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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ramalho Ortigão teve razão para além do seu tempo?


Respigo da célebre  "Carta de um velho a um novo" que Ramalho Ortigão destinou a João do Amaral em 7 de Setembro de 1914 esta pequeno parágrafo que não sai do contexto, mas o foca num dos aspectos mais críticos que a fez ditar ao eminente escritor.

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Pelos processos improvisados e caóticos em que vivemos sucessivamente nos desenraizamos do torrão paterno, desandando e retrocedendo da ordem ascendente e lógica de toda a evolução social, principiando por substituir o interesse da Pátria pelo interesse do partido, depois o interesse do partido pelo interesse do grupo e por fim o interesse do grupo pelo interesse individual de cada um. É a marcha da dissolução marcha rapidíssima para o aniquilamento, porque é inteiramente aplicável à vida social a lei biológica de que toda a decomposição orgânica dá origem a seres parasitários cuja função é acelerar e completar a decomposição.

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Depois de ler isto atentamente fico a pensar que Ramalho Ortigão teve razão para além do seu tempo, tendo escrito deste modo ao ver a miséria moral de uma jovem República, que no dizer dele, levou os seus próceres a substituir o interesse da Pátria pelo interesse do partido, depois o interesse do partido pelo interesse do grupo e por fim o interesse do grupo pelo interesse individual de cada um.

Lamento que Ramalho Ortigão tenha razão 103 anos depois!

"Carta de um velho a um novo" de Ramalho Ortigão


Um pensamento que define o carácter de Ramalho Ortigão:

Ninguém é grande nem pequeno neste mundo pela vida que leva, pomposa ou obscura. A categoria em que temos de classificar a importância dos homens deduz-se do valor dos actos que eles praticam, das ideias que difundem e dos sentimentos que comunicam aos seus semelhantes.
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Ramalho Ortigão ao tempo em que se deu o assassinato cobarde do rei D. Carlos exercia as funções de bibliotecário na Real Biblioteca da Ajuda, tendo escrito sobre aquela barbárie o livro D. Carlos o Martirizado e, logo após a implantação da I República, escreve a Teófilo Braga pedindo-lhe a demissão daquele cargo, informando-o de não desejar aderir àquela mudança de regime por não ser seu desejo engrossar o abjecto número de percevejos que de um buraco estou vendo nojosamente cobrir o leito da governação, rumando de seguida voluntariamente a Paris onde começou a escrever as "Últimas Farpas" contra o regime republicano, acção que continuou no seu regresso a Portugal em 1912.

É em 1914 que redige a célebre "Carta de um velho a um novo" tendo por destinatário João do Amaral, saudando a aparição do "Integralismo Lusitano"
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Meu jovem camarada e amigo: 

Pede-me V. um artigo para o seu jornal A Restauração. Esse pedido eu o agradeço e me apresso a satisfazê-lo porque o considero um testemunho de solidariedade e de simpatia prestado pela sua valorosa e combativa geração, que é a geração dos meus netos, à encanecida e aposentada geração a que eu pertenço. 

A orientação mental da mocidade contemporânea comparada à orientação dos rapazes do meu tempo estabelece entre as nossas respectivas celebrações uma diferença de nível que desloca o eixo do respeito na sociedade em que vivemos obrigando a elite dos velhos a inclinar-se rendidamente perante a elite dos novos. 

Em face da batalha de sentimentos e de ideias no conflito português dos nossos dias entendo que à ala dos veteranos cabe o dever marcial de apresentar as suas antigas armas a essa nova ,ala de namorados, que se não batem já pelo perecível prestígio da sua dama mas pela beleza imortal da sua convicção, e batem-se não em combate fortuito, de torneio de gala, mas em pugnas regulares e sucessivas em que quotidianamente arriscam os seus interesses, a sua liberdade e a sua vida os redactores dos modernos jornais monárquicos e os de publicações periódicas de tão considerável importância filosófica e educativa como a Lusitânia, a Nação Portuguesa, Aqui d'El-Rei, os Cadernos de Mariotte, a Alma Portuguesa, a Crónica Política, a Entrevista,  etc. 

A incontestável superioridade dessa plêiade estudiosa consiste em ter admiravelmente pressentido a necessidade culminante da reeducação integral do povo português. 

Combater apenas o analfabetismo do povo por meio de escolas primárias e de escolas infantis sem religião e sem Deus, não é salvar uma civilização, é derruí-la pela base por meio do pedantismo da incompetência, da materialização dos sentimentos e do envenenamento das ideias. Quem ignora hoje que foi a perseguição religiosa e o domínio mental da escola laica o que retalhou e fraccionou em França a alma da nação? Quem é que nesse tão amado, tão generoso e tão atribulado país não está vendo hoje objectivar-se praticamente o profético aforismo de Le Bon: «É sobretudo depois de destruídos os deuses que se reconhece a utilidade deles»! 

Quanto é comovente e elucidativo comparar as nossas modernas instituições com o quadro da evolução da terceira República francesa ainda há pouco delineado por Paul  Bourget, o eminente pensador de quem disse Anatole: «Ele é o mais filósofo de todos nós». 

