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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Momentos para ouvir e agradecer - Laudate Dominum - (Mozart) (18)



"Laudate Dominum". 
Louvado seja o Senhor.

Este é um dos hinos em que a música mágica de Mozart e o belo-canto se elevam para homenagear Aquele, que é louvado por todos os povos, já passa de dois milénios e para O qual erguem as suas mãos em actos de louvor dirigidas ao Senhor que alguns, mal avisados julgavam que seria um Rei temporal e, possivelmente, terão ficado chocados quando Ele disse: 

O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui”.

É por isso que este hino de louvor é uma peça admirável porque nele perpassam, leves, mas com grande intensidade as palavras de Jesus, que efectivamente, sem ser daqui, como disse, foi através d'Ele que o governo do céu chegou à terra, com a particularidade de não ser um reino mundano mas celestial.

È o que sentimos, ouvindo a música e a voz em louvor d'Aquele cujo propósito foi o de purificar a alma dos homens pela obediência à verdade e à prática de um amor fraterno, expulsado da mente o mal e o perverso como num dado momento ouvimos cantar.



Laudate Dominum

Aleluia, homens,
alegrai-vos no Senhor,
que doa a vida a todos, porque nos ama!
Aleluia, ó meu Deus,
Tu vives omnipotente,
Vós sois sempre benigno, vós nos amais!

O nosso Pai no céu
reina sobre toda a terra
e vence o diabo, o temor,
e os homens todos.

Oh, louvai o Senhor!
Orai a Deus,
amai o Criador
que criou o mundo.
Oh, louvai o Senhor!

Eis, vem Jesus te libertar,
Conduzir-te para a vida, amigo. Alegra-te!
Amigos, expulsai
da mente o mal e o perverso!
Recebei da alma o que é salvo e fiel!

Jesus Cristo na cruz,
a vida veio através da dor,
mas da morte ressuscitou a luz nova do mundo.
Oh, louvai o Senhor!
O Filho Jesus Cristo
O Redentor de todos,
E o Espírito Santo!
Oh, louvai o Senhor!...

Momentos para ouvir e agradecer - Ave Verum Corpus (Mozart) (17)



(...)
O “Corpo de Deus” demonstra-nos a compaixão divina no olhar de Jesus. O corpo de Deus fala-nos com a autoridade absoluta com que atraía a tantos e calava os demais. O corpo de Deus suporta-nos na paciência infinita com que sofreu as nossas dores, salvando-as sob o peso delas. O corpo de Deus alimenta-nos com tudo o que Cristo transporta, oferece e salva. Sustenta-nos em Deus e para Deus; para sempre, como também ouvimos: «Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente».
(...)
Excerto da homilia proferida pelo actual Cardeal-Patriarca de Lisboa, 
D. Manuel Clemente, no Dia do Corpo de Deus de 2014




Salve, 
ó Verdadeiro Corpo


Salve, ó verdadeiro corpo nascido da Virgem Maria
Que verdadeiramente padeceu e foi imolado na cruz pelo homem
De seu lado transpassado fluiu água e sangue
Sê para nós remédio na hora tremenda da morte
Ó doce Jesus, ó bom Jesus, ó Jesus filho de Maria.

Salve.ó verdadeiro corpo nascido da Virgem Maria
Que verdadeiramente padeceu e foi imolado na cruz pelo homem
De seu lado transpassado fluiu água e sangue
Sê para nós remédio na hora tremenda da morte
Ó doce Jesus, ó bom Jesus, ó Jesus filho de Maria.


As minhas pedradas a Cristo!



Aconteceu um dia, junto ao Templo de Jerusalém.

Jesus Cristo, ante uma multidão de judeus e, ainda, que alguns o ouvissem - parecendo interessados - desconfiavam da sua personalidade, mormente quando perceberam que Ele falava como se fosse Deus, dizendo d'Ele - aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou só, porque faço sempre aquilo que lhe agrada, acalorou os seus ouvintes ao declarar que eles, verdadeiramente, não conheciam Deus, mas eu conheço-o e observo a sua palavra.

E tudo se complicou quando Ele acrescentou que Abraão - que eles reconheciam como pai - exultou pensando em ver o meu dia; viu-o e ficou feliz. Esta afirmação concludente de Jesus, ao afirmar que Abraão se tinha alegrado em ter visto o seu - dia - e do qual falava com tanta segurança, e que ele - viu-o e ficou feliz - extravasou a paciência dos seus ouvintes, acirrando-lhe os ânimos a ponto de terem ficado perplexos, pensando que Ele ao dizer estas coisas tinha perdido o bom senso, ou então, estava a fazer troça deles.

