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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Bato à tua porta!


                                          


                                      BATO À TUA PORTA  (1)

  
Estou aqui e bato à tua porta.

Não estranhes que me pareça
com o amigo importuno da parábola
e bata sempre, até que ouças
a minha voz de chamada.

Estou aqui e bato à tua porta.

É preciso que acordes...
que tomes o teu bordão de caminheiro
e te faças ao caminho,
levando aos teus ambientes
as palavras importantes que é preciso dizer
aos teus companheiros.

Não te cales.

Não sejas, mais um, a calar a voz de Deus
que amanhã, vai reclamar a tua presença.
Há, podes crer, omissões a mais...
cobardias  a mais...
e é preciso – e urgente – que não te cales,
porque é preciso endireitar o mundo.

É por isso, que estou aqui
e bato à tua porta!


(1) - De um livro a publicar

Orçamento de Estado de 2015




Está prestes a ser discutido em sede própria o Orçamento de Estado para 2015 e, como de costume, não faltarão as picardias e, por fim, o voto contra de toda a esquerda, sem que nenhum dos Partidos perceba que o problema do País não está no Governo que faz o Orçamento, mas sim e só, nos problemas transversais que de lado a lado não deixam o País respirar de alívio.

Este é que é o problema.

Todos o sabem, mas cinicamente - como convém à política parlamentar que sem essa chama de "maldade" perdia o interesse - por unanimidade toda a esquerda vai zurzir os seus argumentos contra a direita que está no Governo.
E assim vamos vivendo, fingindo que não estamos agarrados internacionalmente a um "Tratado Orçamental" e que, vivemos "à tripa forra"...

Depois, de se saber a votação da esquerda porque se há-de perder tempo na discussão?
Por obrigação é verdade e respeito pelas normas constitucionais.
Só por isso... mas se é só por isto, nem valia a pena!
É que, é uma perda de tempo... e não há tempo a perder!


Não estou de acordo... mas aceito...





Anda por aí um "blá-blá" por causa de 40.000 euros que a Câmara Municipal de Lisboa transferiu, recentemente, para a "Fundação Mário Soares".
No entanto, a regra foi cumprida.
Em 7 de Novembro de 1995 foi celebrado um protocolo entre o Município e a Fundação Mário Soares, onde se estabeleceram formas de apoio àquela instituição, vigorando o mesmo num prazo de dez anos, renovável por igual período, a menos que uma das partes o denuncie.
Era, na época, Presidente da C.M.L., Jorge Sampaio a cumprir o seu segundo mandato, que abandonou qaundo se candidatou à Presidência da República em 1996.
Inicialmente fixado em 50.000 euros, a proposta nº 323/2012 do pelouro da Cultura, atendendo a dificulades conjunturais, diminuiu o esforço económico da edilidade para 40.000 euros anuais.
Nada de ilegalidade existe. Acresce, até, que a Fundação Mário Soares está inscrita na Base de Dados para atribuição de apoios pelo Município de Lisboa, com o devido número e em conformidade com a lei interna do Município de Lisboa.
Tudo legal, portanto, nem podia ser de outro jeito.


Situado o assunto e a sua legalidade inabalável, expresso, contudo, que não estou de acordo que o dinheiro dos munícipes de Lisboa seja gasto para manter a Fundação Mário Soares, tendo a esperança que estando a acabar os segundos 10 anos da vigência uma das partes denuncie o protocolo, atendendo ao tempo de "vacas magras" que atravessamos.

E não estou de acordo por isto: porque se ouve por aí dizer - como acontece com os próceres da Esquerda -  que os contribuintes a nível nacional não têm de vir a pagar se a Caixa Geral de Depósitos tiver de corresponder ao esforço financeiro que lhe venha a caber na resolução do "caso BES", mas ao que parece, os mesmos, num tempo difícil como a Câmara Municipal de Lisboa atravessa - como aliás acontece com quase todos os Municipios portugueses, tenha dado, sem uma qualquer diminuição de valor a mesma contribuição para uma "Fundação" legal - é verdade - mas cuja importância cultural para a cidade de Lisboa pode ser discutível.

Por isso, não estou de acordo... mas aceito, na expectativa da Fundação Mário Soares dada a situação precária das finanças municipais - que seguem as do País -  denunciar o protocolo aquando do vencimento do novo prazo de dez anos, em 7 de Novembro de 2015,  conforme está escrito.


Uma frase a reter



Hoje, no "Forum TSF", um dos ouvintes, por via electrónica fez chegar a seguinte mensagem que o jornalista responsável pela emissão transmitiu, lendo o seu conteúdo.
Bem pequeno, por sinal,

Dizia assim: 

"Vamos dar mais uma oportunidade a este jovem Primeiro-Ministro que pôs Portugal à frente"

Retive a frase, que penso, transcrevo, não o sentido, mas o seu todo literal.
Penso o mesmo daquele ouvinte.
Penso que Passos Coelho é um jovem político que merece mais uma oportunidade.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A razão de Albert Einstein




“Tenho medo do dia em que a tecnologia se vai  sobrepor à interação humana. 
O mundo terá uma geração de idiotas.”


