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sábado, 18 de março de 2017

Não tem sentido...


Não tem sentido rezar pela manhã como um santo e viver durante o dia como um herege.
Alexis Carrel
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Os convertidos, seja à religião cristã romana, ou outra - de um modo geral - surpreendem os que se afirmam de crentes com frases como esta de Alexis Carrel em que a pureza da alma transborda para os outros pela necessidade de mostrar que não costuma ser em vão que as almas adquirem um outro sentido da vida finita.

"Quando estavas na Igreja" - Um fado de Coimbra de António Menano




Quando estavas na Igreja

Quando estavas na Igreja
A teus pés ajoelhei.
À Virgem por mim rezavas,
À Virgem por ti rezei.

E na crença e na vertigem
Foi então que eu me perdi.
Em vez de rezar à Virgem
Rezava mas era a ti.

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Mais uma vez a corda da minha saudade tangeu forte e sonora dentro das minhas antigas lembranças fonográficas e dei comigo a lembrar-me de António Menano e desse famoso fado de Coimbra - QUANDO ESTAVAS NA IGREJA - que é, nas duas quadras maravilhosamente esculpidas uma balada de amor onde a mística religiosa se mistura admiravelmente com a humanidade das personagens.

O quadro que a arte do Poeta nos apresenta numa paleta de cores a que a voz melodiosa de António Menano empresta toda a graça, é na sua compostura dividido em duas partes.

A primeira a quadra expressa um acto puramente religioso, À Virgem por mim rezavas, a que corresponde a troca dentro do mesmo sentido místico, À Virgem por ti rezei, para na segunda parte o quadro se nos apresentar expresso numa quadra perpassada de um amor humano cândido e puro, em que o cortejador diz que se "perdeu", sem contudo deixar de assinalar que o fez na crença que ele vivia de joelhos junto da sua amada, pois, Em vez de rezar à Virgem - na vertigem do momento confessa o seu "pecado" - Rezava mas era a ti, o que prova que quando o amor é puro a Virgem que vive no Altar e a quem rezamos costuma receber no seu Amor infinito, o amor finito das criaturas.

Eis, porque, fica aqui como preito da minha saudade à voz de António Menano que tanto me encantou, a minha homenagem, pela arte e pelo seu amor à Virgem do Céu e àquela  - possivelmente imaginada, mas lhe preenchia a juventude - e que a seu lado erguia uma oração para o Altar da Virgem, sem suspeitar, que recebia do amado a mesma oração erguida para a mesma Virgem, mas, também, para a mulher amada que a seu lado estava de joelhos numa mesma união de sentimentos.

O quadro é encantador e, porque o é, exprime-se jubilosamente na voz do cantor de Coimbra que jamais esquecerei enquanto Deus me der vida e saúde para o fazer presente no baú das minhas recordações.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Para estar perto de Deus...


Para estar perto de Deus, basta estar perto do ser humano.
Khalil Gibran
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Penso, muitas vezes, no misticismo oriental de que Khalil Gibran é um lídimo representante e se alguma dúvida tivesse do seu pendor humano, bastaria este sábio pensamento deste autor libanês para a desfazer de tão profundo e belo ele é.

Bem entrosado na linha bíblica que manda amar o outro como a nós mesmos, pois só assim nos parecemos com Deus, ressalta cheio de amor cristão este pensamento que tende a colocar o homem na sua dimensão correcta perante o outro e o Mundo que o cerca.


"O Beijo" - Um fado de Coimbra de António Menano



O Beijo

À minha amada na praia
Dei um beijo a sós e a medo.
Mas a onda que desmaia
Foi contar o meu segredo.

E às outras logo contando
O beijo que me viu dar;
Foi de onda em onda passando
O meu segredo a contar.

Treme ansioso o teu seio
E eu pálido de temor;
Que todo o mar anda cheio
D'aquele beijo d’amor.

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Aconteceu, hoje.

De volta com a minha discografia antiga dei com esta gravação de António Menano, um dos meus cantores preferidos de Coimbra - o meu distrito natal - e, ouvindo-o naquela melodia, que é uma melopeia encantadora servida por uma letra em que cada verso é um primor de perfeição artística na poesia que o enforma, senti uma grande saudade do médico e cantor de Fornos de Algodres, cuja voz encheu de encanto os tempos áureos que, no meu caso, há muito se foram embora.

