festa, não com o velho fermento, nem com fermento de malícia e perversidade, mas com pães sem fermento, isto é, na sinceridade e na verdade.
Na minha carta, escrevi-vos para não vos relacionardes com gente imoral.
Não quis dizer que devíeis separar-vos dos imorais deste mundo, ou dos avarentos, ladrões e idólatras; se assim fosse teríeis que sair deste mundo! Não! Escrevi que não deveis associar-vos com alguém que traz o nome de irmão, e no entanto é imoral, avarento, idólatra, caluniador, beberrão ou ladrão. Com pessoas assim, não deveis nem sequer sentar-vos à mesa.
Como bom pai de família, S. Paulo, sem querer a promoção de afastamentos sociais com aqueles que a sociedade toma como imorais, o que pede à comunidade da cidade de Corinto é, antes, o associativismo com os que podem provocar a conspurcação dos bons costumes, especialmente, com aqueles que usam, ardilosamente, o mesmo sentir,  mas fazendo dele o meio falsário de estarem "entre" mas estando "fora".

Uma coisa é a convivência humana no sentido de mudar o que está longe da moral e dos bons costumes comummente aceites e seguidos como norma de boa conduta e, outra, bem diferente é a união com os que se unem, não para se integrarem na comunidade que faz da honra e da moral uma conduta de vida, mas para a dividir, para nela fazerem reinar as suas tropelias.

Hoje, como nos tempos do velho Apóstolo, isto acontece, cumprindo, pois, a cada um a promoção da sanidade social e não o seu contrário, convivendo-se, embora, com o velho fermento... os falsários sociais que cumpre não rejeitar, mas integrar.


Uma escolha a fazer entre o Mundo e o Amor!




Dá que pensar este pensamento de alguém, nosso contemporâneo, que foi sábio em duas valências importantes: a da ciências das coisas e a das ciências do espírito, com o dom de ter sido mestre em ambas, algo que tem acontecido com poucos.

Lendo-o, ficamos com um dilema que urge resolver: ou o homem do mosso tempo para seu próprio governo - e o que não é menos importante, tendo em conta aquilo que o rodeia  - opta por escolher o caminho do amor para conquistar o mundo, ou este, se se sentir como a primeira escolha do homem o há-de levar a perder-se na sua teia.

E vem à lembrança o aviso - também ele de um outro sábio que se chamou Jeremias,  e que no cap. 51, versículo 13, do seu Livro, nos diz: Tu que te assentas sobre as grandes águas e que possuis tesouros, chegou o teu fim. Acabaram-se as tuas rapinas.

Esta asserção leva-nos a pensar no mundo que temos dominado por uma Economia escondida sob rostos bem conhecidos de homens de negócios que estão fazendo o contrário do que nos recomenda o velho profeta e, do mesmo modo, deixaram no esquecimento o pensamento de Einstein que acima se reproduz. ao terem escolhido o mundo em vez de o terem feito a favor dos seus semelhantes, contra os quais despejaram a sua avareza.

Podemos zombar disto, lá isso podemos!

Mas os rumores que se sentem neste mundo ambicioso, se não for regredido pode conduzir-nos a todos à trágica realidade de, num dia breve, aparecem na nossa frágil e ilusória prosperidade, muitas falhas, senão um colapso desta Economia que esqueceu o homem nas suas lídimas aspirações de viver num mundo mais firme e mais humano.

E não vale, depois, ficarmos aterrorizados pela hecatombe, porque o mundo foi avisado pela Palavra que não passa, ao contrário das palavras que ele mesmo criou sobre si numa imensa vaidade de se ouvir a si mesmo e não aqueles, que como Jeremias que viveu há cerca de 600 anos a.C. - mas tinha palavras certas como as teve Albert Einstein, no nosso século - mas a que não temos dado, num caso e noutro, a atenção que lhes é devida, tendo alegremente escolhido o mundo ao invés da escolha do amor, na certeza que só ele é que pode e deve ser o seu conquistador e não - como está a acontecer - deixarmos que seja o mundo a conquistar o homem, numa conquista bárbara, sem honra e sem moral.


sábado, 4 de outubro de 2014

Uma leitura do Eclesiastes



Eclesiastes 12, 1


O "Eclesiastes" é o Livro mais singular do Antigo Testamento, quer pela construção rítmica e profundamente poética dos seus versículos, quer pelo ângulo pelo qual o seu autor aborda a realidade da vida ao debruçar-se sobre o carácter uno e trino da força de Deus, quanto à absoluta soberania que Ele exerce sobre o homem.