Proféticas ou não, as palavras do grande cientista estão a ser comprovadas.
O telemóvel é uma nova doença já registada com o nome de momofobia, que traduz o medo de ficar sem telemóvel e que, segundo especialistas, está a aumentar entre os portugueses, associada, segundo parece, a transtornos de ansiedade, ficando a dever-se esta patologia ao gosto de se estar sempre em contacto com alguém.

Chegamos, evidentemente ao abuso.
As palavras com que Einstein acaba a sua sentença podem parecer duras, mas há casos - e todos conhecemos - em que a idiotice anda a roçar o modo como nos transportes públicos temos de ouvir conversas em alta voz.

A momofobia não escolhe idades, o que não deixa de ser estranho!


Estás comigo, Senhora!




ESTÁS COMIGO, SENHORA!  (1)

Por Ti, Senhora
Que vens de longe a encher o espaço
E a dar sentido a qualquer hora,
Queria dar-Te, aqui e agora
Tudo quanto faço!

Aceita, Senhora, este pequeno nada
Pelo muito que mereces!
E ajuda-me a enaltecer a madrugada
Do dia em que conheci a estrada
Onde sempre aconteces!

Por Ti, Senhora, sou o andarilho
Que vive a vida contente
Por me sentir teu filho
E andar correndo no trilho
Que me deste de presente
Desde os tempos de menino!

Obrigado, Mãe do Além!
Sinto-me em Ti pequenino,
Mas grande neste destino
De contigo me sentir bem.

Por Ti, Senhora, fico aqui
E jamais me irei embora
Porque estou preso da hora
Em que Te conheci!
Não te peço o mesmo a Ti.
Tu és Mãe e não me deixas!
Estás comigo, Senhora,
Para ouvir as minhas queixas!


                                                  (1) - De um livro a publicar


Convite



CONVITE  (1)

  
Sou um cantor à beira do caminho
E embora sejas surdo à trova que te canto
Podes contar com todo o meu carinho.

Antes de ti no mundo já corri a estrada
Que me ensinou a crer e me moldou...
Por isso é que te vejo na encruzilhada
- E eu sei por onde vou!

E é também, por isso,
Porque já corri o teu caminho em vão
Que devo estar de serviço
E dar-te a minha mão!

Chegou o teu momento.
Agora terás de escolher
Entre a pétala ao vento
Que se deixa morrer
E a árvore fecunda que almejas.
Ergue-te e sê assim...
- É assim que Deus quer que sejas!
A nossa vida, crê, é uma aventura.
- Vive-a.
E de onde quer que estejas
Desce da tua falsa altura...

Vem comigo!

Sendo, embora, de outra idade
Deixa-me partir contigo
Em busca do abrigo
Que é a  nossa eternidade!


(1) - De um livro a publicar


Dois problemas que urge resolver





Dois problemas que urge resolver. porque não o fazendo vamos continuar a fazsr o caminho em cima de pedras.

Há quem diga que eles se devem ao facto de Portugal estar a viver uma metamorfose civilizacional – ou, melhor dizendo, uma transformação dos costumes - que seriam de entender e aceitar se eles não fossem tão degradantes, nos aspectos da Família e da Escola, para citar, apenas, estes dois.

Assume nesta problemática empobrecedora um individualismo assumido no seu mais feroz egoísmo que tendo levado a perder-se o diálogo – a forma mais adulta que existe para o encontro de consensos harmoniosos -  o homem passou a ser monossilábico, deixando embotar a mente que se tem tornado um joguete no facilitismo de uma vida sem norte, perigosamente materializada e deixada à mercê de um modo consumista que só a grave crise económica tem posto alguma contenção..

Apesar disso somos um País onde o telemóvel é o rei dos últimos tempos, de tal modo que há mais aparelhos que pessoas, funcionando perigosamente como mais um dos anti-valores de que somos ricos, a ponto de se julgar, hoje, moral e conveniente, aquilo que dantes não era – e que só o é – pela falta de valores que se têm incrustado, como lapas, numa sociedade doente que não vê para onde caminha, indo a reboque de uns tantos, que calculadamente, a régua e esquadro vão traçando caminhos fáceis, imorais e dúbios onde vão caindo os melhores filhos da nossa sociedade, que em vez de se tornar adulta e responsável, em cada dia que passa vai criando mais fundo o fosso das permissões indevidas.

E não chega dizer que a culpa é dos outros que nos são estranhos.
Quer seja dos ventos que nos chegam da velha Europa paganizada ou da globalização que engloba no seu cadinho todas as escórias, a que se deve o aforismo do mundo ser hoje, uma aldeia global.
Pode entender-se que é ou vai ser assim, mas porque motivo não havemos de fazer vir acima os valores autênticos, fazendo deles bandeiras, em lugar de copiarmos todas as trapaças que nos chegam como panaceias de felicidades, que mais não são que máscaras de um carnaval diário em que está transformado o mundo?
Exagero?
Possivelmente, será.

