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sábado, 19 de setembro de 2015

Se não houvesse o outro para que serviria eu?



Michel Quoist, faz no seu livro - CONSTRUIR -
faz esta pergunta:

Para que serve a semente se não há terra para a receber?

Deste modo e seguindo a linha de pensamento
deste insigne pensador do nosso tempo, perguntemo-nos:
De que serviria a nossa vida
se não tivéssemos com quem a repartir?

Pensemos nisto e, certamente, 
na resposta que vamos dar
em primeiro lugar a nós mesmos,
- mas com a esperança dela servir os outros -
concluiremos, que aquele ou aquela
na linha do amor ou da simples amizade
com quem  partilhamos o destino
ou pedimos conselhos
são como a terra de que nos fala Michel Quoist.

Existem para nos receber
e cada um de nós, com eles, somos terra igual.

Os outros, são, efectivamente,
quem preenche a nossa vida,
pois, de que serviria ela
se não tivéssemos maneiras de a fazer florir
ou metas para alcançar?

É por ser assim
que devemos amar o nosso semelhante.
É ele que preenche o nosso vazio...
É ele que dá sabor à nossa caminhada...
É ele que é a terra onde a nossa semente frutifica...
É ele que nos anima e entusiasma...
É ele que vai connosco e é tão importante,
que se ele não existisse
de pouco serviria a nossa vida.

Lembremo-nos disto.
E amanhã olhemos o outro - ou outra - com mais amor.

E podemos ter a certeza
que tanto eles, quanto nós precisamos uns dos outros.
E que todos exisitmos
para sermos sementes deitadas ao chão da vida
para que de um qualquer de nós
se possa erguer a árvore que produz uns frutos
de tal modo singulares,
que apenas são comidos pelos nossos sentidos.


Um "tiro no pé" de António Costa


http://www.jornaldenegocios.pt/  de 18 de Setembro 
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http://economico.sapo.pt/ de 18 de Setembro
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http://expresso.sapo.pt/de 18 de Setembro 
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Acima de todos os partidos está Portugal.
Tem de ser assim, sem qualquer nacionalismo bafiento, mas à luz de um nacionalismo que respira, hoje, outros ares.

No mesmo dia em que a Agência de Rating "Standard & Poor's" coloca Portugal a um degrau de merecer a confiança internacional quanto ao investimento seguro, algo que é confirmado, também, pela Moody's e Fitch, estando assim, prestes a sair de "lixo", António Costa - na minha opinião - cometeu um erro imperdoável.

Disse, conforme revela o Jornal "Económico" deste mesmo dia, que se recusa viabilizar o Orçamento de Estado para 2016, se a coligação PSD/CDS ganhar as eleições sem maioria absoluta, acrescentando - como se já não fosse bastante a sua "irracionalidade" - que não faz sentido o voto no PS para deixar passar a actual política.

Então, para António Costa, num tempo em que Portugal está a pôr "a cabeça de fora", como avaliam positivamente as agências internacionais de classificação de risco de crédito referidas o que deve ser feito é tornar a mergulhar Portugal num "lixo" mais fundo?

Por isso, sem se saberem as linhas do Orçamento de Estado - 2016, que pode vir a ser apresentado pela coligação PSD/CDS, deve perguntar-se a António Costa se faz algum sentido a recusa de o viabilizar, não dando com isso a Portugal um instrumento precioso para a sua estabilidade económica e social.

Que sentido de Estado é este?
Vota-se contra um documento que ainda não existe e já está condenado?
Não posso aceitar isto, vindo do mais alto responsável de um partido político fundador da nossa Democracia que se comporta deste modo.
A ser assim, com esta simplificação de procedimento, é como se na Justiça se condenasse o presumível assassino antes de ouvir as suas alegações e as dos seus advogados de defesa.

Julgo, porém, que no todo - o PS - se desmarca, embora por questões óbvias o não diga neste momento desta "selvagem" atitude.

Um grande "tiro no pé", não foi, sr. António Costa?

É por estas e outras - como a de não saber explicar o corte de de 1.000 milhões nas prestações sociais se vier a ser Primeiro-Ministro -  que António Costa não merece a minha confiança.
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P.S. in, jornal "Público" de 19 de Setembro


Diz um velho axioma "que quem te avisa teu amigo é".

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O Amor - Um poema de Khalil Gibran



                    in, Wikipedia


O Amor


Quando o amor te acenar, segue-o,
ainda que por caminhos ásperos e íngremes.

