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terça-feira, 17 de março de 2015

Sabedoria do Mundo - Obrigado, Pai




OBRIGADO PAI!

Obrigado pai!
Pela vida!
Pela coberta que me aquece
Pelo tecto que me abriga
Por tua presença amiga!

Obrigado, pai!
Pelos doces
Pelos presentes,
Pelos passeios na praça!

Obrigado, pai!
Pelo suor na fronte
E pelos braços cansados
No final da jornada
Para que nada me faltasse!

Obrigado, pai!
Pelas noites em claro
Quando o dinheiro não deu
E mesmo assim,
Nunca nos abandonaste
Porque me castigaste
Quando eu estava errado
E por tentar me mostrar
O caminho da verdade!

Obrigado, pai!
Por tantas vezes que abdicaste
Teus sonhos para realizar os meus
E abriste mão das tuas vontades
Para realizar meus caprichos!

Obrigado, pai!
Porque tu existes!
Porque és meu pai,
E porque todas as tardes
voltas para casa!

Desconhecido
..............................

O meu comentário a esta Sabedoria do Mundo

Obrigado, pai, pela vida que me deste, pelo tecto que me ofereceste, pela tua presença constante, pelos doces mesmo quando os não merecia, pelos passeios através das ruas da cidade, pelo suor da tua fronte, pelos teus braços cansados do fim do dia, pelas noites em claro vigiando um sono que não vinha ou quando estava doente, pelas faltas de dinheiro que sentias e me desejavas comprar uns sapatos novos, pelos castigos merecidos pela minha irrequietude, pelas emendas quando me viste errado, por me teres mostrado que só havia um caminho: o da verdade, pelos sonhos que não cumpriste para que os meus tivessem sido possíveis.

Obrigado, pai, porque já não existindo continuas vivo na minha lembrança, porque continuas a ser o meu pai... e, porque todas as tardes voltas para casa... sem doces, é verdade... que neste fechar da vida já não me fazem falta, - mas, continuas a voltar para casa na minha recordação - e devo dizer-te, que verdadeiramente, o grande doce cujo sabor jamais esquecerei foi o facto de teres existido e facto de tanto me teres amado!

Obrigado, pai, porque nunca me abandonaste!

Por fim, desejava que as palavras que deixo aqui em rodapé de um belo texto de "autor desconhecido" - lembrando o pai que tive - se enquadrassem no título "SABEDORIA DO MUNDO" que vai expresso em epígrafe, e embora sejam memórias minhas, sentir-me-ia feliz se fossem entendidas como  uma memória colectiva, porque todos os filhos devem a seus pais palavras de amor que deviam ficar vivas para sempre.

E, porque elas se cruzam com a vida de todos os filhos na vida de seus pais, exaltando-os, deviam ser luzes a encher o tempo e o espaço, porque tudo o que somos provém de termos bebido na sabedoria dos nossos pais a "SABEDORIA DO MUNDO".


Sabedoria do Mundo




Com o tempo...

Com o tempo...
aprendemos que estar com alguém só porque esse alguém nos oferece um bom futuro, significa que mais cedo ou mais tarde iremos querer voltar ao passado...

Com o tempo...
daremos conta que casar para não “estár sozinho(a)” é uma clara advertência de que o matrimónio será um fracasso...

Com o tempo...
compreendemos que, só quem é capaz de nos amar com os nossos defeitos sem pretender mudar-nos, é que pode nos dar toda a felicidade desejada...

Com o tempo...
daremos conta de que os amigos verdadeiros valem mais do que qualquer montante de dinheiro...

Com o tempo...
entendemos que os verdadeiros amigos se contam nos dedos, e que aquele que não luta para os ter, mais cedo ou mais tarde se verá rodeado unicamente de amizades falsas...

Com o tempo...
aprendemos que as palavras ditas num momento de raiva podem continuar a magoar aquele (a) durante toda a vida...

Com o tempo...
aprendemos que desculpar é possível a todos. mas perdoar só as almas grandes o conseguem...