Perguntavam-se entre eles:

- Em que se baseava Jesus para falar daquele modo, como se fosse contemporâneo do mais remoto antepassado do povo hebreu que havia morrido havia dois milénios?

 - Como podia ser isso, senão uma brincadeira de mau gosto e de todo inaceitável?

Vai daí, e já de cabeça perdida, com as vozes alteradas - deixando prever o pior - abeiraram-se mais perto de Jesus e desferiram uma pergunta que lhes pareceu de tal modo evidente que Ele não teria capacidade de responder.


- Então tu, ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?

Jesus, calmo, condoído daqueles seus irmãos judeus, respondeu-lhes com toda a serenidade, mas sem cuidar do que ia acontecer.

- Em verdade, em verdade vos digo: antes de Abraão existir, Eu sou!

Esta resposta foi algo que eles não puderam aceitar, até porque lhes pareceu cheia de uma verdade que lhes escapava de todo por não saberem que trocavam um diálogo com Alguém que incarnava o Pai Eterno na sua aparência humana, pelo que, alguns deles mais irritados agarraram em pedras para lhe atirarem... o que levou Jesus a esconder-se.

(Composição inspirada no Cap. 8 do Evangelho de S. João ( 21-59)




Lido atentamente este trecho do Apóstolo S. João, no fim, dei comigo a pensar nas vezes em que me tenho parecido com aqueles antigos compatriotas de Jesus Cristo que viviam presos a crenças passadas que Ele ultrapassou com modos e linguagem diferentes onde expunha a Nova Mensagem, que eu aceito e tento viver.

Porém, a dúvida que me fica - é que, sem imitar os seus antigos ouvintes que num dado momento resolveram apedrejá-lo - se eu mesmo não tento atirar-lhe pedras nos seguintes casos:
  • Quando ignoro a Nova Mensagem e me esqueço que ela devia ser o meu texto fundamental e me deixo perder em leituras frívolas que discuto ou comento com os meus amigos - como se aquelas leituras me pertencessem pela defesa que ponho na sua defesa - e me esqueço de defender aquilo que efectivamente, me pertence -  A Bíblia - e nem sequer a apresento aos meus amigos, sobretudo aos que andam longe do seu conhecimento.
  • Quando critico o tempo que se vive e desligo dele as Palavras de Jesus - que sendo certo, não agiu como político - nos deixou por aquilo que disse e ensinou e os Apóstolos registaram, um modo de compreender, hoje, as potencialidades morais e sociais que postas em prática segundo a Luz em que Ele viveu e agiu, bem poderia ser para os homens do nosso tempo o discernimento que lhes falta, porque vivem por demais agarrados aos seus princípios, muito sábios e muito académicos, esquecendo-se, contudo, que verdadeiramente não vivemos o nosso tempo se desligamos dele o Evangelho.
  • Quando atraiçoo a Verdade de Jesus, especialmente, quando por um instinto de defesa ajo dentro daquilo que um certo mundo aceita como correcto - mas bem longe de o ser perante a própria dignidade humana - e me refugio ou, quando faço uma coisa ainda mais abjecta: quando entro no jogo como se fizesse parte desse tal mundo que devia merecer a minha censura e chego ao ponto de lhe bater palmas.
Entre outras, as minhas pedradas a Cristo são estas.

Outras poderia acrescentar, mas estas bastam para demonstrar a mim mesmo que nos momentos em que vivo assim, me pareço com aqueles judeus que encheram as mãos de pedras para as atirar Àquele que lhe dizia verdades que eles não queriam ouvir.

Pareço-me, ainda, com eles, quando não defendo a sua Verdade que traz com ela a marca dos pregos da Cruz e não a aceitação triunfal de uma qualquer assembleia que o tivesse eleito, porque Ele morreu desprezado de todos, a começar por alguns que O seguiram e tiveram medo dos homens das pedras.

Efectivamente, não há volta a dar a este assunto.
Ou aceitamos o Evangelho com todas as suas Verdades, ou, ao invés, o Mundo vai continuar a apanhar pedras para as lançar contra os que - sem medo - O defendem ou se deixam morrer em defesa d'Ele, como aconteceu com Estêvão que foi apedrejado até à morte.

