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sábado, 24 de março de 2018

"A vida humana é inviolável"


Da Constituição da República Portuguesa:

TÍTULO II
Direitos, liberdades e garantias
CAPÍTULO I
Direitos, liberdades e garantias pessoais
Artigo 24.º
Direito à vida

1. A vida humana é inviolável.

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Inviolável, uma palavra "desconhecida" para os que se propõem aprovar no Parlamento a eutanásia, sem  se importarem com aquilo que significa  o nº 1 de artigo 24º da Constituição - uma "Bíblia" para eles quando lhes apraz defender as suas questões - mas passando por cima desta  palavra - INVIOLÁVEL - que lhes devia barrar o caminho, ao afirmar a Constituição que a vida humana, por não ser um objecto, adquire com o nascimento o poder de não ser profanada, por ser inviolável.

Mas não. Para os apaniguados da eutanásia nem sequer é preciso rever a Constituição porque para eles, a Lei Fundamental não existe, quando querem fazer valer os seus fundamentalismos.

Eis, porque - a maioria do nosso Parlamento, a ter em conta o que por aí vai - faz "letra morta" daquela pequena frase da nossa Constituição e ultrapassa-a impante - sem alma e coração - querendo a todo o custo criar uma lei que permita ceifar a vida humana com o argumento "piedoso" de ser o paciente a tomar a decisão - VIOLANDO-A - em vez de a proteger com as novas técnicas médicas, como mandam as mais elementares regras humanas, que ficam  postas em causa com este propósito sem nome e sem lei, mas de que os "eutanasistas" não querem desistir de a conseguir.

Está velho (a).
Não presta. 
Não é útil à sociedade.
Estamos a chegar ao fim duma civilização e a dar lugar à barbárie que se quer instalar ante o olhar complacente da nossa sociedade adormecida que faz dos doentes terminais empecilhos, em vez de lhes garantir o dom da vida até ao instante final.

Vão conseguir esta lei?

Vão, de certeza, porque Portugal adormeceu e está a cair por demais nestes extremistos radicais que leva, hoje, a haver em muitas camadas sociais uma tremenda falta de respeito pela vida humana.

"Agradar a gregos e a troianos"

http://www.sapo.pt/ de 24 de Março de 2018
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Com a promulgação do "diploma do financiamento dos partidos" que havia vetado no dia 2 de Janeiro de 2018 e com esta atitude agora tomada o Senhor Presidente da República  caiu dentro do aforismo popular em que  "agradar a gregos e a troianos".

Este aforismo nascido do tempo da lendária guerra de Tróia, contada por Homero, na Ilíada,  uma das obras mais importantes daquele poeta grego e cujo relato nos fala do herói grego Odisseu - Ulisses em latim - o construtor do célebre "cavalo de Tróia", uma estratégia para obter a vitória dos Gregos que durante dez longos anos em guerra contra os Troianos, originava a que os reinos de menos força bélica se aliavam quer a uns quer a outros e quem o não fizesse  não agradava, quer aos Gregos, quer aos Troianos, levando a que se não soubesse - por se agradar aos dois lados - quem ganharia a guerra.

É esse o problema dos líderes de todos os tempos postos frequentemente sob este tipo de situação e, embora, muitas das vezes desejem apoiar os "Gregos" temem não agradar aos "Troianos" e assim, colocam-se em  cima do muro numa atitude geradora de desconfiança ou de pouca capacidade de uma tomada de decisão firme.

O Senhor Presidente da República, com a atitude que tomou - por obrigação de um cumprimento legal -  pôs-se na situação de agradar a "Gregos e a "Troianos", que é sempre uma situação cómoda, mas pode não ser a mais correcta, apesar das "objecções de fundo" que reiterou, mas a tanto foi obrigado por uma maioria a quem interessava a aprovação do diploma, pelo que a lei que obrigou o Presidente da República a ser obrigado a promulgá-lo é uma lei que devia ser revista, mormente o nº2 do artigo 136º, que deveria exigir unanimidade de votos e não apenas, uma maioria absoluta.

