Daqui vejo um pedaço do mundo e se o vejo desajeitado, sofrendo a mágoa duma realidade melhor que desejei, estou consciente de não ter sido um destruidor assumido, embora admita a omissão de o não ter ajudado a erguer como devia, sugerindo estas afirmações que os dois modos contrários do meu agir reflectem a minha desatenção humana, dando-me a certeza que a ela só escapam os homens fadados para destinos superiores
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quinta-feira, 25 de outubro de 2018
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
Há textos que não têm idade... e dão que pensar!
“Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de
organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a
moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso,
diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade,
pela frivolidade e pelo interesse.
A política é uma arma, em todos os pontos
revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se
pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos
princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o
homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em
volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes
vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a
corrupção, o patrono, o privilégio.
A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se,
brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as
violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva. À
escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos
querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de
consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.”
in 'Distrito de Évora” (1867)
Faltou a Cavaco Silva "sentido de Estado"?
https://24.sapo.pt/ de 24 de Outubro de 2018
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É hoje apresentado publicamente o segundo volume das Memórias do ex-Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva "QUINTAS-FEIRAS E OUTROS DIAS", mas conforme diz a notícia "Dirigentes socialistas" que para o efeito foram contactados pela agência Lusa, acusam-no de "falta de sentido de Estado" e porquê?
Porque Cavaco Silva no seu livro não "tira o chapéu" a todos os que com ele privaram "nos seus mandatos presidenciais" e, muito embora, ele classifique António Costa como um "hábil profissional da política" não lhe perdoam que sobre ele diga que é "um artista da arte" e "mestre em gerir a conjuntura política, em capitalizar a aparência de ‘paz social’ e em empurrar para a frente os problemas de fundo da economia portuguesa" - para completar este raciocínio, dizendo que "a não ser que algo de muito extraordinário acontecesse, o seu Governo completaria a legislatura” - uma opinião abonatória - que não chegou para que, sem peias, lhe dirijam críticas acerbas e sem se esquecerem de lhe fazer lembrar o quanto desagradável ele foi, recentemente, com o actual Presidente da República a propósito da não recondução da ex-Procuradora Geral da República, Joana Marques Vidal.
Faltou-lhe "sentido de Estado", dizem, porquanto se terá servido dos seus mandatos presidenciais para emitir opiniões personalizadas, mas este facto - naturalmente sem por em causa "segredos de Estado" - pessoalmente, penso, que Cavaco Silva foi corajoso ao vir em cima de um tempo em que estão vivos as personagens e muitas delas em funções governativas usar a "liberdade de expressão" consignada no Artigo 37º da Constituição da República Portuguesa, que diz assim:
Liberdade de expressão e informação
1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o
seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o
direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem
discriminações.
2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou
limitado por qualquer tipo ou forma de censura.
3. As infrações cometidas no exercício destes direitos ficam
submetidas aos princípios gerais de direito criminal ou do ilícito de mera
ordenação social, sendo a sua apreciação respetivamente da competência dos
tribunais judiciais ou de entidade administrativa independente, nos termos da
lei.
4. A todas as pessoas, singulares ou coletivas, é
assegurado, em condições de igualdade e eficácia, o direito de resposta e de
retificação, bem como o direito a indemnização pelos danos sofridos.
Penso, assim, que ao expor-se ao contraditório Cavaco Silva deu um contributo positivo para que a nossa geração tenha em seu poder um Livro da História recente, escrito por quem os viveu, institucionalmente, sendo, por isso, uma testemunha essencial quanto à sua discussão.
O resto, as críticas dos dirigentes socialistas vão-se perder e, ao invés deles, fica como legado cultural do nosso povo, mais este livro de Cavaco Silva, com todos os seus defeitos e virtudes como é apanágio de todas as obras humanas.
terça-feira, 23 de outubro de 2018
"O que faz a democracia são as regras"...
Hoje, após uma reunião de trabalho sobre a Habitação, a deputada Helena Roseta do Partido Socialista demitiu-se do lugar de coordenadora do grupo parlamentar socialista para a Lei de Bases da Habitação de que é autora, lamentando a atitude do seu partido ao pretender adiar - mais uma vez - esta discussão por prever não ter maioria para impor a sua vontade política.