Mas é sempre das caricaturas que se fazem que se podem alertar as consciências dos homens, sabendo-se, embora, da pobreza e alcance do presente escrito, cuja única virtude é estar de acordo com a análise do autor, cujo caminho de vida, de longos e trabalhosos decénios não se coaduna com as licenciosidades deste tempo novo, fautor de vãs e efémeras felicidades que não raro se transformam em pesadelos, de que, mais ou menos, todos conhecemos os meandros e as consequências.
Temos, efectivamente, dois problemas para resolver, quanto antes.
Amanhã pode ser tarde.
Há que começar, hoje,

Há que pedir aos actuais governantes e a todos os que se posicionam para alcançar os poderes públicos que neste campo há muito a fazer, fazendo-lhes sentir, que eles são os responsáveis directos pela miséria moral que se está abatendo sobre o nobre povo que somos, herdeiros de uma História singular, da qual os nossos filhos e netos não conhecem os grandes exemplos, porque em vez dos grandes autores da civilização que construímos, nos últimos tempos o que tem chegado à Escola são concepções de um mundo que não é o nosso, mesmo, até, levado por autores nacionais.

A globalização ou as normas comunitárias – ao contrário do que muitos pensam e têm querido pôr em prática - não impõem regras morais porque elas são uma propriedade íntima de cada homem, que é pela sua natureza, tão íntima, que só se pode mudar a sociedade, mudando o coração do Homem.


O relativismo moral na falta de princípios básicos



Tudo nasce - falando de relativismo moral - 
deste belo pensamento de Arthur Graham


Os homens, por sua conveniência e comodidade vivencial dão o nome de relativismo moral à doutrina em que o bem e o mal variam de acordo com os tempos a as sociedades, admitindo por isso e sem peias, que estes – ao contrário da imobilidade dos princípios básicos que devem presidir à acção do homem – sejam uma variável que admite que uma ideia ou um facto pondo-os  de acordo com o tempo – por mais desbragado – ou com a sociedade – por mais libertina que  seja – sendo, assim, o relativismo moral um meio que voga  ao sabor das circunstâncias e do meio onde se vive.

Tudo está, no facto do homem se ter esquecido da verdade verdadeira  - que passe a redundância - e ter feito desse princípio nobre da filosofia humana algo cujo conhecimento exacto, que não admite tergiversões ter deixado de fazer parte da sua conduta, derivando daqui todas as variáveis ao sabor dos ventos do mundo que têm sempre quem os acolha.
Há, com efeito, na mentalidade contemporânea – que é contra os dogmas eclesiais – um dogma que ela criou para sua comodidade pessoal: não há verdades absolutas nem princípios básicos imutáveis.

Tudo é susceptível de mudança e de arranjos a um mundo que se vai mudando – e isto é verdade – não sendo, no entanto, menos verdade que um mundo que muda sem atender às verdades fundamentais da sua mentalidade, é um mundo desorientado.
É necessário ao homem do nosso tempo que não deixe de atender a duas realidades básicas da sua condição: a humana - que o mundo reclama e o faz errar e a divina, reclamada por Deus -  que o chama a evitar os erros do mundo, fazendo-lhe ver os perigos do que é andar ao sabor da corrente que lhe faz perder o sentido de algumas verdades absolutas e, como tal, imutáveis em todo o tempo e lugar.

Há, por isso, necessidade do homem se conhecer a si mesmo, indo ao fundo das questões morais que fazem dele uma criatura por excelência, capaz do bem e do mal., e encontrar  por isso as capacidades de busca dos fundamentos da honestidade intelectual que cada um deve a si mesmo, mantendo imutáveis no edifício da sua moral as verdades que não podem ser relativisadas ao sabor de cada tempo.

E aqui não se pede uma fé teologal.
Pede-se, apenas, ao homem que seja autêntico enquanto ser racional que é, e que esta qualidade única na História da Criação o torne fiel às causas intrínsecas da sua condição humana, chamando a si a honestidade que deve presidir aos seus actos, na certeza que ser honesto é preferível a pensar de acordo com as premissas que a sociedade impõe, quantas vezes vão ao arrepio daquilo em que se acredita.

É neste campo que o homem tem de aprender a distinguir o que é relativismo social daquilo que é honestidade intelectual.


Liberdade e Ordem Social




Não chega partir as algemas



    Um dos erros extremos da liberdade é a libertinagem sem peias para o qual ela significa direito de falar, pensar ou fazer aquilo que o homem quer.
É um erro grosseiro, porque ao estar-se livre de algumas coisas – ou de todas, que é uma atitude mais comum do que parece -  os homens esquecem-se que o facto de terem esse direito implica que a liberdade deva servir para algo que tenha a ver com o outro, que tanto pode ser o companheiro mais perto, como a colectividade de que faz parte.