«Como não cotejar – escrevia muito recentemente Bourget – o programa da terceira República, idealizado por tantos patriotas sinceros, com o quadro da nossa presente decadência! Um parlamento tão impotente como desonrado; costumes públicos dia a dia mais degradados; a perseguição religiosa alternativamente a mais brutal e a mais hipócrita; um corpo de mestres envenenando as gerações novas, essa reserva viva do futuro, por meio de um ensino de demissão colectiva e de nefasta utopia; o exército sistematicamente corrompido pela política, humilhado em trabalhos de baixa política, enfraquecido pelo sobrelanço eleitoral, a ponto de que os chefes mais respeitados desaparecem para não serem cúmplices de um atentado contínuo contra a defesa nacional; a guerra social incessantemente prestes a rebentar em episódios sangrentos; a anarquia moral precedendo e anunciando a anarquia civil e administrativa, cujos pródromos são sensíveis por toda a parte... Enfim, para que prolongar este paralelo entre a República tal como ela funciona, como não poderia deixar de funcionar; e a República tal como a sonharam os melhores dos nossos antepassados?» 

Em Portugal somos hoje um povo medonhamente deseducado pela inepta pedagogia que nos intoxica desde o princípio do século XIX até os nossos dias. 

O Marquês de Pombal teve a previsão desta crise quando por ocasião da expulsão dos jesuítas ele procurou explicar que o aniquilamento da Companhia de Jesus não decapitaria a educação nacional porque os eruditos padres da Congregação do  Oratório vantajosamente substituiriam como educadores os jesuítas expulsos. 

Com a influência intelectual dos oratorianos, introdutores do espírito criticante de Port Royal  na renovação da mentalidade portuguesa, condisse realmente o advento de um dos mais brilhantes períodos da nossa erudição. 

Vieram, porém, mais tarde os revolucionários liberais de 34, os quais condenaram, espoliaram e baniram os padres da Congregação do Oratório como Pombal espoliara e banira os padres da Companhia de Jesus. 

A obra liberal de 1834 – convém nunca o perder de vista – foi inteiramente semelhante à obra republicana de 1910. Nos homens dessas duas invasões é idêntico o espírito de violência, de anarquismo e de extorsão. Dá-se todavia entre uns e outros uma considerável diferença de capacidade. 

Os de 34, de que faziam parte Herculano, Garrett e Castilho, eram espíritos oriundos da Academia da História, da livraria das  Necessidades e do colégio de  S. Roque. 

Tinham tido por mestres ou por companheiros de estudo homens tais como  António Caetano de Sousa, o autor da História Genealógica;  Barbosa Machado, o autor da Biblioteca Lusitana;  Bluteau e os colaboradores do seu Vocabulário;  Santa Rosa de Viterbo, o autor do Elucidário;  João Pedro Ribeiro, o admirável erudito iniciador dos altos estudos da nossa história e precursor de Herculano; António Caetano do Amaral, o infatigável investigador da História da Lusitânia; D. Frei Caetano Brandão, seguramente o mais elevado espírito e a mais formosa alma que deitou o século XVIII em Portugal; o padre Cenáculo, o mais prodigioso semeador de bibliotecas; o padre António Pereira de Figueiredo, o autor do famoso Método de Estudar;  Félix de Avelar Brotero, o insigne naturalista; o polígrafo abade Correia da Serra, e outros que não menciono porque teria de reproduzir um copioso catálogo se quisesse dar mais completa ideia do que foi a cultura portuguesa nessa fase da nossa evolução literária. 

Os novos revolucionários de 1910, com excepção honrosa dos que não sabem ler, não tiveram por decuriões senão os seus predecessores revolucionários liberais de 34. E daí para trás - o que quer dizer daí para cima - nunca abriram um livro com medo da infecção clerical, porque todos eles acreditam com fetichistico ardor que o clericalismo é o inimigo, segundo a fórmula célebre com que o príncipe de Bismarck conseguiu sugestionar Gambetta para a irremediável desmembramento moral da França. 

Tal a razão por que os raros homens de letras que a nossa República conseguiu mobilizar dia a dia se desagregam da hoste refugiando-se no anacoretismo filosófico, enojados da crassa ignorância dos sarrafaçais a que o regime os emparelhou. Como Nietzsche, perante a grosseira petulância da Alemanha depois da hegemonia que lhe conferiu a vitória de 1870, os desiludidos da República Portuguesa apetecem, como requeria Nietzsche, que se criem novos ermitérios onde os homens que pensam se enclausurem e se separem para todo sempre dos homens que governam. 

Atolados há mais de um século no mais funesto dos ilogismos políticos, esquecemo-nos de que a unidade nacional, a harmonia, a paz, a felicidade e a força de um povo não têm por base senão o rigoroso e exacto cumprimento colectivo dos deveres do cidadão perante a inviolabilidade sagrada da família, que é a célula da sociedade; perante o culto da religião, que é a alma ancestral da comunidade, e perante o culto da bandeira, que é o símbolo da honra e da integridade da Pátria. Em pleno século XX, muito depois de inteiramente refutada pela moderna crítica histórica a supersticiosa lenda da Revolução Francesa, revolucionámo-nos nós para o fim de abolir todos esses velhos deveres e de adoptar como um evangelho novo a estafada, ensanguentada e enlameada Declaração dos Direitos do Homem, como se à frágil e efémera criatura humana fosse lícito invocar qualquer espécie de direitos perante as leis inexoráveis e eternas que implacavelmente regem toda a ordem universal! E para o fim de pormos em plena evidência essa ilusão retórica aclamamos uma sexta República nova dezenas de anos depois de sucessivamente abolidas as outras cinco a cuja existência deu origem o extinto prestígio da Revolução, e das quais nem sequer já sobrevivem os nomes. Quem se lembra hoje do que foram a Batávica, a Cisalpina, a Ligúrica ou a Partenopeia?

Quebramos estouvadamente o fio da nossa missão histórica. Desmoralizamo-nos, enxovalhamo-nos, desaportuguesamo-nos. 