E quando suas asas te envolverem,
rende-te a ele,
ainda que a lâmina escondida sob suas asas possa ferir-te.

E quando ele te falar , acredita no que ele diz,
ainda que sua voz possa destroçar teus sonhos,
assim como o vento norte açoita o jardim.

Pois, se o amor te coroa, ele também te crucifica.
Se te ajuda a crescer, também te diminui.
Se te faz subir às alturas
e acaricia teus ramos mais tenros, que tremem ao sol,
também te faz descer às raízes
e abala a tua ligação com a terra.

Como os feixes de trigo, ele te mantém íntegro.
Debulha-te até que fiques nu.
Transforma-te, retirando a tua palha.
Tritura-te, até que estejas branco.
Amassa-te, até que te tornes macio;
e então te apresenta ao fogo,
para que te transformes em pão,
no banquete sagrado de Deus.

Todas essas coisas pode o amor realizar,
para que saibas dos segredos do teu coração,
e com esse conhecimento sejas um fragmento
do coração, da vida. 


Khalil Gibran, nascido no Líbano, embora tenha vivido grande parte da sua curta vida nos Estados Unidos manteve sempre em todas as suas incursões literárias o cunho da sua espiritualidade oriental, um motivo que o tornou conhecido e admirado.

Este poema sobre  - o amor - é a prova de como a sua alma espiritualizada pelos costumes e crenças da terra onde nasceu, exalta aquele sentimento humano que estando despido dos convites fáceis apegados ao Mundo dos desejos carnais, ele transforma na sua poesia, revestindo-o com a fragrância de um "perfume" que advém de Deus, porque, se o amor te coroa, ele também te santifica, deixando vincado nesta expressão a chama espiritual que tem de o fazer viver, porque sem que tal aconteça, o amor é, apenas, um desejo fugaz de fruição do outro e não como dever ser - e o Poeta não deixa de o expressar - um pão no banquete sagrado de Deus, ficando assim plasmado o sentido sobrenatural como se deve entender o amor, ou seja, pão que se troca entre pessoas, tal como aquele pão que no banquete sagrado, cada homem e cada mulher recebe se o procurar.

E é tanta a convicção de Khalil Gibran, neste admirável poema, que ele diz: todas essas coisas pode o amor realizar - e porque assim é - cada homem e cada mulher, conhecendo esta realidade, são chamados a ser fragmentos do coração da vida.

Os Poetas - como ele foi - têm o condão de em poucas palavras dizerem muito, algo que ele fez com a sabedoria libanesa que nunca deixou de professar.


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Uma fábula moderna



A fábula do aluno 
que não sabia explicar as suas contas


Trata-se, efectivamente, de uma fábula moderna.

Havia um aluno importante - apadrinhado por uma parte grada da sociedade - que aspirava a mudar de classe, ou seja, em subir um degrau a mais para gáudio dos seus colegas de turma, seus incondicionais amigos e de outros mais velhos, mas o qual, por uma questão da matriz social em uso tinha de obedecer a um determinado professor que, embora, sensível aos seus desejos - aliás legítimos - para aquilatar da sua sabedoria entendeu a bem da decência moral da sua profissão que só poderia ajuizar depois de encarregar o aluno a um exercício de um dado trabalho de contas, entre elas a da aritmética dos números.

O aluno, educadamente, mas com algum cálculo mental à mistura acedeu de imediato com a promessa feita a si mesmo de pedir ajuda a outros, àqueles que soubessem mais que ele, o que não impediu o professor que de tal suspeitou, mas no entendimento que ninguém sabe de tudo e o pedir ajuda é meritório - apesar de lhe ter sido mais louvável que a resposta pertencesse à sabedoria pessoal do aluno que pretendia passar de classe - de lhe perguntar de vez em quando:

- Como vai isso?... como vão as tuas contas?

E. agora e logo, durante algum tempo, foi ouvindo a resposta seca e breve:

- Ainda é cedo... mas espere que no tempo devido apresentar-lhe-ei as minhas contas.

E assim aconteceu. 

O tempo chegou e o aluno apresentou ao professor um cardápio volumoso com todas as contas resolvidas. Instado para explicar - olhos nos olhos - como é que todos os resultados estavam certos, sustentando-os, tim, tim por tim tim, começou a embaraçar-se, reafirmando que tudo estava certo, mas...