Não esqueçamos isto: os homens das pedras continuam activos.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Momentos para ouvir e agradecer - "Domine-Deus" (16)


Deus não precisa de forma alguma de ser revelado aos homens porque Ele - por Si mesmo, é - e porque assim é considerado, está acima de toda a explicação ou revelação, atendendo a que desde as origens mais remotas até onde pode chegar o conhecimento humano Ele é a divindade acima de tudo e todos.

É n'Ele que se centram todas as religiões abraâmicas que surgiram na cultura ocidental e O aceitam, por ser por si mesmo, e como tal ser o tronco surgido da raiz profundamente fundada no Mistério onde embotam todas as ciências filosóficas.

Este hino "Domine-Deus" (Ó Deus ou Senhor Deus) ao ter como centro da sua exaltação a crença em que se funda o Cristianismo, começado no século I d. C.  por um pequeno grupo judaico de onde derivou a Igreja Cristã, tendo como fundamento Jesus Cristo - sua figura central -  é considerada de origem divina, personificando um Deus Trino, pelo que a letra deste belo hino ao começar pela exaltação que lhe é devida pelos homens, o chama: Senhor Deus, Rei celeste,/Deus pai omnipotente, ligando-lhe, seguidamente, o Senhor filho unigénito,/Jesus Cristo, que revela aos homens que o Filho é tronco da mesma raiz.

Admiravelmente, a voz de Andrea Bocelli, sem apagar o fundo musical de Rossini, ergue-se bem acima para nos dar este belo momento de canto:



Senhor Deus

Senhor Deus, Rei celeste,
Deus pai omnipotente.
Senhor filho unigénito,
Jesus Cristo.
Jesus Cristo. Jesus Cristo.

Senhor Deus, Rei celeste,
Deus pai omnipotente.
Senhor filho unigénito,
unigénito, Jesus Cristo.

Senhor Deus, Cordeiro de Deus,
Filho do pai.
Filho do pai
Senhor Deus, Cordeiro de Deus,
Cordeiro de Deus,
Filho do pai.
Filho do pai.

Senhor Deus, Rei celeste,
Deus pai omnipotente.
Senhor filho unigénito,
Jesus Jesus Cristo.
Jesus Cristo. Jesus Cristo.

Senhor Deus, Rei celeste,
Deus pai omnipotente.
Senhor filho unigénito,
Unigénito, Jesus Cristo.

Senhor Deus, Cordeiro de Deus,
Filho do pai
Filho do pai
Filho do pai
Filho do pai
Filho do pai



terça-feira, 5 de maio de 2015

Momentos para ouvir e agradecer "Pai-Nosso" (15)


O Pai-Nosso é a oração mais conhecida do Cristianismo, advindo a sua força espiritual por ter sido ensinada por Jesus aos seus apóstolos, o que motivou que dois deles, S. Lucas e S. Mateus tenham dado conta desse momento fundamental que levou Jesus, embora vivendo num contexto de espiritualidade judaica estando como judeu sujeito à Torá - ou à lei de Moisés - ter, pela primeira, vez invocado Deus como Pai, porque Ele tinha vindo para inaugurar um Tempo Novo.

Conta S. Lucas que Jesus estava algures a orar, e quando acabou um dos doze sem indicar o seu nome se abeirou d'Ele e pediu-lhe: Senhor, ensina-nos a orar, como João também ensinou os seus discípulos

Disse-lhes Ele: Quando orardes, dizei:

Pai,
santificado seja o teu nome;
venha o teu Reino;
dá-nos o nosso pão de cada dia;
perdoa os nossos pecados,
pois também nós perdoamos
a todo aquele que nos ofende;
e não nos deixes cair em tentação.
(Lc 11, 1-4)

Quanto a S. Mateus, a cena do pedido a Jesus feita por um dos doze discípulos não é referida, dando-nos este apóstolo uma descrição detalhada de uma catequese educacional quanto ao modo como Ele queria que aqueles que O seguiam se diferenciassem dos judeus tradicionais, recomendando-lhes: Nas vossas orações, não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições, porque pensam que, por muito falarem, serão atendidos. Não façais como eles, porque o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de vós lho pedirdes.