Com o tempo...
Você compreende que se você feriu muito um amigo, provavelmente a amizade jamais será a mesma...

Com o tempo...
daremos conta que cada experiência vivida com cada pessoa, é irrepetível...

Com o tempo...
daremos conta de que aquele que humilha ou despreza um ser humano, mais cedo ou mais tarde sofrerá as mesmas humilhações e desprezos, só que multiplicados...

Com o tempo...
aprendemos a construir todos caminhos no dia de hoje porque o terreno de amanhã é demasiado incerto para fazer planos...

Com o tempo...
compreendemos que apressar as coisas ou forçá-las para que aconteçam fará com que no final não aconteçam como esperávamos...

Com o tempo...
daremos conta de que, na realidade, o melhor não era o futuro, mas sim o momento que estavávamos vivendo naquele instante...

Por isso, recorde sempre estas palavras:

O homem torna-se velho muito rápido e sábio demasiado tarde.
Exactamente quando: JÁ NÃO HÁ TEMPO!

Desconhecido

segunda-feira, 16 de março de 2015

O "português de sarjeta".




O "português de sarjeta" acontece...
Mas ouvido às escâncaras num vídeo que podemos ver e frases como as que foram dirigidas a alguém que fazia o seu trabalho de informação pública excederam o razoável, por muito importuno que tenha sido o zelo profissional da inquiridora:
  • Desampare-me a loja.
  • A senhora devia tomar mais banho. Cheira mal.
  • Esta gajada mete-me nojo.
  • Esta canzoada.
Estes ditos, mal ditos, foram dirigidos a uma jornalista do Correio da Manhã (CM) pelo Dr. João Araújo, um dos advogados de José Sócrates, à saída do Supremo Tribunal de Justiça.

Não vem ao caso o gosto que temos ou podemos não ter pelo jornal, mas seja qual seja a nossa opinião - e o dr. João Araújo, pelos vistos, não gosta do jornal - pelo que aquele "português de sarjeta" correu para o cano de esgoto das coisas que se dizem sob impulsos incontroláveis, é verdade, mas não deviam ter acontecido para bem da moral pública.

Mas aconteceu hoje. 

As palavras estão ditas e, tal como diz um velho conceito de um autor desconhecido, há quatro coisas que não voltam para trás: a pedra atirada, a palavra dita, a ocasião perdida e o tempo passado.


Sabedoria do Mundo - O meu Anjo




O meu Anjo

Anjo de Luz, guardião da minha vida. 
A ti fui confiado pela santa misericórdia de Deus. 
Ilumina a minha alma, guarda-me dos males, orienta a minha inspiração, fortalece a minha sintonia com Deus e torna-me forte diante dos percalços. 
Lembra-me todos os dias de não julgar nem ferir. 
Tinge a minha mente de amor e harmonia, para que eu possa tornar o mundo melhor, agora e para todo o sempre. Amém.

Desconhecido

Será que a política tira o bom senso?


in, www.sapo.pt


Passos Coelho tem defeitos. Ele mesmo o disse.

Mas daí a não aprender "com o falhanço da sua política" como disse António Costa, hoje, na Ilha da Madeira, vai uma grande distância, porque quem falhou em Portugal foram os governos do Partido Socialista, de que chegou a fazer parte, pelo que a gente lê e nem acredita na desfaçatez política que leva - como aconteceu - António Costa a dizer coisas exorbitantes, como esta, que podem conduzir a azedar o clima que se devia preservar em ordem a salvar Portugal.

Passos Coelho - que isto fique bem claro - tirou-nos do atoleiro onde o Partido de António Costa nos meteu em 2011, mas como ele não é um "homem perfeito" cometeu um erro e esse foi uma lástima, quando, embora sem dizer o nome atacou José Sócrates que se encontra preso a contas com a Justiça.

É que não se deve atacar o homem caído, por muito grandes que sejam os seus crimes,

- Será que a luta política tira o bom senso?

... E não pergunto mais.


Sabedoria do Mundo - Aprendi





APRENDI

Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém. Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência, para que a vida faça o resto.

