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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Jantar da Web Summit no Panteão Nacional




Ninguém - desde  os responsáveis executivos ao nível da governação dos dois últimos governos aos que executaram este jantar anómalo estão isentos de culpas - faltando-lhes aquele dom que só existe nas almas que fazem da espiritualidade que percorre a vida, assim vivida, em todos os seus caminhos, o dom sublime da humildade para reconhecer o erro, ou seja, a virtude que se opõe à soberba, irmã gémea da sobranceria que tem o mau costume de levar o homem a sobrenadar por cima do orgulho que lhe dá a falsa impressão de estar acima de todos e de tudo.

Assim aconteceu, aqui.

Declaro que sinto uma grande mágoa por ver, como vejo, Portugal abandonado à sua sorte madrasta, mas não deixo de constatar que a lei que tal permitiu veio do governo anterior e a acção que a fez valer como se fosse uma lei virtuosa se ficou a dever ao actual governo, permitido que ali, onde repousam VULTOS GRANDES DA HISTÓRIA DE PORTUGAL , os vultos pequenos hajam permitido que junto do seu repouso tumular se haja permitido aquela festa, ao arrepio do respeito histórico que nos merecem os que ali repousam e que, parafraseando Luís de Camões, são: 

Os que por obras valorosas se libertaram da morte 

São esses, os que ali repousam e cuja memória pela obra que fizeram em honra do Portugal que serviram, não deviam ter merecido tal enxovalho.

sábado, 11 de novembro de 2017

Foi uma pouca vergonha!



Depois de o primeiro-ministro António Costa considerar a utilização do Panteão para eventos festivos "absolutamente indigna", surge um vídeo do controverso jantar em que o promotor da Web Summit releva ter falado com um "ministro", sendo "a primeira vez" que ali se realizava um jantar.

O ministro da Cultura, Castro Mendes, assumiu que "estranhou" a refeição ter ocorrido no monumento e a verdade é que no vídeo Paddy Cosgrave não especifica com que "minister" falou. O termo "minister", nos países anglo-saxónicos, pode ser utilizado para ministros ou para secretários de Estado, não deixando de expor que o governo estaria ao corrente da situação
in, www. sapo.pt de 11 de Novembro de 2017
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Foi uma pouca vergonha a realização do jantar de encerramento do evento de Web Summit no Panteão Nacional onde repousam figuras mais gradas da História de Portugal.

É verdade que que o despacho que tal autorizava existia e é anterior ao actual governo, mas governar é antever e agir de acordo com os sentimentos da Nação, sobretudo, numa área sensível desta natureza, pelo que vir agora António Costa dizer que tal atitude que ali se materializou foi "absolutamente indigna" - sendo ele o chefe do governo, prova que tal jantar e naquele lugar lhe passou ao lado, o que é absolutamente indesculpável por tal se ter realizado ao arrepio das autoridades públicas que estão sob a sua alçada.

Prova isto que este governo "governa à vista" e age depois do mal feito, pelo que vir agora insurgir-se fica-lhe mal, fazendo lembrar o velho e estafado rifão popular - é chorar sobre o leite derramado - porque o mal está feito e para que tal não acontecesse deviam ter sido tomadas as preocupações necessárias, o que não aconteceu.

Foi uma pouca vergonha, quando, afinal, a fazer fé na noticia o fundador da Web Summit, Paddy Cosgrave não deixou de expôr que o governo estaria ao corrente da situação.

E não digo mais nada.
Sinto-me envergonhado da falta de respeito pelos vultos ali depositados:
  • Almeida Garrett (1799-1854), escritor e político;
  • Amália Rodrigues (1920-1999), fadista;
  • Aquilino Ribeiro (1885-1963), escritor;[7][8][9]
  • Eusébio da Silva Ferreira (1942-2014), futebolista;
  • Guerra Junqueiro (1850-1923), escritor;
  • Humberto Delgado (1906-1965), opositor ao Estado Novo;
  • João de Deus (1830-1896), escritor;
  • Manuel de Arriaga (1840-1917), presidente da República;
  • Óscar Carmona (1869-1951), presidente da República;
  • Sidónio Pais (1872-1918), presidente da República;
  • Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), escritora;
  • Teófilo Braga (1843-1924), presidente da República
Se eles pudessem ter-se-iam levantado dos túmulos e teriam corrido a chicote todos os que, sem culpa, comiam naquele local de memória pátria e honra de alguns dos seus maiores, um jantar à sua sombra tumular e todos aqueles que tal permitiram, porque, por certo, Paddy Cosgrave e todos os outros convidados não estavam ali sem a autorização devida.