O professor não gostou desta hesitação, sobretudo do modo como ele a deixou perceber, mas como se não estava no tempo em que um costume antigo mandava pregar meia dúzia de reguadas - o que é, convenhamos, é uma conquista civilizacional no tempo corrente - este, embora, tirado do sério ao ver o aluno a mostrar-lhe o livro das suas supostas certezas, não podendo seguir o método dos seus antigos colegas, de dedo em riste e em posição ameaçadora invectivou-o e de tal modo o fez que, ou ele explicava as contas, mostrando que as tinha compreendido e que o resultado conduziria àquele que era mostrado, ou então, não passava de classe.

Ao que parece, o aluno, limitou-se a efabular de novo - que era assim... mas ... pelo que a passagem de classe ficou adiada.

A fábula acaba neste ponto.

Como lição moral - algo que se deve retirar de todas as fábulas - é que, ou temos certezas dizendo como chegamos a elas ou, então, o que temos são estimativas, desejos e esperanças, coisas que honram mais quem assim procede - dizendo isto - do que aqueles que teimam em dizer que tudo vai bater certo, quando afinal, o que têm para mostrar são estimativas, desejos e esperanças.

Convenhamos nisto:  ter estas coisas como metas não fica mal a ninguém.

Provam que estamos a trabalhar e que só não erram aqueles que nunca arriscaram, porque o erro acontece de vários modos, enquanto ser correcto é possível apenas de um modo  - como disse Aristóteles - e o que se viu no aluno da fábula é que, ao dizer ao professor que tudo estava certo sem justificar a sua certeza, o ser correcto como devia ter sido com o professor foi um falhanço completo, se levarmos em linha de conta  o axioma do velho aluno de Platão.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O castelo e a hera - Um poema de Tomás Ribeiro



Na "Conversação Preambular" da autoria de António Feliciano de Castilho, que antecede a explanação poética dos nove cantos do livro D. Jaime sobre este livro de Tomás Ribeiro que tinha então 31 anos, Castilho diz o seguinte:


São as honras tardias como as drogas que envelheceram na botica: já não curam. Venham frescas e farão milagres; façam do D. Jaime um poema familiar á mocidade, e reconhecido como bom por quem tem essa obrigação. (...) e ao tecer sobre o autor e o seu livro o que este merecia da lusitanidade cantada em versos, sentencia: que este luxo da linguagem chamado versos, provém, não de um principio inventado pelo homem, senão da sua tendência natural para o ritmo. Quando tudo no universo obedece ao ritmo, como nos havíamos de subtrair nós aos seus encantos? E o verso uma consociação da musica e da palavra, um feitio particular e elegante dado á dicção. Por qualquer vaso tosco se pode beber; mas Falerno e agua pura que seja, sabe melhor por uma bela âmfora etrusca, ou por um vaso esmerado da Saxónia ou da Vista-Alegre; assim, o pensamento e o afecto por qualquer prosa se tomam e aproveitam: mas com delicias, com voluptuosidade, mastigando o sabor, só pela taça das Musas.

O livro D.Jaime causou, efectivamente, uma viva impressão, logo a começar pela sua primeira estrofe que muitas gerações de portugueses declamaram:

Meu Portugal, meu berço de inocente,
lisa estrada que andei débil infante,
variado jardim do adolescente,
meu laranjal em flor sempre odorante,
minha tarde de amor, meu dia ardente,
minha noite de estrelas rutilante,
meu vergado pomar dum rico outono,
sê meu berço final no último sono!
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D. Jaime é um longo poema e constitui um livro onde se presente um propósito: tornar mais evidentes as rivalidades entre os dois Países ibéricos, tendo o poeta subido alto mercê do texto de Castilho no Prefácio da obra, que a considerou mas útil para o ensino do português, nas Escolas, que os "Lusíadas" - onde houve exagero -  algo que não foi aceite de boa mente pelos intelectuais do tempo, tendo sido aliás, embora com outro protagonista, que neste passo começou a germinar a "Questão Coimbrã", um conflito literário entre a escola do Romantismo com a do Realismo.

Apesar desta questão se prender com o "Poema da Mocidade" de Pinheiro Chagas, o livro de Tomás Ribeiro - no estertor final do Romantismo -  esteve na baila dos acontecimentos, por força de ter sido apadrinhado por Castilho, tendo merecido o olvido dos novos expoentes da escola Realista que ingloriamente esqueceram que Tomás Ribeiro, no seu livro falava do Portugal nacionalista contra as ideias internacionalistas que já no seu tempo se vinham consolidando.