Aprendi que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim, mas que há gente que não me compreende e jamais conseguirei convencê-las.

Aprendi que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos. Que posso usar a minha verborreia por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando.

Eu aprendi... Que posso fazer algo num minuto e ter que responder por isso o resto da vida. Que por mais que se corte um pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso caminho.

Aprendi... Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência. Mas, aprendi também, que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei.

Aprendi que preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles. Que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sentem.

Aprendi que perdoar exige muita piedade. Que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso.

Aprendi... Que nos momentos mais difíceis a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar as coisas.

Aprendi que posso ficar furioso, tenho direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel. Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse convencê-la disso.

Eu aprendi... que meu melhor amigo me vai ofender de vez em quando, que eu tenho que me acostumar com isso. Que não é o bastante ser perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro.

Aprendi que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso.

Eu aprendi... Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto.

Aprendi que numa briga eu preciso escolher de que lado estou, mesmo quando me não quero envolver. Que, quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas pessoas não discutem não significa que elas se amem.

Aprendi que por mais que eu queira proteger os meus filhos, eles vão se afligir e eu também. Isso faz parte da vida.

Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que eu nunca vi antes.

Aprendi, também, que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio.

Aprendi que as palavras de amor perdem o sentido, quando usadas sem critério. E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos.

Aprendi que certas pessoas vão-se embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos retê-las para sempre.

Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.


Desconhecido


domingo, 15 de março de 2015

Sabedoria do Mundo - A Amizade




A amizade


A amizade é um amor que nunca morre.
A amizade é uma virtude que muitos sabem que existe,
alguns descobrem, mas poucos reconhecem.
A amizade quando é sincera o esquecimento é impossível
A confiança, tal como a arte, não deriva de termos resposta para tudo, mas,
de estarmos abertos a todas as perguntas.
A dor alimenta a coragem. Você não pode ser corajoso se só aconteceram
coisas maravilhosas com você.
A esperança é um empréstimo pedido à felicidade.
A felicidade não é um prêmio, e sim uma conseqüência,
a solidão não é um castigo, e sim um resultado.
A felicidade não está no fim da jornada, e sim em cada curva do caminho que
percorremos para encontrá-la.
A gente tropeça sempre nas pedras pequenas, porque as grandes a gente logo enxerga.
A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delicia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você.
A infelicidade tem isto de bom: faz-nos conhecer os verdadeiros amigos.
A inteligência é o farol que nos guia, mas é a vontade que nos faz caminhar.
A maior fraqueza de uma pessoa é trocar aquilo que ela mais deseja na vida, por aquilo que ele deseja no momento.
A persistência é o caminho do êxito.
A pior solidão é aquela que se sente na companhia de outros.
A SOLIDÃO É UMA GOTA NO OCEANO QUE SÓ OLHA PARA SI MESMA... UMA GOTA QUE NÃO SABE QUE É OCEANO...
Amigos são a outra parte do oceano que a gota procura...
A tua única obrigação durante toda a tua existência
é seres verdadeiro para contigo próprio.
A verdadeira amizade deixa marcas positivas que o tempo jamais poderá apagar.
A verdadeira amizade é aquela que não pede nada em troca, a não ser a própria amiga.
A verdadeira generosidade é fazer alguma coisa de bom por alguém
que nunca vai descobrir.
A verdadeira liberdade é poder tudo sobre si.
Algumas pessoas acham-se cultas porque comparam sua ignorância com as dos outros.
Amigo de verdade é aquele que transforma um pequeno momento em um grande instante.
Amigo é a luz que não deixa a vida escurecer.
Amigo é aquele que conhece todos os seus segredos e mesmo assim gosta de você!
Amigo é aquele que nos faz sentir melhor e sobre tudo nos faz sentir amados...
Amigo é aquele que, a cada vez, nos faz entrever
a meta e que percorre conosco um trecho do caminho
Amigos são como flores cada um tem o seu encanto por isso cultive-os.
Amizade é como música: duas cordas afinadas no mesmo tom, vibram juntas...
Amizade, palavra que designa vários sentimentos, que não pode ser trocada por meras coisas materiais... Deve ser guardada e conservada no coração!!!
As pessoas entram em nossas vidas por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem.
Celebrar a vida é somar amigos, experiências e conquistas,
dando-lhes sempre algum significado.
Diante de um obstáculo não cruzes os braços, pois o maior
homem do mundo morreu de braços abertos.
Elogie os amigos em público, critique em particular.
Errar é humano, perdoar é divino.
Evitar a felicidade com medo que ela acabe; é o melhor meio de ser infeliz.
Faça amizade com a bondade das pessoas, nunca com seus bens!
Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.