Por esta razão, uma lei que obriga o supremo Magistrado da Nação, mesmo contra sua vontade - depois do seu veto - a ter de "dobrar-se", sabendo que se agrada aos "Gregos" não agrada aos "Troianos", sendo que nuns e noutros, não estão apenas os parlamentares, mas o povo em geral, não pode merecer o aplauso desta migalha de povo que eu sou.

De que serve, pois, dizer-se em linguagem corrente, que o Presidente da República  é o Supremo Magistrado da Nação?
Claro que não é!
Mas para ele, os políticos e o povo embarcado nesta onda, criou esta "figura de estilo" muito rendilhada à boa maneira portuguesa, quando vemos e sentimos - como no caso presente - que bastou o Parlamento "bater o pé" e manter a lei aprovada para que o Presidente da República lhe tivesse de obedecer!

quarta-feira, 21 de março de 2018

Lembrar para não esquecer!

in, capa do Jornal "i" de 21 e3 Março de 2018
in, Jornal "Público de 21 de Março de 2018 (Recorte parcial da notícia da capa)
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Lembrar para não esquecer!

Indomável, porque foi deixado sozinho a destruir matas, agriculturas e casas o fogo de 15 e 16 de Outubro de 2017 tudo destruiu na sua fúria, nas terras das Beiras, como aconteceu no meu concelho - Pampilhosa da Serra - onde o Presidente da minha Câmara Municipal pode contar, apenas, com o seu abnegado mas pequeno corpo de Bombeiros que não puderam travar os fogos que irrompiam, devastadoramente, perante o pasmo, a aflição e a dor dos meus conterrâneos que o poder central esqueceu, abandonando-os à sua sorte naqueles fatídicos dias, mormente o dia 15 de Outubro em que o fogo numa cavalgada infrene de labaredas consumiu quase uma floresta inteira do vasto território do meu sacrificado concelho.

Lembrar para não esquecer!

Hoje, a imprensa diária diz o óbvio, provindo do Relatório da Comissão Independente: "Populações viveram -"dramático abandono" - (Jornal "i") - "Protecção Civil pediu meios que o governo não autorizou" - "Técnicos criticam desmobilização de meios e desvalorização de alertas do IPMA" (Jornal Público).

Lembrar para não esquecer!

Lembrar que a Comissão Independente concluiu aquilo que na altura devida foi sentido como uma falha grave: o abandono da "fase Charlie" quando o IPMA não se cansava de alertar para as altas temperaturas que se iam fazer sentir, constituindo este caso um entre vários, como o das falhas do SIRESP, razão porque este governo - pesem embora as responsabilidades que lhe eram alheias como o abandono da floresta particular e das que lhe eram próprias, como aconteceu com o pinhal de Leiria - não mediu a tragédia que eclodiu e em que o fogo indomável pela falta de meios fez à sua vontade todos os estragos de bens e de vidas ceifadas.

Lembrar para não esquecer!

Penso que este governo devia ter sido demitido pela omissão, quando estava alertado para o que podia ter acontecido, não lhe tendo bastado a tragédia de Pedrógão Grande para ter aprendido a lição, razão suficiente para ser mandado para casa, pelo que, tenho para mim que faltou em coragem política ao Senhor Presidente da República o que lhe sobra de afectividade, embora eu reconheça a dureza do seu discurso que levou o governo a acordar e mandar embora quem, naquele momento sobraçava a pasta da Administração Interna.

Mas foi pouco.
Muito pouco, porque este governo é um dos culpados da tragédia de 15 e 16 de Outubro, pelo abandono em que deixou uma parte significativa do território nacional, precisamente o interior esquecido.

Lembrar para não esquecer!

terça-feira, 20 de março de 2018

De entre o lixo...



Começo da Primavera 2018


Agora que tu, Natureza,
Te revestes e decoras
Só p’ra ver tua beleza
Como são curtas as horas!


Dizem os que sabem destas ciências que a Primavera 2018 ocorre, hoje, dia 20 de Março pelas 16h00, frisando que esta - é a hora do equinócio da Primavera - assim chamado por assinalar a hora exacta do começo desta Estação do ano.

São ciências que me escapam!