Foi, por isso, que hoje dei graças a Deus para através do meu "blog" ter-me dado ainda tempo de me lembrar deste cantor de Coimbra e de o fazer lembrar, numa homenagem sentida em que, a gravação denotando o tempo, é - segundo a minha opinião - uma mais valia que torna mais fidedigna a voz de António Menano que nesta composição poética e sonora - O BEIJO - se enquadra naquela moldura em que as ondas da praia, por terem visto que naquele beijo dado a sós e a medo, ia inteiro e puro um sentimento de amor...

E foi, por isso, que de onda em onda passando, beijos dados assim deviam encher o mar da vida!

quinta-feira, 16 de março de 2017

Tenho para mim, que...

http://www.sapo.pt/
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No dia 30 de Novembro de 2004 - como o tempo passa! - o Presidente da República, Jorge Sampaio demitiu o governo maioritário de Pedro Santana Lopes, cometendo com esta atitude um facto político que levou ao poder um governo do Partido Socialista que foi liderado por José Sócrates.

Vem, agora, o desalojado de um cargo que obtivera pelo abandono de Durão Barroso, dizer que a "banca e empresários" estiveram na génese do "golpe palaciano" levado a cabo por Jorge Sampaio, o que não deixa de ser uma afirmação critica e dura, mas  que faz luz num dos momentos mais obscuros da nossa vida democrática, que valha a verdade, com a mudança de governo de nada beneficiou Portugal.

Tenho para mim, que não valeu a pena e aquele passo que deve figurar nas memórias mais recentes como algo só explicável por uma razão de peso... e se essa razão é a que aponta, agora, Santana Lopes, o Presidente da República, Jorge Sampaio cedeu a quem não devia ter cedido, pelo que, - eu, que na altura fiquei perplexo - exijo como simples cidadão que a História ponha a claro os motivos ponderosos que existiram para que o governo de Santana Lopes tivesse sido expulso da governação apenas com cinco meses de governo, ou seja, durante um tempo em que este ainda se estava a "organizar a casa"... e a que faltou o tempo de o fazer.

"Estão Podres as Palavras"...




"ESTÃO PODRES AS PALAVRAS"...

Estão podres as palavras – de passarem
por sórdidas mentiras de canalhas
que as usam ao revés como o carácter deles.

E podres de sonâmbulos os povos
ante a maldade à solta de que vivem
a paz quotidiana da injustiça.

Usá-las puras – como serão puras,
se caem no silêncio em que os mais puros
não sabem já onde a limpeza acaba
e a corrupção começa? Como serão puras
se logo a infâmia as cobre de seu cuspo?

Estão podres: e com elas apodrece o mundo
e se dissolve em lama a criação do homem
que só persiste em todos livremente
onde as palavras fiquem como torres
erguidas sexo de homem entre o céu e a terra.

Jorge de Sena
30 de Dezembro de 1972
in, “Textos da Língua Portuguesa” da Didáctica Editora


"Estão podres as palavras"...


Tristemente, Jorge de Sena,  engenheiro civil de formação académica, não tardou em dar-se conta da banalidade e pequenez do quotidiano que se vivia no Portugal de Salazar a que se juntavam a intriga do meio literário, a opressão política, a censura que redundava num mau ambiente de trabalho que frustrava os mais afoitos, circunstâncias que a sua obra retrata e lhe tornou difícil a vida de cidadão e escritor a que acresceu o facto de não se ter tornado sócio de qualquer tertúlia académica, sofrendo com isso a falta de apoio que se tornou definitiva com a sua participação numa tentativa revolucionária em 12 de Março de 1959.

Exilou-se no Brasil, mas bem cedo concluiu, pelas saudades de Portugal não ter encontrado um exílio libertador ali ou na estadia que teve nos Estados Unidos, o que constituiu um estado de alma que o atormentou até a final da vida cujo fim ocorreu em 4 de Julho de 1978, tendo a justiça que lhe era devida do Portugal que ele tanto amou apenas se ter feito sentir no ano de 2009 com a trasladação dos seus restos mortais para o Cemitério dos Prazeres.

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"Estão podres as palavras"...

Tristemente, se Jorge de Sena sentiu que no tempo da ditadura do Estado Novo estavam podres as palavras, muitas das palavras de hoje assim parecem continuar, apesar de vivermos uma Democracia, mas em que há palavras que continuam a cair no silêncio em que os mais puros não sabem  já onde a limpeza acaba...

