O ribat da Ponta da Atalaia
situado no términus da Estação Arqueológica
O ribat (1) da Ponta da Atalaia, em Aljezur, foi classificado como
Monumento Nacional pelo Decreto-Lei nº 25/2013, constituindo-se como o primeiro do Concelho, assim classificado, na esteira dos poucos que atestam do legado islamita em todo o território nacional.
Eis, a parte inicial do Decreto-Lei acima referenciado:
Eis, a parte inicial do Decreto-Lei acima referenciado:
Decreto n.º 25/2013 de 25 de
julho
O sítio arqueológico localizado
sobre a pequena península da Ponta da Atalaia corresponde ao ribat da Arrifana,
centro religioso e militar referenciado em diversas fontes literárias islâmicas
como convento de monges guerreiros muçulmanos, que começou a ser edificado em
data próxima a 1130 da era cristã por iniciativa de Ibn Qasi, personagem
histórica natural de Silves, mahdi, cabecilha da oposição aos Almorávidas e
temporariamente aliado do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. Da
morte de Ibn Qasi em 1151, resultante de uma conspiração interna, resultou, em
data pouco posterior, o abandono do ribat.
Este curto período de ocupação
reflete-se na cronologia dos artefactos, exumados nos contextos associados aos
edifícios arruinados e parcialmente recobertos por depósitos de origem eólica,
em parte colocados a descoberto pelas escavações arqueológicas. O conjunto
edificado com paredes de taipa estucadas e caiadas sobre embasamento de
alvenaria de xistos, grauvaques e arenitos, chão de terra batida e coberturas
quer com telhado de uma só água, de madeira revestida com telha de canudo, quer
de terraço de madeira e terra crua, evidencia um planeamento hierarquizado,
traduzindo aspetos funcionais e simbólicos.
Do lado sueste, por onde se fazia
o ingresso no ribat, foi identificada a área da necrópole, com algumas das
sepulturas integrando estelas funerárias epigrafadas. Dela separada por um
muro, a zona (setor 4) corresponde a uma madrasa (escola corânica), com um
grande pátio e celas anexas a sueste. A seguir, numa zona onde o promontório
estreita (setor 1), localiza-se um denso complexo de construções formado por
várias mesquitas (uma das quais de grandes dimensões) e por um conjunto de
estruturas habitacionais (duas delas de maior tamanho), que correspondem a uma
área de maior atividade do ribat e onde se controlava a passagem para o
interior do promontório, que no restante perímetro é naturalmente defendido
pelas escarpas. Na parte sul do promontório descobriu-se uma mesquita com
anexos, ocupando um pequeno relevo sobranceiro ao mar (setor 2), e na ponta do
promontório (setor 3), localiza-se uma mesquita com muro de orações e minarete
de planta circular, tendo este sido reutilizado no século XIV como torre de
atalaia, dando origem ao topónimo atual.
Ruínas de uma das mesquitas (in Wikipédia)
Tive a felicidade de ter sido, recentemente, um dos muitos visitantes que se deslocam a este local para ter um contacto com a História de Portugal, que no tempo de vida do nosso primeiro rei ainda, ali, existia o templo religioso do Islão, cujos últimos religiosos e guerreiros só acabariam por ser expulsos de Portugal em 1249.
Na visita que fiz, pelas 21H00 assisti ao espectáculo grandioso do Sol a esconder-se no vasto horizonte do Atlântico e a cena de unisitada foi gravada, no cimo da falésia pela objectiva da máquina e pela retina do olhar perdido na distância, como se levasse atrás da bola de fogo que caía, um pouco da alma rendida à Lei inamovível da Natureza.
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(1) - ribat é um termo árabe que designava, no séc. VIII uma pequena fortificação ao longo da fronteira
nos primeiros anos da conquista muçulmana do Norte de África, com o fim de albergar voluntários militares, tendo servido posteriormente para proteger as rotas comerciais.
Há, quem veja no ribat, não só um centro político, como religioso de defesa da cultura do Islão, como aconteceu no tempo do nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques que foi contemporâneo do ribat que existia nas terras que formam, hoje, o concelho de Aljezur.
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