Resta-me agradecer a Deus ter-me ajudado a chegar até aqui - uma vez mais! - e, depois, agradecer a escrita da quadra simples, inspirada nas rosas brancas da árvore da foto que é na sua natureza bela e profunda a imagem de que, aquilo que parecia morto, há dias, estava simplesmente adormecido sob as ordens de Deus que tudo ordena.

segunda-feira, 19 de março de 2018

A minha Beira - em largos espaços - é assim!



A minha Beira - em largos espaços - é assim!

Baixa, porque acima dela fica a Beira Alta, a minha Beira em amplos espaços como a foto documenta é uma ondulação de montes e vales, de vales e montes, e onde pela lonjura dos horizontes, estes aparecem como que nublados pela intensidade das canículas estivais a deixar que o céu azul se confunda com eles.

A minha Beira - em largos espaços - é assim!

Esquecida endémica do poder central, desde sempre, por não haver nela votos nacionais a conquistar, tem sido votada ao abandono e, porque - como este local sugere - neste espaço os solos bravios nunca foram pródigos para o plantio do eucaliptal, apresenta na sua beleza rude toda a força dos tempos telúricos em que a convulsão da Terra ali deixou a marca indelével, serena e franca onde o meu olhar repousa, encantado, de todas as vezes que passo pelo altos dos seus montes, ou pelos seus vales, como aconteceu, um dia já longe, num passeio matinal em que de um relance compus este trecho poético de amor pelos montes da minha Beira:

ENTRE MONTES 

Nesta manhã
Magnificente
A Natureza é minha irmã
E é assim de toda a gente!

Avezitas que cantais
Com sonhos de mais além...
Vede:
- Somos iguais
No modo como damos à vida
E sempre de boa fé
O nosso canto
De aves sem guarida...

Somos iguais... iguais!

1956

Penso, hoje, neste tempo longo que a vida me tem concedido que valeu a pena ter dado á vida - de boa fé, como as aves - o meu canto sem guarida, porque a vida me pagou cem por um por ter agido assim, sem grandes cálculos que não fossem o de a construir com o ar sadio que bebi nos montes e vales da minha Beira Baixa.

O meu corcel...



domingo, 18 de março de 2018

V Domingo da Quaresma - Ano B - 18 de Março de 2018



Havia alguns gregos entre os que subiram para adorar durante a festa. Estes se aproximaram de Filipe (aquele de Betsaida da Galiléia) e rogaram-lhe: Senhor, quiséramos ver Jesus. Filipe foi e falou com André. Então André e Filipe o disseram ao Senhor. Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quer servir, siga-me; e, onde eu estiver, estará ali também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará. Presentemente, a minha alma está perturbada. Mas que direi?... Pai, salva-me desta hora... Mas é exatamente para isso que vim a esta hora. Pai, glorifica o teu nome! Nisto veio do céu uma voz: Já o glorifiquei e tornarei a glorificá-lo. Ora, a multidão que ali estava, ao ouvir isso, dizia ter havido um trovão. Outros replicavam: Um anjo falou-lhe. Jesus disse: Essa voz não veio por mim, mas sim por vossa causa. Agora é o juízo deste mundo; agora será lançado fora o príncipe deste mundo. E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim. Dizia, porém, isto, significando de que morte havia de morrer.  (Jo 12, 20-33)



Com esta leitura o evangelista situa-nos em Jerusalém, aparentemente no próprio dia da entrada solene de Jesus naquela cidade, recordando-nos Palavras que então haviam sido ditas.

De entre elas sobressai esta frase: Se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer produz fruto, falando assim numa alegoria carregada de simbolismo à sua própria Pessoa, deixando.nos por isso, nesta semana que antecede o Domingo de Ramos a meditar neste drama do "grão de trigo" que se preparava para morrer, mas na certeza que com isso, a vida que lhe ia ser tirada pelos seus algozes havia de deixar atrás de si frutos abundantes.

E assim aconteceu num Mistério que vai durar até ao fim dos tempos.

sexta-feira, 16 de março de 2018

"De Noite" - Um soneto de Joaquim de Araújo


            DE NOITE

Desceu de há muito a noite silenciosa.
A lua, como um lírio imaculado.
Abre o cálix d'amor, uma saudosa,
No azul d'astros serenos cravejado.

Quem me dera sonhar o meu noivado
Naquela estância doce e misteriosa,
E aspirar-te os perfumes, branca rosa,
Longe das garras cruas do Pecado.