Desconhecido
(in, Pensador)

Sabedoria do Mundo - Há Momentos





Há Momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que quiser.
Seja o que quer ser,
porque possuis apenas uma vida
e nela só se tem uma momento
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se agridem.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Só terás sucesso na vida
quando perdoares os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não para  brincar,
porque um belo dia se morre.

Desconhecido
in, Pensador


Sabedoria do Mundo





O passado nos molda para o que somos hoje, e o hoje nos adestra para o que seremos amanhã. 
No futuro teremos três tipos de pessoas: 
  • aqueles que deixaram as coisas acontecerem, 
  • aqueles que fizeram as coisas acontecerem 
  • e aqueles que ficarão perguntando: o que aconteceu?
Desconhecido

sábado, 14 de março de 2015

Grão de Incenso - Um poema de Augusto Gil




GRÃO DE INCENSO

 Encontraste com ar cansado
 Numa igreja fria e triste.
 Ajoelhei-me ao teu lado
– E nem ao menos me viste...

 Ficaste a rezar ali,
 Naquela imensa tristeza.
 Rezei também, mas a ti.
– Que aos anjos também se reza...

 Ficaste a rezar até
 Manhã dentro, manhã alta.
 Como é que tens tanta fé
 E a caridade te falta?...


in, Luar de Janeiro



Augusto Gil foi um neo-romântico e se houvesse dúvidas, este belo - ainda que pequeno poema - é uma prova concludente pelo lirismo da composição onde perpassam leves, com um hálito de fragrância amorosa os sentimentos puros do Poeta, como se, pelo facto de terem bebido os ares bem altos da terra onde viveu grande parte da sua vida - a cidade da Guarda - os tivesse plasmado em todas as suas composições poéticas.

o "Grão de Incenso" não foge à exaltação do seu pensamento ante uma cena trivial, que no entanto, assume pela arte do seu versejar ritmado e grácil, o encanto de um momento em que, ante a fé de "alguém" - possivelmente criado para adornar o poema - fica a pergunta final, quanto a uma hipotética falta de caridade, ou seja, à correspondência de uma amor que se dá e não tem retorno.

É um quadro da vida "pintado" com letras simples mas onde se cruzam no sentimento do amor, que vai continuar a ser até à consumação dos séculos a grande cruzada dos seres criados para se amarem, ainda que o amor que os anima se projecte, simplesmente num pequeno e volátil "Grão de Incenso" -  que pode não ter correspondência -  mas deixa ficar no ar a fragrância que o comandou.


Um pouco mais de humildade à ciência e à técnica.


Dar a mão àquilo que nem a ciência nem a técnica podem explicar
é um acto de sabedoria humana que toca o divino!


(...) A ciência e a técnica não estão dependentes da religião. Mas não podem prescindir de normas éticas, dada a sua ambivalência, isto é, de tanto poderem ser postas ao serviço do homem como servirem para a sua destruição. A salvação do homem não depende da técnica, mas da finalidade que ele quer dar à sua vida, da descoberta do sentido que a sua vida tem nesta terra, ou da missão que lhe foi dada a realizar na história. E disto não cura a técnica.
A religião tem aqui o seu lugar e um papel de suma importância a realizar. Para isso, ela não pode nem distanciar-se do mundo, ao qual deve comunicar o «suplemento de espírito», que humanize a ciência e a técnica, nem pode perder a sua identidade, por uma forma de incarnação que não seja referencial e profética para o homem..

