Pesquisar neste blogue

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Sabedoria do Mundo - Ser Eu!




                           EU QUERIA SER...

  • VIDA, para fazer renascer os que estão morrendo...
  • SOL, para fazer brilhar os que não possuem a Lua...
  • LUZ, para iluminar os que vivem na escuridão...
  • CHUVA, para correr toda a terra e molhar os campos secos e devastados...
  • LÁGRIMA, para fazer chorar os corações insensíveis...
  • VOZ, para fazer falar os que sempre se ocultaram...
  • CANTO, para alegrar os que vivem na tristeza...
  • LUAR, para brilhar na noite dos amores incompreendidos...
  • FLOR, para enfeitar os jardins no outono...
  • SILÊNCIO,para fazer calar as vozes que atordoam o coração do homem. ..
  • SINOS, para repicar nos Natais dos que possuem recordação amarga...
  • GRITO, para gritar a dor dos que sofrem no silêncio...
  • OLHOS, para fazer enxergar os cegos de Verdade...
  • FORÇA, para fugir dos que a utilizam para o mal...
  • SORRISO, para encantar os lábios dos amargurados...
  • SONHO, para colorir o sono dos realistas petrificados...
  • VEÍCULO, para trazer de volta os que partiram deixando saudades...
  • AMANHECER, para fazer um dia a mais de felicidade sobre a Terra...
  • NOITE, para acalentar os que lutam durante o dia...
  • AMOR, para unir as pessoas.
Autor Desconhecido


Eu queria ser tudo isto de que fala o "autor desconhecido", que são, apenas, metas para alcançar ser "Eu" - a meta maior que todos devemos desejar: ou seja, que o "eu" resulte, como acontece no cadinho do fundidor em que a uma imagem final é o resultado da ligação de vários componentes materiais e que na lógica das atitudes humanas se traduz naquilo que nos é dito pelo "autor desconhecido" e, também, por este texto de Fernando Pessoa que nos deixou, determinado - depois de ter apagado o último rasto de influência dos outros - esta prosa para ler e reler.

Hoje Tomei a Decisão de Ser Eu

Hoje, ao tomar de vez a decisão de ser Eu, de viver à altura do meu mister, e, por isso, de desprezar a ideia do reclame, e plebeia sociabilizacão de mim, do Interseccionismo, reentrei de vez, de volta da minha viagem de impressões pelos outros, na posse plena do meu Génio e na divina consciência da minha Missão. Hoje só me quero tal qual meu carácter nato quer que eu seja; e meu Génio, com ele nascido, me impõe que eu não deixe de ser.
 Atitude por atitude, melhor a mais nobre, a mais alta e a mais calma. Pose por pose, a pose de ser o que sou.
 Nada de desafios à plebe, nada de girândolas para o riso ou a raiva dos inferiores. A superioridade não se mascara de palhaço; é de renúncia e de silêncio que se veste.
 O último rasto de influência dos outros no meu carácter cessou com isto. Reconheci — ao sentir que podia e ia dominar o desejo intenso e infantil de « lançar o Interseccionismo» — a tranquila posse de mim.
 Um raio hoje deslumbrou-me de lucidez. Nasci.
                                                                                        in, 'Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação'


Fernando Pessoa não nos diz algo sobre se, nas viagens que fez de impressões pelos outros se fez arauto do Eu Queria Ser - ou se admitiu proceder com coisas semelhantes - das que fala o "autor desconhecido", mas conclui, determinadamente: Nasci.

E este "nascimento" parece culminar do facto dantes ter dito - reentrei de vez, de volta da minha viagem de impressões pelos outros - que nos conduz num exercício analítico e lógico, a pensar nas teses do Eu Queria Ser do "autor desconhecido"  e tê-las como luzes que todos - quando reentramos em nós depois das viagens de aprendizagem da vida que temos de fazer pelos outros - concluirmos que o "Eu" individualista e "sui generis", para o ser, verdadeiramente, tem de penetrar nos recônditos da vida por onde passam os "outros".

Tenho para mim que Fernando Pessoa, embora tendo apagado as influências dos outros no seu carácter, percorreu este caminho e como os grandes homens do pensamento antes de tomarem o "Eu" como uma conquista pessoal se enriqueceram nas ajudas humanas que todos somos obrigados a dar uns aos outros.

Finalizando, dir-se-á que o "Eu queria ser" do "autor desconhecido" é um texto repleto de sentido humano, a começar por querer ser VIDA, não para o "Eu" que ele é - como todos somos - mas para fazer renascer os que estão morrendo, na certeza que é servindo os outros naquilo que desejamos ser, que enchemos de vida humana o nosso "Eu" que só o é, em pleno, quando ele tiver resultado de tudo o que acontece à nossa volta.