Talvez que se eu vivesse nesses mundos.
Calados, cheios de segredos fundos.
Te seguisse do alto dos espaços,

E estrela ou nuvem solitária, um dia
Cairá inerte, inanimada e fria
No abismo luminoso dos teus braços...

Joquim de Araújo
Lisboa, 1878
in, "Portugal Pitoresco" - Vol. I (Grafia actual)


Neste meu peregrinar pelas riquezas bibliófilas que o século XIX nos deixou, aconteceu, hoje, pousar os olhos e a minha atenção sobre este soneto assinado por Joaquim de Araújo, um ilustre filho de Penafiel e cuja arte poética encheu páginas como esta de um conceituado cunho lírico, onde o Poeta, um visionário da NOITE dando asas ao seu sonho, consegue "ver" No azul d'astros serenos cravejado, todo um romance idílico em que - se fosse possível, feito estrela - havia de seguir do alto dos espaços para cair No abismo luminoso dos braços da sua musa.

É poesia como esta, em que o estro vai solto e puro a criar quadros de beleza que se podem pendurar nas paredes da alma, que o Poeta atinge a aura que o distingue do vulgar dos mortais.

quinta-feira, 15 de março de 2018

"Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades"...


Mudam-se os Tempos, 
Mudam-se as Vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"
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Sempre assim foi!

E foi por isso que o nosso Poeta Maior, ao ter sentido no seu tempo este, como anátema que pesava sobre a sociedade em que viveu, adivinhando que o mesmo se iria repercutir no tempo futuro, dada a volatidade mental do homem vulgar que costuma agir de acordo com as circunstâncias  a que se vê obrigado, escreveu este célebre soneto.

Recupero-o, hoje, neste "post" por me lembrar do discurso de António Costa pela altura da disputa interna das últimas eleições legislativas em que, usando uma linguagem manhosa verberava contra o seu opositor Pedro Passos Coelho a quem "passou a perna", dizendo que em Bruxelas devia haver um discurso mais duro.

Linguagem "para inglês" ouvir!

No passado dia 14, em Estrasburgo - a outra capital europeia  - António Costa fez o contrário do que dizia e teve um discurso cordato, onde admitiu, até, uma maior contribuição monetária de Portugal, como se pode inferir desta notícia:
https://www.publico.pt/2018/03
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Resultou daqui que Antonio Tajani,  presidente do Parlamento Europeu, tenha dito: "Ouvimos a posição portuguesa sobre assuntos muito interessantes, gostei muito do que disse o primeiro-ministro relativamente aos recursos próprios para o quadro financeiro plurianual. Esse é um ponto muito importante para o Parlamento Europeu: nós sublinhamos a importância de ter um imposto digital, a importância de ter uma taxação sobre a especulação financeira, e também uma taxação contra alterações climáticas sobre produtos poluentes”, disse Tajani, numa conferência de imprensa conjunta com Costa".
https://observador.pt/2018/03/14
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Como Luís de Camões teve razão antes do tempo!
E teve-a, porque conhecia os homens e o seu "dobrar da espinha" quando os novos ventos - fortes demais para os seus frágeis arcaboiços - a tanto os obrigam!

O nosso povo - sábio como é - costuma dizer: "Boas palavras e maus feitos, enganam sisudos e néscios." ou, ainda: "Não há cabeça a que não falte a carapuça." , mas ficando nós sem saber se António Cota liga a esta coisas... populares - embora correctas - para a sua mudança de agulha europeia, agora que está metido na Europa e teve de remedir as suas palavras pelo discurso centrado nos ditames de uma política europeia de que se fez "bom aluno" - o mesmo que chamaram a Passos Coelho nos tempos em que Portugal tinha a "troika" de três em três meses a vigiar as nossas contas - por culpa de um empréstimo monetário para solver a nossa economia, pedido em última instância por um governo de que António Costa chegou a fazer parte.

