Daqui vejo um pedaço do mundo e se o vejo desajeitado, sofrendo a mágoa duma realidade melhor que desejei, estou consciente de não ter sido um destruidor assumido, embora admita a omissão de o não ter ajudado a erguer como devia, sugerindo estas afirmações que os dois modos contrários do meu agir reflectem a minha desatenção humana, dando-me a certeza que a ela só escapam os homens fadados para destinos superiores
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
Aceito... mas custa-me...
Em Portugal há algo que não entendo no que respeita à leis laborais que regem o Público e o Privado, porque segundo a Constituição da República Portuguesa - Artigo 13º - Princípios da igualdade - a lei no seu nº 1 diz que Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
Palavras sonantes... porque, devia ser assim, mas não é, segundo o que penso.
Entendido o respeito humano pela dignidade social, temos que se no Público os seus trabalhadores, semanalmente, trabalham só 35 horas, no Privado trabalham 40. ou seja mais 5 horas... mas agindo o governo do Estado a coberto da alínea "b" do nº 2 do artigo 59º. da Constituição, que neste ponto, ao dizer que o Estado pode fixar a nível nacional dos limites da duração do trabalho, algo que devia, apenas - e muito bem - diferenciar os Princípios da igualdade, mas só, tendo em conta determinadas profissões de risco ou de graus de dificuldade, e não ter sido generalizado, como foi., para profissões em que o risco de dificuldade é igual.
Agiu aqui uma sombra, que me parece, tapou a luz que o legislador lhe quis dar.
E no que concerne ao ordenado mínimo nacional para 2019, o Público vai auferir 635 euros e o Privado 600 euros.
E isto é assim, porque o patrão ESTADO trata melhor os seus trabalhadores porque o partido que gere, no momento, a coisa pública para se manter no poder "compra" os seus votos com a "esperteza" de o fazer em dois carrinhos: nas horas de trabalho semanal e na retribuição mensal, jogando deste modo com votos que somados são centenas de milhares... e não é coisa que a ciência política possa desperdiçar!
É um despautério quando é a cúpula do Estado a não cumprir a Constituição sobre os Princípios da igualdade, que mais à frente, no nº 2, alínea "a" do Artigo 59º diz que lhe cumpre O estabelecimento e a atualização do salário mínimo
nacional, tendo em conta, entre outros fatores, as necessidades dos
trabalhadores, o aumento do custo de vida, o nível de desenvolvimento das
forças produtivas, as exigências da estabilidade económica e financeira e a
acumulação para o desenvolvimento.
De reter que a Lei Fundamental ao não colocar no plural o termo - salário mínimo nacional - não autoriza que o Estado estabeleça valores diferenciados para dois salários mínimos como vai acontecer em 2019, razão suficiente que me lava a concluir, que, ou se altera a letra da lei, ou o Estado, através do seu governo, não a cumprindo, a está a não cumprir
De reter que a Lei Fundamental ao não colocar no plural o termo - salário mínimo nacional - não autoriza que o Estado estabeleça valores diferenciados para dois salários mínimos como vai acontecer em 2019, razão suficiente que me lava a concluir, que, ou se altera a letra da lei, ou o Estado, através do seu governo, não a cumprindo, a está a não cumprir
- Será por conveniência eleitoral?
- Por falta de leitura?
- Ou serei eu que estou a julgar errado aquilo que está correcto?
Quanto a mim, sinto-me certo.
domingo, 9 de dezembro de 2018
Como foi isto, Senhor?
in, "Jornal Económico" de 9 de Dezembro de 2018
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Senhor Jesus.
Foi meritória a obra dos meus irmão brasileiros ao terem-Te colocado tão acima
para que, de braços abertos - num gesto especial para eles - os abençoasses,
assim, num gesto magnânimo,
como se Tu - que és Deus - colocado tão acima, abençoasses todo o Mundo,
tal como fazes aos meus irmãos brasileiros,
que levados num arroubo de amor por Ti, tantos deles dizem convictamente:
que levados num arroubo de amor por Ti, tantos deles dizem convictamente:
Deus é brasileiro!