Rezai, pois, assim:

Pai nosso, que estás no Céu,
santificado seja o teu nome,
venha o teu Reino;
faça-se a tua vontade,
como no Céu, assim também na terra.
Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia;
perdoa as nossas ofensas,
como nós perdoámos a quem nos tem ofendido;
e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.
(Mt, 6, 9-13)


É esta a bela Oração mundialmente conhecida em todo o devir do tempo e que Andrea Bocelli interpreta, emprestando-lhe com a sua melodia da sua voz toda a força espiritual que tendo começado em Jesus, passou para todas as gerações que através dela têm tido como  intermediário Aquele que a ensinou, e através d'Ele têm erguido para Deus-Pai, ao longo dos séculos, os seus corações.

Ouçamos Andrea Bocelli:



  • Retenhamos, que no tempo, pela primeira vez Deus é chamado de Pai pela boca de Jesus, algo incompreensível pelo farasaísmo militante da Escola de Gamaliel.
  • Que ao dizer a oração santificado seja o teu nome ficou desde então distinta a diferença entre o santo e o profano, mantendo-se o poder da fé por cima de todos os que negavam Deus, não deixando de O honrar por cima de todas as coisas.
  • Que o faça-se a tua vontade e não a minha, era o abandono do homem à vontade de Deus, na certeza que Ele é o guardião da vida.
  • Que o pão nosso e cada dia, não se referia, apenas ao sustento do corpo, mas à obtenção do pão da alma, que passou a ser um alimento espiritual para sustento da vida.
  • Que o perdão as nossas ofensas obrigava a que as dos outros deviam ser perdoadas.
  • Que o não cair em tentação era o reconhecimento da nossa fraqueza humana e, por isso o pedido da ajuda divina.
  • Daí, o pedido de sermos livrados do mal e, com isso, uma vez mais, a exposição das nossa imperfeições humanas de que só o amparo de Deus nos pode livrar.

Concluindo, diremos que a Oração do Pai-Nosso não pode ser rezada como um "amuleto", mas sim - e sempre - com o sentido em Jesus, que no-la deixou como garantia de sermos ouvidos, como Ele foi.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

"Um sentido para a Vida" (14)


O Padre compositor, poeta e cantor que dá vida a esta postagem é mais um dos casos a reter - entre outros - que, hodiernamente, na Igreja renovada pela aragem do Concílio Vaticano II, juntam numa feliz prenda de Amor e Doação a sua vocação sacerdotal numa contínua Acção de Graças ao anúncio e proclamação da Palavra de Deus, servindo o Altar da Palavra, ao mesmo tempo que nos surpreedem quando a esta doação maior e única, juntam o facto de serem poetas, músicos e - como é o caso presente - o Padre que me cumpre exaltar alia a estes dois atributos a arte de ser um cantor de Deus.

Ouvindo-o, este é um dos tais momentos para dar graças, deixando embalar a alma ao som da melodia e da sua voz, quando ele nos diz, cantando: 

Vive em mim a semente
Que um dia Deus plantou
Por entre noites e dias
O Sol da vida raiou.

Vive em mim a semente - é assim que começa este hino -  o que significa que o Padre ao ter respondido a um chamamento divino para seguir as peugadas d'Aquele que o chamou, a semente de que ele nos fala foi lançada num sulco especial aberto pelo arado do Lavrador Eterno - para dar fruto - porque, por entre a noites e dias/o Sol da vida raiou.

Assim termina a primeira estrofe do hino com esta exclamação de louvor a um Sol de calor transcendente, que como diz o Padre-cantor até de noite não deixou de incidir o seu calor à semente que havia no seu coração, até ter tido vida própria num dado momento em que a afirmação do seu SIM fez que sobre ele baixassem, aquietando-se num doce afago as asas da Pomba Branca igual à que trouxe boas novas a Noé no tempo do dilúvio com um ramo de oliveira no bico e sendo a mesma que no rio Jordão selou com Jesus Cristo o Abraço da Trindade.



Confesso que tenho um profundo carinho pelos Padres que num acto único de renúncia a projectos aflorados - ou até experimentados - os deixaram para servir de pastores de todas as ovelhas, porque todas, mesmo as desgarradas pertencem ao redil do "Bom Pastor", como Ele diz na Parábola respectiva.

E assim, ao ouvir este Padre-cantor que deixou para trás tudo aquilo que era um empecilho à sua vocação não pude passar adiante sem ouvir várias vezes estes versos:

O sonho ficou para trás
Com ele o que não pertence
Ao projecto que o Pai
Guardou p'ra mim
O seu amor me conquistou
E fez crescer
Um sentido para a vida (...)