Gonçalves Moreira  (in Voz Portucalense de 19 de Setembro de 1996)


Se é verdade que a ciência e a técnica podem viver por si mesmas, ou seja, sem qualquer subordinação à ordem espiritual, ela, no entanto, não deixa de flutuar por cima de todas as suas conquistas, pelo que a vida dos seus agentes erram quando pretendem reduzir as suas próprias vidas e as dos outros homens a uma só dimensão de cunho materialista, como se para além da complexa actividade humana mais nada houvesse e o transcendente da sua condição não existisse.

A salvação do homem, efectivamente, não se resume a ter mais conhecimentos científicos ou técnicos, mas a ter deles a noção de que o esforço do seu aperfeiçoamento não pode descurar o pedido de Salomão a Deus, pela Sabedoria (Sab 9, 10-11) e a forma como ele se lhe dirige: Manda-a dos teus sagrados céus e faz que ela venha do teu Trono glorioso, para que me acompanhe e trabalhe comigo e eu saiba o que é agradável diante de ti. Pois ela tudo conhece e compreende, e me guiará com prudência em meus trabalhos, protegendo-me com a sua glória.

Esta a razão porque Gonçalves Moreira diz que disto não cura a técnica, porque a religião jamais poderá de enviar ao mundo da ciência e da técnica o "suplemento de espírito" no sentido de humanizar o conhecimento científico, levando-o a ter a humildade de o relacionar com as directivas de Deus, Senhor de todo o Conhecimento a quem o rei Salomão - dono e senhor do poder de uma parte da Terra - pediu sabedoria para que ela, bem longe de se afastar, reinasse com ele.

Eis, porque, um pouco mais de humildade à ciência e à técnica será. porventura, algo de que muito aproveitaria ao homem, donde a sabedoria humilde de Albert Einstein parece ser, se devidamente reflectida uma porta estreita por onde deviam passar todos os homens, cientistas, ou não,

Leiamos o que nos deixou Einstein e que os seus pensamentos façam luz em todos os vaidosos das ciências puras.

  • A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o mistério. É essa emoção fundamental que está na raíz de toda ciência e toda arte.
  • Sem Deus, o universo não é explicável satisfatoriamente.
  • Pouco conhecimento é uma coisa perigosa, muito conhecimento, também.
  • A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada.
  • Deus nos fez perfeitos e não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos.
  • A religião cósmica é o móvel mais poderoso e mais generoso da pesquisa científica.
  • Deus é a lei e o legislador do Universo.
  • A ciência sem a religião é manca, a religião sem a ciência é cega.
  • Temo o dia em que a tecnologia se sobreponha à humanidade. Então o mundo terá uma geração de idiotas.
  • A imaginação é mais importante que a ciência, porque a ciência é limitada, ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro.
  • O homem erudito é um descobridor de fatos que já existem - mas o homem sábio é um criador de valores que não existem e que ele faz existir
  • Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade.
  • Quero conhecer os pensamentos de Deus...O resto é detalhe.
  • Há duas formas para viver sua vida: uma é acreditar que não existem milagres. A outra é acreditar que todas as coisas são milagres.

Uma palavra, apenas, para a última reflexão do sábio: Posso não crer em milagres, mas não posso deixar de pensar que a vida de qualquer homem é, só por si mesma um grande milagre e de tal modo tão grande que é, que a mente de cada um não chega para o explicar racionalmente.


sexta-feira, 13 de março de 2015

A Orfeu - Um poema de Miguel Torga





A ORFEU

Das tuas mãos divinas de Poeta
Herdei a lira que não sei tanger;
Por eleição ou maldição secreta,
Tenho uma grade para me prender.

Cercam-me as cordas, de emoção,
Versos de ferro onde me rasgo inteiro.
Mas, do fundo da alma e da prisão,
Obrigado, meu Deus e carcereiro!




Na mitologia grega "Orfeu" era médico e poeta, tal como foi Miguel Torga.