A vida e a ordem social que ela implica para o seu correcto funcionamento e onde se move o homem, há-de ser sempre a busca da verdade – seja ela qual seja, porque o mundo não avança em cima de mentiras - mas esta,  só se alcança através do uso pleno da liberdade, supondo isto que tenha de se bater à porta onde ela mora, mas  não para ouvir o ruído das próprias pancadas que se dão como se fossem as mais sonoras e mais importantes, mas para ouvir as dos outros, que podem bater de leve mas serem mais eficazes e portadoras de verdades mais importantes que as nossas.

Cada homem tem de aprender a ouvir o outro homem, pois, só assim, a liberdade e a ordem social encontram caminhos de convergência, para que, em vez de destruir, o homem possa construir e edificar a Vida e o Futuro, porque o facto dos homens avançarem com dados falsos, impelidos pela violência ou pelas paixões desordenadas – fazendo mal uso da liberdade – redunda sempre em retrocessos e caminhadas insensatas.
Nestes senões que mancham a liberdade estão sempre as faltas graves dos atentados à Família e à Moral, atendendo-se que ela é, acima de tudo, um poder moral e não um poder de ordem física, constituindo-se, então,  como um dever social e não como um qualquer poder arbitrário.

     - Para que quero eu a liberdade?
Alguém dirá, por exemplo,  “para constituir uma família feliz ”; Um outro dirá: “para enriquecer de qualquer jeito”; e, ainda, um outro, dirá: “para ser uma pessoa de bons costumes”.
A resposta porém, não é esta. Não se trata de responder no singular.

 A resposta correcta tem de ser, quando Portugal no seu todo, embora com o respeito que têm de merecer as várias tendência políticas, for um povo esclarecido.
“Eu quero a liberdade para que a colectividade de que faço parte seja feliz”, no pressuposto que o homem ao ser um animal social tende à felicidade do todo e não só da pequena parte que é, procurando por isso, quer a verdade, quer o amor e, tudo isto, não para durar uma hora, mas a vida inteira.
Pois de que serve ser livre para fazer todas as coisas – sem qualquer proibição a coberto de  moralidades antigas – se depois de ter usado essa liberdade sem regras, o homem acaba escravo  dessas coisas, como a bebida, o sexo, a droga e outros malefícios?
E, ainda, que o homem no uso do seu livre arbítrio, continue livre para refazer costumes, muitas vezes, o que acontece é que estando quebradas as resistências morais acaba por vencer a liberdade que o conduz à escravidão.

Em Portugal, aquando do derrube do Estado Novo, as forças políticas mais à esquerda deram aso àquilo que passou à história como a conquista das “mais amplas liberdades” para um povo, que na sua maioria estava na menoridade política, donde, ainda hoje, existirem franjas sociais onde a liberdade continua a ser um campo vasto de atitudes atentatórias do indivíduo perante a sociedade responsável, parecendo um direito a ignorância da lei moral – que é uma lei natural – e, como tal, pertencendo esta a todo o homem pela sua condição humana, desobedecer-lhe, o coloca de imediato a agir contra os mais altos interesses da sua própria natureza. 


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Nem forte... nem fraco!





O Estado não pode ser nem forte... nem fraco!
Paul Valéry,  que nos inspirou estas palavras morreu em 1945.

Vale isto por dizer, que o Poeta que pelas suas qualidades intelectuais e humanas foi eleito em 1935 sócio componente da classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa, atravessou no seu tempo, uma sociedade, onde em muitos lados, o poder era forte e, até, por vezes, despótico, donde se entende a sua exclamação amargurada: Se o Estado é forte, esmaga-nos; se é fraco, perecemos.

Alguns séculos antes, o nosso épico Luís de Camões, diz-nos que o remisso e sem cuidado algum,  rei D. Fernando, perdido de amores por Leonor Teles, se tornara mole, indolente e desleixado e, com ele, sofria o Estado, a tal ponto que o levou a exclamar num verso que havia de ficar célebre: Que um fraco Rei faz fraca a forte gente .

Vem isto a propósito de um certo laxismo que vemos implantado na actual sociedade, onde os deveres e direitos de quem governa ou dirige instituições do Estado deviam ser um exemplo para a sociedade ao contrário do que tem acontecido, vezes  demais, quando se tornam causa de descrédito algumas atitudes pouco cuidadas, a ponto de o povo sentir que o exemplo não vem de cima, o que por fim, conduz à existência de um Estado fraco ou de instituições a merecer outra credibilidade.

O que se passa, actualmente, com a Justiça e a Educação, dois pilares fundamentais do Estado, não é aceitável.

E se como constatou Paul Valéry, não é recomendável um Estado de tal maneira forte que o leve a tornar-se injusto para os cidadãos, um Estado que se demite, faz fraca a forte gente, como aconteceu com D. Fernando, que pelo seu casamento, viciado logo no princípio, perdeu o norte que havia herdado do pai, o justo e duro Pedro, no dizer de Camões.

