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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Um recado aos nossos "Syrizas" domésticos.


in, "Expresso.sapo,pt" de 25 de Janeiro de 2015



Lembra-se, mais uma vez, esta opinião de António Costa em 25 de Janeiro de 2015, quando ocorreu a vitória do Syriza, na Grécia.

Depois do descalabro - previsível - do Syriza e do senhor Tsipras, que transformaram a velha e nobre Grécia num País sem norte, aceitando sem decoro o que haviam prometido ao povo que elegeu aquele partido enganador e o seu "líder" - que já o não é - parece oportuno lembrar aos nossos Syrisas domésticos - a começar por António Costa que quer ganhar as eleições de 4 de Outubro - se, afinal, aquele sinal de mudança "dá força para seguir a mesma linha" ou se, não deve bater com a mão no peito e pedir desculpa aos portugueses, que no momento, acreditaram na mudança, que tal como o Syriza, ele oferecia aos portugueses.

Não. 

Com confianças destas de "os outros países devem seguir a mesma estratégia contra a austeridade" eu não alinho, porquanto, um País é como a minha casa. Quando encolhe o orçamento, o remédio é fazer alguma contenção de despesas e a isto chama-se austeridade.

É assim ou não é?

Uma fábula eleitoral

in, Livro infantil nº 2 - Vamos Aprender Profissões


O senhor "professor Costa", do alto da sua cátedra que conquistou, atropelando um outro "professor" - seu colega - que assinou um documento que obriga a fazer contas que têm de estar certas  e que, como mandavam as regras teve de ser entregue à entidade que vigia todas as contas - insiste com o "aluno" Passos para apresentar as suas contas, ou seja, a resolução da equação, embora, como se vê no exemplo do quadro, não tenha resolvido a equação que ele mesmo diz estar certa, mas sem ter o valor respectivo apresentado.

E por isso, ninguém sabe se os termos estão correctamente equacionados - pelo que não lhe assiste o direito de pedir ao "aluno" Passos para apresentar as suas contas, ou seja, a resolução do problema que ele mesmo não soube responder com a certeza que se deve exigir a quem pede contas, sem ter - com a certeza absoluta - resolvido as suas próprias contas, até porque, os termos da equação não foram feitos por ele.

O "aluno" Passos, ao contrário do que pensa o "professor Costa" não é madraço por força de responsabilidades assumidas em 2013 numa terra chamada Maastricht, onde se assinou o "Tratado sobre Estabilidade, Coordenação e Governação da União Económica e Monetária" (TECG) que veio a impor uma regra chamada "Pacto de Estabilidade e Crescimento" (PEC) onde, por causa das regras mais apertadas de controlo orçamental, este obriga a ter todas as contas bem feitas.

E, por isso, o "aluno" Passos, entende que não deve atender o pedido do "professor Costa" porque, jamais, poderão haver desculpas para eventuais "défices excessivos", um facto que o senhor "professor Costa" sabe ser assim, pelo que o pedido de apresentação de contas ao senhor "Passos" é um embuste, pelo que aquilo a que estamos a assistir é a uma fábula eleitoral que permite estes desmandos manhosos.

Eis, porque, o senhor "professor Costa" tem de perceber uma coisa: o povo gosta de fábulas - daquelas que La Fontaine imortalizou - mas despreza as suas "fábulas" que não têm graças nenhuma e em vez de fábulas, o que lhe pede é o concreto das coisas, para que Portugal prossiga levantado perante a entidade - que, essa sim - tem o poder e o direito de pedir contas.

Senhor "professor Costa", um conselho: não faça de ignorantes todos os portugueses, porque todos sabem que daqui em diante acabou-se o regabofe e as nossas contas são escrutinadas nas estâncias que a tal nos obrigam... por causa das contas mal feitas que temos andado a fazer e nas quais o seu partido - o PS -  tem grandes responsabilidades.


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Sanctus (30)


https://www.youtube.com/watch?v=7VsZ13AziOk

SANCTUS

Da Missa Solene de Santa Cecília, 
de Charles Gounod

 
Canta o tenor Jean-Fhilippe Lafont
Coro Nacional da Rádio França
Nova Orquestra Filarmónica da Rádio França


SANCTUS

Santo, Santo,
Santo é o Senhor.
Santo, Santo
É o Deus dos exércitos.
É o Deus dos exércitos.