Foi uma pouca vergonha!

Deus: Ninguém, jamais, definirá o seu Mistério!


Capela Sistina: Criação do homem

DEUS: Ninguém, jamais, definirá 
O SEU MISTÉRIO
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Aqui, há dias, encontrei numa arrumação de papéis antigos e outras notas que fui coligindo ao longo dos tempo esta descrição de Deus de que lamento não saber o autor, mas certo que ela é uma entre muitos milhões de escritos dos homens de todos os tempos que se têm afadigado na procura de entender Deus, o PAI ETERNO.

Fica aqui, com a transcrição ipsis-verbis que me foi dado fazer, na certeza que tenho que devo a este "Autor Desconhecido" - para mim - um modo de apresentar Deus, possivelmente, de um parâmetro mais entendível ao homem comum, como eu, mas com tal acuidade que não pode deixar de ser um apontamento que tende a tornar a infinitude de Deus bem perto da finitude humana.

Eis o que diz o velho texto:

A noite, ao contemplar o céu repleto de estrelas, por mais indiferente que seja a pessoa, um olhar de curiosidade e admiração sempre aparecerá em sua face, deixando-a embevecida, insensivelmente mergulhada numa reflexão que convence o espírito, diante da imensidão do cosmo e da certeza de que todos aqueles corpos celestes foram colocados pela incomensurável sabedoria do PAI ETERNO, não para embelezar as noites terrestres, mas para cumprirem uma finalidade misteriosa no Universo Divino.

Da mesma forma, causa espanto e encantamento , o conhecimento do movimento harmonioso dos astros, individualmente e na relação de um com os outros: o permanente equilíbrio que existe entre eles, a correta obediência a uma trajetória, a atração que possuem em função da gravidade e a influência que exercem nos astros mais próximos, inclusive determinando condições de vida. 

Um grande mistério que a ciência não consegue desvendar o princípio, apesar de todas as buscas e estudos científicos, dos esforços de especialistas e técnicos altamente credenciados, que propõem teorias baseadas em minuciosos argumentos oriundos de persistentes pesquisas, acompanhadas de profundos estudos para encontrarem uma explicação lógica que justifique o notável comportamento dos corpos celestes. Entretanto, os caminhos da ciência por mais completos e competentes que sejam, vão se afunilando gradativamente, convergindo para um resultado que embora estranho aos cépticos, surge com evidência, como solução racional aceitável e lógica, porque satisfaz a mente e dá consistência ao perfeito equilíbrio que existe na natureza, quando o raciocínio é conduzido à concluir que todos os astros, seus movimentos perfeitamente coordenados e suas trajectórias irreparáveis, tem origem no poder criador de DEUS.

Portugal: um País virado ao avesso!



in, "Observador" de 9 de Novembro de 2017
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Meu Portugal: estás virado ao avesso!

Eu bem sei que uma árvore não faz a floresta e, por isso, a afirmação do deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro - membro da Comissão Nacional do Partido Socialista - assim deve ser entendida. 

Vale o que vale... e vale muito pouco, porque ainda que diga que a "revolução bolchevique" de 1917 - que é a fautora de uma desgraça social nacional e internacional que nem o poder que gere a Rússia, neste momento, saudou - é segundo ele, ainda por cima, sociólogo, é a "mãe das revoluções" revela um olhar tão curto sobre a História do século XX, que nem merece avaliar, e deve ser esquecida como uma afirmação válida.

Esqueçamos, pois!

Outro tanto não devemos fazer com Jerónimo de Sousa que como diz o jornal online "organizou um grande comício no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, para assinalar a data", sendo pior que Putin, que passou ao largo daquela monstruosidade social que matou milhões de nacionais e em que Estaline foi déspota que não poupou nenhum adversário político, nem o povo que se lhe opunha, é algo que nos devia inquietar, porquanto:

  • Este comunista esqueceu-se que foi por pouco que os seus camaradas não impuseram em Portugal no advento da Revolução de Abril de 1974, um regime totalitarista de cunho soviético, ou seja, para impor ao povo português um nova ditadura em cima da  ditadura de onde havia saído.
  • Espanta, por isso, que tendo na altura o Partido Socialista liderado por Mário Soares imposto o seu querer e tendo ajudado - e de que maneira - Portugal a sacudir um novo jugo, neste momento, António Costa se ter valido do Partido Comunista Português para ter acedido ao Poder em 2015.

Não me posso esquecer!
Meu Portugal, porque motivo te viraram ao contrário?

Se o amor tivesse um preço...



quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Meu amor, vê se te ajeitas...