Conclui-se deste modo, que aquilo que falta ao Estado desatento que temos em muitos aspectos da nossa vida comunitária é, precisamente, ser justo e duro, que não é o mesmo de ser forte de tal jeito que nos esmague, nem de tal modo brando que nos torne fracos.



Um olhar histórico sobre um dos "afrancesados"...



Palácio dos Condes da Ega 
(um dos "afrancesados" do séc. XIX)


Quando Junot invadiu Portugal, em Novembro de 1807, tendo-se já transferido a Corte e a Capital de Portugal para o Rio de Janeiro, aconteceu que o comandante das tropas invasoras era bajulado por muitos afrancesados, tendo o despudor e a falta de patriotismo chegado ao ponto de em Lisboa, o Juíz do Povo, o tanoeiro José Abreu de Campos, ter pedido a El-Rei Junot - como servilmente o apelidou -  que intercedesse junto de Napoleão para que desse a Portugal uma Constituição e um Rei e que este fosse da família do todo-poderoso Imperador, frisando que o documento constitucional deveria ser semelhante ao que fora outorgado ao Grão-Ducado de Varsóvia.

Na História de Portugal este vergonhoso e humilhante pedido feito em 22 de Maio de 1808,  ficou conhecido como a súplica de uma Constituição.

O País fervia na nova era que o Liberalismo abriu, mercê da Revolução Francesa, não tendo faltado os que se posicionaram contra a honra da  Pátria, servindo servilmente o invasor e de que é um triste exemplo o 2º Conde da Ega, Aires José Maria de Saldanha, marido de D. Juliana Maria Luisa Carolina Sofia de Oyenhausen e Almeida, filha da célebre marquesa de Alorna, que se tornou amante de Junot, com o beneplácito do consorte enganado, a tal ponto chegou a miséria nacional, naquela época de triste memória.

Depois de José de Vasconcelos, nasceram abundantemente em 1808 muitos desnacionalizados para quem o nacionalismo deixou de ser uma referência de amor  a Portugal. De então para cá este facto acentuou-se, sobretudo, nestes tempos dos globalismos, não apenas económicos, como políticos e onde as Pátrias – por muito que nos pese - vão deixar de ter o elo forte dos nacionalismos sadios que era o cimento aglutinador dos seus povos.

Resta-nos lutar para que, não mais "os afrancesados" ajudem a retirar o amor que todos devemos à Pátria de Luis Vaz de Camões.


A subversão da sociedade moderna



in, Citador


Nos anos recentes – mais concretamente, no último quartel do século XX – o mundo conheceu uma mudança profunda no modo de conceber os valores morais, um facto que veio a ter influência decisiva no modo de agir e de pensar das pessoas com alguns meios da comunicação social a fazer reflexos das atitudes mundanas, onde passaram a ter cobertura até as menos recomendáveis – por culpa directa – daqueles homens e mulheres que perderam muito da dignidade pessoal que tinham o direito de precaver, se não fora uma certa libertinagem que tomou conta deste mundo.

Nem tudo foi negativo, no entanto. 

Mas uma grande parte destas mudanças comportamentais foram negativas, porque estando falhas de  uma estrutura respeitadora dos princípios básicos que formam os cidadãos de corpo inteiro, passaram a dar-se inequívocos sinais violadores da dignidade humana, como foi a difusão da pornografia e da violência a que esta conduz o homem e a mulher, que não raro, passaram a vender os seus corpos no cinema da especialidade – e não só -  no teatro, em vídeos, na publicidade, deixando perceber às escâncaras uma sexualidade permissiva.

Passou-se a consentir a exaltação da violência gratuita que sendo um mal que tem acompanhado o homem desde todos os tempos, deveria ter merecido um tratamento mais condizente com a urbanidade que se conquistou no seio dos povos, mas tal não aconteceu, como seria de esperar, pois a pornografia ao alcance dos adultos – passou a estar, do mesmo modo – ao alcance dos jovens que a passaram a ver escancarada a toda a hora.

Ao corromper a sociedade, em primeiro lugar, dos países mais ricos, como um polvo gigante estendeu os seus tentáculos até aos países mais pobres, decapitando à nascença todos os valores morais que eram inculcados aos jovens, que passaram a ter nos seus próprios lares meios de divulgação inacreditáveis e só consentidos pelo abaixamento moral dos pais que se viram ceifados por uma onda descristianizada a que não puderam fazer frente, mercê de políticas liberalistas e permissivas conduzidas por líderes ansiosos de glória e de vitórias conquistadas por votos arregimentados a qualquer preço, como um tributo pago a uma modernidade enganosa.

Sobre este estado de coisas, continua, no entanto a ser aos pais que deve cumprir a tarefa primeira de inverter a situação, começando por dar às crianças e jovens uma sadia educação sexual, baseada no respeito pela outra pessoa – e não deixar isso à Escola - de tal forma que eles cresçam sabendo discernir de tudo quanto lhes é dado ver, fazendo do amor – não o método permissivo que temos hoje, um pouco por todo o lado e em todos os graus do ensino – mas, antes, o meio verdadeiro onde se caldeiam os sentimentos em ordem à assunção de uma vida plena de comportamentos sadios, tendo em vista a felicidade, que só tem morada exacta, onde existe esse campo da harmonia humana que faz dos actos e das palavras meios de engrandecimento pessoal e, logo, da colectividade.
Há que ter neste campo da palavra muita atenção, porque ela é um meio eficaz de que se serve a pornografia para subverter a moral e os costumes.