Santo, Santo,
Santo é o Senhor,
Santo, Santo
É o deus dos exércitos.
É o Deus dos exércitos.

O Céu e a Terra estão plenos,
O Céu e a Terra estão plenos,
Da Tua glória.
Plenos estão o Céu.
O Céu e a Terra.
Plenos estão
Plenos estão
Da Tua glória.
Plenos estão
Plenos estão
Da tua glória.

Pleno está o Céu, pleno está o Céu.
O Céu e a Terra, o Céu e a Terra
Da Tua glória, da Tua glória.

Plenos estão os Céus.
O Céu e a Terra
Da Tua glória,
Da Tua glória,

Santo, Santo,
Santo é o Senhor.
Santo, Santo
É o Deus dos exércitos.

Santo, Santo.
Santo é o Senhor.
Santo é o Deus dos exércitos.
Hosana, hosana
Nas alturas.



Há neste cântico de louvor a Deus uma alusão várias vezes repetida - Senhor Deus dos exércitos - a qual é retirada do Antigo Testamento, onde aprece dezenas de vezes e de que é exemplo os Salmos 46,8  e 84,9 e, também o profeta Isaias 1, 24, equivalendo as expressões ao facto de Deus ter aos seu dispor, quer um exército de astros ou de anjos.

Assim, essa expressão pode ser entendida como algo que dá ênfase ao poder de Deus, como o único e verdadeiro Deus, como vemos em Is 44:6: “Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro e eu sou o último, e além de mim não há Deus.”

Charles Gounod um célebre compositor de temas cristãos não esqueceu este facto bíblico nesta composição em que o Sanctus, é a celebração cantada do Espírito que está em Deus na plenitude da sua glória que enche o Céu e a Terra.

Benecictus (29)


Bendito o que vem em nome do Senhor.
Hosana nas alturas!

Canta Hayley Westenra



Benedictus qui venit nomine Domini
Hosanna in excelsis


O "Benedictus" é um cântico de louvor que exalta a entrada de Jesus em Jerusalém no Domingo de Ramos, sendo por isso, um dos momentos mais altos da caminhada de Jesus por relembrar aos crentes a sua "entrada triunfal" montando um jumento - animal de paz - antecedendo numa semana a sua ressurreição.

Relembra o que 450-500 anos antes havia dito o profeta Zacarias: "Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta" (Zac 9,9). 

A Igreja Católica lembra este momento com o seguinte cântico com letra e música de P. Manuel Luis:

Bendito, bendito O que vem
Em Nome do Senhor

1. Aplaudi o Senhor, Povos de todo o Mundo;
Aclamai o Senhor com brados de alegria.

2. Excelso é o Senhor, excelso e portentoso
É poderoso Rei que reina sobre o Mundo!

3. O Senhor concedeu-nos domínio sobre os povos,
E pôs, aos nossos pés, vencidas as nações.

4. Para nós escolheu nossa bendita herança,
A glória de sermos seu povo bem-amado.

5. O Senhor Deus se eleva por entre aclamações,
O Senhor Deus se eleva ao som das trombetas.

6. Cantai ao nosso Deus um salmo de louvor,
Cantai ao nosso Rei um salmo de alegria!

7. Porque o Senhor é Rei e reina sobre o mundo,
Cantai ao Senhor um hino jubiloso!

8. Deus reina sobre os povos num trono de justiça,
Todos os reis do mundo juntaram-se ao seu povo.

9. Porque ao Senhor pertencem os príncipes da terra,
Deus é omnipotente no mais alto dos Céus.

domingo, 23 de agosto de 2015

Soedade - Soidade - Suidade - A SAUDADE



A saudade 
não está na distância das coisas,
mas numa súbita fractura de nós, 
num quebrar de alma em que 
todas as coisas se afundam.

Virgílio Ferreira


Saudade, na Gramática Portuguesa é um substantivo abstracto e de tal modo assim é, que só existe na nossa língua. Constitui, possivelmente, a palavra mais preponderante na poesia de amor e na música popular do nosso povo, descrevendo toda uma amálgama dos sentimentos, como os de perda e distância, estando a sua génese directamente ligada à tradição marítima portuguesa, que ainda hoje não consegue pensar no mar sem sentir saudade.