Pelos processos improvisados e caóticos em que vivemos sucessivamente nos desenraizamos do torrão paterno, desandando e retrocedendo da ordem ascendente e lógica de toda a evolução social, principiando por substituir o interesse da Pátria pelo interesse do partido, depois o interesse do partido pelo interesse do grupo e por fim o interesse do grupo pelo interesse individual de cada um. É a marcha da dissolução marcha rapidíssima para o aniquilamento, porque é inteiramente aplicável à vida social a lei biológica de que toda a decomposição orgânica dá origem a seres parasitários cuja função é acelerar e completar a decomposição. 

Escrevo estas linhas em face da mais pavorosa onda de sangue e de lágrimas que parece encapelar-se das profundidades do desconhecido para subverter o mundo. Perante um tão descomunal conflito de violência e de força parece-me indubitável que o desfecho da actual conflagração europeia não poderá ser senão a refutação absoluta do dogma democrático da liberdade, da igualdade e da fraternidade humana. A lição final da guerra será na humanidade assim como o é na natureza o simples triunfo implacável do que pode mais sobre o que pode menos. 

Não nos precipitemos a amaldiçoar a brutalidade de um tal destino enquanto não reflectirmos no que é realmente a força e de que natureza são os tão complexos elementos integrados nesse fenómeno global. 

De quantos vícios e de quantas farroncas se compõe uma fraqueza? De quantas virtudes ignoradas e recônditas se constitui uma força humana? 

Bem exíguo, bem frágil, bem desacompanhado do mundo era o pequeno Portugal que no espaço de cem anos, entre o século XV e o século XVI, se assenhoreou no globo de um império territorial e marítimo consideravelmente superior àquele a que aspira a hegemonia germânica dos nossos dias. 

À ponta da espada Portugal submeteu nada menos de trinta e três reinos, a que ditou a lei e que tornou tributários do seu soberano; dilatou o domínio português às mais vastas regiões da Ásia e da América, deixando ainda aos seus missionários e aos seus portadores de civilização através do mundo o tempo e a serenidade precisa para concomitantemente escreverem doze gramáticas e dezassete dicionários de línguas orientais até então desconhecidas, além de muitas dezenas de obras. diversas, por meio das quais, antes de mais ninguém, ele ensinou à Europa a geografia física e a geografia política do Oriente e da África. 

Porquê? Porque pelas virtudes guerreiras dos seus navegadores e dos seus soldados, pelo saber dos seus letrados e dos seus monges, pela disciplina do seu povo, pelo exemplo dos seus Reis no campo de batalha, a Portugal coube então o privilégio desse direito que tanto nos confrange quando exercido pelos outros – o direito da força. 

Defenda-nos Deus por sua misericórdia da hora de perigo nacional em que tenhamos de perguntar onde estão os descendentes e os representantes dos antigos homens de Ourique, de Aljubarrota, de Ceuta e de Diu. 

Bem sei que nesse transe o actual Chefe do  Estado será bastante competente para desembainhar a sua espada de guerra e de justiça, abotoar a sua sobrecasaca de comparecer e proclamar às tropas que, através da batalha, no caminho do dever e da honra elas sigam os oito reflexos do seu mavórcio e reluzente chapéu alto. 

Presumo que S. Ex.ª é tão idoso como eu. Creio porém que esta circunstância em nada alterará o belo gesto patriótico que confiadamente espero do seu valor. Quando a Pátria chame às armas os seus filhos, que importa a idade! Não são os mais ou menos breves dias que cada um tem para existir o que a Pátria nos requer, é simplesmente a vida, a vida do indivíduo, que é da raça e da nação que o criou, assim como a seiva da árvore é da terra .em que vive. 

De cabelos brancos – ruços, como diz Azurara – eram todos os chefes militares da expedição de Ceuta. No Conselho que D. João I reuniu em Torres Vedras para expor o seu plano de conquista, João Gomes da Silva, notando que todas as cabeças eram brancas, exclamou: Quando eu, Senhor, não sei al que diga senão – ruços além! O que equivalia a dizer: Avante os velhos! 

E foi com esse entusiástico grito de guerra que se levantou o Conselho. 

Mais tarde, quando no Porto o Infante D. Henrique recebia os contingentes da expedição, os batalhões dos besteiros com os seus anadéis, as levas dos concelhos e as mesnadas dos fidalgos, apresentou-se-lhe, à frente dos seus homens, o meu conterrâneo Aires Gonçalves de Figueiredo, que então contava noventa anos de idade, e vestia as armas de ponto em branco, lança em punho, cota resplandecente ao sol, pluma do elmo ondulando ao vento. 

Notando o Infante a desproporção entre o cansaço dos seus dias e o esforço do seu ânimo, Aires Gonçalves respondeu: 

– Sei bem que estou mais para morrer que para batalhar, mas fui companheiro de armas de El-Rei vosso pai e as exéquias que para mim mais desejo são as de ter acabado combatendo ao seu lado. 

Assim se passavam as coisas no tempo em que havia reis e vassalos, ricos-homens, cavaleiros, peões e besteiros, prelados e monges, mosteiros e solares, estradas com cruzeiros e igrejas com santos. 

Não calculo bem como em análoga contingência as coisas passariam hoje ou como passarão amanhã sob a égide de um governo aperfeiçoado, em companhia dos seus senadores, dos seus deputados, dos seus ministros, dos seus livres-pensadores, dos seus pedreiros-livres e da sua formiga branca. 

E com esta incerteza me recolho ao meu buraco – in angello cum libello. Adeus, meu amigo. Lembre-me afectuosamente a todos os seus esforçados companheiros de luta e a todos comunique o estreito e comovido abraço que lhe envia o seu dedicado confrade. 