Este facto não deixou de crescer até hoje e o que dele vai resultar esconde-se num "lugar" qualquer de que um dia daremos conta, mas esta perda contínua de nacionalismo a que estamos a assistir é um fenómeno que não deixa de ser inquietante, pelo que reler o livro D. Jaime, no tempo actual, é tomar uma lufada de um "ar" que existiu e foi puro e, hoje, já o não é, porque qualquer Pátria que não se importa de perder a memória condena-se a ela mesma, levando na hecatombe todos os seus filhos.

Eis, porque, num dado passo, Tomás Ribeiro no poema "O Castelo e a hera", tece um retrato em que imaginação romântica se casa admiravelmente com o amor que Portugal lhe merecia - e nos devia merecer - e, onde o "Castelo" e a "Hera" são apenas figurantes de uma realidade humana em que os mais velhos - como suporte - são representados pelo primeiro e os mais novos - como aqueles que precisam de se agarrar ao suporte - pelo segundo, imbricando-se assim, um no outro, tal como o nosso sentir se deve agarrar a Portugal, sendo este o "Castelo" e cada português a "Hera" que se devia fortalecer à volta dele,

                                        O Castelo e a Hera

Um dia... quando, não sei,
fui ver as gastas ruínas
d’um velhíssimo castello,
que ao desamparo encontrei,
mas que apesar de esquecido
na solidão era belo.

Achei-o todo vestido
de tenaz hera viçosa;
e ornado de verde brilho,
lembrou-me um velho casquilho 
que espera noiva formosa.

Vi-lhe os muros corcovados
sobre o abismo pendurados,
porém suspensos no ar.
Barbacãs, desamparadas ;
as torres, desconjuntadas;
como folhas desligadas
da flor que se vai finar.
E perguntei : "Que portento,
pedras que balouça o vento
já sem prumo, e sem cimento,
vos têm suspensas no ar? "
A hera, filha do muro,
foi-se encostando, e cresceu;
a cada cantinho escuro
cada raiz se prendeu;
entre cada fenda estreita
uma vergôntea se ajeita ;
do muro em toda a largura
contorce a activa espessura
gira, enrosca-se e venceu!

E vai recebendo alento,
redobra em viço e vigor,
nem já rajadas do vento
lhe podem causar temor;
seus rebentões melindrosos
já são braços musculosos
que ensaiam força e valor;
e conhecendo seus brios,
aos largos muros adustos
meteram ombros robustos,
ergueram rochas ao ar.
Subiram as barbacãs;
recurvaram as ameias,
ligaram rijo pilar,
com mil adustas cadeias.
E o castelo hospitaleiro
já sem medo ao paroxismo,
viu, vê, verá  sobranceiro
as profundezas do abismo;
que a hera robustecida
de lembrada e generosa,
dá vida, a quem lhe deu vida
força, a quem lhe deu vigor.
- São como a hera viçosa
os filhos do nosso amor.

in, D. Jaime (Canto I)


terça-feira, 15 de setembro de 2015

A Catedral e o Alcazar de Toledo. Lembranças duma viagem.


Parte da minha comunidade paroquial fez recentemente uma peregrinação a Ávila para festejar "in loco" o V Centenário do nascimento da Santa Teresa de Jesus (1515-1582), a mística contemplativa espanhola - também conhecida por Santa Teresa de Ávila - por ter nascido naquela cidade do então Reino de Castela, tendo como seu primeiro ponto de paragem em de Espanha, a histórica cidade de Toledo.

Não tendo feito parte desta peregrinação, contudo, "fui com todos" espiritualmente e foi, recorrendo às minhas memórias que o meu espírito acalenta que ao regressar a uns anos atrás, mercê da graça de Deus de me continuar a agraciar fazendo-me presente coisas que já se foram, que a lembrança da cidade de Toledo - que tanto me encantou - me desafiasse a deixar aqui esta lembrança, onde a Virgem Branca da sua Catedral  e um dos episódios cruéis da Guerra Civil espanhola (1936-1939), quando Toledo se viu cercada pelas milícias socialistas, comunistas e anarquistas e o fim trágico que isto causou, foram a causa que aliada à peregrinação dos meus amigos a terras de Ávila, me despoletou o desejo de escrever esta apontamento, sem esquecer que é ali, naquele formoso santuário que se encontram os restos mortais do rei português D. Sancho II - o Capelo - que as lutas internas com o seu irmão D. Afonso o levaram a abdicar, refugiando-se em Toledo onde faleceu.

in, Google-Earth

A Catedral de Santa Maria de Toledo com a sua cruz perfeita a desenhar o telhado é um monumento católico belíssimo sob todos os aspectos, em que este Sinal que não está à vista de quem a visita é por aquilo que representa o Madeiro onde Jesus agonizou e ali ficou para mostrar ao Céu e à posteridade que os homens, não apenas honram mas têm presente a Cruz do Calvário.