Eis, porque, o Poeta - como foi Jorge de Sena - é um artista intemporal cujas palavras devem merecer dos homens toda a atenção, não deixando de ser irónico o facto de andarmos, ainda, a procurar o modo de dar às palavras a pureza que elas deviam ter.

Quando acontecerá que deixaremos de dizer: "Estão podres as palavras"... e estas fiquem como torres erguidas - como o quis Jorge de Sena - a mostrar aos homens a verticalidade que vinda do céu assim devia continuar na terra ... no mundo dos homens?

quarta-feira, 15 de março de 2017

Prazos...


Defendo - sem qualquer objecção - que quem acusa tem de provar com provas irrefutáveis a acusação que faz e não como antigamente se fazia em que o acusado ficava sujeito ao poder discricionário do acusador.

Chama-se a isto, um avanço civilizacional a nível europeu.

Entendo, porém, que se deva dar ao acusador todo o tempo dentro do razoável - ou a sua prorrogação - tendo em conta o litígio, porque limitar o tempo ao acusador pode gerar uma perversão que venha a redundar em favor do acusado e, então, pode acontecer o beneficio do infractor em detrimento da lei que é preciso observar, dando-se ao acusado motivos de chamar a si - como atenuante - o facto do tempo acusatório ter acabado.

Bem sei que é um assunto delicado, mas não se pode dar todo o tempo ao acusado para bradar a sua inocência e limitar o tempo ao acusador, pelo que o legislador que está no cimo da pirâmide, em face do litígio, sem limitar "ad eternum" o seu desfecho devia impor um tempo razoável - não sujeito a delongas que pareçam sofismas - mas, que pusesse em igualdade de tempos o acusado e o acusador.

Não havia necessidade!


Não havia necessidade do Presidente da República se ter pronunciado, hoje, sobre o problema do Montepio... até porque, 

http://observador.pt/2017/03/14

Palavras do Presidente do Conselho de Administração do Montepio.

E, mais isto:
http://www.jornaldenegocios.pt/

Pelo que, se o supervisor desta Associação Mutualista é o Ministério do Trabalho e o detentor da pasta ministerial Vieira da Silva admite que os problemas estão "em níveis confortáveis", por que razão teve o Presidente da República, de acordo com a LUSA - deste mesmo dia -  de nos vir dizer que a estabilização da banca "está a ser feito por pequenos passos".

Mas, então, o Presidente da República é membro do governo?
Não, Senhor Presidente: Não havia necessidade... até,porque, o supervisor já tinha emitido a sua opinião. Disse e chegou.
Por isso, me pareceu a mais a palavra do Presidente da República.
o havia necessidade!

É a minha opinião.

Naturalmente, velha demais... mas, penso, que tenho - pelo peso dos anos - o dever moral de não fazer calar o meu direito de discordar sem ofender, que é um hábito que o meu berço beirão me deu e de que jamais prescindirei!

segunda-feira, 13 de março de 2017

Há duas coisas...


Há duas coisas que me surpreendem: a inteligência das bestas e a bestialidade dos homens.
T. Bernard

domingo, 12 de março de 2017

Lembrando um sábio aviso de Jesus Cristo!

 

A Semana Nacional Cáritas - preenche, este ano os dias 12 a 19 de Março sob o tema "Família Construtora da Paz" - na prossecução de um evento realizado anualmente na semana que antecede o Dia Nacional Cáritas, assinalado no terceiro Domingo da Quaresma, levando a todo o País uma semana de reflexão sobre a acção social conducente "ao bem comum" na linha caritativa da Doutrina Social da Igreja que vai beber na Fonte evangélica de Jesus Cristo, que um dia ao falar sobre a "Parábola do Administrador Sagaz", concluiu o ensinamento do seguinte modo:

É que os filhos deste mundo são mais sagazes que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes. (Lc 16, 8)

Vem isto a propósito de, na semana passada ter sido noticiado que a Cáritas Diocesana de Lisboa (CDL) tinha 2,1 milhões de euros em depósito bancário, verba robustecida com milhares de euros investidos em obrigações, além bens imóveis, como se qualquer Instituição - desde os partidos políticos às entidades civis - não tivessem de ter o vulgarmente chamado "pé de meia" para poder acudir a sobressaltos futuros.