Um sentido para a vida.
Eis o mais importante: dar sentido à vida, tendo-se a certeza que isto só se consegue fazendo silêncio no nosso coração. 

Ouvimos esta verdade neste belíssimo hino a Deus e este facto, não como paga pelo belo momento que a arte melómana do Padre-cantor -  me deu -  mas como prova da minha estima pelo seu sacerdócio, fui buscar ao baú das minhas memórias arquivadas este antigo poema que tem o condão de ser sempre novo.

SER PADRE
                                                                                    
Ser Padre
É mostrar na Terra o Céu
E, é - quando a vida se encerra -
Fazer com que o Céu desça
Sobre a imensidão da Terra!

Ser Padre
É ser como Jesus.
É dar as sandálias e o perdão
E é dar o leito aos nús
E o próprio pão!

Ser Padre
É ser maior e mais alto.
É ser torre de vigia
E, é, ter na alma o sobressalto
De ser a luz que alumia!

Ser Padre
É ser arrimo
Da alma peregrina
Que caminha para o cimo
Da Casa Divina!

Ser Padre
É ser profundo...
É duplamente viver:
Não estar onde peca o mundo
E estar lá... para sofrer!

Ser Padre
É ter o Mistério que o encaminha
E lhe dirige os passos
Porque ele é quem guarda a vinha
Por entre frios e cansaços!

Ser Padre,
É ser um companheiro
Saído do meio de nós.
É estar partido e ser inteiro...
E ser em Deus a nossa voz!


A eventual volta do Imposto Sucessório


Gravura publicada pelo extinto Jornal 
"A Bomba" de 15 de Junho se 2015


Noticiaram recentemente, os jornais:

Com as alterações legislativas levadas a cabo em 2003 foi abolido o Imposto sobre as Doações e Sucessões dando lugar, no entanto, ao Imposto do Selo com algumas isenções.

Peritos do PS propõem três medidas para financiar a Segurança Social: recuperação de imposto sucessório, penalização da TSU para empresas que despedem muito e consignação da receita que adviria da descida do IRC.

Contas dos economistas do PS contam com uma receita de 104 milhões de euros em 2016. A medida é polémica.



A orquestra está afinada e toca a música habitual para abrilhantar o "Bailado Político", onde aparece, a Pátria - como convém, vestida de vermelho e onde não falta o barrete - e se contenta coma  dança, mas sem se aperceber da trama em que a querem envolver, com o ressurgimento do "Imposto Sucessório" para heranças superiores a um milhão de euros, uma proposta que faz parte do estudo dos doze economistas a quem o PS encomendou o "Documento para a Década".

Eu penso que este imposto é, possivelmente, dos mais justos em termos sociais, pelo que o aceito... o que não aceito é que me queiram enganar, porquanto, Portugal não tem tantos milionários - de heranças superiores a um milhão de euros - cujas taxas a favor do Estado a pagar pelos sobrevivos possam ser de tal modo generosas que ajudem os cofres públicos em montantes capazes de aliviar as contas degradadas da Segurança Social.

E que isto não chega. Como diz o povo: é uma gota no oceano.

Pelo que, não taxando os sobrevivos que ficam abaixo daquela quantia - e é a maioria do povo - isto cheira a  um modo de demagogia que no tempo actual já não convence, razão que me leva a dizer, repetindo: A orquestra está afinada e toca a música habitual para abrilhantar o "Bailado Político" que a feliz gravura que se reproduz representa, só que, ao que parece, a orquestra tem um tom desafinado... porque toca a poupar a maioria dos eventuais votantes - que interessa cativar - acenando em ir buscar dinheiro aos ricos, embora sabendo-se que tal facto é a tal gota no oceano.

É, convenhamos, uma desafinação... concertada!
Só não sei se por culpa dos músicos ou do maestro.
Ou será de todos?

Apetece, por isto - e com a devida vénia - brincar, utilizando os versos bem dispostos de uma antiga cantiga popular, que penso, pertence à colectividade:

A mim não m'enganas tu,
A mim não m'enganas tu.
A panela ao lume
O arroz'stá crú!

'Stá crú, deixá-lo cozer
'Stá crú, deixá-lo cozer
Metem-me um barrete,
Metem-me um barrete,
Deixá-lo meter!

Deixá-lo meter?  Não. Lá isso, não!