Há uma frase de Helena Roseta que começa com estas palavras e que devemos reter:
"O que faz a democracia são as regras". para logo a seguir em complemento da sua ideia ter acrescentado: Não podemos adiar sucessivamente as votações por não temos maioria"
Fonte; Revista online: Sábado
Retenho isto: "O que faz a democracia são as regras". São, sim senhor - o que faz a democracia "são as regras" - digo eu, fazendo minhas as palavras asisadas de Helena Roseta.
Retenho isto: "O que faz a democracia são as regras". São, sim senhor - o que faz a democracia "são as regras" - digo eu, fazendo minhas as palavras asisadas de Helena Roseta.
Mas, este conceito que devia ser sábio, infelizmente, para António Costa, as regras - que deviam ser o suporte mais válido da democracia por assentarem em cima da história feita, mais longa ou mais curta - não valeu nas eleições legislativas de 2015 em que não tendo conquistado uma maioria que lhe desse o poder, a "cozinhou" sem que ninguém o previsse, com o PCP+Verdes e BE, para retirar a vitória sustentada pelo voto popular à coligação "PORTUGAL À FRENTE" encabeçada por Passos Coelho e Paulo Portas.
Eu jamais o esquecerei, lamentando que Helena Roseta só agora tenha chegado à conclusão de que "O que faz a democracia são as regras", o que prova como diz o nosso povo - que é sábio - "Vale mais tarde do que nunca" o reconhecimento desta verdade, tendo em conta que ela devia ter respeitado a regra de ser o vencedor das eleições quem tinha o direito de formar governo.
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
"A ROMEIRA" - Um poema de Júlio Dinis
A ROMEIRA
Onde é que vais tão garrida,
Lenço azul, saia vermelha;
Pareces-me mais crescida
Ai, filha, fazes-me velha!
Mas... inda agora reparo,
Cordão novo e arrecadas!
Onde vais nesse preparo
E com estas madrugadas?
— Onde vou ? à romaria
Da Senhora da Bonança.
Querem ver que não sabia
Que era hoje? Ai que lembrança!
— Que queres tu, rapariga,
Se toda a minha canseira
É fiar a minha estriga
Ao canto desta lareira.
Ora o Senhor vá contigo.
— Fique em paz minha madrinha.
— A casa voltes sem perigo.
Olha lá, vem à noitinha!
— Ai venho, logo às trindades,
Que é que quer que eu lhe
— Como me levas saudades
Traz-me saudades em paga.
Pois trarei e até à vinda,
Adeus que há muito amanhece.
— Vai, que romeira tão linda
É que lá não aparece.
1857.
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Este poema de Júlio Dinis publicado na terceira parte do seu livro POESIAS é toda ele um retrato colorido do Minho do seu tempo - mas valha a verdade dizer que as romarias que ele conheceu continuam, ainda hoje, a ter um culto popular muito activo e prendado - como nos dá ideia esta romeira no diálogo travado com a sua madrinha que naquele dia se tinha esquecido do culto que o povo rendia à Senhora da Bonança.
- Onde vais? - pergunta ela, para receber como resposta, esta linda surpresa:
— Onde vou ? a romaria
Da Senhora da Bonança.
Querem ver que não sabia
Que era hoje? Ai que lembrança!
Este texto de versos de sete sílabas irrepreensivelmente rimadas é, pela sua beleza simples e pela forma viva do diálogo um marco da vida àlacre que fazia daquele dia de festa, um motivo de encanto popular, e que a pena de Júlio Dinis imortalizou ao dar-lhe a frescura em que a vivacidade da jovem contrasta admiravelmente com a quietude da anciã entretida a fiar a sua estriga, mas em cujas respostas existe o amor por aquela linda afilhada.
— Vai, que romeira tão linda
É que lá não aparece.
É um encanto a leitura deste texto poético sadio onde ressuma em todo o seu esplendor o Minho português com as suas romarias e, sobretudo, na parte profana pela garridice dos trajes das suas romeiras!
"Chamo-te"... - Um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen
"Chamo-te"...