Um facto comum, inclusive, a qualquer cidadão sensato.

Tenho para mim que esta notícia posta a correr uma semana antes da realização da Semana Nacional Cáritas - hoje começada - como diz o povo "tem água no bico", ou seja, insere-se naquele conceito explicitado por Jesus Cristo de que os filhos deste mundo são mais sagazes que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes, pelo que o pretendido foi por em causa a obra meritória da Cáritas Diocesana de Lisboa, precisamente, na semana em que a nível nacional esta Organização da igreja  leva a efeito a realização do seu peditório anual.

Não nos deixemos enganar.

E quem tem o coração grande e sente que nesta Obra está reflectida a acção social que  a Igreja presta às pessoas - crentes ou não - continuem nesta semana a contribuir com aquilo que puderem em favor dos mais necessitados que a Cáritas protege, seja a de Lisboa ou de uma outra qualquer Diocese, e passem por cima da notícia que surgiu na hora exacta, parecendo filha ilegítima de umas certas sombras que querem toldar os olhos aos filhos da luz, que não podem esquecer que aqueles que o não são, mas sendo mais sagazes - ou seja, cheios de astúcia, os queiram "levar à certa", para utilizar um velho e estafado português arcaico.

Vamos, pois, nesta semana, esquecer a notícia.

E vamos ajudar a CDL - Instituição a que nada me prende - que não seja o meu estatuto de cidadão que pela Graça de Deus se assume como católico praticante à Luz de Jesus Cristo e à luz da sua conversão à aragem nova que recebeu através do Concílio Vaticano II que no documento "Lumen Gentium" (Luz dos Povos) no número 10 da Cap. I diz assim sobre o sacerdócio comum dos baptizados, como eu:

Cristo Nosso Senhor, Pontífice escolhido de entre os homens (cfr. Hebr. 5, 1-5), fez do novo povo um «reino sacerdotal para seu Deus e Pai» (Apor. 1,6; cfr. 5, 9-10). Na verdade, os baptizados, pela regeneração e pela unção do Espírito Santo, são consagrados para serem casa espiritual, sacerdócio santo, para que, por meio de todas as obras próprias do cristão, ofereçam oblações espirituais e anunciem os louvores daquele que das trevas os chamou à sua admirável luz (cfr. 1 Ped. 2, 4-10). Por isso, todos os discípulos de Cristo, perseverando na oração e louvando a Deus (cfr. Act., 2, 42-47), ofereçam-se a si mesmos como hóstias vivas, santas, agradáveis a Deus (cfr. Roma 12,1), dêem. testemunho de Cristo em toda a parte e àqueles que lha pedirem dêem razão da esperança da vida eterna que neles habita (cfr. 1 Ped. 3,15).

É este o espírito que acolhe a acção de "bem-fazer" a que nos chama nesta semana a Cáritas Portuguesa no seu todo e localmente, na cidade de Lisboa, para que a obra de ajuda aos mais nessecitados possa continuar por cima do olhar dos filhos do mundo, que se não o foi, parece, escolheram a hora para o ataque que só pode passar desapercedido àqueles que por omissão se dispensam de pensar neste assunto.

Não a mim, pelo que exponho.

sábado, 11 de março de 2017

Cada criança ao nascer...


Cada criança ao nascer traz-nos a esperança que Deus ainda não perdeu a confiança nos homens.
Rabindranath Tagore
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Profundo como sempre foi, este Poeta místico de Calcutá é, possivelmente dos autores indianos mais citados pelo Cristianismo, tendo sido um destacado representante da cultura hindu que lhe mereceu - nos tempos em que o Prémio Nobel não era politizado - tê-lo recebido em 1913. 

Toda a sua mística humana e sensorial está plasmada neste belo pensamento em que toda a criança que nasce é uma oferenda de Deus e só resta ao homem entendê-la assim, respeitando-a e amado-a, vendo nela todo o acrisolado Amor de Deus pela Humanidade.

A falsa ciência...


A falsa ciência cria os ateus, a verdadeira, faz o homem prostrar-se diante da divindade.
 Voltaire
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Li várias vezes este pensamento de Voltaire e fiquei com uma certeza: 

O filósofo foi, apenas, um homem anticlerical e, por certo, cheio de razão. No resto ele foi um pensador atento ao Mistério de Deus e da espiritualidade que vinha d'Ele como vem a brisa ou o temporal dos dias.