É que foi nesse mar que onde ficaram para sempre, navegadores, pescadores, mulheres, crianças, esposos e  filhos, impotentes perante as tragédias, tendo aprendido ao longo dos séculos a dura lição da humildade perante os ingentes e revoltos elementos da natureza, sendo esta imprevisibilidade e este paradoxo do mar os componentes mais directos do grande sentimento da saudade que mora em Portugal, como não acontece em qualquer outro lugar do mundo.

A palavra tem origem no latim "solitas, solitatis" (solidão) e é a expressão da forma arcaica de "soedade, soidade e suidade", entroncando-se na época dos Descobrimentos, definindo a melancolia da lembrança, quer de coisas, estados de alma ou acções.

Diz o Professor Joaquim de Carvalho (1892-1958) que a palavra "saudade" é uma das mais difíceis de traduzir em todo o mundo, porque possui uma significação algo complexa.
Data do século XV, a primeira tentativa de definir esta palavra que conforme já então se dizia não tinha correspondência noutra língua qualquer.  "Saudade", diz o rei D. Duarte, é o "sentido do coração que vem da sensualidade e não da razão" (Leal Conselheiro, cap. XXV).  A saudade é assim algo que é de natureza sentimental antes de ser consciente ou racional. Em geral podemos traduzir a saudade como um apelo sentimental de união com algo ausente, distante ou perdido.

Há quem sustente que a saudade se remete, em primeiro lugar,  para aquele ou aquela que fica à espera de quem partiu, cabendo a este, um outro aspecto de saudade que o povo liga à nostalgia.
Sem se poder traduzir, há quem a defina a saudade como uma lembrança especialmente nostálgica de algo vivo ou inanimado que está ausente, de que o termo matar a saudade, é, quase sempre, fazer que ela desapareça em face de um encontro com uma realidade que esteve longe, mas deixando sempre latente a sua presença na alma,  porque é dela um dos atributos sensoriais mais vivos no sentimento do povo português.

Esta asserção ganha todo o sentido quando mergulhamos a saudade nas ondas do mar que desbravámos no tempo glorioso da gesta portuguesa, onde se intromete com toda a intenção o heterónimo de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, ao dizer assim na Ode Marítima:

Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a madrugada bate,
E me envolve como uma recordação duma outra pessoa
Que fosse misteriosamente minha.

Saudade tem merecido de muitos quadrantes da cultura portuguesa uma atenção muito especial, não só pela carga emocional que possui, mas também, por ser um tema de eleição que anda preso e não se solta, ou se isso acontece, volta sempre, como se fosse uma andorinha, que no ano seguinte volta ao mesmo beiral.
Têm-na vivido e cantado os mais humildes, constituindo-se na alma do povo como a sua expressão mais pura, porque tem sido ancorado a ela que ele ao longo dos tempos têm ultrapassado muitas das suas amarguras expressas em quadras que se cantam, como se as mesma fossem rezadas, como esta:

Esta palavra saudade
E aquele que a inventou
Na primeira vez que a disse
Concerteza que chorou.

Mas o seu influxo nunca deixou de penetrar bem fundo nos mais letrados que a têm cantado e escrito sobre ela versos e prosas magistrais, como Eduardo Lourenço, que rendido à sua mística, afirma que é a própria saudade que se funda dentro do homem, tal como ele afirma na Mitologia da Saudade:

Na verdade, não temos saudades, é a saudade que nos tem, que faz de nós o seu objecto. Imersos nela, tornamo-nos outros. Todo o nosso ser ancorado no presente fica, de súbito, ausente.

Mas é, nesse homem invulgar que foi Poeta e Sacerdote, Moreira das Neves 
que encontramos espelhada como em nenhum outro livro a palavra saudade, cantada em todos os cambiantes, passando pelo fado e pela guitarra portuguesa, ou pelo lado mais íntimo, dolente e magoado que sentem as almas dos que ficam, lembrando os emigrantes, ou até, roçando a candura das preces a Deus, mas sem faltar, muitas vezes uma réstea de Sol a iluminar o caminho para dar alento e coragem, porque é preciso crer e sentir o destino como o sente o marinheiro, quando se perde no alto mar.

Moreira das Neves é um cantor privilegiado da saudade, num livro precioso, publicado após a sua morte, ocorrida em 1992.
O livro “Variações sobre a Saudade” foi descoberto , com outros pequenos tesouros, no espólio do Poeta, pelo seu fiel, infatigável e douto amigo, discípulo e companheiro também, até nas lides do jornalismo, Manuel Ferreira da Silva, diz o seu prefaciador Francisco J. Velozo.
Com um sentimento de saudade pelo Homem ilustre, que foi Padre Francisco Moreira das Neves, é com esse mesmo sentimento que o jornal “ A Comarca de Arganil” homenageia, reproduzindo algumas quadras do Poeta, que foi, entre tantas lides, um exímio jornalista.