Cascais, 7 de Setembro de 1914.

in, "O Portal da História"
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Nesta carta escrita um ano antes da sua morte está bem patente o anti.republicanismo de Ramalho Ortigão, demonstrando deste modo sincero, de acordo com o seu pensamento, o quanto de repulsa social e intelectual lhe mereceu a República que ele viu nascer e sob a qual viveu os seus cinco últimos anos de vida, mantendo-se fiel ao pensamento que encima este apontamento.

Desejava ver o "homem novo", depois de ter abandonado o que lhe fora prometido por uma República incipiente e inculturada, dentro do Movimento sócio-político do Integralismo Lusitano prosseguido pelo jovem confrade a quem dirigiu esta carta, de cariz tradicionalista e monárquico, nascido por força dos dislates dos homens que não honraram como deviam a implantação da República, tendo a montante o sangue derramado no dia 1 de Fevereiro de 1908, do rei D. Carlos e de seu filho Luis Filipe, que é um labéu que jamais deverá ser esquecido.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A lição "humana" daquele arbusto...




Não passei distraído por aquele local da grande cidade, porque os meus olhos se fixaram na beleza deste arbusto sabiamente arredondado, escondendo as pontas soltas ou pontiagudas, mercê da arte do jardineiro que ali quis deixar para quem a pudesse reflectir - e eu dou graças a Deus por tê-lo feito naquele momento - uma reflexão da similitude que existe entre a harmonia daquela forma vegetal e a desarmonia de muitas vidas, por demais, cheias de arestas.

A reflexão é esta sobre o binómio harmonia e o seu contrário, mas neste aspecto, pensando apenas no lado humano das vidas com que nos cruzamos todos os dias, seja onde seja, vendo e sentindo um Mundo que parece ter perdido o equilíbrio da compostura em qualquer dos campos em que se desenrola a grande roda da vida.

Manda a boa educação atender que a diferença das ideias ou dos sentimentos deviam ser um motivo de ajuda no sentido da subida humana no seu respeito pelo outro e nunca serem um motivo de o achincalhar, passando-lhe por cima e ferindo-o com as arestas das palavras - senão da violência - e magoando-o, muitas vezes, sem retorno de um regresso atrás pela desculpa ou pelo abraço que trazem sempre com eles a harmonia que é preciso refazer.

Foi por isto, que as arestas cortadas daquele arbusto citadino me deixou a pensar na desarmonia de um Mundo cruel, onde a falta de educação cívica está a causar danos irreversíveis, tantas vezes, pois que, sendo lícito discordar do outro, tal atitude não pode nem deve ser de ofensa pessoal, na certeza que - como alguém disse - cada homem ou mulher é meu irmão ou irmã.

Berço!




BERÇO...

A minha terra de penedos
E de silenciosos pinhais
Sem ter casas alinhadas,
(Feitas por mestres-pedreiros)
De ruelas estreitas, acanhadas
- Com se fossem brinquedos -
Tem nas noites de invernia
Sempre um encanto a mais:
- A lareira!
Onde se contam coisas tais
Que vão p’la noite inteira!

Na minha terra
Vale mais um só pinheiro
Que todas as árvores da cidade
Por inteiro!

À sua volta, na lareira,
O tronco que deu pinhas
E deu pão ao resineiro
Aquece a casa inteira
Como se fosse um braseiro!

Ó minha terra
De urzes e matagais...
De penedos ciclópicos
Fazendo equilibrismo...
E de mansas ribeiras
Rindo entre salgueirais!
Tu és pequena
Mas grande na saudade...
Porque vens lá do fundo
-Da minha antiga idade-
Com o teu cheiro de açucena
Até aqui, a este mundo...

À vida nem sempre amena
Da grande cidade!


1968

(De um Livro a publicar sob o título VELA AO VENTO)

Imperdoável!



Foi neste estado calamitoso que há dias fui encontrar a minha aldeia do Concelho de Pampilhosa da Serra, onde o fogo andou de roda, de roda, num afã satânico sem ter da parte do Estado central qualquer ajuda de meios operacionais - finda a fase Charlie - pelo que no meu imenso Concelho natal, com foral dado pelo Rei D. Dinis, o fogo andou por ali à solta queimado floresta, campos agrícolas e centenas de casas.

É imperdoável que se tenha abandonado - ainda mais - um território a que já lhe chegava, sobremaneira, o abandono endémico que ali, em meados do século XX pela escassez sentida de amparo estatal fez que houvessem nascido as chamadas "Ligas de Melhoramentos" geridas e custeadas pelos naturais das aldeias concelhias, projectando e custeando alguns bens primários necessários, naquele tempo de má memória.

O que vi agora, como resultado devastador de 15 e 16 de Outubro de 2017 é imperdoável e jamais esquecerei, mas devo - em nome da verdade - lembrar o Senhor Presidente da República Portuguesa que passou por ali, deixando palavras de conforto aos meus conterrâneos e ao Senhor Presidente da Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra, que agora pede que não sejam apenas, reconstruidas com apoio estatal as residências de primeira habitação, como as que pertencem aos que demandam por amor ao torrão natal as suas habitações, sempre que podem.

Fazer o contrário é tornar maior o deserto em que está mergulhado, não apenas o meu Concelho como todos os Concelhos do interior de Portugal.

"O caçador caçado"!


Recordo-me do título desta história infantil que no meu tempo me contaram com o fim educacional de me mostrar o que acontece, muitas vezes, àquele que porfia em se portar mal - caçando a qualquer preço honras e prebendas - sem cuidar que vem um dia em que a roda da fortuna desanda e o caçador é caçado, pelo que, melhor seria para ele e para a sociedade levar a vida com compostura, caçando apenas o que é natural e lhe faz falta para levar a vida direita e  sem tropelias aos seus semelhantes.