É a esse deus mitológico que Torga dedica o poema com a afirmação de ter herdado a lira como ele costuma ser representando, afirmando que a não sabia tanger, para depois nos deixar expresso o sentimento de se sentir preso a uma grade de cordas, que são afinal os seus formidáveis versos de ferro, onde por inteiro o seu ser se consumia.

Eis, porque, na última estrofe parece ter-se esquecido do deus mitológico.

Volta-se para uma outra realidade e agradece ao Deus da História dos homens, o facto d'Ele ser o que é e por ser o carcereiro que, como costuma fazer com todos os homens lhe abriu todas as portas da prisão - de que o Poeta fala - mas, verdadeiramente, dela, nunca se sentiu libertado, porque os tais versos de ferro fizeram dele, voluntariamente, um prisioneiro assumido, possivelmente, porque não foram em vão os tempos que viveu no Seminário de Lamego, razão porque Deus não é uma palavra sem sentido na sua poesia e, muito menos, uma palavra morta.

Obrigado, meu Deus e carcereiro!

Este seu último verso é esclarecedor, porque a negação de Deus nunca foi definitiva na sua alma, pelo que, o Deus Eterno - que ele nunca malsinou - certamente a acolheu por ter dado dado vida a um ser interrogador que de modo algum fez de Deus um Nada na sua vida e se não foi um Tudo, foi algo pelo qual se inquietou e a Ele se sentiu preso por um influxo que aqui e ali aparece, qual centelha, na sua brilhante poesia.


A Tolerância.



A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.

Mohandas Karamchand Gandhi


O problema da tolerância ao pôr-se, apenas, em questões opinativas leva-nos a concluir que estas conduzem o homem a ter sobre ele duas atitudes em confronto e de sinal contrário: uma de respeito e amor pelo outro ainda que se tenha opinião contrária, e outra de falsa concordância, onde o amor e o respeito cedem cobardemente os seus atributo à tibieza e à falta de complacência.

Entende-se o antagonismo, a partir do momento em que nos dispomos  a reflectir sobre o sentido da palavra – tolerância – pois, o que chega ao nosso entendimento, não é apenas o seu significado académico: consentir, desculpar, admitir, mas a par disto e como sentido plebeu, ela também é entendida como uma  fraqueza, um desleixo, um deixa andar, um não ligar e, até, significando um desinteresse onde falta todo e qualquer sentimento humano.

Tolerância é isto, no bom e mau sentido, mas é algo mais.

Ultrapassa estas duas concepções contrárias, assumindo-se como uma virtude serena do homem calmo, cheio por dentro de uma grande paz interior que advém do equilíbrio que permite estar atento a tudo quanto se passa ao seu redor, donde lhe é facultada a serenidade quanto tem de agir e tirar conclusões justas em questões onde o julgamento humano  - falho como é – tem de ter o melhor dos desempenhos para não ferir a sensibilidade do outro.

Aqui a tolerância está carregada de amor humano ou de simples amizade.

A prudência não pode, por este motivo, de estar presente na virtude de julgar, reflectindo e interiorizando cada acontecimento, sendo a cautela onde ela assenta a sua almofada, tendo-se como certo que todo aquele que age à revelia destes princípios corre o risco de ser um falso tolerante, admitindo o deixa andar ou o não ligar e outros modos, agindo-se por comodismo, fazendo-se da tolerância um engano sobre si mesmo e sobre o outro, e o que é muito grave, fazendo dela uma caricatura.

Tolerar, pressupõe, sobretudo, respeito pelo outro, devendo ser sempre um acto reflexo da amizade ou do amor que obriga aquele que usa de tolerância a raciocinar para compreender o outro na procura de o ajudar. A tolerância é, deste modo, o primeiro dos caminhos para o trazer o à observância do que é aceitável na discussão das ideias e, até, do ponto de vista espiritual, um modo o de fazer vir ao encontro do que é normal na vivência adulta entre pessoas, mas tendo sempre presente que as verdades humanas são sempre relativas, sendo apenas imutáveis os princípios da esfera divina.

É, neste ponto que cabe ao homem tolerante ser alguém de coração aberto.