É bom não esquecer isto!
"Mudam-se os tempos, Mudam-se as vontades"

Como Luís de Camões sabia destas coisas!...

terça-feira, 13 de março de 2018

Os 5 anos de pontificado do Papa Francisco


Completam-se no dia de hoje, cinco anos sobre o dia da eleição do Cardeal Jorge Mário Bergoglio, que adoptou para o exercício do seu alto Magistério o nome de Francisco e a quem se deve um notável serviço apostólico na renovação da Igreja à luz do Concílio Vaticano II, que muitos querem - mesmo dentro da Igreja revogar - como se este extraordinário acontecimento eclesial tivesse de ser esquecido, quando ele é pela sua arejada Mensagem para o tempo actual, um acervo fundamental de documentos que estão muito longe de terem sido estudados e seguidos em muitos locais do Mundo católico e por muitos dos que se arrogam de católicos, incluindo responsáveis da Igreja.

Francisco é o 266º Papa da Igreja Católica e o primeiro Papa nascido no Novo Mundo e o primeiro a usar o nome de Francisco e, ainda, nessa qualidade é o primeiro pontífice não europeu há cerca de 1.200 anos e o primeiro jesuíta a tomar assento na cadeira de S. Pedro.

Neste dia lembro-o com júbilo e é ao recordar-me que vivemos um tempo estranho, falho de amor humano - esse Mandamento sublime de Jesus Cristo - que me apraz deixar aqui 10 frases do Papa Francisco sobre o Perdão e a Misericórdia.


1.“Redescubramos as obras de misericórdia corporais: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos doentes, visitar os presos, enterrar os mortos. E não esqueçamos as obras de misericórdia espirituais: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas molestas, rezar a Deus pelos vivos e defuntos”. Bula Misericordiae Vultus, n.15

2.“Comove-nos a atitude de Jesus: não escutamos palavras de desprezo, não escutamos palavras de condenação, apenas palavras de amor, de misericórdia, que convidam à conversão”. Primeiro Angelus do Papa Francisco, Praça de São Pedro,domingo, 17 de março de 2013.

3.“Como é difícil muitas vezes perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração. Deixar cair o rancor, a raiva, a violência e a vingança são condições necessárias para viver felizes”. Mensagem do Papa Francisco para a XXXI Jornada Mundial da Juventude 2016.

4. “O perdão é uma força que ressuscita para uma vida nova e infunde a valentia para olhar o futuro com esperança”. Bula Misericordiae Vultus, n.10.

5.“O sofrimento do outro constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos”. Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2015.

6.“Quanto desejo que as nossas paróquias e as nossas comunidades, cheguem a ser ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença”. Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2015.

7.“A mensagem da Divina Misericórdia constitui um programa de vida muito concreto e exigente, pois implica as obras”.

8.“Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem deseja ser misericordioso necessita de um coração forte, firme, fechado ao tentador, mas aberto a Deus”. Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2015.

9.“Não se pode viver sem perdoar ou, pelo menos, não se pode viver bem, especialmente em família”. Audiência geral do Papa Francisco, quarta-feira, 4 de novembro de 2015

10.“A misericórdia para a qual somos chamados abraça toda a criação que Deus nos confiou para sermos cuidadores e não exploradores, ou pior ainda, destruidores”. Audiência geral inter-religiosa do Papa Francisco, quarta-feira,28 de outubro de 2015.

"Viajando" pelo Aqueduto do Alviela


Casa das Máquinas 
da Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos

fac-símile da Revista "O Occidente" nº 70  de 15 de Novembro de 1880
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Ler esta notícia com com cerca de 140 anos é um motivo de encanto pelo colorido da descrição que traça com a perfeição do pormenor tudo o que vai desde a técnica mecânica dos equipamentos ao operador - o maquinista - que sem sair da casa das máquinas tinha "um indicador da altura da água no reservatório" e tudo o mais que lhe permitia aferir do complexo mecânico de onde podia ajuizar do abastecimento aos reservatórios externos de águas - o da Verónica com 970 metros - O do Monte, na Penha de França com 1.390 metros - donde por acção da gravidade num percurso de 2.700 metros abastecia o do Arco das Amoreiras.

O porquê da construção desta Estação Elevatória?