Não digas que me não amas...



Embora o que Deus nos deu...



Tu dizes que eu sou tua...



As cantigas são saudades...



Antero de Quental: uma alma que se buscou a si mesma!

Antero de Quental aos 22 anos, 
estudante de Direito na Universidade de Coimbra
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Antero de Quental foi uma personalidade complexa que o fez levar da euforia estridente ao mais desolador dos pessimismos e foi, possivelmente, dos homens mais válidos da Filosofia e Literatura Portuguesa do frutuoso século XIX, a par de ter sido um eminente defensor das ideias socialistas em defesa do operariado, porque erigiu para ele como um fim a atingir os ideais da fraternidade e solidariedade humana, atributos que não podiam existir em vão na nova sociedade que ele sonhava, tendo-lhe cabido a honra de ter sido dos primeiros vultos a colocar na ordem do dia o socialismo, o republicanismo e o marxismo para a discussão dos políticos do seu tempo no desejo que ela chegasse à discussão pública.

Muito jovem (19 anos) publica os seus primeiros sonetos, génese de uma Obra imensa onde expraiou todo o seu génio de grande Poeta a que se seguiu, quatro anos de depois a publicação das "Odes Modernas", uma colectânea de poesias onde ele reflectiu o humanismo que foi beber a Proudhon e onde não faltou a dialéctita hegeliana,  com o fim de romper em Portugal o sentimentalismo romântico para em eu lugar erigir um sentimentalismo socializante fundado - como ele queria - no fervor revolucionário de mais justiça social que lhe chegava de outros ares fora deste "cantinho à beira mar plantado" e, sobretudo, pela crença que os seus fervorosos 23 anos acalentavam.
Por isso, escreveu:


Evangelho Novo é a Bíblia da Igualdade
Justiça, é esse o tema do Sermão.
A missa nova, essa é a missa da Liberdade
E órgão a acompanhar… a voz da Revolução.

Em apenas quatro anos fugidios, mas vividos intensamente, em Antero de Quental, esse tempo bastou para ele ter deixado na gaveta os poemas inéditos escritos entre 1859 a 1863, que vieram a constituir o Livro "RAIOS DE EXTINTA LUZ" e que só vieram a público, postumamente, em 1892 pela mão de Teófilo Braga.

Eis, um exemplar dos seus poemas da juventude:

O Deus que me criou pôs-me no peito
Um tesouro tão rico de esperança,
Que não hã quem m'o roube ou quem m'o gaste;
E pôs-me n'alma fonte tão perene
D'aquelle Eterno-Amor, que de lá desce,
Que não há sol ou calma que m'a seque.

A fonte que nasceu em solo árido
Se um dia murmurou, morreu no outro;
Mas a que vem dos montes, que o Céu tocam,
Descendo lentamente e sem ruído,
Té que brota entre as flores da campina,
Essa não morre com a luz de um dia...
Fonte de puras aguas abundantes,
Traz do Céu sua origem. Lá se esconde,
Entre nuvens, o foco que a alimenta:
Eterna, como o Céu d'onde partira,
E serena, como ele, a paz e a vida,
Como ele, tem no seio e d'elle manam.

Assim d'aquelle amor. Constante e puro,
Que ardor ou calma ou sol pode secá-lo?
Que pó da terra conspurcar-lhe o brilho?

A maldade dos homens não te mancha,
Oh minha paz, oh minha pomba cândida!
Na terra o caçador te aponta a flecha,
E o tiro parte em vão. Como tocar-te,
Se tão alto voaste, e o dardo apenas
Mediu a meia altura que levavas?
A flecha caie na terra... ao Céu tu foges!

Vai pomba imaculada! irei contigo
Abrigar-me também no seio eterno,
Quando um dia o Senhor julgar que é finda
A missão que me deu de aqui servil-o.
Aqui fica-me a esp'rança que me alente,
Fica a luz que me guia, o Amor, a crença.

E foi Deus quem me deu o meu tesouro,
Como á ave que voa deu a pena,
Que a libra pelo espaço; e ao olho morto
Do ancião, a luz que aponta melhor mundo.

Na assembléa dos homens, se um, olhando-me
Disser — «Aquelle é rei» — irei prostrar-me
Diante do Senhor, abrindo o espírito
Á voz que dentro d'elle Deus murmura;
E Deus vendo-me puro na consciência
Dirá — «Ergue-te em paz: não és culpado» — !

Se sentir dentro d'alma alguma f'rida
Vertendo sangue e fel, em dor extrema,
Buscarei no Senhor o meu alivio:
E o Senhor, pondo um dedo sobre a chaga,
Dirá — «Fica-te em paz: estás curado» — !