Eco de fala perdida
Nas brumas do alto mar.
Lenço acenando à partida
De alguém que espera voltar.

Quanto mais a idade cresce
Mais a vida se dilui.
Apenas não esmorece
A saudade do que fui.

Búzio das ondas de Além,
Canção de lago sem fundo.
A saudade é como alguém
Que chega do fim do mundo.

Carta que ao longe se envia,
Telegrama que nos vem.
Toda a saudade anuncia
O pensamento de alguém.

Ninguém diga que a saudade
Abandona os infelizes.
Ela nunca deixa a herdade
Em que fundou as raízes.

Quem busque terra estrangeira
Pode sem medo contar:
- Fica a saudade à lareira
Sentada no seu lugar.

Pescador que vai ao mar
E no mar se perde em rondas
Ouve a saudade gritar
Na voz de todas as ondas.

Extinta a última brasa
Tudo morreu? Ninguém creia.
A saudade em nossa casa
Faz às vezes de candeia.

Nas romagens às ermidas,
Alpendres de claridade,
Não há promessas cumpridas
Com as que cumpre a saudade.

Não sei que mistério atrai
Nuvens d’aquém e d’além.
Se uma saudade nos vai
Outra saudade nos vem.

Debaixo do figueiral
Pôs-se a saudade a bordar.
Gastou agulha e dedal
Sem a tarefa acabar.


 Ao lembramos este sentimento genuíno da alma portuguesa lembramos o génio poético de Moreira das Neves que apontamos como expoente da nosso sentir e pelo qual guardamos uma enorme saudade.


A Festa religiosa da minha aldeia.


Engalanado a preceito, mas na singeleza pretendida, o amplo recinto fronteiro ao edifício da Liga de Melhoramentos adivinha a Festa de preceito de cariz eclesial, de mistura com os folguedos próprios que dão o ambiente profano à comemoração religiosa do patrono S. Tiago e de Nossa Senhora.


Tenho, hoje, uma imensa saudade da Festa antiga da minha aldeia serrana que foi, em tempos idos uma comemoração digna da celebração religiosa de S. Tiago Maior - O Orago da aldeia - e de Nossa Senhora do Desterro, advindo a minha saudade do seu preparo extremamente cuidadoso e do esmero processional que dando - como hoje - a volta à aldeia trazia para os alcantis dos montes circundantes forasteiros que se ajoelhavam ao ver passar a Procissão, enquanto os seus seguidores, no maior respeito entoavam cânticos de louvor nos intervalos da reza dos Mistérios do Terço, ou quando a Banda Filarmónica se não fazia ouvir.

Hoje, é verdade, a Procissão continua a fazer-se no mesmo percurso, mas algo se perdeu. Já não chegam os forasteiros das aldeias vizinhas e muitos dos seus naturais esquecem a antiga Festa que no tempo dos seus maiores constituiu um verdadeiro motivo agregador das famílias que à noite, ao som da guitarra enchiam de vida o terreiro da festa, entoando canções populares ou revendo-se nas quadras de sete sílabas de rimas perfeitas ou de pé quebrado.

Na minha aldeia o culto a Nossa Senhora do Desterro conheceu  um impulso invulgar na primeira trintena de anos do século XX.  Esteve na origem deste culto religioso as orações do povo elevadas a Nossa Senhora, pedindo-lhe que livrasse a aldeia de sofrer o horrível flagelo da “pneumónica” ou “gripe espanhola” aparecida a partir de Espanha (1918-19), o que veio a acontecer.

Tal facto foi considerado uma atenção especial de Nossa Senhora do Desterro, não tendo a terrível doença que matou cerca de 60.000 portugueses atingido mortalmente nenhum dos naturais da minha aldeia até ao ano de 1925, quando se declarou erradicada a pandemia, assim considerada pelos cerca de quarenta milhões de vítimas que causou nos países de origem, a Àsia, e a seguir, na Europa, onde esta se propagou, assustadoramente, de país em país.

O povo crente viu neste sinal uma graça extraordinária de Nossa Senhora do Desterro, advindo daí uma exaltação de fé profundamente enraizada num culto de grande fervor mariano.