Continua assim de braços abertos para todo o Mundo
e faz que os meus irmãos brasileiros continuem a dizer em honra de Teu Pai
o mesmo nome carinhoso que Te assenta muito bem, porque Tu és Deus!
E, por isso,
não deixes cair os braços... não é, que pela distorção da verdade,
bem longe daquela que ensinaste aos homens, eles não mereçam,
num universo por demais dilatado uma reprimenda...ou mesmo, um musculado abanão.
algo que a Divindade de um Tempo Novo que chegou contigo
Te proíbe que faças, como antigamente acontecia nos relatos históricos
que chegaram até nós antes da Tua vinda a este Mundo
aonde foste enviado para o modificar por amor à Tua VERDADE.
- Esse pequeno nada que devia ser tudo... e não é!-
Tem piedade... e, como eu sei que podes, muda as coisas.
A começar pelos meus irmãos brasileiros que te puseram tão acima
e, tantos deles, deixaram de Te ver, como acontece
em tantas partes do Mundo, dito civilizado, mas onde falta a Tua VERDADE!
Porque, tantos de nós, descemos tão baixo?
Assim, tão baixo, que deixámos de Te ver... estando Tu tão acima!
- Como foi isto, Senhor?
sábado, 8 de dezembro de 2018
Dia 8 de Dezembro - Festa da Imaculada Conceição
Hoje, é dia de lembrar a festa desta excelsa Rainha, cuja coroa é, ímpar e tem para todo o cristão de todas as Igrejas que vão buscar aos tempos da Nova Era a sua identidade - sigam ou não o Magistério de Roma - o simbolismo dela conter todas as riquezas espirituais que a dão, conforme o dogma católico, com um ser pré-destinada por Deus para ser a Mãe de Jesus.
Milagre?
É assim, porque a Deus nada é impossível e o próprio Islamismo, embora não reconheça Jesus como Filho de Deus, reconhece que Ele é um grande Profeta nascido por
meio de um milagre do seio de uma virgem excepcional. Na realidade, o principal
ponto de convergência entre o Islamismo e o Cristianismo é o reconhecimento de
um Patriarca comum, Abraão, de quem os Muçulmanos, os Judeus e os Cristãos,
herdaram sua fé monoteísta no mesmo Deus.
Tenhamos as dúvidas que tenhamos, mas Maria está
tão próxima do coração humano – de cada coração humano, qualquer que seja a sua
cultura, época, e até mesmo religião – que a Santa Virgem Maria é amada e sua
intercessão é rogada além do mundo cristão, como acontece no Budaísmo ou no Hinduísmo, religiões distantes da Revelação Cristã, onde Maria é tida como a Mãe cheia de amor, cuja
ternura só pode ser igualada à de sua coragem em defender o Filho bem-amado.
Por este motivo, muitos adeptos destas religiões não-cristãs, são atraídos pela
Mãe de Jesus e chegam até a rezar-lhe, como se à própria mãe o fizessem.
Para a Religião Apostólica Romana, Maria é venerada como Imaculada desde o seu nascimento para - como se disse - aceitar a gestação miraculosa que se operou no seu ventre e é por isso, a primeira Santa de todas as Santas.
No seu estilo inconfundível, Camões cantou-a deste jeito:
Para se namorar do que criou,
Te fez Deus, sacra Fénix, Virgem
pura.
Vede que tal seria esta feitura
Que para si o seu Feitor guardou!
No seu alto conceito Te formou
Primeiro que a primeira criatura
Para que única fosse a compostura
Que de tão longo tempo se estudou.
Não sei se digo em tudo quanto baste
Para exprimir as raras qualidades
Que quis criar em Ti quem Tu
criaste.
És filha, és Mãe e Esposa e se
alcançaste
Uma só, três tão altas
qualidades,
Foi porque a Três de Um só tanto
agradaste.
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De reter que Camões ao chamar a Deus de - Feitor - dá com clareza toda a força espiritual a entender que este Feitor sonhou tanto com a Sua Obra que formou a Imaculada - primeiro que a primeira criatura - ou seja, a Conceição Imaculada de Nossa Senhora foi desde o Princípio dos Tempos um projecto acarinhado pelo Criador do Mundo.