Santa Maria La Blanca
           Pormenor da Imagem
"Santa Maria La Blanca" da Catedral de Santa Maria de Toledo - como já foi dito - faz parte das minhas recordações de viagens e dos apontamentos que tomei e dos quais me sirvo, hoje, para relatar que esta singular representação escultórica de alabastro branco da Mãe de Deus está presente na imponente Catedral desde o século XV, podendo-se adivinhar no gesto ternurento do Menino ao acariciar com a sua mão direita a parte inferior do rosto da Mãe, existe - como então me disseram - o agradecimento da Senhora sua Mãe ter ouvido, na Anunciação, a voz do Anjo Gabriel.

Segundo se crê - seguindo os meus apontamentos - esta Imagem lindíssima foi oferta do rei Luís IX de França e teria sido executada naquele País tendo a escultura sido influenciada pelo protótipo da Virgem de marfim da "Saint Chapelle".

Quando ali estive levava comigo, de propósito, o lindo poema de Natércia Freire que ela dedicou a "Santa Maria La Blanca" e, recordo-me, que recolhidamente, ante a beleza que me enchia os olhos, num murmúrio lento e profundamente sentido, li, como se rezasse, encostado a uma das colunas do coro, aquele místico trabalho poético 

Santa Maria La Blanca
Da Catedral de Toledo:
Que bem aqui ficarias
Debruçada no presépio
Com o teu arzinho de névoa,
De mistério e de segredo,
Santa Maria La Blanca
Da Catedral de Toledo.

Soçobrava, ao sol da tarde,
El Tajo de corpo fino.
Corre o Tejo aqui à beira.
Vós não teríeis saudades,
Virgem Branca e meu menino.
Soçobrava, ao sol da tarde,
El Tajo de corpo fino.

Cantavam pássaros loucos
No claustro da catedral.
Também eu te cantaria,
Por seres a Virgem Maria
E ser noite de Natal.
Cantavam pássaros loucos
No claustro da catedral!

Com teu arzinho de névoa
Podias mostrar-te ao Mundo.
Com teus dedos de água pura
Podias banhar o Mundo,
Iluminar com teus passos
Os pinhais de todo o Mundo
Nesta noite de Natal.
Trazer o Reino dos Céus
Para os caminhos do Mundo
Porque os homens vão matar
O teu menino, no Mundo!

Porque esperas, Virgem Branca,
Da Catedral de Toledo?!
Porque sorris, Virgem Branca!?
Não sabes? Mataste o Medo?
Gabriel não disse tudo?
Para a Dor inda era cedo...
Mas que névoa no teu ar
De mistério e de segredo,
Santa Maria Blanca
Da Catedral de Toledo

Recordo-me bem. 

Reli duas vezes a penúltima estrofe do poema e hoje faço o mesmo, porquanto, cada vez mais se torna urgente trazer Aquele Menino que a Virgem Branca apoia em seu braço esquerdo e ampara com a direita para os caminhos do Mundo, porque e é nisto que eu vejo como Natércia Freire viu através da sua alma de poetisa a grande inquietude que nos leva a concluir que, ou colocamos em primeiro plano na sociedade dos filhos de Deus a sua a Mensagem de Amor por todos os homens, ou então, a não ser assim - como sugere a poetisa, dirigindo-se à Virgem Branca - os que fazem disto "letra morta", vão matar/o teu menino no Mundo.

Com teu arzinho de névoa
Podias mostrar-te ao Mundo.
Com teus dedos de água pura
Podias banhar o Mundo,
Iluminar com teus passos
Os pinhais de todo o Mundo
Nesta noite de Natal.
Trazer o Reino dos Céus
Para os caminhos do Mundo
Porque os homens vão matar
O teu menino, no Mundo!


Naquele dia, e naquele mesmo momento veio-me à lembrança um facto histórico ocorrido ali perto, no Alcazar, no decorrer da Guerra Civil de Espanha, onde - segundo se diz, o filho do coronel José Moscardó - comandante militar da guarnição de Toledo e defensor-mór do Alcazar -  na hora trágica em que o seu filho Luís ia ser fuzilado pelas milícias - com o Alcazar cercado e que devia ser defendido "a qualquer preço" mandou que este invocasse "Santa Maria La Blanca".