Lembrei-me desta história que fui buscar ao baú das minha lembranças infantis - onde muitas delas continuam vivas - por me lembrar do senhor António Costa - primeiro-ministro de Portugal que com um "tiro de pólvora seca caçou" Passos Coelho e de um modo ardiloso levou alguns e a imprensa que lhe dá guarida a apelidá-lo de engenhoso, quando foi um manhoso - e, agora de hábil "caçador" que foi está a ser "caçado" pelos seus dois companheiros de "caça".

Não viria nenhum mal ao mundo, se a cedência que lhes tem feito do ponto de vista da solvência do Estado - dado que a Economia não cresce o suficiente - pode conduzir Portugal a um beco sombrio, se internacionalmente a nível europeu as coisas se complicarem naquele campo.

Eis, porque, a velha história, a meu ver, faz sentido, por António Costa - que do ponto de vista humano. muito respeito, mas não assim, do político - se não ter sujeitado à naturalidade dos votos que o povo lhe deu em Outubro de 2015, ou seja, a minoria que ele tratou de tornar maioria num jogo político que nasceu para ser direito, e não o foi porque o mesmo se entortou de propósito "à posteriori", partindo António Costa de um efeito eleitoral tri-partido para uma "unidade", que como se esperava é consequente para o propósito inconfessado de dois - Bloco de Esquerda (BE) e Partido Comunista Português (PCP e o eu satélite) e que agora "caçam" o "caçador" do Partido Socialista (PS).

E, deste modo, o "caçador" está a ser "caçado"... porque perdeu o norte.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

"O Convertido" - Um soneto de Antero de Quental


Medalha comemorativa do centenário 
do falecimento de Antero de Quental
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      O Convertido

                                                              A Gonçalves Crespo

                                                        
Entre os filhos dum século maldito
Tomei também lugar na ímpia mesa,
Onde, sob o folgar, geme a tristeza
Duma ânsia impotente de infinito.

Como os outros, cuspi no altar avito
Um rir feito de fel e de impureza
Mas um dia abalou-se-me a firmeza,
Deu-me um rebate o coração contrito!

Erma, cheia de tédio e de quebranto,
Rompendo os diques ao represo pranto,
Virou-se para Deus minha alma triste!

Amortalhei na Fé o pensamento,
E achei a paz na inércia e esquecimento
Só me falta saber se Deus existe!

1861
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Não sei por quantas vezes já li e meditei sobre este soneto de Antero de Quental e não sei já, por quantas vezes dei comigo a interrogar-me - sabendo o que é dado saber a todo aquele que se tem debruçado sobre o drama íntimo de Antero, relativamente ao encontro que ele travou na aceitação de um Deus em cuja essência divina foi criada a sua infância - se, neste soneto a que ele chamou: O CONVERTIDO, existe, plena e esplendorosa a sua aceitação de um Deus presente no seu caminho, tendo presente o sentido ascético dos 13 versos que antecedem a dúvida do último verso: 

Só me falta saber se Deus existe!

Que a sua conversão é genuína, essa é, quando ele diz com palavras duras mas cheias de arrependimento:
Entre os filhos dum século maldito
Tomei também lugar na ímpia mesa,
Onde, sob o folgar, geme a tristeza
Duma ânsia impotente de infinito.

Foi este infinito que ele procurou sempre, de um modo que embotou, algumas vezes na procura do Nirvana budista que lhe encheu grande parte da vida, mas manda a verdade dizer que Antero de Quental foi um deísta, como todos os que creem na religião natural, objectivando, porém, a Revelação e o sentido - natural - de nela estar implícito o próprio Deus incarnado na Segunda Pessoa da Trindade.

Mas, perpassando toda a sua obra encontramos aqui e ali, e às vezes, profusamente, poemas a Nossa Senhora, Mãe d'Aquele que trouxe aos homens a Revelação de Deus e é. por isso, que sempre que leio este notável testemunho literário de Antero de Quental, inscrito nos 14 versos deste soneto, fico a pensar, que dentro do grande Poeta, muito no fundo da sua alma inquieta e ardente, Deus existia, invisível como é, mas pujante na mente filosófica de Antero de Quental

Cântico 4 do Livro Bíblico "Cântico dos Cânticos"


"Cântico dos Cânticos"
Óleo sobre tela de Gustave Moreau (1826-1898)
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O Livro Bíblico "Cântico dos Cânticos" é um poema de amor dividido em oito partes de cariz lírico, percorrendo através dele, o seu autor - o rei Salomão - todo o colorido de um idílio expresso num cântico de amor, qualidades essas que lhe garantiram pela pureza do trato e dos sentimentos nobres um lugar nas Sagradas Escrituras, que leva a que este Livro seja considerado pela elegância literária como das mais preciosas páginas da poesia hebraica.

Deve ser visto neste Livro o amor mútuo entre Deus e o seu povo, ao invés do moderno racionalismo que tem tentado despojá-lo dessa auréola divina, com o propósito inconfessado de o reduzir a amores profanos, o que, infelizmente, para a devida compreensão deste Livro, não raro têm surgido barreiras que, de modo algum, se coadunam com aquilo que ele exprime, tendo tido o seu autor o propósito de com este Cântico fortalecer  os espíritos no amor ao culto severo e puro dos seus antepassados, precavendo os seus súbditos contra a sedução da deslumbrante civilização pagã, ao descrever nos seus castos amores a fidelidade do povo eleito ao seu Deus.