Oh minha doce paz! por ti se cumpram
Os decretos do Eterno: tu me escuda
Dos tiros que a maldade em mim dispara;
A força do leão põe-me na mente,
A mansidão da pomba dentro d'alma.
Oh pomba ingénua, pomba imaculada,
Filha do Céu ao Céu voemos juntos
                                                       Janeiro, 1861.

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Não é minha pretensão - nem tal seria para este "blog" - traçar aqui, até porque isso está feito brilhantemente em muitos livros e outras publicações o perfil humano, social, político e literário do eminente filho de Ponta Delgada (Açores), mas tão só deixar como homenagem à sua memória este breve apontamento, deixando impresso, em primeiro lugar "o depois" de um tempo mentalmente mais amadurecido e que lemos nas "ODES MODERNAS" e "o antes" de uma juventude que traçava, então, loas à ideia Deus - que ele nunca abandonou  e vamos encontrar nos "RAIOS DE EXTINTA LUZ", escritos em ordem à sua educação católica e tradicionalista.

Sem ser esse o propósito desta "postagem" entendo, contudo, que não devo deixar de assinalar que no percurso de uma vida complexa, como foi a de Antero de Quental - como já se disse - morou um génio cuja alma andou de volta de si mesma à procura do Nirvana budista, em busca da libertação humana fundada na sua espiritualidade tendo como fanal a "cessação do sofrimento" até o ser atingir "um estado eterno de graça".

Sendo um ideal daqueles que estão para além dos simples mortais, este caminho fez que Antero de Quental percorresse um longo percurso mental de que podemos,em prol da sua verdade histórica, assinalar:

  • Niilismo -- doutrina da negação radical e absolutização do nada, que leva ao cepticismo e em política ao anarquismo com base na força da evidência.
  • Satanismo - um sentimento de revolta contra a divina ordenação das coisas.
  • Petrarquismo - Com base em Petrarca, este movimento tendeu a a fazer do tempo humano um reflexo da eternidade divina, exprimindo uma divisão entre o ascetismo e as seduções do mundo.
  • Realismo - Uma tendência do ser se conformar com a realidade considerando as coisas como elas são, pretendendo dar a noção exacta da realidade sem a modificar, idealizar ou deformar.
  • Panteísmo - Da palavra grega que significa "tudo é Deus" ao atingir diversas formas de interpretação se difundiu na Índia, ignorando a participação e a analogia dos seres, deixa de ter como referência a diferença entre o finito e o infinito.
  • Hegelianismo - Uma filosofia que intenta chegar à compreensão da realidade em três fazes: tese, antítese e síntese, sem haver lugar para um Deus transcendente, dando à História, aos Povos e aos Heróis o direito das formas sucessivas da Ideia ir "de per si" tomando consciência de si mesma.
  • Socialismo utópico - "Doutrina" que surgiu n o campo político-económico para visar a desigualdade entre as classes sociais, preconizando a supressão da propriedade privada dos meios de produção.
  • Metafísica - Esta disciplina da Filosofia pretendia ultrapassar o domínio da experiência e atingir o próprio ser e seus atributos essenciais por oposição às ciências positivas,arvorando-se como uma disciplina do inteligível.
  • Budismo - Com base em dois dogmas: reencarnação e libertação final, tentando descobrir aquilo que existe para além das aparências, superando paixões, ilusões e a dor, sendo a morte entendida como um renascimento (reencarnação) com o fim de atingir o Nirvana, a última etapa da existência.

Estou crente que Antero de Quental - pouco ou muito - viveu todas estas correntes do pensamento que influíram, sobremaneira, no seu estado mental e lhe formaram o génio do ser atribulado que ele foi e a par de nos ter deixado uma Obra imortal no campo da Poesia, nos seus maravilhosos sonetos, onde encontramos um pouco deste tudo que lhe preencheu a vida,desde o místico ao seu oposto, penso que o Budismo teve nele uma importância vital no campo da reencarnação.

Penei, isto, no momento em que há já uns anos me sentei no banco do Jardim do Campo de S: Francisco, em Ponta Delgada onde ele, com dois tiros de revólver acabou uma vida que durou, apenas, 49 anos e da qual muito havia ainda para dar a um Mundo social e artístico que ele encheu de prendas humanas que não devem ser esquecidas.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

As "cativações" que descativam...


in, jornal "Público" de 8 de Novembro de 2017
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Pois é!!!...