Lê-se na Carta de S. Tiago que “De uma mesma boca procedem a bênção e a maldição” (1) donde se depreende a necessidade social de usarmos termos condignos da dignidade que temos, enquanto cidadãos espirituais e responsáveis pela concertação do mundo, que temos o dever de conseguir, cada um, nos locais onde decorre a sua existência, não utilizando, por isso, a arma da  palavra obscena que ao sair da boca desde logo se vira contra o próprio, retirando-lhe a dignidade humana de que é portador.

Tenhamos a certeza que neste mundo desbocado estão faltando, precisamente, palavras semelhantes a bênçãos, proliferando em demasia as que sugerem anátemas, como o do pornografia hodierna que se serve das palavras impróprias para erguer – como o tem feito - o campo destruidor da condição humana como deve ser vivida e não malbaratada como tem vindo a acontecer.



(1)  - Tg 3,10

O sentimento do Amor





Conta-se que numa ilha imaginária viviam - como adiante de verá numa aparente harmonia -  alguns dos mais nobres  sentimentos humanos, como a Amor, a Emoção, a Alegria, a  Tristeza e a Moralidade a par de residentes acidentais, como a Riqueza.
Um dia, soube-se que uma convulsão da Natureza se preparava para mergulhar a ilha na profundeza das águas, o que originou que todos aqueles sentimentos, depois de "arregaçar as mangas", deram em preparar, sem delongas, os seus barcos para desertar.
E assim aconteceu.

Ficou, apenas, o Amor.

Com fé num milagre qualquer que livrasse a ilha daquele cataclismo anunciado, dispôs-se a arriscar até ao último momento, até que ao pressentir que já nada mais havia a fazer, resolveu partir. Aconteceu, porém, que não encontrou o seu barco, de que resultou ter de pedir ajuda.
Colocado na orla da praia deu em olhar o horizonte.

Viu ao longe o barco da Emoção e acenou-lhe:
- Salva-me...
- Não posso. – ouviu – Estou de tal forma comovida, que a emoção de ter deixado a ilha me tira o desejo de voltar aí...
Viu, depois, o barco da Alegria e pensou: “Esta vem salvar-me”...
- Não vou, não! – disse-lhe de muito longe – Estou tão alegre de ter partido, que já não sei o caminho para chegar ao pé de ti...
Passou a Tristeza e o Amor, angustiado por tantas recusas inesperadas, pensou: “Não vale a pena chamá-la... vai muito triste”...
E não a chamou.
Mas, de repente, apareceu a sulcar as ondas o barco da Moralidade.
E o Amor exultou, na expectativa de ser salvo. Era o que faltava que a Moralidade o deixasse morrer afogado na sepultura daquela ilha onde todos haviam vivido em ambiente de concórdia... que, afinal, era falsa.
Mas a Moralidade desiludiu o Amor, dizendo:
- Não tenho tempo agora. Neste meu novo estádio de vida tenho o tempo todo ocupado a dar lições de Moral...
Veio a seguir a Riqueza.
- Vem salvar-me, pediu o Amor, já em estado desesperado, pressentido que em breve iria ao fundo, já que mal se via a praia e a ilha era, somente, uma mancha em cima do Mar.
Mas a Riqueza - cheia de si mesma e com medo de perder o que levava, nem sequer se deu ao trabalho de responder.

Foi, então, que o Amor ouviu a voz sonora de um ancião, vinda de muito longe, das alturas do Céu e que lhe disse:
- Vem, Amor... anda comigo!
E o Amor acedeu.
Nos braços daquele estranho, de longas barbas e olhar profundo, andaram dias até atingirem terra firme, tendo acontecido, de tão contente que se sentia e emocionado por se saber a salvo que o Amor se esqueceu de lhe perguntar o nome para lhe agradecer, como ele merecia.
Quando o quis fazer, mesmo sem o chamar pelo nome, ao olhar em redor o seu salvador tinha desaparecido. Foi, então, que lhe apareceu, nem sabe de onde, o Saber - uma personagem desconhecida -  a quem perguntou:

- Diz-me o nome de quem me ajudou.
- Foi o Tempo...
- O Tempo... – questionou o Amor – mas porque foi que o Tempo me ajudou?
- Porque só o Tempo é capaz de avaliar como tu és importante na vida.
......................................................................................................

 Adaptação livre de uma mensagem evangélica.


O Forte do Bugio






Situado sobre uma esplanada rochosa que imerge do fundo das águas à entrada amplo estuário formado pelas águas do rio Tejo e a 1,5 milhas a Sul do Forte de S. Julião da Barra, situa-se o actual Farol do Bugio.