O importante a reter é que, verdadeiramente, o "Eu" só existe quando se percorre o caminho do "Eu Queria Ser"!


segunda-feira, 27 de julho de 2015

Sabedoria do Mundo - "De profundis"




"De profundis"

Vieste para a minha vida como um pouco de brisa que vem para a tarde quente de verão.
Vieste,  simplesmente.
Apareceste como um pouco de beleza que eu jamais sonhara ver e que de repente surgiu.
Não quero nada alem de ti, hoje, e sempre.
Pensei que amar fosse apenas desejo, contacto de corpos ou ir de mãos dadas.
Aprendi - afinal - que o verdadeiro sentimento vem de dentro.
Das profundezas da alma e do fundo do coração.

Autor Desconhecido


Depois de ler este pequeno texto, muito belo pela sua conclusão espiritual, chamando à colação o termo - amor - conclui-se que dele existe uma noção extremamente rica, pelo facto dele exprimir realidades presentes em todas as actuações humanas assentes em três aspectos:
  • O sensível.
  • O carnal.
  • O sentimental ou espiritual.
No texto do "autor desconhecido" eles estão presentes.
  • O que aparece quando ele toca facilmente as impressões ou sensações externas no domínio dos sentidos, comportando-se como um pouco de brisa, de mistura com a beleza que não se sonhara encontrar.
  • O que aparece e é, apenas, o desejo do contacto dos corpos, motivado pelo movimento do instinto sexual que tende a satisfazer-se.
  • O que aparece e procura encontrar no ser amado o bem que existe e se realiza com a ajuda de Deus, na procura de ver nele a perfeição - embora dentro dos limites do humano - mas imbuída daquela imaterialidade denominada a que chamamos alma.
O "De profundis" é aqui que nasce e é - ou devia ser - do reconhecimento da imperfeição humana, que facilmente passa do sensível ao carnal sem cuidar, que afinal - como diz o "autor desconhecido" o verdadeiro sentimento vem de dentro, das profundezas da alma e do fundo do coração.

domingo, 26 de julho de 2015

Dia mundial dos avós.


 Ferdinand Georg Waldmuller (1793-1865)


O avô da pintura ao receber o carinho que vai implícito na solicitude de uma chávena de chá oferecida pela sua neta sob o olhar atento da mãe, personificam para mim, todos os avós do Mundo gastos pela idade que não os inibe contudo, de serem os guardiões por excelência das histórias familiares - dos bons e maus momentos - sendo, por isso, os elos que sendo fracos pela idade, são os mais fortes, por unirem em seu redor o passado e o presente, oferecendo com a sua presença um sentido de comunhão e de pertença, pelo que celebrar este Dia é honrar a experiência da vida e reconhecer neles o depósito da experiência adquirida em todos os campos do saber.




É uma data que se assinala para lembrar Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo, tendo esta Festa sido instituida pelo Papa Paulo VI, com data no calendário no dia 26 de Julho, tornando Santa Ana e São Joaquim os padroeiros dos avós, pelo que, tal facto esteve na origem de e Portugal após muita perseverança a Assembléia da Republica aprovou, pela resolução 50/2003 de 04 Junho aquele dia como Dia Nacional dos Avós.

Não podia o Papa Francisco alhear-se deste Dia. 
Hoje, na Praça de São Pedro, em Roma, deixou para eles o elogio legítimo:
  • “Nesta ocasião quero saudar todos os avós e avós, agradecendo a sua preciosa presença nas famílias e para as novas gerações.
  • “Para todos os avós vivos, mas também para os que nos guardam no Céu, façamos uma saudação e um belo aplauso”, apelou o Papa Francisco, enquanto pedia um salva de palmas aos peregrinos.

Alguns ensinamentos dos Avós

  • O que não se aprende com o amor, se aprende com a dor.
  • o fim do mundo está vindo e o próprio homem vai acabar com a própria espécie por ser idiota.
  • Quer ser amado? Seja amável.
  • Segue apenas pessoas melhores do que tu. Nunca igual e muito menos, pior.
  • Quem tem muito que falar dos outros, nada de bom tem para falar de si.
  •  Quando não souber o que dizer, não diga nada.