Os actos humanos e a sua obediência à lei natural
Negada a dependência de Deus desaparece o princípio formal da obrigação, e suprimido o princípio formal da obrigação, que não é outro senão a autoridade divina, se destrói, ou ao menos temos de repelir por inútil, a lei natural, norma próxima da moralidade dos atos humanos, e sem obrigação moral as leis carecem de eficácia, e de finalidade os ditames da consciência; e feito isto, a vida humana é impossível, a sociedade se converte em uma agrupação artificial mais ou menos sabiamente organizada, porém, sem consistência fixa, porque carece de uma comunidade de princípios morais, laço espiritual que liga as gerações, unificando seus esforços em ordem ao progresso e à felicidade, sem a ideia de Deus a autoridade não pode intimar seus mandatos nem o direito possui virtude para impor seus axiomas, nem se concebe sanção eterna sem um legislador que premeie e castigue aos homens segundo suas obras.
E sem
autoridade, sem consciência, sem direito, teremos uma associação de animais
dirigidos pelos instintos, não uma sociedade de homens governada pela razão.
os Proclamada a moral independente, converte-se o homem em fim de si mesmo,
inclinado unicamente para o gozo dos bens materiais, a vontade não encontra
nessa moral um estímulo que a impulsione à virtude nem um freio às suas
concupiscências, nem uma energia que domine suas paixões e dome seus apetites,
haverá apenas uma desordem completa nas faculdades morais da alma.
P. Eugenio Cantera
in, Jesus Cristo e os Filósofos - Cap, V, nº2 Jesus Cristo e a Moral
sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
Uma greve "bem escolhida"...
https://www.sapo.pt/de 6 de Dezembro de 2018
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Uma greve "bem escolhida".!
Mais uma de tantas iguais, temporalmente, que já lhe perdemos o conto!!!
E tu, povo, a votares neste Sindicato que não te respeita e no partido político que tudo fez para ver reconvertida a situação que colocava os transportes no sector privado, sem te aperceberes que ias sofrer "na pele" esta trapaça!
Greve à sexta-feira... ora toma lá e aceita... porque a banalização da greve num Paios "ás direitas" se havia de ser o último recurso deixou de o ser, para se parecer com mais um dia que se acrescenta a um fim de semana, constituindo isto uma falta de vergonha que só num País coxo onde conta mais a inversão dos princípio, que o respeito por eles, admite.
Será que não vamos aprender?
O ano que vem é uma oportunidade de lhes fazer valer "que o povo é quem mais ordena"?
Ou já esquecemos isto?
É um desaforo, meus senhores tanta falta de respeito pelo povo sofredor!
Burilando a vida...
O Oleiro
Cá vou burilando a
vida
com toda a arte que
tenho…
- Pouca, tantas
vezes! –
mas teimando, por
entender
que a vida em si,
é perfeita, por ser
Obra de quem É!
Cá vou burilando a
vida
Concertando uma excrescência
do barro que sou e
que deixei amolgar
por omissão minha!
Cá vou burilando a
vida
no meu banco de
oleiro que ponho a rodar
e sempre o deixo
entontecido,
quando me esqueço de
o travar…
bastado, apenas, um
golpe de pé.
Deste meu pé que anda
por aí sem parança,
quantas vezes,
esquecido
do passo a mais que
deu,
e a que pesa o facto
indesculpável
de nem sempre
entender, a sabedoria popular
que nos diz:
Avança-se, por vezes, muito mais
quando a ponderação faz repensar
no passo mal dado que foi dado!
É, por isso, que me
sento no meu banco de oleiro
para medir todos os
passos que dou…
e, com a perfeição que
posso, ir burilando a vida
na esperança deste alimento
da alma
que teimosamente se
recusa a morrer
sem antes ter deixado
para o dia de amanhã
- e, talvez para o
que vem a seguir –
obra que se veja!
Eis o motivo de viver
agarrado todas as
manhãs ao banco de oleiro
que existe na minha
oficina…
e que tem o dom de me
chamar
para dar mais
perfeição à minha obra imperfeita!