Quem queria dar cabo do Serviço Nacional de Saúde foi o anterior Governo liderado por Passos Coelho, de acordo com a "lábia" corrente de uma esquerda obtusa - entenda-se "romba" de análise criteriosa - quando, afinal, mantendo-o vivo com as dificuldades económicas que encontrou por causa, precisamente,  dessa esquerda obtusa, fez que Portugal pagasse um empréstimo de 78.000 mil milhões de euros para que o Estado executivo continuasse a manter os salários e a despesa pública. 

Pois, é!!!...

Valha.nos, ao menos, um jornal diário que ponha os "pontos nos ii" e nos venha dizer que os "Conselheiros do ministro da Saúde garantem que faltam mil milhões no SNS" , algo que não foge da observação do português que não faça da actual governação uma defesa a todos os títulos merecedora de não ser contrariada, porque tal não pode ser, nem com este ou com qualquer outro governo, tendo em conta que este, com as cativações que não cumprem o Orçamento aprovado tem descativado, por demais, o normal andamento das atribuições do Estado.

Penso, aliás, que não devia ser permitido que existissem cativações e, muito menos, que se não pagasse "a tempo e horas" aos que fornecem o Estado de bens indispensáveis ao seu funcionamento normal, porque a fazê-lo como tem sido feito - antes e, sobremaneira, agora - o que redunda é um mau exemplo para os cidadãos ao ver os responsáveis eleitos a governar "a casa" deixando para trás as dívidas que deviam ser saldadas a tempo e horas.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Devemos julgar...


Devemos julgar os homens mais pelas suas perguntas que pelas suas respostas.

Voltaire

Teus olhos são duas flores...



Perguntas sobre o SIRESP?


www. sapo.pt de 7 de Novembro de 2017
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Pelos vistos o Estado executivo adjudicou - de vez em 12 de Março de 2015 - pela pena do actual primeiro.ministro, António Costa a compra do SIRESP... que, afinal, não dá informação em tempo real de incêndios... 
Mas, então, para que serve o SIRESP?

Leiamos esta transcrição:

O SIRESP foi inicialmente adjudicado a um consórcio liderado pela Sociedade Lusa de Negócios (SLN) em 2005, por um valor de 538,2 milhões de euros. O despacho da adjudicação (estabelecendo uma parceria público-privada) foi assinado pelo então ministro da Administração Interna, Daniel Sanches, no dia 23 de fevereiro de 2005, ou seja, três dias após as eleições legislativas que resultaram na vitória por maioria absoluta do PS de José Sócrates. Daniel Sanches exerceu cargos de administração na SLN antes de ter sido ministro no Governo liderado por Santana Lopes.

Mas não foi o único despacho de Sanches relativo ao SIRESP. No “Diário da República” de 29 de março de 2005 foi publicado um novo despacho (assinado no dia 2 de março), através do qual Sanches conferia à secretaria-geral do Ministério da Administração Interna o estatuto provisório de entidade gestora do processo, de forma a ter poderes para a celebração do contrato com a sociedade operadora, isto é, a SLN, concorrente única.

Os dois despachos foram assinados por Daniel Sanches, nas funções de ministro da Administração Interna, numa altura em que o Governo estava em gestão corrente. O mesmo Daniel Sanches que exerceu cargos de administração na SLN (e em empresas do grupo como a Plêiade e a Esegur) ao longo de oito anos, até ser nomeado para o Governo de Santana Lopes.

O consórcio liderado pela SLN (no qual se incluíam a PT, a Motorola e a Esegur) foi o único que participou no concurso porque as outras quatro empresas (entre as quais a Siemens, a Nokia e a Elocom) convidadas pelo Governo (liderado por Durão Barroso) a apresentarem propostas desistiram logo na fase prévia. Em julho de 2003, o Governo convidou cinco empresas de telecomunicações a apresentar propostas para o negócio, mas apenas o consórcio vencedor remeteu um projeto. Depois de terem pago 15 mil euros pelo programa de procedimentos, os restantes participantes desistiram, alguns deles alegando que o concurso já estaria previamente decidido.