Alguém, que normalmente esconde uma alma acolhedora, que não repele, mas acarinha, virtudes que estando acima do julgamento sumário – tantas vezes usado -  faz dele um elo humano de tal modo forte que ao aceitar as ideias do outro, embora diferentes das suas, ao agir assim, o faz,  por sentir brilhar nele luzes de sinceridade.
Tolerância é compreender que o outro que caminha ao nosso lado é “ele” com todos os seus defeitos e virtudes, e não um outro“eu”, querendo por força que ele comungue das minhas ideias, mas, ao invés, respeitando as suas diferenças e aceitando-as, fazendo um esforço diário para compreender o porquê das suas opiniões contrárias.

Apesar disto, as expressões “ isso não é comigo” ou “não posso endireitar o mundo” não podem fazer carreira entre os homens, porque uma e outra são sinais evidentes da demissão a que hoje assistimos, tolerando-se  de um modo que é falso -  e que mais não é -  que o resultado de pactos de desinteresse e  de cobardia e, sobretudo, de falta de respeito pelo outro, ao saber-se que um mundo melhor só pode ser construído pela tolerância sadia que ao aceitar as ideias do outro, não deixa, com sentido construtivo, de lhe fazer sentir a opinião diversa, para que do confronto das duas, possam, eventualmente, nascer os consensos necessários à concertação das coisas.

Mas tolerar pela demissão, nunca o façamos, porque é sempre uma fuga que não pode ser consentida ao homem verdadeiramente tolerante, pois é do esforço por compreender e aceitar o outro que crescem as amizades fortes e se enriquece o mundo a começar pela acção isolada de cada um que cumpre no grande palco da vida a sua missão interventiva na sociedade, tarefa de que ninguém está excluído.


O Evangelho é, também, um Livro Biológico.


in, https://igrejadojubileu.wordpress.com


Se não se parte da convicção de que o Evangelho é um livro biológico, que corresponde às exigências fundamentais do ser e que, portanto, é de necessidade ontológica; se não se aceita a eterna escala de valores, com o valor da vida em primeiro lugar; do valor do homem, que vem ainda antes da própria vida, é inútil cansarmo-nos a procurar respostas que não existem.
David Maria Turoldo
In, Deus Tem Coração


Levo milhares de páginas lidas ao longo da vida sobre o Evangelho de Jesus e pela primeira vez li um autor que chamasse este Livro divino por este nome, impressionando-me pela forma como apresenta a questão, apontando a necessidade de se partir para a sua leitura, para além de vir a recolher nele os ensinamentos divinos enquanto Missão messiânica, o devêssemos entender como um “livro biológico”.

É evidente que Jesus não inspirou um qualquer tratado de Biologia para ser estudado nas Escolas, mas antes, uma Mensagem da Boa Nova que Ele trazia para os homens.
Mas ser o seu Evangelho um “livro biológico” deu-me que pensar, razão, porque, o significado de “biologia” ganhou todo o sentido:  é, como se sabe, o estudo dos seres vivos através das características e do comportamento dos organismos.

Debruça-se sobre a origem de espécies e indivíduos e a forma como estes interagem uns com os outros e com o seu ambiente e destina-se a estudar a vida nas mais variadas escalas, das quais, uma só me bastou para entender o pensamento do autor – a etologia – que é como se sabe um dos ramos da ciência biológica e  cujo fim é estudar o comportamento dos indivíduos, o que bastou a Turoldo para a denominação que deu ao Evangelho, onde se cumprem por vontade de Jesus acções comportamentais inseridas na ordem social que tendem chegar às alturas do divino, uma das condições naturais com que o Criador doou o homem.

Jesus nunca pensou que vinte séculos depois, alguém se atrevesse a tanto, como o fez Turoldo, mas a verdade é que ele o faz com todo o sentido quando nos apresenta a “parábola do samaritano”, que é toda ela, um estudo de Jesus sobre o comportamento de pessoas reais, que Ele apresentou num quadro dramático, onde imergem – para além dos salteadores e do hospedeiro – as quatro personagens principais.