O Cântico - ou Cântico dos Cânticos como foi traduzido literalmente do hebraico - é uma parábola em que podemos acentuar os seguintes ensinamentos:
  • Embora os cenários e o seu matiz sejam configurados com o real do dia a dia, não é obrigatório que as personagens assim o sejam, porquanto:
  • Devemos sentir correspondência entre as coisas narradas e o que se quer significar com elas de acordo com a finalidade que o seu autor estabeleceu, sem contudo ser obrigatório que ela se estenda a todos os particulares narrados, tendo-se em conta que muitas  coisas ali expendidas, servem apenas, para um ornamento literário que tem como causa a fé em Deus uno e trino.
Postas as coisas, assim, leiamos o nº 4 do "Cântico dos Cânticos":
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1.- Tu és bela, minha querida, tu és formosa! Por detrás do teu véu os teus olhos são como pombas, teus cabelos são como um rebanho de cabras descendo impetuosas pela montanha de Galaad,

2. - Teus dentes são como um rebanho de ovelhas tosquiadas que sobem do banho; cada uma leva dois (cordeirinhos) gémeos, e nenhuma há estéril entre elas.

3. - Teus lábios são como um fio de púrpura, e graciosa é tua boca. Tua face é como um pedaço de romã debaixo do teu véu;

4. - Teu pescoço é semelhante à torre de Davi, construída para depósito de armas. .Aí estão pendentes mil escudos, todos os escudos dos valentes.

5. - Os teus dois seios são como dois filhotes gémeos de uma gazela pastando entre os lírios.

6. - Antes que sopre a brisa do dia, e se estendam as sombras, irei ao monte da mirra, e à colina do incenso.

7. - És toda bela, ó minha amiga, e não há mancha em ti.

8. - Vem comigo do Líbano, ó esposa, vem comigo do Líbano! Olha dos cumes do Amaná, do cimo de Sanir e do Hermon, das cavernas dos leões, dos esconderijos das panteras.

9. - Tu me fazes delirar, minha irmã, minha esposa, tu me fazes delirar com um só dos teus olhares, com um só colar do teu pescoço.

10. - Como são deliciosas as tuas carícias, minha irmã, minha esposa! Mais deliciosos que o vinho são teus amores, e o odor dos teus perfumes excede o de todos os aromas!

11. - Teus lábios, ó esposa, destilam o mel; há mel e leite sob a tua língua. O perfume de tuas vestes é como o perfume do Líbano.

12. - És um jardim fechado, minha irmã, minha esposa, uma nascente fechada, uma fonte selada.

13. - Teus rebentos são como um bosque de romãs com frutos deliciosos; com ligústica e nardo,

14. - Nardo e açafrão, canela e cinamomo, com todas as árvores de incenso, mirra e aloés, com os balsámos mais preciosos.

15. - És a fonte de meu jardim, uma fonte de água viva, um riacho que corre do Líbano.

16.- Levanta-te, vento do norte, vem tu, vento do sul. Sopra no meu jardim para que se espalhem os meus perfumes. Entre meu amado no seu jardim, prove-lhe os frutos deliciosos." 
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Prova esta leitura do poema bíblico que homens e mulheres foram criados física e espiritualmente para viverem segundo as lídimas leis do amor humano e que, apesar das nossas falhas em amar aquele ou aquela que é um jardim fechado e sendo o caso da mulher, minha irmã, minha esposa, uma nascente fechada, uma noite selada, para o poeta Salomão concluir emocionadamente: És a fonte do meu jardim, uma fonte de água viva, um riacho que corre do Líbano, donde nos é permitido concluir que o Deus Eterno projectou para os seus filhos o êxtase e a satisfação humanas, celebrando-as através de Salomão, filho do rei David, casa de onde provém Jesus Cristo.

Este Livro - há quem sustente esta ideia - terá sido escrito em honra de um casamento real atendendo ao facto de ser comum em Israel a escrita da poesia romântica que se distinguia de não honrar deuses e  em que  a infidelidade  dos esposos era um tema comum, pelo que o contraste é evidente no "Cântico dos Cânticos" onde se celebra o amor fiel, razão que levou a dar-se a este Livro bíblico aquele nome, por ser o cume dos cânticos, onde o humano se mistura com o divino, e em que a esposa não é só celebrada neste poema, como acontece no nº 6 e no "retrato do esposo" que lemos no "amor inquebrantável" como ela se exprime, relativamente ao seu esposo no nº 7, expressões em que o amor puro, longe das orgias do paganismo. é uma forma de celebrar o Deus Eterno.

De certo modo, o Cântico dos Cânticos" pretende que o homem e a mulher retomem o Jardim perdido de Éden, pela descrição paradisíaca em que se assenta o amor sexual humano, num tempo em que o pecado existe no Mundo que temos, tendo em conta que a sexualidade monogâmica e heterossexual  é um dom da Criação estabelecendo uma plena igualdade entre os seres opostos que fazem do amor uma necessidade humana, na qual os dos seres sexuais opostos necessitam um do outro para estabelecerem uma unidade em todos os aspectos da sua intimidade, devendo a sexualidade ser entendida como uma dádiva sadia que alegra a vida.

"Minha capa vos acoite"...



Não me dêem mais desgostos...



segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Haja respeito pelos mortos ilustres!


in, jornal online "Observador" de 11 de Novembro de 2017
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António Costa não podia ter dito outra coisa - e acredito que foi sincero - mas faltou-lhe a observância atenta do Despacho nº 8354/2014 de 24 de Junho, como faltou ao seu Ministro da Cultura que "estranhou" o evento, quando tudo devia ter sido devidamente observado, porque os mortos merecem o respeito dos vivos e aquele espaço não devia ser mercantilizado para aquele efeito.