A confluência do Rio Tejo, com o abraço do seu amplo estuário às águas do Atlântico, dando acesso às populações das margens, foi desde tempos imemoriais, um convite a assaltos perpretados pela pirataria dos mares que não davam descanso, chegando a penetrar no Tejo com todo o à vontade, pondo em sobressalto a própria capital do Reino.
No ano de 1389, D. João I, após ter acordado as tréguas com Castela, volta-se para os problemas internos, cabendo-lhe a honra de ter sido o primeiro monarca a interessar-se pela sorte das gentes ribeirinhas e dos seus percalços, procurando dar-lhes apoio com meios de defesa, tarefa que teve continuadores nos reis que se seguiram.
O Forte do Bugio – ou de S. Lourenço, de seu nome inicial – foi, finalmente, mandada edificar por D. Sebastião, iniciando-se as obras em 1578 .

Segundo, parece, a ideia inicial, tendo em conta o local – um cômoro de alguma amplitude – passou por se estabelecer em círculo uma cerca de prumos de madeira, dentro da qual se descarregou entulhos e pedras de grande porte destinadas a fazer uma fundação consistente, sobre o qual se construíu um forte totalmente construído em madeira, que no entanto, a breve prazo, foi dizimado pelos fortes temporais e pelas alterosas vagas.
O plano seguinte, em pleno domínio filipino, foi concretizado em 1586, segundo o plano do arquitecto italiano, Frei Giovanni Vincenzo Casale, que para aquele local idealizou uma construção em alvenaria, que veio a ser interrompida aquando da guerra da restauração da independência, cabendo a D. João IV a tarefa de dar um novo impulso às obras.

 Em sua honra, o forasteiro que venha a visitar o Forte do Bugio, encontra logo à entrada uma placa onde se anuncia que a obra recomeçou no ano de 1643.
Aconteceu, entretanto, que as muitas catástrofes havidas no mar, à entrada da Barra, levaram o Marquês de Pombal a decretar em 1775 a instalação de um farol com torre em alvenaria de forma cónica, sendo o clarão produzido, como era então costume, pela incandescência de labaredas produzidas pela queima de fogueiras de lenha resinosa, carvão de pedra ou alcatrão inflamado em potes de ferro ou, ainda, por archotes de resina ardendo ao ar livre.

Sendo de pouca eficiência a luminosidade produzida por aqueles meios, em 1836 foram colocados no farol 16 “candeeiros de Argand”  cuja luz iluminava até 16 milhas.
Uma beneficiação posterior, operada em 1895, originou que a luz branca, fosse intercalada de 20 em 20 segundos de uma luz de cor vermelha.
Em 1933 a fonte de energia passou a ser o gás, que em 1959 deu lugar à electricidade.
Muitas gerações de faroleiros passaram pelo velho farol até ao ano de 1982, quando passou a ser totalmente automatizado.

Há quem afirme que este é o mais belo farol português, advindo esta classificação pelo local onde se encontra, o qual, apesar da beleza que lhe dá e o tornou famoso, não deixará jamais de lhe ofender a estrutura envolvente, pelo facto de estar exposto à força colossal das marés que criam instabilidades nas funduras do assento e das nortadas que ao longo dos tempos vão deixando as suas mazelas na esplanada que sustém a construção.
Daí, a necessidade imperiosa de obras de conservação, como as últimas realizadas na década de oitenta do século XX, tendo-se encarregado das mesma a Administração do Porto de Lisboa, de quem depende aquela sentinela da Barra portuguesa.

As últimas ocorreram recentemente, no ano de 1997, com a colocação de milhares de metros cúbicos de camadas espessas de betão ciclópico ao redor da esplanada, tapando fendas e dando-lhe mais robustez, na procura de lhe dar a consistência perdida para resistir aos temporais.
O antigo Forte, hoje conhecido por Farol do Bugio é justamente considerado um Monumento Nacional.
       

A ambição não é um mal!





                   A ambição não é um mal!


O que é um mal
é quando usamos este sentimento humano
exclusivamente a nosso favor, quando na linha do amor,
que cada um de deve seguir em relação ao outro,
devemos fazer da ambição um motivo nobre.
Algo que seja capaz, até, de produzir frutos em favor
da comunidade onde se desenrolam as nossas vidas.

Atentemos que não há, um só que seja,
dos grandes homens que escreveram a História conhecida,
que não tenham usado a ambição como um ideal.
A ambição sadia é, assim,
um percurso de subida
que costumam percorrer todos aqueles
os que fazem das suas vidas, dádivas de Deus.

Lamentemos, pois, aqueles,
cujas ambições mesquinhas,
procuram dar a entender aos olhos do mundo
- de um mundo de vaidades -
que são  pessoas importantes!
Se estudarmos o perfil das suas vidas,
veremos como o fio condutor seguiu o rumo
onde estavam metas que era preciso vencer
para o bem deles e da comunidade.