Com a localidade poupada ao morticínio - enquanto à sua volta a norte e a sul o flagelo se mostrara em toda a sua crueza  - o povo ao olhar para o interior da sua Capela onde já existia a velha Imagem da Sagrada Família que demonstra a fuga para o Egipto levando o Pai e a Mãe o Menino Jesus pela mão, num impulso de grande e fervorosa piedade popular, cerca do ano 30, passou, para além continuar a honrar o seu Santo Padroeiro, S. Tiago Maior no seu dia litúrgico, a honrar  também, NOSSA SENHORA DO DESTERRO, a Santa Mãe que para salvar a Família se desterrou nas terras estranhas do Egipto inóspito, habitando durante sete anos uma localidade situada junto ao delta do rio Nilo.

A Imagem da Sagrada Família da Capela da minha aldeia é uma escultura expressiva, ricamente pintada que desde então passou a ser festejada com a celebração de uma Festa particular devidamente autorizada pela respectiva Diocese, onde a Procissão que percorre o perímetro do povoado ganha um brilho que se coaduna com a fé dos seus naturais.

A eleição do mês de Agosto para a realização de Festa em honra de Nossa Senhora do Desterro está intimamente ligada à grande Festa litúrgica da Assunção da Virgem, que no calendário a Igreja Universal celebra a 15 de Agosto, tendo o povo feito o voto – que chegou até hoje - de continuar a honrar a Mãe de Deus, fazendo recair a Festa local de Nossa Senhora do Desterro durante o mesmo mês e em cada ano, como uma continuação da grande Festa mariana do mês de Agosto, associando-se com o seu voto piedoso o desterro no Egipto à Festa da Assunção de Nossa Senhora que constitui o glorioso passo final da sua vida santíssima.

Este é o sentido eclesial dado pelas gentes da minha aldeia à Festa de Nossa Senhora do Desterro, nascido a partir do sentido secular da defesa das vidas das gentes da aldeia, assim entendido e do mesmo modo continuado pelo desfiar das gerações dos que continuam a pedir a bênção e a intercessão da Santa Mãe de Deus sob a invocação de Nossa Senhora do Desterro.

Júlio Dinis: um poeta da palavra!


O autor como é  representado nesta edição do seu celebrado livro

Contra capa e sequência a abrir o Livro "As Pupilas do Senhor Reitor"
 14ª edição nacional - 1909

Na casa da aldeia que me viu nascer, existe esta edição velhinha de "As Pupilas do Senhor Reitor" que tem aposto como sub-título "Crónica da Aldeia" e que, uma vez mais teve o condão de me transportar aos tempos das desfolhadas aldeãs a que assisti na minha juventude.

Júlio Dinis, pseudónimo literário do médico Joaquim Guilherme Gomes Coelho tem o raro encanto de prender o leitor nos dois estádios da vida antagónicos no tempo - juventude e velhice - mas concordes no mesmo prazer que lhes dá a sua leitura, onde a ruralidade de José das Dornas e de Pedro se confronta com Daniel, o médico moderno a opor-se à ciência hipocrática do médico João Semana e à do popular barbeiro - que naquele tempo gozava da fama de médico - com tudo isto a ser feito com modos cavalheirescos que o próprio João Semana aconselhava a Daniel, no sentido de o integrar no povo e nos seus costumes.

Júlio Dinis - que foi poeta no verso metrificado e nos deixou valiosas composições como a "Esmola do Pobre" - foi em tudo quanto escreveu em prosa um poeta nos seus romances, onde tem um lugar privilegiado "As Pupilas do Senhor Reitor" do qual diz o autor que o egresso tinha o Evangelho no coração - o que vale mais ainda do que tê-lo na cabeça, uma frase relida nestas férias e que guardei como nunca o havia feito, porque há conceitos como estes - ditos ou escritos - que valem uma tarde inteira de introspecção e consulta aos manuais que se guardam mentalmente.

Foi o que me aconteceu e, por isso, dei graças a Deus por neste estádio da vida que já declina, vencida por um sol que pouco já aquece, ter lido em Júlio Dinis a realidade observativa que nos faz ver naquele reitor das duas pupilas  - Clara e Margarida - um liberal de convicção, ou seja, alguém que antecipava o novo tempo que a Igreja, paulatinamente, se ia preparando para viver, como veio a acontecer no final do século XIX, com o Papa Leão XIII.