Este facto histórico aconteceu no dia 21 de Julho de 1936 quando as forças das milícias marxistas cercaram o Alcazar.
Na confusão gerada Moscardó, o Governador daquele fortim militar não conseguiu reunir dentro da fortaleza a mulher e os filhos Luís e Carmelo, tendo-se a esposa refugiado com Carmelo em casa amiga, enquanto o mais velho, o Luíz de dezassete anos caía em poder das tropas inimigas, um revés que levou, prestes, o chefe das milícias comunistas a telefonar a Moscardó dando-lhe conta de lhe terem prendido o filho, ameaçando-o:

-- Se não se render dentro de dez minutos o rapaz será fuzilado.
Em resposta obteve o seguinte:
- Você não é um militar nem um homem digno. De contrário, saberia que a honra de um oficial não cede a ameaças.
E veio a resposta pronta e cruenta:
- Pensa assim, porque não dá crédito ao que Ihe digo. E acrescentou: - Pois bem, falará pessoalmente com o seu filho.
E o diálogo foi este:
- Que se passa, filho?
- Dizem que me fuzilarão, se não resolveres entregar-te, por isso pensa bem...
E veio de novo a reiteração da ameaça e mais esta pergunta do filho:
- Que vaia fazer papá?
Moscardó, sem nenhumas ilusões acerca da benevolência daqueles que praticavam uma chantagem tão ignóbil, respondeu:
- Sabes como penso. Se é certo que vão fuzilar-te, encomenda a tua alma a Deus, e envia os teus pensamentos para a Espanha e para a Senhora La Blanca
- É simples, meu pai. Pensarei em ambos.
Por fim, exclamou:
 - Um abraço muito apertado, papá.
- Adeus, meu filho! Um grande abraço!
E a 14 de Agosto, o jovem Luís caía varado pela balas impiedosas dos marxistas.

Aconteceu, porém, que aquele cerco infrene de setenta dias, só acabaria a 28 de Setembro não produziu os efeitos desejados e o Alcazar não se rendeu aos inimigos de Deus, mercê de uma resistência monárquica, patriótica e de liderança católica.


Dois monumentos sobressaem.

O Alcazar, como era uma necessidade da fortificações defensivas do tempo, bem postado no alto da colina e de onde se podem ver passar as águas do rio Tejo fica fronteiro à imponente Catedral de Toledo que ostenta ao Céu a sua imponente torre sineira, tendo toda a imensa construção sido feita no decorrer do século XIII em obediência artística à talha gótica de origem francesa.

Começou por ser no século VI um templo visigótico, no tempo em que Toledo foi a capital do reino visigodo, destruído com a invasão muçulmana para nele se construir uma mesquita.


"Gato escondido com o rabo de fora"



Catarina Martins pôs luz onde havia uma sombra...

No debate de ontem entre António Costa (PS) e a responsável pelo Bloco de Esquerda, esta senhora - sem papas na língua -  pôs o que se chama "os pontos nos ii" ao afirmar que António Costa se for eleito Primeiro-Ministro no próximo dia 4 de Outubro se prepara para "retirar" se não acontecer que venha a "cortar" durante a legislatura 1.660 milhões de euros aos reformados, uma vez que pretende congelar as pensões, o que levou António Costa - naturalmente contrariado - a assumir o congelamento da maioria das pensões com excepção da mínimas enquanto a inflacção for muito baixa, recusando a expressão "corte".

Mas vejamos:

Na semântica das palavras congelar é diferente de cortar, mas se eu congelo uma conta, seja ela de uma reforma ou de uma conta bancária, estou a cortar, de imediato, a possibilidade dela crescer, pelo que faço encapotadamente uma acção que no fim conduz ao mesmo resultado, ou seja, como congelei algo ou alguma coisa, não a deixei crescer. É como se fosse ao tronco de uma árvore e para congelar o seu crescimento o tivesse cortado.

A comunicação social (http://www.tvi24.iol.pt) de hoje, relata assim: 


O PS abriu a janela às esquerdas no último congresso, algo que António Costa mantém, mas quando confrontado com o repto lançado esta segunda-feira pela líder do Bloco de Esquerda, no debate a caminho das legislativas, na TVI24, o secretário-geral do PS defendeu que há "fantasias" dos bloquistas muito difíceis de ignorar no Largo do Rato.