Algumas coisas que se dizem sobre os Avós
  • Avós são mágicos, pois em qualquer tempo eles trazem de volta os sabores da infância.
  • Avós são as únicas pessoas que estão sempre mimando, estão sempre do lado dos netos ou aconselhando ou amando.
  • Chegaram os cabelos brancos e a idade, mas os avós são sempre novos, pois não importa a aparência o que importa é o coração de jovens que eles nunca deixam de ter.
  • Ser avós é dar duas vezes carinho e duas vezes amor. Ser avós é ser exemplo de paz, amor e afecto.
  • Cada ruga tua representa uma história. E são tantas... Quantas experiências, quantas histórias para contar, quantos conselhos para dar, quanta paciência para nos suportar. Esquecem a sua vida, para viverem a nossa sempre cheios de atenção, de carinho e de amor. Avós!
  • Não despreze a tradição que vem de anos longínquos; talvez as velhas avós guardem na memória relatos sobre coisas que alguma vez foram úteis para o conhecimento dos sábios. (J.R.R. Tolkien)
  • Há pais que não amam os filhos, mas não existe um só avô que não adore o neto. (Victor Hugo)



Saul Dias deixou-nos ficar este belo poema que neste dia se lembra, tecendo com ele uma malha de amor por todos os avós, incluindo os meus, que há muito tempo moram em Deus e cujas lembranças continuam vivas, especialmente, uma avó que eu tive de cabelos de linho.

Nunca Envelhecerás

 A tua cabeleira
 é já grisalha ou mesmo branca?
 Para mim é toda loira
 e circundada de estrelas.
 Sobre ela
 o tempo não poisou
 o inverno dos anos
 que se escoam maldosos
 insinuando rugas, fios brancos...

 Ao teu corpo colou-se
 o vestido de seda,
 como segunda pele;
 entre os seios pequenos
 viceja perene
 um raminho de cravos...

 Pétalas esguias
 emolduram-te os dedos...
 E revoadas de aves
 traçam ao teu redor
 volutas de primavera.

 Nunca envelhecerás na minha lembrança!...

Saúl Dias, in "Sangue"


Por fim, um pensamento que colhi na minha juventude e jamais abandonou a minha mente. É do tempo em que me restava a minha linda avó de cabelos de linho.
Onde isto já vai!

O brinquedo mais simples que os netos têm à mão são os seus avós.


sábado, 25 de julho de 2015

Sabedoria do Mundo - Lições de vida




Lições de vida


Se a desilusão atingir a tua alma,
Devastando teus sonhos e ofuscando novas possibilidades.
Pensa na infinidade de caminhos que se podem se abrir para ti
em apenas um dia, uma hora, um minuto...

Se a frustração acariciar friamente a tua face,
Fazendo-te cair diante dos obstáculos,
Olha para trás e vê o quanto já caminhaste
E o quanto cresceste colhendo em cada trilha amigos sinceros,
amores e experiências inesquecíveis...

Se as palavras de insulto e humilhação agredirem a tua integridade,
Lembra-te de que elas são frutos putrefatos da maldade e da inveja,
Vira-te e continua a caminhar sem dares ouvidos aos fracos de alma
que as pronunciam:
Um dia eles entenderão porque estão completamente sós...
Se a preocupação com os encargos do dia-a-dia tomar a tua mente
e enfraquecer o teu corpo,
Despertando o nervosismo e o estresse,
Olha o horizonte e tenta descobrir as saídas.

Para os problemas, ao invés de te lamentares
e achares que eles são piores do que realmente são...
Se o vazio e a insegurança invadirem o teu peito,
Abre os braços, fecha os olhos e repete para ti mesmo: "eu posso voar..."
Tu és capaz de tudo desde que acredites em ti mesmo.

Enxerga a felicidade nas pequenas coisas da vida,
Numa conversa com os amigos, na brincadeira com o cachorro,
Numa pequena "charla" ou no jogo de damas com teu avô...
Rotina é uma palavra que não existe,
 pois cada dia traz consigo pequenas surpresas e cada pequeno gesto
Guarda uma imensa felicidade...

E depois de tudo isso,
Olhe para ti mesmo e vê o quanto és especial!
Imagina o quanto podes fazer pelo mundo e pelas pessoas,
Valoriza as tuas qualidades e tenta corrigir teus defeitos
e sabe o quanto és privilegiado por poderes caminhar,
cair e aprender com os erros, por seres capaz de escrever uma história única,
como nenhuma outra...

Pensa nisso!

Ousa sonhar, pois os sonhadores vêem o amanhã. Ousa fazer um desejo,
Pois desejar abre caminhos para a esperança e ela é o que nos mantém vivos.
Ousa buscar as coisas que ninguém mais pode ver.
Acredita na magia, pois a vida é cheia dela, mas, acima de tudo,
acredita em ti mesmo...
porque dentro de ti reside toda a magia da esperança,
do amor e dos sonhos de amanhã.