Reza a história coeva do último quartel do século XIX que o crescimento da população residente em Lisboa - quando começaram a chegar em número considerável as migrações do interior do País esquecido pela centralidade do poder na já decadente Monarquia Constitucional - e que o abastecimento do Aqueduto das Águas Livres se tornara insuficiente, pelo que entre os anos de 1871 a 1880 se deitou "mãos à obra" para encanar as nascentes dos "Olhos de Água" no designado Aqueduto do Alviela, terminando este no Reservatório dos Barbadinhos, onde se veio a construir a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos com o fim de, através de um sistema sifonado, servir as zonas altas e baixas da Cidade de Lisboa.

Serviu para o efeito a cerca de um extinto Convento Franciscano dos frades Barbadinhos, passando a designar-se por "Reservatório dos Barbadinhos" onde se construiu a referida Estação Elevatória, inaugurada em Outubro de 1880 e tendo ocupado para aquele fim um tempo que se prolongou até 1928.

A Estação Elevatória dos Barbadinhos é, hoje, o Museu da Água, dos mais famosos de Lisboa, por ser único e todo ele, uma peça museológica que nos fala em cada recanto do engenho do homem que Deus destinou para "grandes coisas" como esta em que a par da necessidade sentida em Lisboa do seu abastecimento de água, trabalhou proficuamente a mente humana num alarde inequívoco do seu zelo em servir a sociedade.

sábado, 10 de março de 2018

A condessa Mumadona Dias na génese da independência de Portugal


Fac-símile do nº 469 da Revista "O Occidente" de 1 de Janeiro de 1892
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Numa síntese muito breve diz esta notícia que nos princípios do século X, o pedaço do território situado entre o Douro e o Minho, era governado em nome dos reis de Leão e Astúrias, pelo conde D. Hermenegildo Gonçalves Mendes, casado com D. Mumadona Dias, tia de D, Ramiro II, rei daqueles estados.

Após ficar viúva, a condessa D. Mumadona tendo ficado senhora com seus filhos de numerosas propriedades, avultando de entre elas uma quinta situada na Província de Entre Douro e Minho, perto do rio Ave e do ribeiro Celho, a que chamavam Vimarães ou Vimaranes, tomando o nome de uma aldeia bem próxima daquela herdade agrícola que havia cabido por partilha a sua filha D. Urraca, naquele local mandou edificar um mosteiro para seu asilo pelo ano de 929, dedicando-o a Nossa Senhora e ao Salvado do Mundo.

Por aquele tempo a Província estava liberta da moirama, sem contudo estar livre de surtidas daquele povo guerreiro, como aconteceu  com a invasão de um exército sarraceno capitaneado por Al-Coraxi, rei e Sevilha que durante a noite assaltaram a  povoação e o mosteiro, saqueando tudo o que de mais precioso encontraram.

Foi, então, que D. Mumadona, tendo em conta a defesa monacal e da aldeia vizinha, mandou edificar em local mais alto, um castelo na colina de Nossa Senhora da Oliveira  - que a História regista pelo nome de Guimarâes - sob a invocação de S. Mamede, no ano de 959 e onde, no devir da História haveria de fixar residência, já nomeado governador de Portugal, o Conde D. Henrique de Borgonha e sua mulher a Rainha D. Teresa de Aragão e onde em 1109 nasceu D. Afonso Henriques.

A fazer fé na notícia cujo fac-símile acima se reproduz, é dito que no século XIV existia junto da Igreja de S, Torquato, uma légua distante de Guimarães, uma frondosa oliveira que daca azeite para a lâmpada do santo e que, tendo esta sido arrancada foi transportada e plantada á porta da Igreja e que vindo a secar, no mesmo local foi erigida uma Cruz no ano de 1342, que milagrosamente três dias depois reverdeceu a oliveira, dando lugar a que ao local acorressem os fiéis, donde nasceu a designação da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, edificada no local onde existiu o mosteiro fundado por Mumadona Dias que veio a dar origem à Colegiada de Santa Maria de Guimarâes.

Sobre isto que aqui se refere existem conceituados documentos que são na sua cultura discricional um meio de consulta de grande valor histórico, que não este simples e modesto apontamento que nasceu, apenas, para render uma homenagem à mulher - de que, no passado dia 8 de Março celebramos a sua lembrança no - DIA INTERNACIONAL DA MULHER - com origem no início do século XX nos Estados Unidos e na Europa, tendo em conta, dar à mulher melhores condições de vida, de trabalho e, muito importante, ter-lhe dado o direito de voto.