D. Pedro V - Um Rei exemplar!


Conta a História de Portugal que o Rei D Pedro V exerceu o seu curto reinado entre os anos de 1855 a 1861, pela demonstração do seu amor humano pelos pobres e doentes vítimas da cólera amarela que então se fez sentir e cujas pacientes visitava assiduamente nos hospitais e cuja doença contraiu.

Mereceu o cognome de "O Esperançoso" porque foi no seu reinado que tomou forma a Regeneração de Portugal com a entrada na modernidade de que são exemplos a inauguração do telégrafo e do caminho de ferro.

No Cap. XVI do livro "Rei Santo (D. Pedro V" que o autor Rocha Martins intitulou "O Ofício do Rei", num dado passo o monarca tecendo um diálogo com o general D. Carlos de Mascarenhas, ao focar o assunto que lhe merecia a sorte dos desvalidos e da qual era seu desejo sentir o peso dos martírios que sofriam, no livro citado, Rocha Martins estabelece este diálogo:
- Foi por isso que mandei colocar além no portão (do Palácio das Necessidades) as duas caixas...
- Que caixas, meu senhor?
- Aquelas onde o povo deve lançar as suas petições.
- Vossa Majestade fez isso?
- Sim!
- Mas...
- O quê?!
Segue a descrição e diz o autor que o pobre general quase sufocado, passando a mão trémula pelo bigode murmurava;
- Mas... mas... o que vai suceder... que de cosas... meu senhor...
- Já sei (responde o rei) ... vão admirar-se... A corte!
- Meu senhor, sois o rei!...
- E então?
Quase desesperadamente o velho bradou:
- Sois o rei e eu um súbdito leal, um antigo soldado, um fiel servidor...
- Eu o rei!...
- Vossa Majestade já pensou em que toda essa gente se lhe vai queixar?!
- General!...
A sua voz torno-se áspera e o seu olhar mais duro:
- General, ninguém se queixa sem razão! Ninguém esmola só por esmolar!...
- Vossa Majestade não conhece ainda os homens, perdõe vossa majestade, mas...
Com um gesto o rei atalhou:
- Conhecer os homens!... Queres dizer que no fundo da alma humana vive o mal!
-O embuste...
- Oh!... Não sei então como os homens são formados! Não si também que muitas injustiças se praticam!"
Gravura inserta no Livro de Rocha Martins (1º volume) 
onde são visíveis as duas caixas de pedidos ou reclamações do povo.


Diz-lhe, ainda, o general: 

- Vossa Majestade quer então atender as desgraças!
- Quero fazer justiça.
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- A justiça é o único prazer dos reis!...
- E mesmos dos súbditos, real senhor, volveu o general com lágrimas na voz. Vossa Majestade deu-me agora a maior lição que é possível dar-se a um velho (...)

E Rocha Martins na continuação do livro até ao ponto em que ante o olhar estufefacto do velho general, o rei D. Pedro V, exibiu as duas caixas de reclamações e pedidos, abrindo-as com chaves que retirou e uma corrente de que só ele dispunha para ter a certeza do que o povo lhe fazia chegar.
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Modernamente, os Chefes de Estado da República Portuguesa -  ao disponibilizarem por via electrónica um meio de poderem ser contactados - mais não fazem que seguir o exemplo das duas caixas de reclamações que o Rei D. Pedro V inaugurou - com a diferença substancial de não serem eles que em primeira mão abrem o correio.

Prova isto que a figura do Rei na pessoa de D. Pedro V deu uma lição à República do nosso tempo, que a aprendeu... e fez muito bem.

"O Presidente dos afectos"...


O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, não devia ter consentido que a esquerda totalitária - que engloba, hoje, este Partido Socialista esquecido da sua matriz de motor e eixo central da Democracia Portuguesa o tivesse cognominado de "Presidente dos afectos", até por não precisar desse trato, porque ele por si mesmo vale, sem cognomes deste ou doutro jaez.