"Se o PS estiver disponível para abandonar esta ideia de cortar 1.600 milhões nas pensões, abandonar o corte na TSU e abandonar esta ideia do regime compensatório [que, segundo o BE, facilita os despedimentos], no dia 5 de outubro [um dia depois das eleições] cá estarei para conversar sobre um governo que possa salvar o país"

Desafio lançado no final do debate. Antes de Costa responder, Catarina Martins antecipou as consequências do sim e do não:

"Se me disser que sim ou que vai pensar, já valeu a pena o nosso encontro. Se me disser que não, os portugueses vão saber que pretende telefonar a Rui Rio ou a Paulo Portas, que os pensionistas vão perder dinheiro e que o corte da TSU vai significar pensões mais baixar no futuro"

Afinal, o que parece é que existe no Programa eleitoral do PS aquilo a que a sabedoria popular costuma chamar "gato escondido com o rabo de fora" e como "caldos de galinha não faz mal a ninguém" e não se "fazem omeletes sem ovos", somos levados a pensar que António Costa ou mostra o jogo, ou não deve merecer a confiança que pede nos novos cartazes que vieram substituir o desastre dos primeiros.

Mas não será desastroso o actual cartaz em que a "confiança" ao que parece, pode ser posta em causa, como o provou Catarina Martins, tendo levado o seu contendor a admitir que afinal existe no seu programa eleitoral um congelamento de pensões?


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Mário Soares pôs, afinal, o "preto no branco" sobre quem chamou a "troika"



Todos nos recordamos.

No debate havido no passado dia 9 de Setembro, António Costa apostou em reescrever a história recente e apontou Passos Coelho como tendo sido ele que convidou a "troika", algo que todos sabemos ter sido o Primeiro.Ministro do Partido Socialista.

Não era necessário, mas este documento põe como se costuma dizer o "preto no branco", que é como quem diz, fala a verdade do que se passou pela voz insuspeita de quem foi o interlocutor daquele infeliz acontecimento, ante o renitente Primeiro-Ministro do PS que via o barco "Portugal" já inclinado - qual "Titanic" - e, mesmo assim, não o queria salvar do afundamento.

Mário Soares num vídeo publicado pelo You-Tube, na altura, diz precisamente o contrário, pelo que merece ser ouvido, pela clareza como ele coloca este assunto que António Costa quis mistificar algo que denota estarmos em presença de alguém que deve ouvir este vídeo.

Trata-se de um vídeo que tem a duração de 1:39 minutos e ostenta o seguinte título: 

Mário Soares revela que foi ele quem convenceu o ex-primeiro ministro a recorrer à Troika 

e em sub-título lê-se: Sócrates pediu ajuda após discussão "gravíssima. Antigo Presidente da República revela que foi ele que convence o...

O "link" é este: 
https://www.youtube.com/watch?v=hQT7CNQsqjA

Ouve-se, no começo a voz da apresentadora do vídeo, dizendo o seguinte:

Na apresentação do livro autobiográfico "Um Político Assume-se", Mário Soares assumiu algumas revelações e relembrou o dia em que o ex-Primeiro Ministro José Sócrates celebrou o acordo com a "troika".

E de seguida começa a ouvir-se a voz de Mário Soares, que diz assim: 

Falei muito demoradamente com ele durante muito tempo - 2 horas ou 3 horas - discutimos brutalmente, amigavelmente, (mas ele?) - aqui a audição peca por defeito - sempre a convencê-lo, mas ele a não estar convencido e, depois, o Ministro das Finanças também interveio mais tarde e ele acabou por ter de ceder perante a evidência das coisas...

É a isto que o povo chama pôr o "preto no branco", ou seja, pôr a escrita em ordem, que é o mesmo que dizer: pôr a verdade em cima do que está errado.



E, agora, sr. António Costa, em que ficamos?
Acha ou não que deve, em primeiro lugar, a Passos Coelho um pedido de desculpas pela inverdade que afirmou e, depois, a todos os portugueses que o ouviram e lamentaram aquele infeliz passo do seu debate, em que, na mira eleitoral que cega os melhores, entrou por um caminho enviezado, o qual, Mário Soares põe a direito?

Creia, que se na vida política - e todos o sabemos - nem todos os caminhos se fazem a direito, mas estes são potencialmente, os que se podem esconder, há outros, como este que não podem ser assim tratados.

É por isso, que António Costa não pode merecer a minha confiança!

sábado, 12 de setembro de 2015

Repor a verdade histórica




É uma verdade histórica - que não devia ser, mas é -  que uma mentira dia mil vezes vale por uma verdade.
É o truque da cartilha marxista.
António Costa no debate com Passos Coelho referiu até à exaustão que o Governo de Passos Coelho foi além da "troika" e até mostrou gráficos, comportando-se, aliás, como um vulgar agente da esquerda radical.