Um pensamento para o Advento
Neste peregrinar do homem pelos caminhos da vida chegámos a um tempo a que a Igreja chama ADVENTO que designa "espera"; "pausa", convidando o homem a refrear o seu passo apressado para lhe dar o compasso certo que lhe mostre com mais luz o pensamento de Jesus, que de si mesmo disse, sem vanglória, mas porque assim se tornou necessário que o tenha dito no seu tempo, como hoje, continua a ser um fanal: "Eu sou a luz do mundo, aquele que me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida", palavras de que S. João tomou nota e as fez inscrever.
Como é que se segue Jesus?
È simples. Basta ler os Evangelhos e seguir "à risca" o que lá é dito n a nossa vida social quanto ao respeito - que lá se chama AMOR - pelo nosso semelhante e não fazer da vida uma azáfama constante, sabendo que a paragem para a meditar e pensar em Jesus, ao menos que seja, uma vez por ano no Advento que agora vivemos é um refrigério para a alma.
Sobre isto, alguém terá dito:
De vez em quando
convém fazer uma pausa
na nossa busca de felicidade
só para sermos felizes...
Efectivamente, é assim.
No nosso mundo atordoado
de muitas correrias
e, quantas vezes, de atropelos à
moral e à honra,
onde não raro sepultamos os
nossos melhores ideais
numa ânsia incontida de
alcançarmos
a felicidade que nem sempre
encontramos,
convém, fazer uma pausa
e repensar nos novos rumos que é
preciso percorrer,
porque não é por se andar a
correr
que mais depressa alcançamos as
metas sonhadas.
Sobretudo de vivemos de costas
voltadas
para o amor de Deus,
o guia seguro de todos os
caminhos.
Invocando-O, ao pensar nos
caminhos
da sua própria vida, o rei David
falou deste modo:
Fizeste-me conhecer os caminhos
da vida,
encher-me-ás de alegria com a Tua
Presença. (1)
É por isso que de vez em quando
é preciso fazer uma pausa
para que Ele nos ensine os
caminhos que temos de percorrer
para sermos felizes com a alegria
da Sua presença
(1)
Act. 2, 28
Que este pensamento, seja assim, neste Advento e com ele posto no sobrenatural incarnado pelo Homem-Jesus, vivamos assim "para sermos felizes com a Sua presença", porque só Ele é, efectivamente, a luz do mundo, e que, nos obriga a pensar como disse aquele "alguém":
De vez em quando
convém fazer uma pausa
na nossa busca de felicidade
só para sermos felizes...
E que nesta pausa as nossas correrias cedam um pouco ao nosso direito de sermos felizes, porque é para isso que vivemos, mas com a busca da felicidade feita com a inteligência que temos, pela graça de Deus.
Portugal politico está doente...
O que se passou no Parlamento - dita a Casa da Democracia - com a "presença" de deputados que lá não estavam e mesmo assim votaram ou assinalaram a sua presença como se esta correspondesse à verdade, prova à saciedade a falta de vergonha que impesta o Parlamento de Portugal,onde aqueles deputados escolhidos pelo povo agem com a baixeza moral do mais reles sentido de responsabilidade, a começar por si mesmos.
Portugal político está doente... mas a gente procura e não acha o médico que possa debelar este mal.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
"Quem o viu! e quem o vê"!
Caricatura de Guerra Junqueiro
in, "A Farça" - ano 1º - nº1 - Coimbra, 20 de Dezembro de 1920
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Irreverente, ao estilo coimbrão dos seus colaboradores, Ramada Curto,Veiga Simões,Carneiro de Moura, Ana de Castro Osório, António Arroio, Augusto Gil, Brito Camacho, Hipólito Raposo, António de Monforte (António Sardinha) e Afonso Lopes Vieira, a Revista quinzenal bem humorada - A FARÇA - viu a banca dos jornais efemeramente num período que mediou entre 20 de Dezembro de 1909 a 27 de Abril de 1910.
Teve um papel importante na forma de reagir ao conservadorismo dos últimos anos da Monarquia, criticando desigualdades sociais e injustiças políticas e ao usar o humor procurou atingir as consciência através desse modo, a par de ter sido uma publicação que primou na Arte Portuguesa pela publicação de desenhos modernistas nas suas caricaturas.