São 12 pequenos capítulos que se tornam grandes pela sua sabedoria,

Deriva desta asserção - que pode ser imperfeita mas é sincera - que a sua leitura devia ser obrigatória para crentes e não crentes, porquanto, num resumo breve e imperfeito, podemos concluir que o homem por não ser dono da sua vida, não pode retê-la e, em consequência, não tem nenhum poder sobre o dia em que deixa de existir sobre a face da Terra.

O Livro é, essencialmente:
  • Um convite muito sério à humildade comportamental do homem.
  • Do mesmo modo, pretende que com os seus actos este melhore o modo de ser.
  • Leva-o a entender como é fugaz a vida.
  • Combate o erro de se viver afadigadamente em possuir muitos bens e riqueza e o quanto este exercício é como se o homem passasse a vida a perseguir o vento que fica sempre enquanto o homem passa.
  • Que tudo é perecível e, apenas é, infinito o caminho espiritual, enquanto todos os terrenos, por maiores que sejam, têm fim.
  • Que o homem se lembre da finitude da sua natureza e se centre no seu Criador, não apenas na velhice, mas nos dias da sua mocidade. (ver gravura)
  • É um convite à atenção do homem para a sua imensa vaidade, esse sentimento daninho suscitador do orgulho e da farronca.
  • Ao invés, é uma chamada de atenção à humildade como a vida deve ser entendida e ao modo como se deve viver com o semelhante.
  • É uma exortação ao aproveitamento da vida e daquilo que se consegue adquirir sem avareza.
  • É um convite à partilha com os outros e, logo, à solidariedade.
  • Insiste em que tudo o que acontece, no bem e no mal, ocorre pela vontade superior de Deus, o Proprietário da casa que habitamos neste mundo.
  • É um conselho a falar menos para que o homem não venha, eventualmente, a ter nojo das suas próprias palavras.
  • Convida-o a adquirir sabedoria, não a que passa, mas toda a que fica como o alicerce mais firma da casa do homem.
  • Exorta para o facto de tudo o que se faz de bem, Deus o atenderá.
  • Não deixa, por isso, a terminar de advertir para o respeito que Deus deve merecer ao homem, pela guarda que lhe cabe fazer dos seus Mandamentos.

Este livro é essencial  para nosso mundo mesquinho. 
Pensemos antes de atacar os outros e que todos os injustiçados das omissões do homem possam contar com a justiça que lhes deviam merecer.

O Eclesiastes devia ser o livro de cabeceira, principalmente, de todos os moralistas do mundo que se afadigam em propor as suas teses - tantas vezes acomodadas aos seus interesses pessoais - sem cuidar que todas as que nos convém atender estão plasmadas neste belo Livro do Antigo Testamento, cuja ordem lógica no desenvolvimento das ideias, contém sentenças são máximas de uma vida proba e prudente que está muito acima da moral do século em que vivemos, muito enaltecedor das conquistas tecnológicas do homem, mas deixando na obscuridade, senão no esquecimento, o que as devia envolver.


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Em Outubro, uma carta para Nossa Senhora!


in, "O Astrolábio"
nº 26 de 21 de Setembro de 2014



Senhora: tu sabes como tudo aconteceu...
Foi, há muitos anos, no Egipto, após a fartura dos sete anos predita por José,
o que lhe merecera a atenção do faraó que o havia imposto como "Safnat-paaneh",
ou seja: o pai do povo... o doador da vida.
O Intendente José, porém, veio a ter sobre si mesmo, uma responsabilidade tremenda:
- o faraó, temendo uma revolta por via da falta de trigo que se sentia
disse ao povo esta coisa singular: Ide a José e fazei o que ele vos disser.
Passaram os tempos. Séculos dobraram outros séculos... e mais outros...
até que um dia - Tu, Senhora, estavas lá - foi em Caná da Galileia.