Lamento que Marcelo Rebelo de Sousa se tenha deixado embarcar nesta onda obtusa, confusa e sem créditos uníssonos quanto ao que é preciso fazer, politicamente, para salvar Portugal da perda de valores identitários que nos distinguiam no concerto das Nações europeias, cavalgando-a todos os dias, muitas vezes a justificar factos que apenas pertenciam ser cuidados de quem governa, para desse modo ficar livre de compromissos.

Vai sendo tempo do Presidente da República que foi eleito pela maioria dos portugueses ser uma referência de todos e não de uma parte política encostada ou a gerir  o poder que se acolhe nele para denegrir a outra parte, como actualmente acontece na Assembleia da República, a fazer lembrar os tempos sombrios da I República.

Vai sendo tempo do Presidente da República colocar  "os pés no chão" e entender que a lei da vida - parlamentar ou não - não deve fazer-se com despropósitos e faltas de respeito humanos. porque muito do que está a acontecer se deve ao facto da esquerda acoitada na "geringonça" sentir que tem nele as "costas quentes".

Lamento criticar esta ilustre figura, mas os meus muitos e velhos anos não estão a ver em Marcelo Rebelo do Sousa a isenção que mereceu o meu voto, o que hoje, não acontece.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Ter bom humor...

http://rr.sapo.pt/
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A Caixa Geral de Depósitos vai despedir 2218 postos de trabalho e encerrar 181 balcões!

Valha-nos, ao menos o bom humor do Presidente da República que em tudo vê motivos de alegria como se Portugal vivesse no melhor dos Mundos!

Ter  bom humor é uma qualidade, mas há momentos em que, tê-lo, é iludir... e, então, transforma-se num defeito!

Quem busca a felicidade...


Quem busca a felicidade fora de si é como um caracol em busca da sua casa.
C. Vigil

Podemos...


Podemos converter alguém pelo que somos, nunca pelo que dizemos.
Sacha Guitry

É triste viver...


É triste viver numa época em que é preciso lutar por coisas evidentes.
F. Durrenmatt

quinta-feira, 9 de março de 2017

Parabéns... mas...


O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa cumpre hoje o seu primeiro ano de mandato.

Reconheço que tem sido diferente dos demais Presidentes que tivemos depois do 25 de Abril, tendo dado à Instituição presidencial uma aragem que nunca houve, mercê do seu prestígio académico e dos seus afãs jornalísticos e de comentador da política nacional.

Parabéns... mas... penso eu, Marcelo Rebelo de Sousa tem exagerado numa faceta.
  • Ter-se colado por demais a António Costa e ao seu governo arranjado a "trouxe-mouche", um facto que levou, hoje, o empreendedor desta façanha desusada a dirigir-lhe encómios  que "cheiram" a uma "palmadinhas nas costas"...
Parabéns - sobretudo pela efeméride assinalar mais um ano de vida - mas... eu chamo a atenção ao Presidente da República, para o seguinte:
  • Ser preciso - e urgente - que ele perceba a degradação da vida política de que é um exemplo o debate quinzenal do passado dia 8 de Março, na Assembleia da República.
  • O abastardamento do clima institucional com os ataque ao Banco de Portugal e ao Conselho de Finanças Públicas, duas entidades independentes que o poder constituído que domesticar.
  • Que a proibição recente da conferência do politólogo e historiador Jaime Nogueira Pinto, só aconteceu porque uma certa esquerda se sente com força para amordaçar a palavra que sente, não se colar com a sua.
E isto é preocupante com o ressurgimento das Reuniões Gerais de Alunos (RGA)a a fazer lembrar os tempos conturbados e déspotas que eclodiram contra a Revolução de Abril, mas que a coberto dela fizeram tropelias que nõ se desejam voltem a acontecer.

Faz pena!


Faz pena e é preocupante que os actuais dirigentes nacionais do Partido Socialista (PS "embebedados" pelo poder - ainda não tenham tido tempo de tirar as ilações que se impunham da sua derrota eleitoral de 4 de Outubro de 2015 - e façam que um Partido tão importante da Democracia Portuguesa ande de braço-dado com a ideologia dos partidos da extrema esquerda portuguesa.

E, se, como diz o povo "diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és" - eu que nos tempos áureos da nossa caminhada democrática votei no PS ao ver o perigo estalinista - hoje, faz-me pena que por causa "de um prato de lentilhas" se tenham "mandado às malvas" os princípios da liberdade que faz que não vivamos acorrentados.

O PS acorrentou-se a si mesmo... e faz pena!