A publicação deste poema - BARBAS PROFÉTICAS - acompanhado de uma caricatura de Guerra Junqueiro é o exemplo acabado do humor que serviu de base aos seus textos, como este em que o fervor revolucionário do grande Poeta de Freixo-de-Espada-à Cinta, por aquele tempo um vetusto cidadão alquebrado pelos anos - Quem o viu! e quem o vê! - mas que nos seus tempos áureos brandiu a "espada" do inconformismo cilindrou, até, Deus, na "Velhice do Padre Eterno", agora, continua o poema, é vê-lo / com barbas de profeta ou ermitão, acabando o poema, zombeteiramente, pegando-se com Guerra Junqueiro, ao comparar o seu modo de vida de então com a lenda antiga que diz, o diabo se fez frade.
Que pena o tempo de hoje não produzir intelectuais deste jaez
sábado, 1 de dezembro de 2018
Querem fazer de nós um País sem memória?
Não me recordo de ter visto, hoje, num dos nossos jornais de referência como notícia de capa, terem feito alusão à data que hoje devia ter sido comemorada - ou, no mínimo, assinalada - e não foi
1º de Dezembro de 1640
E foi para esta imprensa que vive em "crise profunda" e para a qual o Chefe do Estado, recentemente, aventou a hipótese de uma eventual necessidade do Estado intervir, que lançou um rastilho perigoso, mas esta imprensa tal como se comporta pelo desprezo da História de Portugal, tem de se ajudar a si mesma.
Esta imprensa "acéfala" vive assim e trata os leitores deste modo porque está empenhada em fazer de Portugal um país sem memória, quando entre 1 de Dezembro e 24 de Agosto de 1820 despoletou a Revolução Liberal no Porto, estendida a Lisboa e ao resto do país, com a criação de um governo provisório a que deram o nome pomposo de Junta Provisional de Governo do Reino, se viveu uma época conturbada, é certo, pelos sessenta anos de domínio espanhol, mas com a coroa a tomar conta de reabilitar a Pátria ferida.
- E então, esta data não era de lembrar?
- É para não ofender Espanha?
- Ou querem fazer de nós um País sem memória?
- É para não ofender Espanha?
- Ou querem fazer de nós um País sem memória?
"Hipnotismo Político"
in, "A Paródia - Folha independente feita para toda a gente"
nº4 - Vol 1 - Ano 1 - 19 de Janeiro de 1923
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Não tenhamos dúvidas.
Aprovado o Orçamento para 2019, os partidos - todos eles - mas com maior evidência para o Partido Socialista que nesta "hipnose" política é mestre vão lançar-se em campanha eleitoral.
A imagem de que nos servimos é disso um exemplo e o ano da sua publicação também, porque foi um ano politicamente agitado, logo de início a 5 de Fevereiro com os directórios dos partidos liberal e reconstituinte a coligarem-se num novo partido e com o dia 17 de Fevereiro a ver surgir um outro: o partido nacionalista de Júlio Dantas... num fervilhar político avassalador... como se se sentisse já, a ante-câmara do Ditadura Militar de 28 de Maio de 1926.
"LOGOS" - Sabedoria de Deus
in, "A Renascença" revista cultural publicada no Porto em 1878
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No Cristianismo o termo grego - LOGOS - sintetiza vários significados, como: "aquilo que é dito"- "aquilo que é pensado" - "fundamento" - e no Cristianismo significa "Sabedoria de Deus" identificada por Jesus Cristo no Novo Testamento.
Não se sabe, ao certo, o ano em que Antero de Quental escreveu este soneto que a revista "A Renascença" que o publicou em 1878 não no-lo diz.