Autor Desconhecido


Este "autor desconhecido" foi - ou é - é um sábio da ciência da vida, especialmente, quando aconselha esta coisa tão importante: no momento em que um qualquer desalento nos queira fazer tropeçar num dos calhaus do caminho, esse é o momento exacto em que devemos fazer marcha à ré e aquilatarmos do quando já percorremos, pensando, que a meta onde estamos só foi possível porque nunca desanimamos e, portanto, é preciso erguer os olhos e seguir adiante.

Só por isto merece a a pena ler todo o texto e agradecer tão sábios conselhos, na certeza que só os sonhadores é que vêem os amanhãs, que não tardam a acontecer se os "hojes" forem vividos com o arreganho da crença que cada um tem de ter em si mesmo!


"Laudato Si" - Um Hino do Papa Francisco à ecologia!


Volto, com uma nova postagem à Encíclica do Papa Francisco, apontando o nº 13 como um apontamento de leitura e meditação.


13. O desafio urgente para proteger nossa casa comum inclui uma preocupação para trazer toda a família humana em conjunto para buscar um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar.  O Criador não nos abandona;  ele nunca abandona seu desígnio de amor ou se arrepende de nos ter criado.
A humanidade ainda tem a capacidade de trabalhar em conjunto na construção da nossa casa comum.  Aqui eu quero reconhecer, encorajar e agradecer a todos aqueles que lutam em inúmeras maneiras de garantir a protecção da casa que partilhamos.  Particular apreço está em dívida para aqueles que incansavelmente procurar resolver os trágicos efeitos da degradação ambiental sobre a vida dos mais pobres do mundo.  Os jovens querem a mudança.  Eles se perguntam como alguém pode pretender ser a construção de um futuro melhor, sem pensar da crise ambiental e os sofrimentos dos excluídos.


Ao lermos o nº 13 da segunda Encíclica do Papa Francisco ressalta como um desígnio a sua preocupação pela ecologia em defesa da "casa comum" que, ou é defendida de uma vez por todas ou o Mundo corre o risco de se descaracterizar, enredado em fatalidades ambientais que o homem, esquecido do clima ser um bem global e do qual derivam as condições essenciais para a vida humana.

Esta Encíclica nascida sob a influência do catolicismo, não é um texto que a Igreja coloca apenas à consideração dos católicos, mas antes, é um texto que encontra em todas as direcções religiosas e políticas motivos fundamentais de meditação sobre a falta de cuidado que o homem moderno tem usado na destruição quase sistemática das calotes polares e glaciares, acompanhada pela perda das florestas dos Trópicos, cujos ecossistemas de biodiversidade vegetal e animal têm sido delapidados pela acção do homem.

Ferido que está o coração do Planeta em locais que o Papa aponta, a importância destes lugares para o  para o futuro da humanidade não se pode ignorar, pelo que ao não deixar de referir, a alienação da riqueza climática e ambiental a "espúrios interesses locais ou internacionais" este facto, volta-se contra o homem, especialmente como é dito no pequeno texto transcrito, em desfavor dos "excluidos".

No nº 160 o Papa Francisco faz esta pergunta inquietante:"Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer?" constituindo este interrogativo o âmago da Laudato Si, que ao prosseguir na mesma linha declara: "Esta pergunta não toca apenas o meio ambiente de maneira isolada, porque não se pode pôr a questão de forma fragmentária" e isto fá-lo interrogar-se sobre o sentido da existência humana e dos valores que servem de base à vida social, pois "Para que viemos a esta vida? Para que trabalhamos e lutamos? Que necessidade tem de nós esta terra?»: « Se não pulsa nelas esta pergunta de fundo,– diz o Papa – não creio que as nossas preocupações ecológicas possam surtir efeitos importantes».

A Encíclica "Laudato Si" é, efectivamente, uma pedrada no charco.
Será que as suas ondas concêntricas serão capazes de acordar os adormecidos deste Planeta?


Não há "pais da Pátria"!


TODOS ME QUEREM...

Gavura publicada pelo Jornal extinto "A Bomba" de 18 de Maio de 1912


Foi assim nos tempos imediatos à implantação da República Portuguesa e de tal modo que o amor pela conquista do Poder - entronizado na Pátria simbolizada pela figura feminina empunhando o facho da vitória - não escapou ao feliz caricaturista do tempo que assim, eloquentemente, representou a avidez dos políticos da época na sua conquista.