O "Bailado Político" - com o barrete metido na cabeça da figura que representa a Pátria pode continuar... e, se calhar, vai continuar -  mas não contem comigo para entrar nesta dança e noutras que, eventualmente, venham doutro lado.

Estou velho para estas danças

António Costa e a sua esquisita liberdade de expressão!


in, Blog "Causa Nossa"de 3 de Maio de 2015


E agora, que fazer, Sr. António Costa?

O insuspeito jurista Vital Moreira - como muitos portugueses atentos à "res-pública" - não gostou do inusitado SMS que este candidato a Primeiro-Ministro enviou ao jornalista do Expresso, João Vieira Pereira no dia 25 de Abril de 2015, verberando como modos azedos a sua crítica ao "Documento para a Década" que o PS apresentou publicamente, expondo-o a ser criticado, para o bem e para o mal.

A Democracia é assim. 

Eu próprio, que sou um simples cidadão e faço parte dessa imensa multidão que gosta de sentir a sua cidadania e vivê-la sem ofender ninguém, especialmente o carácter - que é algo que me merece todo o cuidado, porque todos os homens são meus irmãos -  realço a tomada de posição  do conceituado jurista, Dr. Vital Moreira, que não se escondeu detrás de qualquer conformismo e, veio, por os pontos nos "i-i-i", chamado a atenção para a "Liberdade unilateral" de alguém que quer ser Primeiro-Ministro de Portugal e que pode ser tomado com o seu SMS a candidato a ditador...

Isto não podia ter sido evitado, Sr. António Costa... diga lá?

domingo, 3 de maio de 2015

Momentos para ouvir e agradecer - Hino "Panis Angelicus" (12)


O hino Panis Angélicus (Pão dos Anjos) é antiquíssimo. Remonta a cerca de 1274 e é constituído pela penúltima estrofe do hino "Sacris solemniis", escrito por São Tomás de Aquino para a Festa de Corpus de Deus, como parte de uma liturgia completa daquela Festa católica. 

Trata-se de um cântico dedicado à Sagrada Eucaristia,o Sacramento maior da Igreja Católica que junto do Baptismo e da Confirmação constitui a fonte da própria vida da Igreja. É deste Sacramento que nasce o caminho da fé, da comunhão e do testemunho de cada cristão, tendo como fundamento aquele Acto Transcendente que lembra o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus. 

Dir-se-á que este hino lembra aos fiéis o banquete de Deus, onde Ele reparte o pão e o vinho, representado pela hóstia, relembrando o momento transcendente que Jesus fez na Última Ceia com seus apóstolos, fazendo assim, que penetremos na contemplação do grande Mistério em que o próprio Deus se tona alimento espiritual para todos os homens.



Em Latim

Panis angelicus
fit panis hominum;
Dat panis coelicus
figuris terminum:
O res mirabilis!
manducat Dominum
Pauper, pauper,
servus, et humilis.
                                  

Tradução:

O pão angelical
se converte em pão dos pobres;
O pão do céu
acaba com as antigas figuras:
Óh, acontecimento admirável!
Os pobres, os servos e os  humildes
se alimentam do Senhor!


sábado, 2 de maio de 2015

À atenção do sr. António Costa!


http://www.publico.pt/ (on-line e de Maio de 2015)


Quem disse isto?

O deputado socialista Pedro Nunes Santos, economista de formação e que promete fazer tudo para que a proposta - dos doze - que aponta para a redução da TSU para as empresas seja alterada até à apresentação do programa eleitoral, aprazado para Junho.

E esta? ... quem diria que de dentro das fileiras do PS vinha alguém contestar a "bíblia" apresentada por António Costa...

Coisas que acontecem, o que prova que qualquer documento nem sempre parece o que é e que os - doze - são passíveis de contestação... por outro economista, que naturalmente, sabe da poda e não está de acordo.

É uma pedrada no charco, não é? - Pois é!

Momentos para ouvir e agradecer - Um Mundo de Homens Meninos (9)


Alguém disse, que o homem nunca devia esquecer o seu coração de criança, porque ele é sempre - ou devia ser - ao longo da vida o fiel guardião da beleza pura que teve o menino que todos fomos e onde a ingenuidade perdida no ser adulto jamais devia perder a morada que tivemos e onde vivemos felizes, porquanto o Mundo teria muito a ganhar com esta atitude.