Após a tomada de posse do novo Governo, a 12 de março de 2005, António Costa assumiu o cargo de ministro da Administração Interna e decretou a nulidade da adjudicação do antecessor, com base num parecer da Procuradoria-Geral da República. Porém, decidiu mais tarde renegociar o contrato (incumbindo o seu “melhor amigo”, o advogado Diogo Lacerda Machado, dessa missão) com o mesmo consórcio liderado pela SLN, acabando por confirmar a adjudicação definitiva do SIRESP, embora por um valor ligeiramente mais reduzido: 485,5 milhões de euros, menos 52,5 milhões de euros do que o contrato assinado por Sanches.
                                                     in, Jornal Económico de 27 de Junho de 2017
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António Costa - como tem gostado de fazer como chefe do actual governo é reverter o que vem de trás porque só ele e aqueles que o acolitam têm a "varinha mágica" de por tudo a rolar em cima da linha -  e é, por isso, lendo esta noticia do "Jornal Económico" acima transcrita que aquilatamos que ele decretou a nulidade da adjudicação do antecessor, escudado na PGR - temos de o dizer em honra da verdade - renegociando o assunto!!!...para comprar mais barato, menos 52,5 milhões de euros... só que a fazer fé no que diz o actual Ministro da Administração Interna, o SIRESP não dá informação em tempo real de incêndios, como agora é concluído.

E as 110 pessoas que morreram e as centenas de casas destruídas. esquecendo a florsta ardida, não são um libelo acusador que se vira contra o SIRESP que falhou onde devia estar activo?

E ninguém é culpado?
Esta pergunta nasce de quem tem a alma ferida por ver o seu torrão natal em parte destruído, razão porque me apraz, ainda, perguntar:

Se é assim... se não serve para ser útil em tempo real de incêndios, porque se gastaram 485,5 milhões de euros na sua compra?

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Uma liberdade poética de Mário Quintana




Passageiro Clandestino

No porta-mala do meu automóvel
Levo um anjo escondido...
Quando chegamos a um descampado,
Ele sai lá de dentro, estende as asas, belas como a vitória
E aí, então, nos seus ombros, dou uma longa volta pelos céus da cidade...

Mario Quintana
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A este brasileiro do Rio Grande do Sul que tem nele um expoente literário de grandeza intelectual, em que a Poesia teve um papel preponderante na sua Obra, deve-se entre muitas belezas do seu lúcido pensamento este "Passageiro Clandestino", um tema inserido na liberdade poética de que, ao longo dos tempos milenares, os Poetas se têm servido para explanar os seus sonhos quiméricos, mas onde, sem deixar de existir uma esperança irrealizável, têm o condão de dizer a todos os homens que é possível, por vezes, sair fora da realidade... e sonhar...

Mas, quando preciso for, descer à terra e ter a noção da vida real, que é por aí que todo o homem deve construir a vida, como ele disse, um dia, nesta reflexão que nos devia inquietar, sobretudo, àqueles que vivem a vida por demais descuidados:

Não faças da tua vida um rascunho. Poderás não ter tempo de o passares a limpo.

Mas do rascunho de que ele fala, se houver sempre o propósito de o passar a limpo, "não deixando para amanhã o que podemos fazer hoje",  que nos momentos de lazer o homem de compraza e vá - Passageiro Clandestino - embarcado nas asas do seu anjo num desejo irreprimível de ver de cima os telhados da sua cidade, que a vida também se vive dos sonhos que vamos tendo!

domingo, 5 de novembro de 2017

XXXI Domingo Comum - Ano A - 5 de Novembro de 2017



Evangelho segundo S. Mateus 23, 1-12


Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos,disse: Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés.  Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem.  Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo.  Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens, por isso trazem largas faixas e longas franjas nos seus mantos. Gostam dos primeiros lugares nos banquetes e das primeiras cadeiras nas sinagogas.  Gostam de ser saudados nas praças públicas e de ser chamados rabi pelos homens.  Mas vós não vos façais chamar rabi, porque um só é o vosso preceptor, e vós sois todos irmãos.  E a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus.  Nem vos façais chamar de doutores, porque um só é o vosso doutor, o Messias.  O maior dentre vós será vosso servo. Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado.


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Sem qualquer alarde de Teologia - que é uma ciência que me passa muito longe - devo, contudo, fazer ressaltar o versículo nº 10 desta leitura, onde se diz: Nem vos façais chamar de doutores,  porque um só é o vosso doutor, o Messias, e isto é dito com todo o sentido, porque da boca de Jesus nunca saíram palavras dúbias, para nos fazer sentir que na Igreja, todos os homens, como está dito neste texto somos todos irmãos.

Razão, porque, desde que me conheço com algum conhecimento das Leituras Sagradas, a frase do versículo 10 que o Apóstolo S Mateus captou e deixou escrita para a eternidade, sempre me fez impressão o facto dos títulos académicos em vez de ficarem à porta da Igreja entram dentro dela, cerimoniosamente, quando Jesus ao desejar que todos nos sintamos irmãos numa igualdade de sentimentos e tratamentos sociais, sentenciou:

Nem vos façais chamar de doutores, 
porque um só é o vosso doutor, o Messias.

sábado, 4 de novembro de 2017

Não. Dessas palmas eu não gosto!