Reler as "Pupilas do Senhor Reitor" se é mergulhar num mundo que se perdeu - no todo ou quase - é emergir de um pântano que a sociedade dita moderna diz, se ter libertado, mas sem cuidar que os valores humanos existenciais ali representados são os autênticos sem retoques ou pinceladas que pintam "cor de rosa" um mundo estranhamente desencarnado da chama espiritual sem a qual a vida frívola até parece feliz,  mas não é verdadeira.

O médico Júlio Dinis, de certo modo, incarna a figura de Daniel, débil como ele, que um dia foi até Ovar - onde começou a arquitectar o enredo deste romance - na esperança dos ares balsâmicos do mar servirem de lenitivo ou cura à doença que o vitimou na flor da idade, pelo que Daniel e tudo quando faz e diz é um retrato do autor, a menos no casamento com a pupila do reitor, Margarida, um passo que Júlio Dinis nunca deu, porque sendo médico sabia que a tuberculose não lho permitia, algo que nos deixa a pensar que até neste passo tão importante da existência foi um grande homem, pelo valor da renúncia de que encheu a vida.

E foi, meditando na frase do velho reitor ter o Evangelho no coração - o que vale ainda mais do que tê-lo na cabeça, nos valores humanos espelhados no romance e no seu próprio exemplo de uma humanidade sofrida, que enchi, mais uma vez, na tarde de um destes dias acalorados de Agosto o meu baú de memórias, enquanto ia pensando nos vários grupos de música gritante que vão arregimentando multidões de jovens por Portugal fora, mas sem lhes darem valores humanos como os do romance de Júlio Dinis e outros semelhantes.


sábado, 8 de agosto de 2015

E agora, qual é a estratégia?


in, "Expresso.sapo,pt" de 25 de Janeiro de 2015


Para António Costa, em Janeiro "outros países deviam seguir a mesma estratégia contra a austeridade".

E, agora, qual é a estratégia?

"O povo é sereno"... e paga a factura!



in, visao.sapo.pt de 8 de Agosto de 2015


As Auto-Estradas são sempre equipamentos muitos caros ao ponto de custar, em média, entre 10.000 a 12.000 euros cada metro linear, incluindo movimentos de terras, construção da via, respectivas bermas e valetas, obras de arte (pontes, aquedutos e viadutos) túneis, sinalizações de superfície e aéreas, etc.

É norma corrente de quem estuda o "dossier" dos fluxos viários, só um trânsito acima de 15.000 carros/dia, dar garantias de manutenção e sustentabilidade económica às Auto-Estradas, A ser assim a "A8" - Auto Estrada do Oeste com 138Km, não tem trânsito que a justifique. De igual modo, assim é a "A10", a conhecida Auto-Estrada do Ribatejo e a "A13", a Auto-Estrada do Pinhal Interior. A "A2" justifica 2 dos 12 meses do ano. Julho e Agosto, tal como a "Via do Infante".

Costuma dizer-se "que os erros dos nossos pais e avós fazem-nos eles e pagamo-los nós", pelo que - embora úteis e necessárias para o progresso do País - o erro não esteve na sua construção, mas sim no espaço temporal em que as mesmas foram construídas, porquanto, tiveram como base a vaidade política de um tempo e de pessoas concretas bem conhecidas que porfiaram em deixar obra... mas deixando as dívidas das mesmas para as futuras gerações, o que, de modo algum, racionalmente, é compreensível.

E isto não é desculpável e só aconteceu porque os mais responsáveis sabiam que "o povo é sereno" e ia, tal como está, com língua de palmo a pagar a factura em face do descalabro bem recente que foi cometido à vista de todos.



O Partido Socialista acaba os cartazes por onde devia ter começado!



in,http://rr.sapo.pt


Esta é a imagem da terceira vaga dos cartazes eleitorais do Partido Socialista. ou seja, depois de duas tentativas falhadas, a primeira algo de chacota e a segunda, desrespeitosamente a usar rostos de pessoas sem autorização destas e a proclamar verdades que, ao que parece, o não eram - vem agora a terceira, usando o rosto de António Costa, com o Partido Socialista e pedir desculpas...

Fazê-lo, não lhe fica mal, o que foi mal feito foi ter dado motivos para que tal tivesse acontecido, o que prova que o PS andou a brincar com o fogo ao pedir a confiança aos portugueses e do modo como o fez!
Foi o descaramento completo. A falta de respeito pela inteligência do povo!