Vejamos algumas disposições do Despacho com a transcrição ipsis-verbis do Documento que os actuais governantes invocam como tendo origem no governo de Passos Coelho, e à sombra do qual foi possível que a plataforma tecnológica Web-Summit tenha ali realizado um jantar de enceramento, mas onde se encontram disposições que deviam ter impedido tal evento, que é um cemitério de honra onde estão encerrados em mausoléus condignos alguns vultos dos grandes que Portugal honra pelos seus feitos nos campos das História ou das Artes.

Os textos que tal poderiam ter impedido o evento estão transcritos a negrito.
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PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS E MINISTÉRIO DAS FINANÇAS

Gabinetes dos Secretários de Estado da Culturae Adjunto e do OrçamentoDespacho n.º 8356/2014
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REGULAMENTO DE UTILIZAÇÃO DE ESPAÇOS

No âmbito das atribuições e competências definidas peloDecreto-Lei n.º 115/2012, de 25 de maio, o presente documento regulamenta a utilização de espaços nos Serviços Dependentes (SD) e imóveis afetos à Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), numa perspetiva de rentabilização assente na qualidade e, sobretudo, na salvaguarda da sua especificidade e prestígio.
Constituindo estes imóveis locais privilegiados de realização de eventos, o acesso aos seus espaços, pela sua dignidade e pelas coleções que alguns deles encerram, deve ser controlado por forma a salvaguardar--se uma utilização menos consentânea com as suas origens, com a sua dignidade ou com a sua mensagem cultural.
Por outro lado, em virtude do crescente número de pedidos de aluguere de cedência desses espaços, importa definir os critérios gerais desse acesso e dessa utilização, por forma a que, quer o potencial utilizador,quer o serviço responsável pelo imóvel saibam exatamente como atuar.
Com o presente regulamento pretende-se, pois, criar um conjunto de regras orientadoras, uniformizando-se essas atuações:

Artigo 1.º
Âmbito de aplicação

1. O presente regulamento aplica-se a todas as situações de aluguer ou de cedência de espaços nos Serviços Dependentes e imóveis afetos à DGPC.
2. Nos espaços cuja utilização seja autorizada, podem decorrer eventos de carácter social, académico, científico, cultural, comercial, empresarial, turístico ou promocional.

Artigo 2.º
Competência

1. Compete à Direção da DGPC decidir, após parecer dos Serviços Dependentes, da oportunidade e interesse da cedência, bem como das respetivas condições a aplicar.
2. A Direção da DGPC reserva-se o direito de não autorizar o aluguer ou a cedência de espaços.

Artigo 3.º
Princípios Gerais

1. Todas as atividades e eventos a desenvolver terão que respeitar o posicionamento associado ao prestígio histórico e cultural do espaço cedido.
2. Serão rejeitados os pedidos de carácter político ou sindical.

3. Serão, ainda, rejeitados os pedidos que colidam com a dignidade dos Monumentos, Museus e Palácios ou que perturbem o acesso e circuito de visitantes bem como as atividades planeadas ou já em curso.
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Por favor, senhores governantes - com António Costa à cabeça - não venham nunca mais desculpar-se com o governo anterior, porque os senhores estão a governar há dois anos e chega de atirar culpas, sobretudo, quando são patéticas e descabidas, como esta de invocar um Despacho do governo anterior, que afinal, observava regras que deviam e não foram cumpridas.

Haja respeito pelos mortos ilustres!

À atenção do Senhor Presidente da República.

in, rr.sapo,pt de 13 de Novembro de 2017
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Porque tenho a alma ferida por ter assistido, no tempo recente, à continuidade endémica do abandono das populações rurais - e pelos vistos, por algum desleixo de quem tinha o dever de as proteger ao nível do Estado que as representa institucionalmente - a que acresce o facto de ter visto a minha terra natal do martirizado concelho de Pampilhosa da Serra meia destruída pelos incêndios de 15 e 16 de Outubro e saber:

Que o meu concelho - dos maiores do País em área territorial -  ficou abandonado à sua sorte, com os seus 57 bombeiros e 14 carros de combate, não me posso calar por saber que na vizinha Galiza, onde as vítimas mortais dos incêndios - felizmente para os seus naturais, não têm qualquer comparação com os nossos 110 mortos - num ápice, as autoridades galegas deitaram mão e passaram à reconstrução daquilo que o flagelo arruinou.

A foto acima reproduzida e  a legenda que lhe dá sentido, diz tudo.
E eu o que direi?
Apenas isto: 

Que o Senhor Presidente da República não dê como tem acontecido e na minha opinião - por demais - cobertura pública a este governo, pelos seguintes motivos que são do conhecimento geral: 
  • O incêndio de Pedrógão Grande a que se junta, 
  • O roubo do material de guerra de Tancos, que o próprio Ministro da tutela sugeriu - irresponsavelmente - não ter havido furto algum, para depois o mesmo aparecer - misteriosamente - até acrescido de material a mais...
  • Os incêndios de 15 e 16 de Outubro, na orla costeira, no Centro e Norte de Portugal 
  • E mais recentemente, o ocorrido com o surto de "legionella" no Hospital de S. Francisco Xavier, que sendo público, as mortes ali registadas são um grito que se vira contra o Serviço Nacional de Saúde (SNS) que o governo gere através do respectivo Ministério.
  • E, há dias (10 de Novembro) a realização do jantar anómalo da Web Summit, no Panteão Nacional...
É demais!