O Poeta Carlos Queirós, um dia, ao pensar nisto escreveu o enternecedor poema a que chamou CANÇÃO INOCENTE  que nos deixa a pensar, começando com uma pergunta que se for vista da altura da nossa muita sabedoria de adultos, até pode parecer um despropósito:

Menino, queres ser meu mestre?

 - Contigo tinha tanto que aprender!
A ser casto, sem querer
A ser bom sem o saber
A ser alegre sem ter
Motivos para o ser.

 Menino: queres ser meu mestre?

 - Deixa o teu arco aí. Vem-me ensinar
 A sorrir e a confiar;
 A ter esp’rança e a perdoar;
 A esquecer e a chorar...

 Menino que brincas no jardim:
 - Tu, sim,
Podias ser um mestre para mim!

Carlos Queirós tem toda a razão.
Se os homens ouvissem mais vezes o menino que vive dentro deles e lhe pedissem conselho - Tu, sim! / Podias ser um mestre para mim! - certamente, que ouvindo o pequeno "mestre" este Mundo podia andar mais concertado.


O cantor de Alexandra Demis Roussos nesta canção UM MUNDO DE HOMBRES NINOS, retoma, cantando, a temática de Carlos Queirós e fá-lo com a sua voz que já se perdeu do mundo dos vivos, mas ficará como seu testemunho a dar aos homens sinais de esperança num amor que nunca existiu, globalmente, mas pelo qual não se pode desistir.


A tradução diz assim:


Pensa num cavalo do carrossel,
Galopando em torno do sol,
Imagina um mundo de homens crianças,
Sob altas nuvens de algodão,
 Pensa numa escola ao ar livre,
Onde aprendeste a jogar,
Com o céu azul como mesas,
Com todo o tempo a cantar.

Refrão

Cantar uma música para o mundo,
Tudo para ouvir ao acordar,
Canta. Se o fizeres com a alma,
Mesmo os surdos te ouvirão.
Cantar uma música para o mundo,
Por que ele muda, talvez cantando.
Canta um canto puro,
Como os sonhos de sua infância.

Considera que levantas um bom génio,
Que ninguém pode destruir,
Pensa em um país de doces,
Feito apenas para sorrir.
Pensa conversar com seus amigos,
Com as aves e peixes,
Imagina um mundo de homens crianças,
E nunca andarás perdido.

(Refrão)

           

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Coisas de um SMS...para ler e meditar!


No dia 25 de Abril de 2015 o Director-Adjunto do "Expresso" comentou como o título "Perigosos desvios do PS à direita" o "Programa para a década" apresentado por António Costa, tendo aomeçado a crítica como a seguir se reproduz:

in, http://expresso.sapo.pt/



No dia 1 de Maio de 2015, o "Correio da Manhã", na sua edição on-line, publica este título:

http://www.cmjornal.xl.pt/


Neste mesmo dia o "Expresso" na sua edição on-line, pela pena de João Vieira Pereira publica o SMS recebido de António Costa, com data de 25 de Abril de 2015, ou seja, na mesma data do artigo publicado por este jornalista do "Expresso".



Por mim fico a saber o seguinte:
  • António Costa não gostou do artigo crítico do jornalista que na sua liberdade assumiu o direito de o achar eivado de  "perigosos desvios à direita", como se na liberdade de opinião o jornalista tivesse cometido uma "heresia" perante o documento que, como tudo quanto o homem faz, nem sempre acerta com a perfeição...
  • Depois, que, pelo SMS tão inusitadamente recebido João Vieira Pereira declara "pensar que era um engano"...
Depois, reli o SMS e tomei nota:
  • que, em tempos, o jornalismo foi uma profissão de gente séria...
  • informada, que informava, culta, que comentava...
E desisti da releitura, mas fiquei a pensar nisto e a lembrar-me dum velho e sábio axioma popular que nos diz que, "quem anda à chuva, molha-se" ... e o Sr. António Costa se foi molhado pela "chuva" que caiu em cima do seu "Documento" devia ter-se enxugado, porque a chuva vai continuar a cair, ou será que o documento encomendado a doze figuras que o teceram, adornando-o com premissas económicas - sempre falíveis - é considerado uma "bíblia" intocável?

Penso que António Costa tem de ter cuidado, porque este filme de ataque a jornalistas já teve no seu antecessor uma nódoa que ainda não foi esquecida, de todo... e ao que parece deixou um rastilho que lhe compete emendar, porque nem sempre os ventos correm de feição!