Gosto de ouvir palmas sempre que elas traduzem o modo genuíno, sincero e leal duma expressão de alegria contagiante que faz bem à alma,

Dessas palmas eu gosto.

Das que ontem ouvi na Assembleia da República vindas da bancada do Partido Socialista, depois da aprovação na generalidade do Orçamento de Estado que se vira mais para contentar e "acorrentar" aqueles que dependem do Estado cativando os seus votos, do que para os privados, dessas palmas eu não gosto por traduzirem um sentimento oposto às palavras iniciais deste apontamento.

Penso isto, porque senti que naquela casa respeitável se faltou ao respeito aos parlamentares que votaram contra, sendo para eles aquelas palmas, alardeando uma má educação, como se eles não tivessem o direito de terem discordado e terem dito que este Orçamento "é mais do mesmo", ou seja, um modo de contentar os empregados do Estado e menos - muito menos - os da iniciativa privada e, sobretudo, a continuidade de não haver as reformas estruturais que possam aliviar a carga fiscal encapotada nos aumentos indirectos e quejandos e consequentemente, destinadas a aliviar a enorme dívida pública que está pendente em cima da cabeça de cada cidadão.

Não. Dessas palmas eu não gosto!

"O ouro" - um conto para a Infância, de Guerra Junqueiro



O ouro

Era uma vez um rei, que, tendo achado no seu reino algumas minas de ouro, empregou a maior parte dos vassalos a extrair o ouro dessas minas; e o resultado foi que as terras ficaram por cultivar, e que houve uma grande fome no país.

Mas a rainha, que era prudente e que amava o povo, mandou fabricar em segredo frangos, pombos, galinhas e outras iguarias, todas de ouro fino; e quando o rei quis jantar mandou-lhe servir essas iguarias de ouro, com que ele ficou todo satisfeito, porque não compreendeu ao princípio qual era o sentido da rainha; mas, vendo que não lhe traziam mais nada de comer, começou a zangar-se. Pediu-lhe então a rainha, que visse bem que o ouro não era alimento, e que seria melhor empregar os seus vassalos em cultivar a terra, que nunca se cansa de produzir, do que trazê-los nas minas à busca do ouro, que não mata a fome nem a sede, e que não tem outro valor além da estimação que lhe é dada pelos homens, estimação que havia de converter-se em desprezo, logo que ouro aparecesse em abundância.

A rainha tinha juízo.
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A este grande homem das Letras Portuguesas, um transmontano de gema que ficou conhecido literariamente por Guerra Junqueiro e que os seus pais sonharam destiná-lo para abraçar a carreira eclesiástica - que longe estavam de tal vir a acontecer! -  deve a Literatura Portuguesa o inestimável trabalho "CONTOS PARA A INFÂNCIA" cuja aparição ao público resultou do facto de Portugal - em meados do século XIX - se encontrar social e economicamente num estado deplorável, mercê de uma política fraudulenta levada a cabo por homens corruptos, para os quais as crianças de pouco ou nada contavam e, por isso, eram relegadas para um abandono social e cultural 

Constatando esse facto, o tema das crianças  é uma constante em toda a produção literária de Guerra Junqueiro, por causa do seu esquecimento a vários níveis, e isto bastou na sua consciência para ele lhes ter dado a importância da sua formação integral, tendo em conta a construção de um Portugal mais consentâneo com a Europa.

Embora muitos dos contos deste livro não sejam integralmente da sua autoria, mas sim, adaptações de contos tradicionais da sua Província transmontana, e outros,  o que Guerra Junqueiro nos legou foram flores de amor para as mães recitarem à noite no momento de adormecerem os seus filhos, constituindo, para além de importantes meios pedagógicos de formação mental das crianças, um motivo que levou o feliz autor a falar deste modo no  Prefácio do livro:

A alma de uma criança é uma gota de leite com um raio de luz.
Transformar esse lampejo numa aurora, eis o problema.
A mão brutal do pedagogo áspero, tocando nessa alma, é como se tocasse numa rosa.
Para educar as crianças é necessário amá-las. As escolas devem ser o prolongamento dos berços. Por isso, os grandes educadores como Froebel, têm uma espécie de virilidade maternal.