Agora, sim. Acaba por onde devia ter começado. Com o rosto de António Costa que derrubou - de propósito - o camarada António José Seguro e tem de dar o rosto pela campanha eleitoral.

"À terceira é de vez", costuma dizer o povo, mas não é desculpável que tenha errado tanto um Partido que quer conquistar o poder, porque ao pedir confiança leva o povo a desconfiar... deixando-o a pensar que, se ganhar as eleições de 4 de Outubro, se errou em coisas de "lana caprina" como estas de não saber como se faz um cartaz, não deve merecer, como pede -  confiança política -  porque não se pode errar, nunca mais, num tempo em que o erro se paga caro e Portugal não pode voltar ao tempo "faz-se... e, depois, logo se vê" pela simples razão que o tempo das aventuras acabou e há uma geração perdida no labirinto de duvidosas políticas, onde avultam as obras faraónicas, que a levou em grande parte, a procurar emprego no estrangeiro e, outra, que agora, entra na Universidade e tem de merecer o emprego em Portugal.

No entanto, o que tem de ficar de pé, é a confiança no povo que somos que tem tido a sabedoria colectiva de a par dos desmandos políticos dos que já lhe pediram outras "confianças" soube encontrar dentro de si mesmo o arreganho de seguir em frente, a olhar - agora mais que nunca - para a confiança que mora dentro de si mesmo.

Que grande povo é o nosso!
Que grande povo é o povo de Portugal!


Uma pedrada no charco!



Captura do Jornal "i" de 8 de Agosto de 2015, com a devida vénia.


Eis a grande verdade, dita sem papas na língua por esse futebolista de génio que foi no seu tempo, António Simões, que honrou como poucos a camisola do Sport Lisboa e Benfica e a quem agradeço a franqueza da sua opinião sobre o aproveitamento do futebol pelo regime hodierno.

E é tão evidente o que ele diz - porque a Democracia instaurada - em vez de colocar a Cultura em primeiro plano, deixou que este fosse ocupado pelo futebol, estou do seu lado e, reverentemente, aprecio-o por ter tido a coragem de dizer o que muitos pensam, como eu.


Uma recordação.


in, beachcam.sapo.pt (com a devida vénia)
Praia Grande (Sintra) - Ao fundo o Hotel com a sua piscina oceânica


Eu peço licença à alma desse mimoso poeta brasileiro que viveu em Portugal no século XIX para começar esta recordação, citando o primeiro verso da primeira estrofe do poema  - Deus - para citar o tempo feliz que me levava até à Praia Grande para ali encher os olhos na amplidão do mar.

Eu me lembro! eu me lembro! - Era pequeno...e, como ele, descuidado da vida e dos muitos trabalhos que me aguardavam brincava na praia, com a diferença - importante - que naquele descuido da minha infância não me lembrava que tudo aquilo que me enchia os olhos de magia - o mar - era obra de Deus, desse Ser incorpóreo que a minha santa mãe me tinha ensinado a amar e respeitar.

Porque, Casimiro de Abreu foi mais introspectivo que eu, embora os dois tivéssemos tido os olhos cheios de mar e termos visto, sacudida, A branca  espuma para o céu serenoteve o condão de interpelar sua mãe sobre o nosso mesmo Deus para ouvir a resposta cheia de fé e e sabedoria que ele, num arroubo místico, imortalizou no poema DEUS que nos deixou como um marco da sua caminhada poética:



Eu me lembro! eu me lembro! - Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia
E erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca escuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento:
"Que dura orquestra! Que furor insano!
"Que pode haver maior que o oceano,
"Ou que seja mais forte do que o vento?!"

Minha mãe a sorrir olhou p'r'os céus
E respondeu: - Um Ser que nós não vemos
"É maior do que o mar que nós tememos,
"Mais forte que o tufão! Meu filho, é - Deus!"

Casimiro de Abeu
Dezembro - 1858.