Não é, possivelmente, um trabalho da sua mocidade de Coimbra nos tempos da fundação da "Sociedade do Raio" (1861-1862) um movimento que ele liderou e que quis renovar o País pela literatura, enquanto se distinguiu de ultraje em relação a Deus e acirradamente contra a Monarquia, donde teria vindo por extensão de ideias o seu pendor anti-cristão
Muito menos teria sido escrito até à fundação das "Conferências do Casino Lisbonense" (1871) onde Antero de Quental deixou os seus propósitos: "Seremos, em religião, pelo sentimento criador do coração
humano, contra os mitos tradicionais das teologias. Seremos, em política, pelo
governo do povo pelo povo. Em sociologia, pela emancipação do trabalho. Em
literatura e arte, pelo fim social e civilizador da arte. Só dentro disto é que
todas as opiniões são perfeitamente livres. Os mentores principais deste
propósito ideológico, juntos constituíram o Grupo dos Cinco, para honra de
Quental, de Eça de Queirós, de Ramalho, de Oliveira Martins e de Guerra
Junqueiro, o mais incrível e insuperável de quantos homens de Pensamento e da
Arte, num período único da História da Cultura Portuguesa, dominarão por muitos
anos os horizontes das letras e das ideias."
Naturalmente, este soneto é uma marca do tempo que mediou entre 1871 e a sua morte em 1891, fruto da bipolaridade deste grande homem do pensamento, quando aquietadas as forças que o lançaram na fornalha da vida política e social, de regresso definitivo a S. Miguel (Açores) (1891) de pazes feitas com Deus, o - LOGOS - que não via e, no entanto, como ele declara: "estás ao pé de mim / E o que é mais, dentro em mim", nesse mesmo ano suicida-se num jardim do Campo de S. Francisco, arcando consigo para a sombra do túmulo o facto de ter sido, enquanto Poeta um místico, um crítico e um filósofo, porquanto, o misticismo e a metafísica são dois campos complementares onde o sentimento e a razão, a vontade e o temperamento aliado à inteligência, terçam armas, muitas vezes, até, mortificando-se.
Este soneto é a prova disso mesmo.
Este soneto é a prova disso mesmo.
sexta-feira, 30 de novembro de 2018
"O Teu Olhar" - Um poema de Xavier de Carvalho
in, "O Académico" - Revista Quinzenal Ilustrada - nº1 - 1878
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"Os olhos são os intérpretes do coração", disse Pascal como se quisesse aludir a um outro pensamento de origem judaica "São os olhos que dizem o que o coração sente", ou ainda, de um modo amoroso "Não se deseja o que o olhar não veja", um conceito da alma portuguesa que o Poeta Xavier de Carvalho tomou a peito com este "O TEU OLHAR", que é, na poesia portuguesa um olhar de amor feito poesia da melhor que tem cantado o amor em Portugal.
"DEUS" - Um soneto de Adelino Veiga
in, Ilustração Popular - Ano 1º - 2 de Julho de 1884 - nº 1
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"Ser poeta é"... a partir de um quadro da vida que preenchem as três primeiras estrofes deste soneto, completá-lo com " a grandeza de Deus" que tornou para as almas sensíveis quadros assim, em que a vida como ela deve ser vivida se assume por inteiro quando ao cair do dia "Entre cortinas de ouro o sol desmaia"...
"Ser poeta é"... saber tirar do vulgar dos dias a chama refulgente do dom de viver, agradecendo a Deus que "se ergue em minh'alma" - no dizer do Poeta - uma chama "mais viva que o sol", com a particularidade de não queimar por ser uma chama de salvação e que devia ser de conversão para todos os que não acreditam, mas que têm, por acção directa do Criador, bem dentro de si mesmos, quantas vezes, bem no fundo, um sentimento divino de que todos somos portadores.
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
Viajar para o "nosso quarto interior"
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Xavier de Maistre (1763-1852)
Recordo-me de um dia ter lido um livro famoso de Xavier de Maistre - VIAGEM À VOLTA DO MEU QUARTO - tendo como base uma fábula escrita no estilo de uma grande narrativa de viagens e que é, somente, um relato autobiográfico de um jovem oficial que se encontra detido no seu quarto durante seis semanas e que, na observação que faz da mobília, dos quadros e decorações, vê nelas paisagens de uma terra longínqua.
Aquele oficial fez a grande viagem "para dentro de si mesmo" como nos aconselha o "Autor Desconhecido", ou seja, para a necessidade de penetrarmos a fundo de vez em quando no nosso interior e ver nele, plasmados, no nosso "quarto interior" a mobília, os quadros e as decorações a necessitar de ser limpos das superficialidades humanas que, vezes demais, impestam a nossa vida.
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