E a Poetisa acrescenta: "porque tudo está ainda no princípio" e, eu, um admirador incondicional de Sophia, leio este poema e, como ela, faço à minha maneira desajeitada o mesmo chamamento a Jesus, mas com o mesmo sentido, porque Jesus, é uma figura que no tempo e no espaço, está ainda no princípio, levando em linha de conta que 2018 anos sobre a sua morte violenta e a sua Ressurreição, ao pensar na infinitude de um Tempo que a divindade forjou na sua Bigorna de Ferreiro, até que Ele surgisse Deus feito Homem no meio da Humanidade, é uma migalha... ou seja, como diz Sophia "tudo está no princípio" e é, por isso, que todas as criaturas que se alinham com a sobrenaturalidade deste "princípio" sabendo que Ele um dia voltará - conforme esta determinado - e que o seu "reino antes do tempo venha"... porque pelos desmandos dos homens é preciso antecipar a sua outra vinda.
Assim será preciso, porque é preciso renovar este mundo desalinhado das coisas mais básicas do viver humano que perdeu nestes dois mil e dezoito anos, muito daquilo que Jesus pregou para a felicidade do género humano.
"Chamo-te porque tudo está ainda no princípio"
domingo, 21 de outubro de 2018
"Flores Murchas" - Um poema de Laurindo Rabelo
Laurindo José da Silva Rabelo (Rio de Janeiro, 8 de julho de
1826 — Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1864) foi um médico, professor e poeta
romântico brasileiro, patrono na Academia Brasileira de Letras.
Nasceu Laurindo Rabelo de família pobre, filho do miliciano
Ricardo José da Silva Rabelo e de Luísa Maria da Conceição.
Apesar da origem humilde, conseguiu com dificuldade vencer
as barreiras sociais, e formar-se em Medicina. Antes, porém, chegara a cursar o
Seminário de São José, ainda no Rio de Janeiro, pensando em tornar-se padre.
Vítima de preconceito e perfídias pelos colegas, decide abandonar o internato.
Almejou a carreira militar, mas da mesma forma desistiu.
Na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro iniciou o curso,
que c
No ano seguinte ingressa no Corpo de Saúde do Exército,
seguindo para o Rio Grande do Sul, onde permanece até 1863. Em 1860 tinha se
casado com Adelaide Luísa Cordeiro. De volta ao Rio, leciona no curso
preparatório para a Escola Militar as disciplinas de História, Geografia e
Português.
Apreciava a vida boêmia, gozando de grande talento satírico
e capacidade de improviso, fazendo repentes e composições de modinhas - o que
lhe granjeou grande popularidade e a alcunha de "Poeta Lagartixa" -
dada sua constituição física, "magro e desengonçado", como informa
Manuel Bandeira (vide Crítica e análises, abaixo).
Rabelo teve morte prematura, de problemas cardíacos, com
apenas trinta e oito anos de vida.
Crítica e análises
É considerado por José Marques da Cruz como um dos quatro
poetas maiores da segunda geração do Romantismo no Brasil, ao lado de Álvares
de Azevedo, Junqueira Freire e Casimiro de Abreu. Marques da Cruz assinala:
“Autor das “Meditações” , poesias sentimentais onde chora a perda de pessoas
queridas, e de versos satíricos de grande merecimento, que lhe valeram muitas
inimizades.” (in: História da Literatura, Melhoramentos, São Paulo, 8ª. ed.)
Manuel Bandeira (in: "Apresentação da Poesia
Brasileira", Ediouro), regista que sua "alegria exterior escondia
porém uma funda mágoa das dificuldades e desdéns que encontrava na vida, e essa
tristeza se reflete em acentos comoventes no poema "Adeus ao
mundo"."