A imagem é feliz, sobretudo, pela ideia da simbologia da Pátria Portuguesa cometida àquele vulto vermelho da mulher, que na nobreza do seu porte serviu de tema republicano, não tendo tido deste a paga que merecia, ao ponto de nos tempos actuais a Pátria não ser - como devia - acarinhada por aquilo que representa de nove séculos de História de afirmação territorial, em defesa da qual muitos portugueses morreram no campo da batalha.

Só por isso, a figura da Pátria devia ser exaltada e não ser confundida com o Poder que passa - ligeiro, tantas vezes -  enquanto ela fica, ontem como hoje, de facho na mão a lembrar a todos que é falacioso o conceito de quem ao ter conquistado o poder julgue que fez o mesmo à Pátria.

Vem isto a propósito de alguns "iluminados" se sentirem vaidosos quando lhe chamam "pais da Pátria" e ficarem babados com o título que lhe dão outros "iluminados", quando afinal, "pais da Pátria" são todos os portugueses - homens e mulheres - que ao longo do tempo, com o seu esforço têm mantido viva a chama da Pátria que a figura da gravura ostenta, à qual mãos ávidas querem apanhar para si, como é visível e exemplarmente retratado pelo caricaturista.

Efectivamente não há "pais da Pátria"! Há homens e mulheres que no tempo devido, são chamados a servi-la, hoje, felizmente, pela força do voto popular.
São os que no momento conhecemos e devemos respeitar, sem contudo deixar de verberar os desmandos de uma linguagem rasteira que ouvimos de alguns que a todo o custo querem chegar ao Poder.

A Pátria, porque o povo que a informa - é bom - consente-os, mas dói-se de neste tempo os comportamentos humanos se continuarem a parecer com os dos velhos tempos em que a República de 1910 não soube criar cidadãos, mas arruaceiros.


Já chega de "lavagem da roupa suja"... ou, não?


Gravura publicada pelo Jornal "A Corja" de 16 de 1898


É velha esta gravura.
É nova por aquilo que representa, quando damos connosco a ouvir e depois a pensar na lástima política da esquerda que temos que em tudo vê mal - a começar por António Costa que não se coibe de chamar nomes impróprios onde abunda o "mentiroso" a Passos Coelho - quando este e o seu Governo tirou Portugal do buraco onde caiu em 2011.

Todos sabemos que não há "anjinhos" quer na esquerda, quer na direita, mas manda a verdade dizer que há "diabos a mais" a fingir de "anjinhos" na esquerda radical e na outra onde se filia o PS que devia ter mais compostura política.

Compreende-se que António Costa ande preocupado, porque julgava ao apear António José Seguro ia ter o poder a cair-lhe nos braços, verificando, agora, que ou trabalha muito - sem dizer e fazer mais disparates - ou vai perder as eleições.

Por isso, que deixe de se aliar na "lavagem da roupa suja", porque afinal - e ela existe numa outra qualidade - tem sido Passos Coelho, o seu Governo com a ajuda do povo português sem alardes grandiloquentes que tem vindo nestes quatro anos a lavar a "roupa suja" que herdaram dos cofres arruinados por seis anos de desvario.

Quando é que o PS reconhece os seus erros... ou julgam os seus dirigentes que uma parte importante de portugueses perderam a memória?


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Picardia ou maldade política de António Costa?

                                  in, jornal online "Observador"


Num certo dia - já longe, há 21 anos - Cavaco Silva disse que era preciso ajudar Mário Soares a acabar o mandato de Presidente da República com dignidade.
Com razão ou sem ela, estas palavras foram ditas, mas manda a verdade dizer que Mário Soares com as suas "Presidências Abertas" fez a vida negra ao então Primeiro-Ministro Cavaco Silva.

António Costa, segundo as notícias de hoje devolve a Cavaco Silva as mesmas palavras, pelo que é gritante a picardia ou a maldade política deste candidato a Primeiro.Ministro.
Tendo ou não razão, a devolução não lhe fica bem. É uma brincadeira tolerável pelo tempo que passa e que rouba alguma lucidez aos mais sisudos.


E assim vamos a caminho das eleições legislativas do dia 4 de Outubro de 2015, mas a ver pelo conteúdo, parece que António Costa ou tem falta de Imaginação ou no ultrapassado juízo dos israelitas ortodoxos segue a linha do Livro do Êxodo 21,24 - "olho por olho dente por dente" - o que não lhe fica bem,  depois de tanta água ter passado debaixo das pontes, vir sofrer as antigas e esquecidas dores de Mário Soares... que afinal estavam a aguardar a oportunidade de serem saldadas não por ele, mas por outro...