De nada disto beneficiou a condessa Mumadoma Dias, mas é a ela pela sua coragem, luta e amor pela Pátria que ela adivinhava iria nascer do seu arreganho lúcido, heróico e destemido, no seu tempo,  o mosteiro que fundou em honra de seu marido e na colina mais alta de Vimarães, o Castelo altaneiro que veio a ser o berço da nacionalidade portuguesa.
É em sua honra que este apontamento se escreveu, por nunca ser por demais lembrar as mulheres - como esta que tendo vivido na sombra de seus maridos - depois deles, honrando a sua memória e os sonhos que eles acalentavam de liberdade, continuaram a luta em defesa de ideais nobres, como foi o desta mulher.


A ela se deve a primeira Bandeira de Portugal, tendo D. Afonso Henriques aproveitado a simples Cruz, sem ornatos, identificadora do Condado Portucalense, para a adornar dos besantes - que na linguagem heráldica - significa ouro ou dinheiro, para desse modo afirmar a sua autonomia perante o seu primo Afonso VII, rei de Leão e Castela, significando, ainda, uma maior solidez ao escudo de guerra do nosso primeiro rei.

Painel evocativo do Tratado de Zamora

Viria ser com ele que em 5 de Outubro de 1143, Afonso Henriques firmou através do Tratado de Zamora a conferência de paz que assinalou, desde então  o nascimento do Reino de Portugal, provando-se assim - o que hoje é voz corrente que por detrás dum grande homem está sempre uma grande mulher - como foi este caso em  que o nosso primeiro rei, por herança familiar, recebeu da sua antiga avó Mumadona a força e a coragem que a celebrizou no seu tempo e que o havia de celebrizar a ele.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Uma incursão pelo passado de Lisboa

in, fac-simile da Revista "O Occidente" de 20 de Janeiro de 1905
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Nos meus tempos de pequeno estudante da então chamada "Instrução Primária" no decorrer das folgas propiciadas pelas férias intercalares do ano escolar, era meu costume lúdico passar parte desses tempos no sítio lisboeta de Alcântara, levado para ali por dois familiares meus que ali superintendiam nas obras da construção da cobertura da "Ribeira de Alcântara" na parte final do caneiro com o mesmo nome e outras, bem perto da "Gare Marítima", pelo que nessa liberdade que jamais esquecerei "perdia-me" pelas imediações, vendo e admirando locais bem diversos do da minha morada, então, em Marvila.

Não raro - e por mais de uma vez - rumava até, ao local do então chamado "Mercado de Alcântara", bem perto da linha férrea de Alcântara-Terra, em local onde hoje passa a Avenida de Ceuta, e onde existiu em tempos a "Ponte de Alcântara" local onde no século XVI, D. António Prior do Crato, já aclamado rei de Portugal em Santarém, travou uma batalha de que saiu vencido pelas tropas do duque de Alba. 

Aquela construção metálica com os seus imponentes quatro torreões - um em cada canto - dos seus, sei-o hoje, 900 metros quadrados - enchia o meu olhar que desde bem cedo se habituou por uma tendência que não sei explicar a admirar as obras dos homens que constituíam ante a minha pequenez física e intelectual, maravilhas do engenho humano.

Eis, porque, há dias, ao deparar com a velha revista "O Occidente" dei com a foto que publico  - e do seu texto coevo - e desde logo todos os meus velhos tempos da pré-adolescência se ergueram lá do fundo da minha memória para se tornarem presentes na minha velhice com toda a sua carga de lembranças saudosas de um tempo de grande felicidade pessoal, um motivo que me fez voar àquele passado longínquo e à lembrança muito amiga daqueles meus dois familiares - então solteiros - e que acarinhavam em mim a imagem dos filhos que viriam a ter mais tarde.

Sei que este mercado foi demolido em 1955 tendo como causa próxima a futura construção dos acessos à "Ponte Salazar",um nome atirado para o caixote do lixo aquando da Revolução de 25 de Abril de 1974, sem que o novo regime tivesse feito algo para merecer o nome que lhe deram, "Ponte 25 de Abril".