José Veríssimo (em A Literatura Brasileira, ed. PDF,
www.dominiopublico.gov.br, Brasília), consigna que a primeira fase do
romantismo "pode dizer-se findo pelos anos seguintes a 1850, quando surge
uma nova geração de poetas que dão ao nosso romantismo outra direcção, com
inspiração despreocupada de patriotismo ou sequer de nacionalismo, porém por
isso mesmo talvez mais pessoal, de um sentimentalismo mais de raiz, e menos
religioso ou moralizante, admirador de Byron e de Musset e dos poetas
satânicos, como em Franca lhe chamaram, do segundo romantismo europeu. Desses
poetas, quatro ao menos, Laurindo Rabelo (1826-1864); Álvares de Azevedo
(1831-1852); Junqueira Freire (1832-1855); Casimiro de Abreu (1837-1860), todos
publicados de 1853 a 1860, são verdadeiramente notáveis por dons de
sensibilidade e de expressão que sem ter o acabado artístico dos futuros
parnasianos, lhes traduzia com esquisita felicidade os sentimentos."
Mais adiante, o mesmo autor consigna que "Os mais
populares poemas brasileiros, alguns quase adoptados pelo nosso povo como sua
poesia, na qual parece rever-se, são destes poetas incluindo (…) Dois
Impossíveis, A Minha Resolução, Saudade Branca, de Laurindo Rabelo;".
Por sua obra satírica recebeu, ainda, o epíteto de
"Bocage Brasileiro".
Fonte: Wikipédia, a Enciclopédia livre
XXIX Domingo do Tempo Comum - Ano B - 21 de Outubro de 2018
Evangelho de S. Marcos 10, 35-45
Aproximaram-se de Jesus Tiago e João, filhos de
Zebedeu, e disseram-lhe: "Mestre, queremos que nos concedas tudo o que te
pedirmos."Que quereis que vos faça?" "Concede-nos
que nos sentemos na tua glória, um à tua direita e outro à tua esquerda." "Não sabeis o que pedis, retorquiu Jesus. Podeis vós beber o cálice que
eu vou beber, ou ser batizados no batismo em que eu vou ser batizado?". "Podemos", asseguraram eles. Jesus prosseguiu: "Vós bebereis
o cálice que eu devo beber e sereis batizados no batismo em que eu devo ser
batizado. Mas, quanto ao assentardes à minha direita ou à minha esquerda,
isto não depende de mim: o lugar compete àqueles a quem está destinado." Ouvindo isto, os outros dez começaram a indignar-se contra Tiago e João. Jesus chamou-os e deu-lhes esta lição: "Sabeis que os que são
considerados chefes das nações dominam sobre elas e os seus intendentes exercem
poder sobre elas. Entre vós, porém, não será assim: todo o que quiser
tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo; e todo o que entre vós
quiser ser o primeiro, seja escravo de todos. Porque o Filho do homem não
veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por
muitos.
Ouvi, hoje, com o respeito que me merecem os textos sagrados este pequeno trecho captado do Evangelista S- Marcos e, fiquei a pensar que servi e serviço sendo palavras muito parecidas podem ter significações diferentes.
Se o verbo "servir" não pode ter um sentido negativo se na acção que se pratica ela acentuar a inferioridade daquele que é servido perante aquele que serve, e quanto ao "serviço", este é um substantivo que dá para tantas coisas que se torna difícil enumerá-las, pelo que, Jesus ao dizer que "não veio para ser servido, mas para servir", para além da lição que Deus àqueles seus dois seguidores impertinentes, mostrou à saciedade que tendo feito da sua vida um serviço em nome de Deus e dos homens para que eles entendessem, um dia, que todos viemos a este mundo mais para servir do que para sermos servidos.
Ele foi o modelo e é, por isso, que sendo hoje, para a Igreja de Jesus um dia destinado à missionação - ou seja, estarmos atentos ao serviço que devemos dar uns aos outros - é de todo oportuno que tenhamos presente esta ORAÇÃO MISSIONÁRIA que me chegou através das Obras Missionárias Ponfifícias:
Ele foi o modelo e é, por isso, que sendo hoje, para a Igreja de Jesus um dia destinado à missionação - ou seja, estarmos atentos ao serviço que devemos dar uns aos outros - é de todo oportuno que tenhamos presente esta ORAÇÃO MISSIONÁRIA que me chegou através das Obras Missionárias Ponfifícias:
Senhor Jesus,
desperta em nós
um olhar missionário,
ajuda-nos a escutar
o coração do outro,
e a ver nele o Teu rosto nos
irmãos.
Ajuda-nos a ser audazes
afastando-nos dos nossos medos
e preconceitos.