Vejamos parte do texto: (Lc 10, 30-35)

Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, os quais o despojaram e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. Casualmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e vendo-o, passou de largo. De igual modo também um levita chegou àquele lugar, viu-o, e passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou perto dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão; e aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; e pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que gastares a mais, eu to pagarei quando voltar.

Visto sobre este prisma, o Evangelho, para além de ser o Livro da Revelação de Jesus aos homens, é, neste episódio um tratado de biologia no campo etológico.
Obrigado, Jesus, por teres dado tanta doutrina, a par de tanta ciência aos homens.
Pena é, que eles – onde eu mesmo me incluo – não entendamos, verdadeiramente, o teu antigo e eterno Livro à luz das novas ciências, fazendo dele a parte que falta à muita sabedoria académica, onde está actuante – sem o parecer - a doutrina evangélica que preside à lei comportamental dos homens entre si mesmos.

Pena é, portanto, que a sabedoria dos homens – ou, melhor dizendo – a sua vaidade encapotada no saber do materialismo das sebentas não lhe diga, como afinal, tudo já está estudado e apresentado, para além do que diz a Academia, daquilo que dia a linha espiritual, fonte de partida de todos os ensinamentos que estão ligados à vida do homem.

Por isso, se não aceitamos o Evangelho, como propõe Turoldo, como algo que corresponde às exigências fundamentais do ser imbricado na ontologia, enquanto realidade que estuda a existência dos entes e das questões metafísicas, é inútil cansarmo-nos a procurar respostas que não existem fora do que está escrito, foi dito ou explicado por Jesus através de parábolas e dos seus sermões nos tempos em que calcorreou as estradas poeirentas da Galileia e da Judeia.
                                                             

De mãos abertas!





Na velha Grécia vivia um velho sábio, Cirilo de Estagira, no recôncavo de um acidente geográfico que dava directamente para o Mar Egeu.

Era um eminente mestre de Filosofia.
Tornara-se famoso pelo facto de não só, saber de tudo, como em adivinhar o sentido de todas as perguntas que lhe fizessem.
Era o expoente da sabedoria (sophia) que em grego quer dizer: um conhecimento simultaneamente teórico e prático, honrando a  filosofia - que deriva de philos e de sophia -  e significa, por isso, amor à sabedoria.

Num certo dia, um aluno seu, de conluio com outro colega, querendo experimentar o saber do Mestre mas com desejo último de o enganar, aliciou-o, dizendo-lhe:

- Já sei, como é que vou fazer cair o Mestre da sua sabedoria...
- Qual é o teu plano? – perguntou o outro, interessado na esperteza do colega.
-Vês este gafanhoto? – e abriu a mão, mostrando encurralado o pequeno insecto saltador – Vou ao Mestre com a mão fechada e o gafanhoto dentro dela… mas vivo.
- E, depois?...
- É simples. Pergunto-lhe se o gafanhoto que levo escondido está vivo ou se está morto. Se ele disser que ele está vivo aperto-o e mato-o. Mas se ele disser que está morto, então, abro a mão e deixo que ele salte!

Nesse propósito foram os dois ter com o sábio fazendo-lhe a pergunta combinada:

- Mestre Cirilo. Tenho dentro da minha mão um gafanhoto. Está vivo ou está morto?

Respondeu o sábio:

- Meu querido, a resposta está dentro da sua mão fechada. Fica sabendo que todo o sucesso que venhas a conquistar na tua vida está sempre na tua mão... que nunca deves fechar para ninguém!

E, mais uma vez o velho sábio respondeu certo, correspondendo à fama que tinha.
Na mão fechada – e que é preciso abrir – está o segredo da existência que não consente trazê-la fechada, porque escondemos aquilo que é preciso mostrar ao mundo. 

Cirilo não se deixou enganar nem colaborou com um jogo escondido, dando a resposta que desarmou o burlador.

Na vida é o que temos de fazer.
Abrir as mãos.
Mostrar o jogo, pois é de mãos abertas que se abraça e é de mãos abertas que pesamos as coisas, neste jogo aberto de viver e amar e nunca de enganar o próximo.