Pois bem. 
Que todos nós - o povo que somos - ajudemos a dignidade comportamental a imperar e a  fazer a sua lei.
Isso é que conta. Quanto a estas maldades políticas... caixote do lixo!

domingo, 19 de julho de 2015

Agradecer à Natureza pela "casa comum"!


«Crescei, multiplicai--vos, enchei e submetei a terra.
Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais 
que se movem na terra.» (Gn 1,28)




Agradecer à Natureza pela "casa comum"!
É o que esta bela foto sugere.

A sua força, de certo modo, faz que a nossa mente quando interpreta o Princípio dos Tempos se volte para aquele desiderato de Deus relatado no Livro de Génesis acima referido e no gesto humano - olhando os braços abertos da personagem - atentemos que estes nos dão a noção de sermos no tempo presente, reflexos do que aconteceu na Origem, tendo  por direito próprio o poder do domínio sobre a Natureza.

No entanto, é conveniente entender que este domínio não é o de posse absoluta de um bem que é de todos, mas da posse que nos cabe, individualmente, sobre uma pequena migalha do Universo que deve ser preservada, e como tal, cumpre agradecer a Deus o facto de no-la ter concedido.

A gravura diz-nos algo sobre isto mesmo.

De braços abertos o que se lê no humano do gesto é que, aquela personagem agradece a Deus pela Natureza que tem em frente, como se esta fosse um livro aberto, sabendo que uma das páginas por lhe pertencer, é nela que tem de deixar a sua acção para bem da Ecologia sobre o cuidado da "casa comum", de que o Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis é o maior exemplo que temos desde o ano 1224, data em que se crê ter surgido este cântico de louvor à Natureza - com Deus na Origem - tendo o mesmo sido escrito e cantado pelo celebrado frade católico.

in, Jornal "Acção Missionária" de Julho 2015


CÂNTICO DAS CRIATURAS

Altíssimo, Omnipotente, Bom Senhor
Teus são o Louvor, a Glória, a Honra e toda a Bênção.

Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as Tuas criaturas, especialmente o senhor irmão Sol,
que clareia o dia e que, com a sua luz, nos ilumina.
Ele é belo  e radiante, com grande esplendor;
de Ti, Altíssimo, é a imagem.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã Lua e pelas estrelas,
que no céu formaste, claras,  preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor.
pelo irmão vento, pelo ar e pelas nuvens,
pelo sereno e por todo o tempo
em que dás sustento às Tuas criaturas.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã água, útil e humilde, preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão fogo, com o qual iluminas a noite.
Ele é belo e alegre, vigoroso e forte.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa,
produz frutos diversos, flores e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor,
pelos que perdoam pelo Teu amor
e suportam as enfermidades e  tribulações.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela nossa irmã, a morte corporal,
da qual homem algum pode  escapar.

Louvai todos e bendizei o meu Senhor!
Dai-Lhe graças e servi-O com grande humildade!


Este cuidado da "casa comum" que se pressente em cada verso inspirou a segunda Epístola do Papa Francisco - Laudato Si - Louvado sejas, meu Senhor - que, ao longo dos seus 246 artigos o que se pretende é chamar a nossa atenção pelos maus tratos que damos à mãe terra, exemplarmente exaltada por S, Francisco de Assis, pelo que o gesto de braços abertos da foto é uma prefiguração do que é cantado no Cântico das Criaturas, como se naquele gesto se abjurasse o pérfido conceito de nos julgarmos proprietários da mãe terra e seus dominadores, indo ao ponto de nos sentirmos autorizados - pela nossa própria e malévola autoridade - a saqueá-la, permitindo-nos possuir só para nós um bem que é de todos.

O Mandato do Domínio no versículo do Génesis acima referido no rodapé da foto, embora nos autorize a deitar mão de três Mandamentos, 
  • Crescei e multiplicai-vos,
  • Enchei e submetei a Terra,
  • Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre os animais que se movem,
Em nenhum deles se infere a posse dos bens só para si, ao belo prazer de cada criatura, mas usufruindo cada uma da parte que lhe cabe, pelo que, convém referir que todos aqueles que se focam, sobretudo, nos dois últimos Mandamentos o que fazem perante os seus iguais é apresentar uma face mutilada do Mandato do Domínio, quando este, o que pretende é que cada homem ao apresentar os braços abertos para a Natureza que é de todos - a "casa comum" de que nos fala o Papa Francisco - saiba que no agradecimento que lhe é devido, vai inteiro o sentido, de nos sabermos irmãos de:
  • Todas as criaturas,
  • Do Sol, 
  • Das estrelas.
  • Do vento,
  • Do ar e das nuvens,
  • Da água,
  • Do fogo,
  • Da nossa irmã terra,
E, assim, o que temos de reter é que cada coisa criada se irmana connosco e, portanto, cada uma delas deve merecer não a posse avara do nosso domínio sobre ela, mas sim, a posse racional de um bem que sendo parte comum da casa de todos, faz que todos sejamos arrendatários e não senhorios dos bens que a Natureza colocou ao nosso dispor.