Não pode haver desculpa para manter relações que não sejam as impostas pela Lei Fundamental com um governo destes, que vive à sombra de uma extrema esquerda inábil, mas profundamente calculista politicamente falando, que a ter acontecido tudo quanto sabemos com um outro governo - de direita como eles dizem à boca cheia - o teriam "mimado" com os nomes que só eles sabem, especialmente, no acontecido no Hospital de S. Francisco Xavier, onde não faltaria o anátema do desinvestimento público e as mortes ali havidas acossadas a esta falta de verbas.

Falta de verbas, que afinal existem com as cativações havidas pelo respectivo Ministério para agrado de Bruxelas - de que  que  só foi bom aluno o chefe do anterior Governo, quando andava a salvar Portugal de três em três meses avaliado pela "troika" - porquanto, e a verdade tem de ser dita, as cativações, sendo compreensivelmente aceites enquanto  veículo orçamental, este governo tem sido pródigo na sua arrecadação, em várias áreas da governação e de que maneira no Ministério da Saúde.

Jantar da Web Summit no Panteão Nacional




Ninguém - desde  os responsáveis executivos ao nível da governação dos dois últimos governos aos que executaram este jantar anómalo estão isentos de culpas - faltando-lhes aquele dom que só existe nas almas que fazem da espiritualidade que percorre a vida, assim vivida, em todos os seus caminhos, o dom sublime da humildade para reconhecer o erro, ou seja, a virtude que se opõe à soberba, irmã gémea da sobranceria que tem o mau costume de levar o homem a sobrenadar por cima do orgulho que lhe dá a falsa impressão de estar acima de todos e de tudo.

Assim aconteceu, aqui.

Declaro que sinto uma grande mágoa por ver, como vejo, Portugal abandonado à sua sorte madrasta, mas não deixo de constatar que a lei que tal permitiu veio do governo anterior e a acção que a fez valer como se fosse uma lei virtuosa se ficou a dever ao actual governo, permitido que ali, onde repousam VULTOS GRANDES DA HISTÓRIA DE PORTUGAL , os vultos pequenos hajam permitido que junto do seu repouso tumular se haja permitido aquela festa, ao arrepio do respeito histórico que nos merecem os que ali repousam e que, parafraseando Luís de Camões, são: 

Os que por obras valorosas se libertaram da morte 

São esses, os que ali repousam e cuja memória pela obra que fizeram em honra do Portugal que serviram, não deviam ter merecido tal enxovalho.

sábado, 11 de novembro de 2017

Foi uma pouca vergonha!



Depois de o primeiro-ministro António Costa considerar a utilização do Panteão para eventos festivos "absolutamente indigna", surge um vídeo do controverso jantar em que o promotor da Web Summit releva ter falado com um "ministro", sendo "a primeira vez" que ali se realizava um jantar.

O ministro da Cultura, Castro Mendes, assumiu que "estranhou" a refeição ter ocorrido no monumento e a verdade é que no vídeo Paddy Cosgrave não especifica com que "minister" falou. O termo "minister", nos países anglo-saxónicos, pode ser utilizado para ministros ou para secretários de Estado, não deixando de expor que o governo estaria ao corrente da situação
in, www. sapo.pt de 11 de Novembro de 2017
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Foi uma pouca vergonha a realização do jantar de encerramento do evento de Web Summit no Panteão Nacional onde repousam figuras mais gradas da História de Portugal.

É verdade que que o despacho que tal autorizava existia e é anterior ao actual governo, mas governar é antever e agir de acordo com os sentimentos da Nação, sobretudo, numa área sensível desta natureza, pelo que vir agora António Costa dizer que tal atitude que ali se materializou foi "absolutamente indigna" - sendo ele o chefe do governo, prova que tal jantar e naquele lugar lhe passou ao lado, o que é absolutamente indesculpável por tal se ter realizado ao arrepio das autoridades públicas que estão sob a sua alçada.

Prova isto que este governo "governa à vista" e age depois do mal feito, pelo que vir agora insurgir-se fica-lhe mal, fazendo lembrar o velho e estafado rifão popular - é chorar sobre o leite derramado - porque o mal está feito e para que tal não acontecesse deviam ter sido tomadas as preocupações necessárias, o que não aconteceu.

Foi uma pouca vergonha, quando, afinal, a fazer fé na noticia o fundador da Web Summit, Paddy Cosgrave não deixou de expôr que o governo estaria ao corrente da situação.

E não digo mais nada.
Sinto-me envergonhado da falta de respeito pelos vultos ali depositados:
  • Almeida Garrett (1799-1854), escritor e político;
  • Amália Rodrigues (1920-1999), fadista;
  • Aquilino Ribeiro (1885-1963), escritor;[7][8][9]
  • Eusébio da Silva Ferreira (1942-2014), futebolista;
  • Guerra Junqueiro (1850-1923), escritor;
  • Humberto Delgado (1906-1965), opositor ao Estado Novo;
  • João de Deus (1830-1896), escritor;
  • Manuel de Arriaga (1840-1917), presidente da República;
  • Óscar Carmona (1869-1951), presidente da República;
  • Sidónio Pais (1872-1918), presidente da República;
  • Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), escritora;
  • Teófilo Braga (1843-1924), presidente da República
Se eles pudessem ter-se-iam levantado dos túmulos e teriam corrido a chicote todos os que, sem culpa, comiam naquele local de memória pátria e honra de alguns dos seus maiores, um jantar à sua sombra tumular e todos aqueles que tal permitiram, porque, por certo, Paddy Cosgrave e todos os outros convidados não estavam ali sem a autorização devida.

Foi uma pouca vergonha!