Eis, porque, nestas reflexões a abrir a Obra dedicada aos mais pequenos, o grande homem das Letras Portuguesas não desdenhou de escrever para elas estes ramalhetes de flores olorosas, pondo em cada um deles a sua alma de Poeta e de pedagogo, num tempo em que, em Portugal, poucos se importaram das crianças abandonadas por um Poder obsoleto, ridículo e coxo de valores sociais.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

A "Esfolhada" de "As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis


Tela de Roque Gameiro
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Passaram os meses de Setembro e Outubro em que, tradicionalmente, se fazem as esfolhadas - ou descamisadas - em que se procede à retirada das camisas louras que defendem as espiga do milho no tempo do seu amadurecimento e da canícula.

Como nenhum outro escritor português o tivera feito até então e até aos dias de hoje  tal não aconteceu, coube a Júlio Dinis no seu famoso e formosos romance "As Pupilas do Senhor Reitor", escrever esta cena deliciosa em que era - e ainda é - hábito, reunirem-se ao serão, nas aldeias portuguesas onde ainda restam as esfolhadas, todos os seus habitantes, trocando entre si mesmos estes serões de ajuda comunitária que são sempre um motivo de festa, e onde cada um dos circunstantes anseia ser o primeiro a encontrar a espiga de milho vermelho a que ancestralmente se dá o nome de "milho-rei."

Júlio Dinis relata esta festa popular no Cap. XXIX. começando por dizer: A esfolhada fez-se na eira espaçosa e desafogada de José das Dornas, - pai do Pedro e do Daniel,que era como ele o descreve a abrir o romance - um lavrador abastado, sadio e de uma tão feliz disposição de gênio, que tudo levava a rir; mas desse rir natural, sincero e despreocupado, que lhe fazia bem, e não do rir dos Demócritos de todos os tempos - rir céptico, forçado, desconsolador, que é mil vezes pior do que o chorar - terminando a descrição da esfolhada depois de a situar, afirmando que ela se fez numa - formosíssima noite de luar claro como o dia. O ser alumiado pelo luar é uma circunstância que redobra o valor da festa.

Foi no seu decorrer que irrompeu o grito alegre: 
- Milho rei! milho rei! milho rei!
E a pena de Júlio Dinis, cheia do colorido dos campos do norte de Portugal que ele pintou e enalteceu primorosamente descreve assim aquela cena que pôs em alvoroço todo o arraial:
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Aquele grito partira de José das Dornas, que fora o primeiro a cujas mãos concedera a sorte, enfim, uma espiga vermelha.
A festa mudou súbita e completamente de caracter.
À exclamação do lavrador respondeu grande alarido na assembleia. De todos os lados se pedia o cumprimento da lei da esfolhadas. Cabia pois a José das Dornas fazer a primeira distribuição de abraços.
O alegre lavrador não se fez rogar.
Seguiu-se então um espectáculo iminentemente cómico. José das Dornas ergueu-se do lugar onde estava para correr um por um, todos os outros, e, com profusão de abraços, dar o exemplo de observância à lei reguladora da festa.
Todo este cerimonial foi acompanhado das gargalhadas dos espectadores, e entremeado de observações jocosas do oficiante, o qual fazia valer sobremaneira o ato, graças ao génio folgazão que Deus lhe dera.
A cada rapariga que abraçava, José das Dornas, prolongando mais o abraço, dizia com visagens e gestos, que faziam estalar de riso os circunstantes.
— Na minha idade, aos sessenta anos, só o milho rei me podia dar destas fortunas! Ainda bem que a sorte mo trouxe às mãos.
Ao abraçar os homens, exclamava ele, com certo ar de desconsolação, comicamente expressivo.
— Que belo abraço desperdicei agora!
Passando pelos filhos, abraçou-os também, dizendo-lhes:
— Rapazes, tenham paciência. Eu sei que são destes abraços que vós quereis. Mas é lei, é lei. Os outros virão a seu tempo.
A um criado disse, meneando a cabeça:
— Ah! maroto! Ser obrigado a abraçar-te, quando tanta vontade tinha de te apalpar de outra maneira as costas! Ora vá, que talvez te não gabes de outra.

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Admirável Júlio Dinis.

Ele foi o escritor da minha adolescência, tendo lido toda a sua obra e guardando-a até aos dias de hoje e onde vou de vez em quando - num ou noutro dos seus livros - beber na sua linguagem serena o bucolismo que hoje nos falta e, ainda, que possa parecer fora do tempo - asserção que eu entendo - custa-me no entanto a entender a sua perda cultural, porque muito do genuíno Portugal está plasmado, quer seja nas páginas, como a que acima ficou, como seja nas de "Os Fidalgos da Casa Mourisca" ou da "Morgadinha dos Canaviais", bem como em "Os Serões da Província", onde o estilo inconfundível do escritor uma marca indelével da sua arte.