Voltando ao braços abertos da foto o que aquela imagem sugere, não é só um agradecimento a Deus Criador, mas é, no nosso mundo hedonista um sinal profundo por ter sido assim que Jesus expirou na Cruz, deixando implícito no gesto, o amor que sentia por todos os homens, que, ou se voltam para todos e para Mãe Natureza onde Deus habita ou este Mundo cansado da destruição que está a causar à "casa comum", há-de ver - mas tarde - que a sua falta de amor pelos irmãos seus semelhantes e pelos outros irmãos expressos no Cântico das Criaturas, se há-de deixar vencer pelo excesso de posse, quando aquilo que havia de estar presente era o equilíbrio que é devido à sua justa repartição.

Que os nossos braços, vezes demais em baixo para poderem abraçar melhor as coisas da Terra, se ergam - como os da bela foto - e agradeçam os momentos que nos são dados viver, tendo a noção que é largo o horizonte, mas nosso, apenas é, o solo que pisamos como arrendatários e não donos da "casa comum".

sábado, 18 de julho de 2015

Afinal, há solução para as cheias de Lisboa!





Aquando das últimas cheias ocorridas na na cidade de Lisboa no passado mês de Outubro de 2014, o então Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa e actual pretendente à conquista do lugar de Primeiro-Ministro, nas próximas eleições legislativas, disse esta coisa que soou muito mal em sectores ligados à engenharia hidráulica:

Não existe solução para as cheias em Lisboa

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, disse hoje que «não existe solução» para as cheias na cidade, refutando as críticas dos partidos da oposição que pedem a execução do plano de drenagem.
«O plano de drenagem não faz desaparecer estas situações. A solução não existe», afirmou hoje o autarca, à entrada para a assembleia municipal, quando questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de ocorrência de inundações como as que se registaram na segunda-feira e o impacto que poderá ter o plano.
Segundo o socialista «não haverá nenhum sistema de drenagem que permitirá evitar situações deste género», podendo apenas «minimizar» o problema.
António Costa reforçou ainda que a situação verificada na segunda-feira nada teve a ver com a falta de limpeza das sarjetas e dos sumidouros.
Na segunda-feira, PSD, CDS-PP e PCP (com assento na Câmara de Lisboa) solicitaram a execução do plano de drenagem da cidade, aprovado em reunião camarária em 2008 e com um prazo de 20 anos, para minorar as inundações em Lisboa
http://www.tsf.pt/

Nota: O sublinhado do título é nosso.

Da suas explicações dadas publicamente, destacamos:
  • O plano de drenagem não faz desaparecer estas situações.
  • A solução não existe.

Afinal existia um "plano de drenagem" aprovado em 2008 e que agora, com a mudança da Presidente da Câmara Municipal de Lisboa vai ser implementado com a construção de dois túneis de grane diâmetro que permitem recolher as águas pluviais a montante, no sentido transversal e direccioná-las para escoamento no Rio Tejo em Santa Apolónia e no Beato.

Donde se infere que a afirmação de António Costa - A solução não existe - falha verdadeiramente em todo o sentido, porquanto a solução existe e tecnicamente é possível, pelo que se aplaude o facto de levar à prática uma solução que existia e que pode ajudar a resolver o problema endémico das cheias de Lisboa, porquanto, mesmo que as cheias existam com as marés cheias do Tejo, as águas recolhidas pelos túneis aguardam que a maré baixe e façam escoar no rio os caudais represados.

No mínimo o problema ficará mais suavizado e entre o nada fazer como parece deduzir-se do que afirmou, porque - o plano de drenagem não faz desaparecer estas situações ou a solução não existe - fazer algo para minimizar o problema devia ter sido explicitado.

Esta hipótese nunca poderia ter sido abandonada, como vemos.
Bastou, apenas, mudar o Presidente da autarquia lisboeta.

Pelo que as suas afirmações extremas de não haver solução foram um pontapé no pé e se na altura soaram mal, agora com a publicação da construção dos dois túneis soam a falso, o que para alguém que quer ser Primeiro-Ministro de Portugal, ao debitar frases destas pondo em causa a engenharia hidráulica e a técnica que a sustenta, deixa-nos a pensar se ele merece ganhar as eleições para as quais se candidata, tendo pela frente os mil e um problemas do País.