Vejamos:

Porque é que o cumprimento das metas de 2012 exigiu medidas adicionais?

Essencialmente por três motivos:

Medidas não executadas: Em 2011, as medidas ficaram abaixo do previsto (1000M€). Porquê? Porque a implementação foi atrasada pelo Governo PS com um propósito claro: ganhar as eleições. Atrasar a implementação obriga a compensar em 2012, para além de engordar o problema para a frente (efeito «bola de neve» na dívida).

Desvio 1º semestre 2011: quando o Governo toma posse detecta o desvio colossal (na página 34 do PDF: 1,4% PIB – 2.500M€). Como não havia tempo, tomaram-se medidas extraordinárias one-off (sobretaxa IRS e transferência de fundos de pensões) para colmatar um desvio estrutural. Isto obriga a tomar medidas estruturais nos anos seguintes para cumprir com o mesmo objectivo de défice.

Optimismo das previsões: as previsões eram claramente optimistas porque o PS queria forçar um pacote de financiamento mais curto (abaixo dos 100 bi). Uma recessão pior do que o esperado exige mais medidas de consolidação para atingir os mesmos objectivos. Ao traçar previsões optimistas, metas não alcançadas em anos anteriores são transferidas para o ano seguinte.

Mais curioso ainda, foi o próprio PS a assumir no MoU (pp. 41) que o Governo assumirá medidas adicionais sempre que necessário:

“7. The Portuguese Government and Banco de Portugal believe that the policies set forth in the attached MoU are adequate to achieve the objectives of our economic programme. We, nonetheless, stand ready to take additional measures that may be needed to meet the objectives set.“


Traduzindo este texto, temos o seguinte:

7. O Governo Português e o Banco de Portugal acreditam que as políticas definidas no Memorando de Entendimento em anexo são adequadas para alcançar os objectivos do nosso programa económico. Nós, no entanto, estamos preparados para tomar medidas adicionais que possam ser necessárias para alcançar os objectivos definidos. "

in, http://oinsurgente.org/ - com a devida vénia


Passos Coelho não ia preparado para isto. 
Confiou que António Costa, sabedor deste texto elaborado pelo seu partido, não ia descer tão rasteiramente, invocando um termo gasto, falso e maldoso.
Enganou-se.
Acontece sempre a quem confia demasiado na bondade do outro que se lhe opõe e ele tinha obrigação de saber disto.

Conclui-se, assim, que o Governo Português que antecedeu o de Passos Coelho, escreveu no MoU - Memorandum of understanding - (memorando de entendimento) que embora as medidas tomadas no referido "Memorando" seriam adequadas, a haver qualquer percalço, Portugal estava preparado para tomar medidas adicionais que possam ser necessárias para alcançar os objectivos definidos, pelo que vir, agora, António Costa dizer que Passos Coelho foi além da "troika" quando isso já estava pressuposto pelo Governo do PS - que assinou o pedido de resgate - é uma mentira descarada que não fica bem, sendo só desculpável porque este senhor perdeu a cabeça e a todo o custo - embalando na cantiga da extrema radical - repete "ad nauseam" a mesma frase, que afinal o Partido Socialista teria de levar à prática se tivesse continuado no Governo, pelo compromisso assumido no MoU, que em linhas breves diz o seguinte:

Um memorando de entendimento (MoU) descreve um bilateral ou multilateral acordo entre duas ou mais partes. Ela expressa uma convergência de vontade entre as partes, o que indica uma linha comum de acção pretendido. Ele é frequentemente usado nos casos em que as partes, quer não implicam um compromisso jurídico ou em situações em que as partes não podem criar um acordo juridicamente vinculativo. É uma alternativa mais formal a um acordo de cavalheiros.

Seja ou não um documento constitui um contrato de ligação depende apenas da presença ou ausência de elementos legais bem definidas no texto adequada do documento (a chamada "quatro cantos"). Os elementos necessários são: oferta e aceitação, consideração, ea intenção de estar legalmente respaldado (animus contrahendi). Em os EUA, os detalhes podem ser um pouco diferentes dependendo se o contrato é para mercadorias (cai sob o Código Uniforme Comercial [UCC]) ou serviços (cai sob a lei comum do estado).

in, Wikipedia

Por tudo isto, e concluindo, António Costa não merece a minha confiança.