Esqueçamos isso e pensemos naqueles
que no dia de hoje vão passar ombro a ombro connosco
pelas ruas e praças das vilas e cidades,
e, são, quantos deles, pessoas ambiciosas
no desejo legítimo de fazer dos seus dias
um motivo de se engrandecerem, dando-se
e multiplicando a paz que transportam dentro de si
como se fosse a semente
que é preciso lançar no chão humano da vida que passa!


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A Pátria e o patriota






As Pátrias - a portuguesa ou uma outra qualquer das que formam a Europa, na actualidade, em grande parte, abrigadas sob a capa da CEE - ainda que, a génese de um federalismo incipiente pretenda aglutiná-las, não deixa  de ser notório que o queira fazer, apenas, pelo rosto da economia de mercado, por se saber, que em todas elas existem contribuições de ordem civilizacional de tal modo diferenciadas que torna impossível federalismos que venham a colidir com os seus sentimentos mais profundos.

É inconcebível a História do Mundo em a contribuição civilizacional própria de cada parte na riqueza do todo. 
Pequena ou grande, cada Nação tem uma História que é a sua alma identificadora, aferindo-se por ela as características étnicas, morais e cuilturais entroncadas na linguagem e na escrita que ao longo do tempo deitaram as raízes que alimentam os seus naturais e que ao identificar-se com cada uma das Pátrias vivem o patriotismo que emana delas, como fosse a seiva mais bela das suas raízes.

Fernando Pessoa escreveu. "A minha pátria é a língua portuguesa» sabendo perfeitamente que cada língua tem o seu valor próprio e a expressão oral ou escrita a sua musicalidade diferenciadora de uma outra qualquer e que o dom da escrita leva a todo o lado, como se fosse uma andorinha, o doce calor da sua presença, de tal modo, que não havendo ninguém que seja capaz de matar uma andorinha, não existe ninguém que o possa fazer em relação à língua, pelo facto dele levar a mensagem do povo a que o patriota pertence e do qual é arauto e uma força que se apoia na tradição de onde provém, sendo assim, por definição breve e incompleta alguém que no respeito pelos seus antepassados exerce um modo pessoal e afectivo de ver no chão que pisa as pegadas dos seus avós, como é capaz de adivinhar numa paisagem os olhos antigos, que como os dele, a viram e pela qual se emocionaram, alegrando-se, assim, com alegrias passadas, como se elas estivessem projectadas num tempo que ele não deixa apagar.

E, porque se faz isto?

Simplesmente porque o patriota sente-se herdeiro da história comum da sua Pátria, vivida e sofrida, até - quantas vezes - mas tendo por palco o mesmo chão e por cenário o papel colectivo de uma mesma  ordem de sentimentos.



domingo, 12 de outubro de 2014

Tolerância ou incompromismo?





 É urgente viver... mesmo na margem,
 mas tendo presente que o perigo espreita o "comboio" que passa.



Uma doença social que ataca surdamente o nosso tempo dá pelo nome de tolerância.

Toleramos a insensibilidade no campo da moral e para a justificar não faltam os que andem por aí  a dizer que tal facto é uma assunção da bondade, enquanto outros falam da caridade com o próximo.

Mas o problema é que estamos a tolerar em demasia e a usar uma caridade falsa que se torna paciente, apenas se está em jogo o nosso interesse imediato, descartando-se se se vê a injustiça triunfar, entrando, então, nesse jogo esquisito a tolerância bem medida do incompromisso, não vá a moral autêntica - que vai beber na Fonte do Evangelho -  criar problemas.

Esta a razão da tolerância do nosso tempo porque a Fé naquela Fonte é mais intolerante, quanto às atitudes que se vão como joio, espalhando no meio dos trigais da vida, onde Deus se ausenta deliberadamente - porque assim se quer  -  pela culpa de uma tolerância, que tarde ou cedo terá de ser combatida em nome das faltas cometidas contra o bem comum.

Bondades que admitem isto, são dispensáveis e as caridades, também, porquanto uma sociedade laxista que não corrige o que se passa em tantos lados, como  nas famílias e nas Universidades - só para citar estas duas realidades fundamentais -  está a erigir um "terrorismo" de âmbito cultural, que tantas vezes é mantido, pela omissão e não pela razão, porque o ceder desta  - se o faz - é pela apostasia  dos corruptos que vivem o imediato, sem cuidarem do futuro, como se este não seja sempre, pela positiva ou negativa, uma consequência do dia de hoje, onde o "sim" e o "não" têm de ser ditos, na medida em que eles são na sua benevolência ou na sua rudeza, pilares importantes no caminho do homem.

Temos uma sociedade a driblar com manhas o jogo da vida e convém não esquecer que há regras para tudo e, porque é assim, as regras têm de ser as autênticas, as tais que, ou passam a ir beber, desedentando-se na Fonte do Evangelho, ou se corre o risco de morrer à sede, por não se ter cuidado que as águas que se dão - em tantos lados - estão inquinadas com a muita tolerância mascarada de uma caridade, que de todo, não é.