Queremos, como Tu,
viver a linguagem do amor
e servir mais do que ser
servidos.
Só Tu és o Caminho,
dá-nos a coragem de Te seguir
e de ser Igreja missionária
aonde nos levares.
Aqui estamos Senhor,
porque acreditamos
que Ser cristão é Ser Missão!
Ámen.
É uma pedra que lhe cai em cima...
in, Jornal "Público" de 21 de Outubro de 2018
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Artigo 134.º
Competência para prática de atos próprios
Compete ao Presidente da República, na prática de atos
próprios:
a) Exercer as funções de Comandante Supremo das Forças
Armadas.
Eis o que diz a Constituição da República Portuguesa sobre as competências do Presidente da República: "Exercer as funções de Comandante Supremo das Forças Armadas", mas pelos vistos isto é , apenas um título sem força de acção.
Todos nos lembramos - e isso, honra lhe seja feita - que desde o início do roubo das armas do paiol de Tancos que o Presidente da República pediu o apuramento da verdade, mas também, todos nos lembramos que o Governo e os visados militares parecem todos terem feito "ouvidos moucos" durante mais de um ano, o que parece uma eternidade para a gravidade do assunto, sem que dessem uma resposta cabal, inequívoca e rápida àquilo que aconteceu, pelo que o Comandante Supremo das Foras Armadas foi metido para um papel subalterno.
Foi uma desfaçatez!
Pelo que, penso eu, devia ter mandado "um murro na mesa" e ter chamado o Governo e os militares a desempenhar perante ele os deveres a que estavam obrigados, parecendo para um caso tão grave que não estando as Instituições a funcionar devidamente devia ter demitido este Governo a quem os militares estão sujeitos.
Não o fez, mas vir agora dizer que "não sabe o que aconteceu em Tancos" quando o devia saber há muito tempo, é uma pedra que lhe cai em cima...
sábado, 20 de outubro de 2018
Se...
in, Jornal "Expresso" de 19 de Outubro de 2018
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Se isto corresponde à verdade dos acontecimentos, ou seja, se os Ministros Campos Fernandes, Caldeira Cabral e Castro Mendes, estiveram reunidos no dia 13 de Outubro com os seus pares e com o Primeiro-Ministro durante 11 horas sem que soubessem que depois de votarem a aprovação do Orçamento de Estado em nome dos Ministérios que tutelaram, seriam dispensados de continuar no Governo - sendo demitidos - este facto pela sua anormalidade cívica e moral leva-me a pensar que algo vai muito mal ao nível da política levada a cabo por António Costa.
Se isto corresponde à verdade dos acontecimentos, tal como no-los refere o Jornal Expresso que coloca o assunto na sua primeira página, é lícito que eu e todos os portugueses que sonharam com a instauração de uma Democracia adulta nos interroguemos sobre a preversidade de que se revestiu esta atitude, porque é inadmissível que estes três Ministros tenham dado o aval a um Orçamento que não iam executar!!!
Um caso nunca visto!!!
Um caso nunca visto!!!
Se isto corresponde à verdade dos acontecimentos com António Costa só é Ministro quem não se importa de ser despedido sem um motivo aparente que a opinião pública conheça -que não era o caso do Ministro da Defesa, Azeredo Lopes - que teve a sageza de de demitir.
Se isto corresponde à verdade dos acontecimentos... a política portuguesa caiu com António Costa um pouco mais... mas, um pouco tão grande que só é explicável para o jogo de sombras que ele incarna desde o momento em que - derrotado nas últimas eleições - conseguiu "dar a volta" - e sair "vencedor"!!!
Se isto corresponde à verdade dos acontecimentos... a política portuguesa caiu com António Costa um pouco mais... mas, um pouco tão grande que só é explicável para o jogo de sombras que ele incarna desde o momento em que - derrotado nas últimas eleições - conseguiu "dar a volta" - e sair "vencedor"!!!
"Cântico ao Cristo Redentor" - Um poema de Tasso da Siveira
Tasso Azevedo da Silveira OSE (Curitiba, 1895 — Rio de
Janeiro, 1968) foi um escritor brasileiro.
Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade
Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Tasso, ao lado de Oscar Martins Gomes, Lacerda Pinto e José
Guahiba, fundaram a revista "Fanal", um periódico que era órgão
literário do Novo Cenáculo e que circulou entre 1911 e 1913. Este veículo
pertenceu ao movimento de vanguarda literária ocorrido no início do século XX,
no Paraná, e que ficou conhecido como "os novos" ou "os
novíssimos" e também foi um dos representantes da ala espiritualista do
modernismo, ao lado de Cecília Meireles e Tristão de Ataíde. Pertenceu ao grupo
da Revista Festa, da qual foi um dos fundadores. Estreou como poeta com Fio
d'Água, em 1918, tendo adotado o verso livre a partir do terceiro livro,
Alegorias do Homem Novo, em 1926.
Era filho do poeta simbolista Silveira Neto. Colaborou em
diversas revistas literárias do Rio de Janeiro e de São Paulo. Lecionou
literatura portuguesa na Universidade Católica e na Faculdade Santa Úrsula, no
Rio de Janeiro.
A 11 de Dezembro de 1941 foi feito Oficial da Ordem Militar
de Sant'Iago da Espada de Portugal.
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
"À Coroa de Espinhos" - Um soneto de Agostinho da Cruz
Agostinho Pimenta (Ponte da Barca, 1540 - Setúbal, 1619),
mais conhecido como Frei Agostinho da Cruz, foi um frade e poeta português.
Nascido Agostinho Pimenta, adoptou o nome Frei Agostinho da
Cruz aos vinte e um anos de idade quando se tornou frade arrábido.
Professou no Convento de Santa Cruz, em Sintra, onde
permaneceu durante cerca de quarenta e cinco anos. Passou depois pelo Convento
de São José de Ribamar, em Algés, ingressando, mais tarde, no Convento da
Arrábida, onde esteve durante quinze anos.
Frei Agostinho da Cruz escreveu elegias, éclogas, odes,
endechas e sonetos. As suas obras só vieram a lume no século XVIII com a
publicação, em 1728, do Espelho dos Penitentes, e, em 1771, da colectânea
Obras. Em 1918 foi publicada uma nova edição, por Mendes dos Remédios,
incluindo alguns inéditos entretanto localizados.
Fonte: Wikipédia, a Enciclopédia livre
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
"Livro de Horas" - Um poema de Miguel Torga
LIVRO DE HORAS
Aqui, diante de mim,
Eu, pecador, me confesso
De ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
Que vão ao leme da nau
Nesta deriva em que vou.
Me confesso
Possesso
Das virtudes teologais,
Que são três,
E dos pecados mortais,
Que são sete,
Quando a terra não repete
Que são mais.
Me confesso
O dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas
E o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
Andanças
Do mesmo todo.
Me confesso de ser charco
E luar de charco, é mistura.
De ser a corda do arco
Que atira setas acima
E abaixo da minha altura.
Me confesso de ser tudo
Que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
Desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.
Me confesso de ser Homem.
De ser um anjo caído
Do tal céu que Deus governa;
De ser um monstro saído
Do buraco mais fundo da caverna.
Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
Para dizer que sou eu
Aqui, diante de mim!
Miguel Torga . in, “O outro Livro de Job” 1936
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Sempre latente em Miguel Torga a problemática religiosa porque ela foi o grande combate da sua vida, nascida de uma revolta do menino de S. Martinho de Anta contra a transcendência com que se veio a confrontar na sua vida de adulto, mas de todo este drama em que a ambiguidade e a contradição existiram, não deixa de ser um ponto de interrogação o facto do Poeta se revoltar contra Deus, mas sem nunca se ter definido - como tantos homens ilustres do seu tempo o fizeram - com ateu, porquanto a sua negação embora lhe tenha perturbado a razão, tal facto não o coibiu de em muitas das suas poesias Deus estar lá presente na dúvida e na afrmação de se lhe bater à porta como alguém, que na aflição chama o médico.
Torga viveu nessa negação inquietante por entender que contra Deus devia afirmar o Homem e a necessidade deste se realizar na verdade da Terra e, daí, um seu constante monólogo com Deus, sentindo a sua falta a que as suas concepções racionalistas se opunham, tornando-o inatingível.