Resta-me agradecer a felicidade de nestes tempos em que a vida já tomba movida pelos anos, ter recordado este poema de Casimiro de Abreu que teve a arte de levar para trás - envolto num sonho - a minha recordação dos tempos longínquos em que a Praia Grande, pelo facto de eu ser pequeno, parecia maior que hoje, porque quando se é pequeno há um erro de perspectiva que leva os olhos a tornar maiores os espaços e as distâncias


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A ruralidade que havia em Miguel Torga


in. "Miguel Torga - Fotobiografia" de Clara Rocha


Cá estou mais uma vez cingido à minha natureza profunda. Vestido como qualquer camponês e a sentir-me bem dentro desta pele terrosa,  cavo o quintal, arranco silvas, podo roseiras, racho lenha. E converso com gente do meu agro que me vem visitar ou consultar, gente que nunca me leu, nem faz ideia do que é ser poeta, que fala de trivialidades e quer ouvir respostas triviais. Alimento com todo o meu ser essas conversas intermináveis, feitas de tudo e de nada, e quando elas acabam retomo a enxada de boa consciência, na paz de quem compreendeu e foi compreendido. Sabe bem compartilhar da condição comum. Lá em baixo sou uma ficção entre ficções: aqui sou uma criatura entre criaturas.

in, "Diário XIV" em S. Martinho de Anta,  23 de Dezembro de 1982


Cá estou, mais uma vez rendido a Miguel Torga.

Leio este pequeno texto que ele escreveu entre a enxada e a secretária da sua casa transmontana de S. Martinho de Anta - até onde uma vez abalei numa "peregrinação" laudatória da sua lembrança - e parece que o vejo a atender o "seu povo" a ouvir as suas trivialidades e a responder-lhe no mesmo tom, sem quaisquer demonstrações do ser que ele foi - médico e poeta - dos mais genuínos que viveram em Portugal no século XX.

Hoje, quando vou à pequena aldeia de onde sou natural, sou algo parecido - só nisto - com Miguel Torga, quando tento limpar a terra do meu quintal das ervas daninhas e das silvas teimosas, no intento de lhe dar a aparência com que o recebi das mãos dos meus pais que Deus lá tem, tal como eles o fizeram dos que os antecederam.

É o preito que pago à terra onde estão as minhas raízes, esquecendo o que acontece comigo quando retorno à cidade, nos momentos em que dou comigo a tropeçar nas palavras do Poeta, no seu dizer: Lá em baixo - penso que se referia a Coimbra onde tinha o seu consultório - diz que sentia uma ficção entre ficções, porque sempre se sentiu um homem da ruralidade do seu agro, onde ia com a frequência que podia para limpar o quintal e matar saudades do ar e das montanhas.

Como eu entendo Miguel Torga!

Como eu respeito e bebo as suas palavras em prosa ou verso, umas e outras, filhas dilectas de um temperamento que alguns terão achado difícil, mas só, porque o não quiseram compreender, como ele se define, austero, mas verdadeiro no seu poema BIOGRAFIA, que vale a pena ler e meditar.


Sonho, mas não parece.
Nem quero que pareça.
É por dentro que eu gosto que aconteça
A minha vida.
Íntima, funda, como um sentimento
De que se tem pudor.

Vulcão de exterior
Tão apagado,
Que um pastor
Possa sobre ele apascentar o gado.

Mas os versos, depois,
Frutos do sonho e dessa mesma vida,
É quase à queima-roupa que os atiro
Contra a serenidade de quem passa.
Então, já não sou eu que testemunho
A graça
Da poesia:
É ela, prisioneira,
Que, vendo a porta da prisão aberta,
Como chispa que salta da fogueira,
Numa agressiva fúria se liberta.

in, "Orfeu Rebelde"


Mais um cartaz... mais um disparate!


in, Expresso online

Mais um cartaz... mais um disparate!

Esta senhora desempregada - há 5 anos - já estava nesta situação no tempo do Governo de José Sócrates, como refere a notícia.

(2015-5 = 2010), ou a Aritmética é uma batata?
A ser assim, em 2010 quem é que desempregou esta senhora?
Foi o Governo de Passos Coelho que em 2011 herdou a pré-bancarrota de todos os disparates socialistas, que pelos vistos os continua a fazer - e pasme-se - contra si mesmo?
Cabe, pois, perguntar ao Partido Socialista (PS) onde é que escondeu a memória.
E cabe perguntar, mais o seguinte:

Se não são capazes de fazer uma cartaz de jeito - com cabeça pensante - com que cabeça é que querem governar Portugal, na hipótese de virem a ganhar as eleições de 4 de Outubro?

E não pergunto mais, mas constato isto:
Se não cuidam de si próprios não são capazes de cuidar da "res-pública".