O povo, porém, é soberano e ditará a sua lei.


Chega de demagogia!




A imagem e o que ela representa está desactualizada no que se refere ao celebrado Ministro das Finanças da Grécia - pós eleições demagógicas - Yánis Varoufákis, vale por aquilo que ela representa.

Farta de não haver adultos na sala com quem se pudesse negociar a senhora Lagarde pelo gesto pareceu ter dito:

- Chega de demagogia!

E chegou. 

Esta esquerda grega radical que conquistou o poder dizendo cumprir o que não tinha ao seu alcance - não merecia outro tratamento pelo facto de ter enganado o povo grego -  tão ao jeito da nossa esquerda radical, onde o PS se intrometeu pela voz de António Costa que agora se arrepia de ter dito em Janeiro que o Syriza - o partido do senhor Varoufáskis - era um caminho a seguir - ainda não entendeu que a Europa tem regras a cumprir, pelo que o caminho que Pedro Passos Coelho seguiu, foi aquele, porque não havia outro.

Por isso, o gesto de Lagarde bem pode entender-se como - se não tivermos juízo - repetir-se, um dia, pelo que se aconselha a seguir o velho ditado bem português: cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Canção - Um poema de Guerra Junqueiro (1850-1923)



Canção

Que durmam, muito embora, os pálidos amantes
Que andam contemplando a lua branca e fria;
Levantai-vos, heróis e despertai  gigantes!
Já canta pelo azul sereno a cotovia
E já rasga o arado  as terras fumegantes.

Entra-nos pelo peito em borbotões joviais
Este sangue de luz que a madrugada entorna!
Poetas, que somos nós? Ferreiros de arsenais:
É bater, bater com alma na bigorna
As estrofes de bronze - as lanças e os punhais!

Acendei a fornalha imensa - a inspiração.
Dai-lhe lenha: a verdade, a justiça, o direito.
O entusiasmo, a loucura, a febre, a indignação;
E, p'ra que a labareda irrompa, abri o peito
E atirai à fornalha em brasa - o coração!

Há-de-nos devorar, talvez, o incêndio, embora!
O poeta é como o sol: o fogo que ele encerra
É quem espalha a luz nessa amplidão sonora;
Queimemo-nos a nós iluminando a terra!
Somos lava, e a lava é quem produz a aurora!

Guerra Junqueiro
in, Revista "Occidente"1º ano - volume 1 - nº 11
                       1 de Junho de 1878 


Quando se lê Guerra Junqueiro, ninguém fica indiferente à força rítmica e à pureza literária dos seus versos, que são - como estes que fui descobrir na antiga publicação acima referida - onde ele se fez ferreiro dentro daquela liberdade literária que só é concedida à Poesia e aos seus cultores, e por isso, bateu com alma em cima da bigorna da sua inspiração todos os versos, como se eles fossem lanças e punhais.

Assim escreveu, porque assim viveu!
Quando escreveu esta poesia - levando em conta o ano da sua publicação - Guerra Junqueiro teria 28 anos.

Vivia a idade dos grandes combates que ele travou com o mundo que conheceu numa Monarquia Constitucional que já suspirava pela República e os "ares" que ele bebeu na "Geração de 70" fê-lo abandonar o regime monárquico, e logo após o Ultimatum Inglês, desiludido, abraçou o republicanismo.

Espírito ardente, este poema é bem o retrato do homem que ele foi enquanto combatente das ideias e das crenças, mesmo das mais sagradas, pelo que, se poderá parecer um exaltamento indevido do poeta quando afirma aos seus iguais: Queimemo-nos nós iluminado a terra / Somos lava, e a lava é que produz a aurora, Junqueiro deixa-nos a pensar no que quis transmitir, parecendo que, pese embora, tudo quanto nos escapa da sobrenaturalidade que nos faz existir, compete-nos produzir um pouco da luz da "aurora" e ajudá-la a romper, sendo esta "aurora" aquilo que se ilumina em nós, quando deixamos que tal aconteça.

Guerra Junqueiro, no seu íntimo, sabia muito bem que que a lava - a parte divina que habita o coração do homem e ele atirou à fornalha em brasa - era bem capaz de em si mesmo e naqueles a quem dirige o poema, produzir a "aurora" com a chama que cabe a cada um ajudar a acender na grande fornalha do Mundo.

Pena que andemos distraídos e não saibamos que somos uma lava capaz de produzir as "auroras" para que fomos criados e para as quais devemos viver!

                                          É bater, bater com alma na bigorna.