Neste "LIVRO DE HORAS" a honradez de carácter que ele bebeu a partir da sua terra transmontana está presente isso mesmo: Me confesso / O dono das minhas horas, para mais adiante, sem rodeios, mágoas ou qualquer relutância humana de si mesmo dizer "ser um anjo caído" , quando muito longe de o ser, olhando o percurso social e humano da sua vida, Torga foi - isso, sim - um anjo que nunca abandonou, verdadeiramente, o céu de Deus da sua infância.
terça-feira, 16 de outubro de 2018
"Apelo" - Um poema de Miguel Torga
Ao longo da vida, Miguel Torga - sabe só ele e Deus - quantas vezes terá sentido e pedido que a divindade se lhe mostrasse, dando-lhe motivos inequívocos para que o homem superior que desde a Natureza do meio natural, agreste e abandonado onde nasceu, se guindou a pulso, a meios académicos que lhe deram cultura e a sua formação em Medicina, entendesse sem dúvidas existenciais o Deus que tanto procurou, mas sem nunca o ter encontrado.
Miguel Torga era - convenhamos - um racionalista de coração puro e, como tal, nunca aceitou, porque a fé - essa adesão incondicional da alma a uma hipótese como sendo uma verdade sem qualquer tipo de prova ou critério objecivo de verificação, pela confiança numa ideia ou numa fonte transmissora - viveu arredia do homem puro que ele foi, interrogador e inteligente, mas sem lhe ter mostrado, como ele quis, que sendo Deus um Espírito intangível sem forma e sem visualidade, infinito e eterno, Criador e Preservador do Universo, Senhor de toda a Onisciência, quanto ao conhecimento global e Omnipotente quanto ao seu poder ilimitado que o faz estar presente em todos os lugares por onde passam todos os homens.
Por que faltou este entendimento ao ser superior que foi este ilustre transmontano, Miguel Torga?
Por que faltou este entendimento ao ser superior que foi este ilustre transmontano, Miguel Torga?
Porque - atrevo-me a responder, este "Apelo" - nome que ele deu ao poema e onde se vislumbra a sua ânsia da verdade inelutável - sabendo ele pela sua vastíssima cultura de qual não são estranhos os anos que ele viveu no Seminário de Lamego, bem sabia que o judaismo ao falar de Deus, dizia: "Eu sou o que Sou", como o Espírito de Deus se revelou a Moisés no Livro do Êxodo (3, 14) e, portanto, era um Ser incorpóreo que não podia entrar dentro dele se não fosse à luz da Fé.
E daí o verso interrogador que ele apresenta no poema: "Porque / não vens agora, que te quero / e adias esta urgência?"
E Deus, efectivamente, não veio a tempo para ele, que assim morreu com este "Apelo" .
Mas é por isso que eu tenho por Miguel Torga um carinho muito especial, porque cabouqueiro da verdade que foi, é um exemplo de honradez espiritual e intelectual que devia morar em todos os homens "de boa vontade", como é usual dizer-se, em que o seu panteísmo sem nunca lhe ter explicado que eventos como a Criação do Universo e o princípio da existência como provindos do Ser Supremo que ele na sua crença filosófica identificava com o Cosmos, foi uma barreira intelectual que ele não conseguiu ultrapassar.
É daí, proveio o seu amor à terra e ao seu aspecto telúrico - como era o espaço do local onde nasceu - onde ele viu sempre a Lei Natural espelhada na orografia rude, mas sem nunca ter visto nela o Deus presente, motivo e razão do seu "Apelo", este poema vivo, sentido e pleno de um sentido humano tão profundo que não pode deixar de nos seduzir e render a este Poeta de eleição um carinhoso aceno de amor humano.
É daí, proveio o seu amor à terra e ao seu aspecto telúrico - como era o espaço do local onde nasceu - onde ele viu sempre a Lei Natural espelhada na orografia rude, mas sem nunca ter visto nela o Deus presente, motivo e razão do seu "Apelo", este poema vivo, sentido e pleno de um sentido humano tão profundo que não pode deixar de nos seduzir e render a este Poeta de eleição um carinhoso aceno de amor humano.
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
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