Como sempre atenta às misérias, muito antes que nascesse a revolta nos convivas,
porque, decorridos alguns dias, faltara o vinho naquela festa de casamento...
 - uma desonra - segundo os costumes do tempo! -
Apontaste aos criados que serviam às mesas a figura do Teu Filho: Jesus.
E, mesmo, sabendo que Ele tinha mais poder que o Intendente do velho faraó,
disseste as mesmas palavras já usadas por aquele: fazei o que ele vos disser.
Diz a Escritura, que no Egipto, embora em tempo magro, José encheu de trigo
todas as gentes...
e, diz a mesma Escritura, que o Teu Filho, Jesus, da água das fontes de Caná
encheu os convidados de um vinho  de marca... talvez do Monte Carmelo.
A vinha de Deus... e, tudo, sob o influxo da graça das mesmas palavras:

- Fazei o que Ele vos disser.

Olha, Senhora, Tu que existes desde o princípio dos tempos nos planos de Deus,
certamente, inspiraste ao faraó as tais palavras, que um dia pelo poder da Tua boca
soaram em Caná da Galileia... como uma música antiga e sempre nova.
No Egipto, foi uma fartura de trigo... em Caná, uma fartura de vinho, nas talhas vazias!
Permite, pois, Senhora, que Te peça, hoje, as mesmas palavras
para os povos de todo o mundo, onde existe, embora com fartura de pão e vinho
que são alimentos do corpo e necessários à vida,
a falta de outro trigo e de outro vinho... enquanto alimentos divinos,
igualmente necessários à vida plena a que todos nós fomos chamados.
Manda, Senhora - amanhã! - todos os homens a Jesus e diz-lhes a velha fórmula:

- Fazei o que Ele vos disser.

Por mim, podes crer, aceito o desafio... e posso falar por muitos dos meus irmãos,
com a mágoa que temos de carregarmos com um grave problema
que é comum a tantos de nós... coisas vãs do nosso mundo entontecido!
Andamos, é certo, com a falta do tal trigo e do tal vinho.
Mas estamos fartos de tudo. É esse o problema. Temos automóveis de luxo,
casas de campo e de praia. Temos jóias caras, roupas de etiquetas... tantas coisas!
Eu sei lá, Senhora, o que nós temos!...
O problema é, pois, complicado... temos até, vinhos aromáticos, de rótulos finos,
e, embora sabendo que nos falta o tal vinho que tem a marca de Jesus,
tenho receio de não virmos a fazer o que Ele nos disser!...

Mas, peço-te, Senhora...  tenta uma vez mais!
Manda-nos a todos... manda este pobre mundo até Jesus... quem sabe, Senhora:
-Talvez cansados de  termos tantas coisas... e, tantas delas, inúteis,
bebamos de um só trago o vinho que Ele nos der... e façamos a Sua vontade.
Tem piedade de nós, Senhora!
Somos um mundo de pobres... de indigentes da Tua graça... da graça do Teu Filho...
e andamos - tantos de nós - a fingir de ricos... quando nos falta o essencial:

- o trigo de José, que é um pão sadio que muitos de nós deixámos de comer!...
- o vinho de Jesus, que muitos de nós deixámos de beber!...

Vê, Senhora, como somos pobres... como temos fome e temos sede!


S,Paulo "O Apóstolo" (1)



Da Carta de S. Paulo aos Filipenses   (1, 3-9)


Agradeço ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós.
E sempre, nas minhas orações, rezo por todos com alegria, porque cooperastes no anúncio do Evangelho, desde o primeiro dia até agora. Tenho a certeza de que Deus, que em vós começou esse bom trabalho, vai continuá-lo até que seja concluído no dia de Jesus Cristo.
É justo que eu pense assim de todos vós, porque estais no meu coração. De facto participais comigo da graça que recebi, seja nas prisões, seja na defesa e confirmação do Evangelho. 
Deus é testemunha de que eu vos quero bem a todos com a ternura de Jesus Cristo. Este é o meu pedido: que o vosso amor cresça cada vez mais em perspicácia e sensibilidade em todas as coisas. 

A parte final do último parágrafo é eloquente.
Merece atenção especial.

Independentemente de provir de um asceta em que S. Paulo se transformou, o desejo ali expresso, podia  - e devia ser - o conselho que todos os homens deviam dar uns aos outros e, possivelmente, este mundo seria diferente!